26.3.16

Crônica diária



Cordilheira, Daniel Galera e a memória

 Eu achava graça quando minha mãe com cinquenta e poucos anos dizia não lembrar do início de um livro quando ainda estava no final. Ela viveu mais trinta e tantos anos e acabou morrendo sem reconhecer ninguém. Conto isso porque estou a menos de quarenta páginas do fim do livro "Cordilheira", do Daniel Galera, que tenho, agora, absoluta certeza de já ter lido. Ao compra-lo tive dúvidas, mas não lembrava da capa, embora o nome me parecesse familiar. Mas poderia ser um engano. Poderia ser memória da lista de livros escritos pelo autor, e sempre citados nas orelhas. Ao iniciar a leitura tive lampejos de memória, e momentos de absoluto ineditismo. Com o correr da história sempre muito bem escrita, como de hábito na literatura do Daniel, e neste caso na primeira pessoa de uma mulher. A leitura prende e flui. Faltam quarenta páginas para terminar. Tenho absoluta certeza de já ter lido. E, consequentemente, escrito uma resenha sobre o livro. Vou no "procurar" do O Ultimo Blog e lá esta: 20 de Janeiro de 2014. "Cordilheira, Daniel Galera". Agora sei do que falava minha mãe aos cinquenta anos.

"Com este ultimo livro lido, completo a obra de Daniel Galera definitivamente um dos bons jovens escritores brasileiros. Na verdade não é preciso dez linhas para afirmar, com toda ênfase, que sua literatura é importante. Domina os diálogos, a construção de personagens, a dinâmica de uma trama verossímil e a magia do bom contador de história. Tive contra ele o preconceito inicial da idade. Muito jovem. Depois os títulos e capas. Sou muito sensível a esses dois fatores sem nenhuma importância. Mas sua escrita, seus personagens e seus romances me convenceram, e colocaram-no entre meus preferidos autores nacionais. Viva a boa fase da literatura brasileira. Depois de Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos,  e  alguns outros, a safra de grandes escritores esta repleta de promessas verdadeiras. Autores que estão ganhando traduções em diversas línguas. Editoras que estão investindo nos jovens, como nunca o fizeram na história da literatura tupiniquim. Viva, e escreva muito Daniel Galera."

2 comentários:

Jorge Pinheiro disse...

É o problema de quem lê compulsivamente. Nada de grave.

João Menéres disse...

A minha memória é mais visual...

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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