Crônica diária
Leonardo Padura, literatura e Bob Dylan
Sábado dia 22 passado Leonardo Padura escreveu na Folha de São Paulo um
artigo intitulado: "A escrita, a dor, e o Prêmio Nobel". Em grifo uma
frase do texto: "Direi apenas que vi com surpresa o Nobel a Bob Dylan. Esnobismo nórdico, ou injustiça artística?" O
escritor cubano disserta longamente sobre a árdua tarefa que é escrever
um romance. Diz estar há dois anos debruçado sobre o próximo, e que
levou quatro para concluir o "Hereges" que, pessoalmente, não consegui
passar da metade, e levou outros cinco para escrever o maravilhoso "O
Homem que Amava os Cachorros". Conta que Hemingway confessou, certa vez,
que tinha escrito o final de "Adeus às Armas" quase 40 vezes. Fala
ainda que Milan Kundera contava que o autor que começa a escrever um
romance, é diferente do escritor que o termina. Duas razões colaboram
para isso, o tempo demandado, dois, três, cinco anos, às vezes mais, e o
fato de tirar de dentro de si tantas coisas para falar dos mistérios da
condição humana. Cita Gabriel Garcia Marques que encerrou-se no
trabalho para escrever "Cem Anos de Solidão" durante anos, e contava com
o seu sucesso sob pena de ver a família falida. E vai discorrendo sobre
o drama que o verdadeiro escritor vive, chegando às raias do
masoquismo, de autoimolação, um processo com dor ao longo do qual o
artista tem que combater todos os demônios que possa imaginar. Depois
fala dos poetas, e por fim conclui que não passaria na cabeça de ninguém
dar um Premio Grammy a um poeta, romancista ou um dramaturgo graças à
musicalidade de seus textos. Alejo Carpentier e Carlos Fuentes morreram
sem receber o Nobel de Literatura. Milan Kundera e Philip Roth esperam
pelo deles...E termina cobrando uma resposta a todas essas questões por
parte da Academia Sueca. O assunto continua boiando no ar.


Um comentário:
Ele que compre uma guitarra :))
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