Crônica diária
Inteligente por natureza
Existe tipos de pessoas sensíveis
e inteligentes por natureza. Geralmente não se enquadram nos padrões comuns. E
são de difícil definição. Enveredam pelas humanas, raramente pelas exatas. São
jornalistas, poetas, escritores, artistas. Um desses foi Rubem Braga, que
estudou direito mas nem o diploma foi buscar. Repórter, jornalista, e o maior
dos cronistas brasileiros. A independência intelectual, a simplicidade, e a
coerência foram suas marcas. Nunca foi comunista, mas os integralistas o tinham
como tal. Os comunistas sabiam que ele não era. Sempre teve uma sensibilidade e
inteligência que não o permitiu ser comunista, apesar de sempre preocupado com
o social. Considerava-se um jornalista pequeno-burguês. de um país
semicolonialista. Conviveu e foi amigo de todos os melhores intelectuais do seu
tempo. Trabalhou para o Assis Chateaubriand sem a ele se subjugar. Cobriu
guerra e revoluções com um distanciamento profissional. Os amigos achavam
engraçadíssima sua permanente aparência de mau humor. Dizia não rir porque
tinha péssimos dentes, e por isso não conhecia o sorriso rasgado, fácil,
feliz. Ao escrever um cuidadoso prefácio para seu primeiro livro "O
Conde e o passarinho", nome sugerido por Jorge Amado, diz: " Já
escrevi umas duas mil crônicas. É natural, eu vivo disso. Estas aqui não são as
melhores; podem dizer que escolhi mal, tanto do ponto de vista literário como
do ponto de vista revolucionário. Mas estas representam as outras. Quero dizer
que elas também representam a mim. Falam da minhas forças e minhas
fraquezas." Este prefácio foi excluído da segunda edição. Estou
deliciando-me com sua biografia escrita por Marco Antonio de Carvalho. E para
finalizar, como nenhuma regra deixa de ter suas exceções, conheci recentemente
um de seus sobrinhos, o Alvaro Abreu, que apesar de inteligente e sensível, é
engenheiro. Engenheiro, colhereiro e cronista de mão cheia.


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