Crônica diária
A perda da memória
Minha comadre ontem confidenciou-me que
o Arthur esta completamente gagá. E ele é só nove anos mais velho do que eu.
Contou-me que ele ao acordar pela manhã, vai ao banheiro, e a primeira coisa
que faz depois de urinar é escovar os dentes. Pega o tubo de pasta, põe
tremulamente na escova, fecha o tubo e coloca-o no copo sobre a pia. Molha a
pasta sob a torneira, e escova demoradamente os poucos dentes que lhe restam.
Cospe a pasta, lava a escova, com a mão tremula em concha coloca água na boca,
bochecha e cospe novamente. Coloca a escova no copo, e pega o tubo e repete
essa operação até que ela entre no banheiro e avise que ele já escovou os
dentes. Outra forma de parar é quando a pasta acaba. Aí chama a mulher e
reclama que a pasta acabou. Por outro lado sua memória da infância é cada dia
mais nítida. Lembra do primeiro dentista que sua mãe o levou. Dr Jaci. O
consultório ficava num prédio da Líbero Badaró. As salas, tanto de espera como
a do consultório eram pouco iluminadas, móveis de madeira maciça, pesados e de
cor escura. Descreve o móvel com dezena de gavetinhas onde guardavam as brocas
e material dentário. Havia persianas na janela. A cadeira era parecida com as
de barbeiro da época. A broca era acionada por pedal e correias de couro fino.
O barulho na boca era de uma britadeira moderna. Lembra como se fosse hoje.


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