19.6.16

Crônica diária



“Crônicas Safadas”

"O cheirinho do Amor" do Reinaldo Moraes tem como subtítulo o que dei para esta minha resenha inicial do livro. É composto de 36 textos publicados entre março de 2011 a maio de 2014 na revista Status. Por ser uma publicação iminentemente masculina as crônicas não são "safadas" por acaso. Segundo o autor não deveria desencorajar as mulheres. A primeira crônica fala da casa da fazenda do Flávio de Carvalho, em Valinhos, 70 km de São Paulo, e concluída em 1938. Não é sobre a casa modernista, mas sobre a visita que o Reinaldo, pelas mãos do amigo comum Mario Prata (que conheci no "Navegar é Preciso 2016, no Rio Negro)  fez ao então secretário da cultura de São Paulo, Fernando de Moraes (que alegou labirintite para não estar no evento fluvial do Rio Negro). A conversa do Reinaldo com o Fernando, apadrinhada pelo Mario é na verdade o tema da crônica. Reinaldo duro, precisando arrumar uma grana leva a ideia (a que chama de B.I.M. ou Brilhante Ideia de Merda), ao secretário, para criar a "Paulisteratur". A exemplo do que já existia para incentivar o teatro, o cinema, seria para incentivar a literatura. Ele, eventualmente poderia ser o dirigente ou na pior das hipóteses um mero beneficiário. O Fernando, entre baforadas do charuto cubano, presente do Fidel, ouviu a proposta, e retrucou dizendo já ter pensado em algo parecido. O governo do Estado comprar a casa da fazenda do Flávio, que estava em completo abandono, e transforma-la num centro de recolhimento de escritores desvalidos. Os três se divertiram imaginando tudo o que poderia rolar no tal abrigo. Chegaram até a sugerir um nome: "Retiro Procriativo do Caralho". E deram muita risada. O projeto da Paulisteratur e o do abrigo não passaram dessa conversa e não saíram do papel. O próprio Fernando não durou muito na secretaria do governo Quércia. Eu o conheci, nessa época,  num almoço com a Marília Gabriela. Ao contrário da internet, as crônicas de revista devem e podem ser mais extensas, e ele, então, entra em detalhes da biografia agitada do artista, e arquiteto Flávio de Carvalho. Cita a passagem em que o Flávio resolve para escandalizar, atravessar na contra mão, de chapéu na cabeça, uma procissão, no centro da cidade. Acontece que uma pessoa, mais baixa do que o contestador, pula e com um tapa tira o chapéu do Flávio. Há um tumulto e princípio de linchamento. Essa pessoa, o Reinaldo não sabe, mas era um grande amigo meu Aires de Azevedo, sobre conselheiro do governador Adhemar de Barros.

Um comentário:

João Menéres disse...

E assim se animou a procissão...

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