Crônica diária
Os longos caminhos de uma imagem
Estava a procura do tema do texto de hoje, com o olhar perdido no
monitor do meu notebook, onde a imagem era de uma foto enviada pelo José
Luis Fernandez, de Niterói. Meu ultimo livro, "Dance comigo" entre
capas de discos 33 rotações. Quantas lembranças essa bailarina da capa
não me trás. Quantas não despertarão, entre os leitores, ao longo dos
próximos anos. As primeiras são só minhas. Um pequeno retrato no jornal.
Depois a montagem do chassis de madeira com 168 x 168 cm. Esticar e
pregar a lona. Duas mãos de tinta branca fosca de base. Depois o desenho
com carvão. E por derradeiro e mais prazeroso a pintura. A tela é
datada de 2004. Onze anos depois, convidei meu filho Guilherme para
fotografar. No ano seguinte estava decidido que "A bailarina" seria a
capa do novo livro. O nome da tela não me convencia para nomear o livro
com 300 crônicas. Amarguei essa procura até encontrar "Dance comigo".
Gostei do achado. Dei para o próprio Guilherme a tarefa de criar a capa
com a foto. Aí já não era mais uma pintura, muito menos o retrato da
bailarina. Era uma fotografia que viraria capa de livro. Vai para a
gráfica, e vem o livro pronto. Já não é uma pintura, nem retrato, nem
fotografia. É um livro. E essa capa vai despertando emoções, memórias e
imaginação. O livro em Niterói, ao lado do disco do Vinícius tocando e
cantando. Vinícius que conheci numa manhã de domingo em São Paulo, em
companhia do Américo Marques da Costa, quando fomos beber um aperitivo
num bar de uma galeria da Avenida São Luiz. Nunca havia estado antes.
Nunca mais voltei. Imaginem vocês eu bebendo numa manhã de domingo. Só o
Americão e o Vinícius para justificarem essa façanha. Quarenta anos
depois Vinícius na capa do disco, ao lado da capa da minha bailarina.
Ele e ela em Niterói. Tudo pelas mãos e objetiva (ou será um celular?)
do José Luis. Quanta história não rolou antes desse improvável encontro.
Não fosse minha amizade com o Americão, não teria bebido num bar com o
Vinícius. Não fosse o Colégio de Cataguases, não teria conhecido o José
Luis. E não fosse a internet, esse encontro não seria possível. E assim
caminha a humanidade.


3 comentários:
A vida é feita de felizes improváveis encontros.
E aperitivos...
Por vezes, também de congestões...
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