25.5.16

Crônica diária

"A filha dos rios"

 Foto de Luciana de Francesco


Outra curiosidade da minha viagem ao Rio Negro, foi tomar banho em suas águas, de mãos dadas com mais de três dezena de passageiros fazendo um círculo em torno de uma árvore. Cantamos a canção "Navegar é preciso", nome que também é do evento, e na sua sexta edição. Foi nessa circunstância que conheci o escritor Ilko Minev. Conversamos sobre trivialidades, literatura e não me lembro de o que mais. A noite, no restaurante do barco em que estávamos hospedados, gentilmente autografou seu livro "A filha dos rios", se desculpando por não ter mais o outro "Onde estão as flores?". Agradeci e solicitei o seu endereço para, chegando em São Paulo, poder retribuir, enviando os meus. Tive a sorte, e ele não sabe, de um dos agraciados, com seu primeiro romance, ter esquecido no momento do check-out, e uma das coordenadoras da excursão entrou no ônibus perguntando se alguém havia esquecido. Como ninguém se habilitou, falei se não aparecesse o dono, eu gostaria de ler. Na chegada ao Aeroporto a mesma coordenadora veio me entregar o livro, solicitando que eu o devolvesse se o dono aparecesse. Não apareceu, e será minha próxima leitura. Mas hoje vou falar do "A filha dos rios". É preciso que se diga algumas palavras sobre o autor. Ilko saiu de Sôfia para viver na Bélgica, depois São Paulo, e finalmente Manaus, onde foi cônsul, e empresário. O livro é "em bom e leve português" como escreveu o crítico da Folha de São Paulo". O romance composto de oito capítulos, bem estruturados, prende o leitor com uma história repleta de ações e personagens bem construídos. Um nono capítulo é uma síntese que recapitula os oito anteriores, narrados na primeira pessoa, pela personagem principal, Maria Bonita. Não sei se teria gostado tanto da leitura se não estivesse recém voltando da Amazônia, de Manaus, e do Rio Negro. Porém é certo que  aqueles que quiserem conhecer um pouco da história do apogeu do garimpo, logo após o fim da Batalha da Borracha, encontrarão material fértil, humano e econômico muito interessante. Como, inadvertidamente, li o segundo romance antes do primeiro, vou reencontrar Licco, Oleg e David, no "Onde estão as flores".
 

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