13.8.16

Crônica diária

O constrangimento de ser pobre




Alguns leitores me cobraram a falta de uma palavra sobre a Olimpíada. Realmente tenho sentido certo constrangimento em externar minha opinião. Como é festa, nada pior do que alguém estraga-la, criticando. Essa é a minha sensação. Quando Lula há sete anos lutou para trazer a Olimpíada para o Rio, eu já sentia essa vergonha. Pensei: "vai dar merda". Não porque previsse os desastres que vieram nesses anos após Lula. Mas porque não se convida para festa de pobre gente rica. Tenho muita pena do marido pobre, que num esforço hercúleo, muito acima de suas possibilidades econômicas, pressionado pela esposa e pela filha, que exigem festa de casamento para impressionar os vizinhos, parentes e família do noivo, da uma festa de casamento. Endivida-se pelo resto da vida, e a festa só serve para comentários desabonadores. Essa é a sensação que eu tenho do Rio promovendo a Olimpíada 2016. Estado pobre, em situação falimentar, tendo que patrocinar uma festa muito acima de suas condições econômicas financeiras. A prefeitura foi amparada pelo estado e união, que igualmente em dificuldades dificílimas ajudaram a fazer a festa. Não me refiro à abertura, que realmente estava impecável. Muito acima de qualquer expectativa de brasileiros conscientes. Refiro-me ao conjunto da obra. Obra essa apelidada de GAMBIARRA. Tudo improvisado na ultima hora. Ou remediado na hora seguinte. Com prazo de sete anos para sua execução. Instalações de atletas inacabadas. Energia e alimentação racionadas. Empresas contratadas e dispensadas no primeiro dia da abertura. Trabalho escravo, durante o evento. Exercito e força nacional colocando centena de homens para exercer funções para as quais não foram preparados. Filas, e falta de informação. Tudo muito comum e corriqueiro em festas locais, para publico interno. Tudo na base do improviso e da GAMBIARRA. Mas a festa é internacional. Dois bilhões de pessoas acompanham as Olimpíadas mundo afora. E a impressão que passamos foi de que o Rio é lindo, mas isso tudo mundo já sabia, e a festa foi em casa de pobre. Tanto assim que o COI altera critérios  para novas sedes, após a edição do Rio.  As cidades deverão apresentar condições reais, econômicas e financeiras, para arcar com o evento. Chega de festa de rico em casa de pobre.

2 comentários:

João Menéres disse...

A abertura foi realmente linda de ver e não foi esquecida a História num espectáculo pleno de ritmo e cor.
Na aldeia olímpica, quartos minúsculos para duas pessoas e sem condições que obrigaram muitas delegações a prescindirem dessas instalações.
Uma tristeza cara.

Jorge Pinheiro disse...

A transmissão televisiva tem estado muito boa. E isso é o que interessa para quem está à distância. Os detalhes organizativos só os atletas e o COI podem avaliar. Vão ficar os elefantes brancos, mas isso é em todo o lado. Devia haver uma sede fixa para realizar estes jogos e não andar a criar problemas de 4 em 4 anos a países que se candidatam por pura vaidade.

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