31.10.16

Crônica diária



O preço de uma lâmpada

Dia desses queimou uma lâmpada dicroica de uma luminária de quatro lâmpadas. Fica no teto, sobre a mesa de refeições da sala. O acesso só subindo na dita mesa. Protelei ao máximo a compra da lâmpada que não é vendida em qualquer lugar. De posse da lâmpada nova coloquei uma escadinha, forrei a mesa e cuidadosamente me pus a trocar a supostamente queimada. Apesar de ser idêntica à velha, a nova não entrava convenientemente no soquete. Para não danificar os finos fios do soquete, tão pouco a nova lâmpada resolvi chamar um eletricista. Um absurdo, dirão. Chamar um eletricista para trocar uma simples lâmpada. Pois é, confesso que também o chamei constrangido. Por acaso estava prestando serviço na garagem do prédio, e faria a troca fora do seu expediente. Ele também não conseguiu encaixar a lâmpada no soquete. Testou a lâmpada velha no segundo soquete e a lâmpada funcionou. Logo não era a lâmpada que havia queimado e diagnosticou como sendo problema do soquete. Foi aí que começou o drama. Ao invés de tirar a parte da luminária que dá acesso aos reatores, cortou os fios do soquete que não estava aceitando a lâmpada nova. No dia seguinte voltei à loja de material elétrico para comprar um novo soquete, que fora inutilizado inutilmente. Eu já estava arrependido de ter chamado o simpático, mas incompetente eletricista. Dia seguinte volta e tenta colocar o novo soquete, e constata que o problema esta no reator. Conclusão absolutamente óbvia. Com seu medidor de voltagem confere todos os polos e o diagnóstico agora é definitivo. No outro dia volto à loja para comprar um reator e aproveito e compro mais duas lâmpadas. Parece que estava adivinhando. Houve um fim de semana, e na segunda feira, depois do expediente ele apareceu para resolver o assunto. A empregada que havia guardado o cabo com o soquete já havia saído, e ele não pode trabalhar. Por via das dúvidas ficou de voltar no dia seguinte com um novo soquete caso a empregada tivesse jogado fora o antigo. Eu já não aguentava mais. Evitava emitir palavra para não falar uma besteira. Ele sempre calmo, e muito simpático. Voltou dois dias depois, e eu não estava em casa. Fiquei sabendo que ele havia desmontado toda a luminária e instalado o novo reator, e não tinha funcionado. Ao contrário tinha havido um curto e o disjuntor  desligou. Como a empregada não sabia onde era a caixa dos disjuntores, ficou de voltar no dia seguinte. Eu chego e encontro o tal eletricista sobre a escada, mas desmontando outra luminária, no mesmo teto, mas que nenhum problema tinha apresentado até então. Estranhei e perguntei o que estava acontecendo. Ele, sempre sereno, e simpático disse que havia rompido o cabo dentro da parede. Não. Não pude acreditar no que estava ouvindo. Devo ter feito uma cara de quem iria desmaiar, e ele prontamente me acalmou dizendo: hoje já esta tarde, mas amanhã eu venho e troco o cabo. Claro que eu estava desesperado, Claro que eu já sabia o fim daquela história. No dia seguinte quando chego em casa esta ele, e um ajudante, e me dão a notícia. Quem fez esse serviço não deixou caixa de passagem, e não tem como trocar o cabo. Eu já estava psicologicamente preparado para o pior. Segurei delicadamente no braço do técnico, e perguntei se ele conhecia a história do pai que levou o filho pequeno ao barbeiro para aparar o cabelo? Ele me olhando espantado com a pergunta fez que não com a cabeça. Pois é, era só para aparar o cabelo, mas o barbeiro cortou uma orelha, depois o pescoço e no fim deixou o filho em pedaços. O espanto dos dois eletricistas era visível. Pedi calmamente que voltasse a colocar tudo no lugar, e eu chamaria um pedreiro, outro eletricista e finalmente um pintor para reparar os estragos. Era só para trocar uma lâmpada.

Um comentário:

Jorge Pinheiro disse...

Ficamos impacientes para saber como tudo acaba...

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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