29.8.16

Crônica diária



Chicle, e Clarice Lispector

Clarice faz uma delicada crônica sobre o primeiro chicle que ganhou da mãe. Grafado assim: chicle, devo dizer que foi a primeira vez que me aguçou a curiosidade em saber a origem dessa palavra. Fui ao Google saber o que minha santa ignorância desconhecia! Realmente o material latex extraído das seiva de certas árvores, e que é a matéria prima dos chicletes, ou goma de mascar, se chama chicle, ou  sapoti. Mas isso não tem nada a ver com o texto da Clarice. O que importa nele é a banalidade, matéria prima, primíssima, da boa crônica. E a mãe ao dar o primeiro chiclete (nunca gravado assim, e sempre chicle) à filha, explicou que se tratava de uma bala eterna. Aí reside a graça da crônica. Bala ao ser chupada desaparece. Chicle não. Chupe até o gostinho doce desaparecer, depois mastigue. Ela vai durar eternamente. E de fato a menina Clarice obedeceu a mãe e só começou a mastigar quando o sabor, até nem muito bom, acabou. Mastigou até virar uma borracha sem gosto e de cor cinzenta. E como dizer à mãe que seria uma tortura ficar eternamente, para o sempre, com aquilo na boca. Fingiu ter derrubado sem querer o chicle na areia da entrada da escola, e sua mãe disse: " Não tem importância". "Outro dia eu te dou outro". E recomendou masca-lo a noite antes de dormir, e para evitar engoli-lo, que ela grudasse na beirada da cama. Isso me reportou às sessões de cinema, na cidade de Cataguases onde, depois do footing,  íamos com as namoradas. A primeira providência era tirar da boca o chiclete e coloca-lo sob o acento ou braço da poltrona. Não era raro encontravamos outros no exato lugar. Daí para frente era só beijinhos e amassos, além do filme, é claro.

2 comentários:

Jorge Pinheiro disse...

Gosto de amassos (não conhecia o termo).

João Menéres disse...

Também não conhecia...algo como pôr a mão na MASSA ?
Eternamente saboroso !

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