A hora chegou
Em janeiro de 2015 parecia tão improvável, como absolutamente
necessária, a campanha a favor do impeachment da Dilma. Escrevi com
todas as letras para quem lê meus escritos. Fui quase ridicularizado por
leitores mais chegados, aqueles que por se considerarem da família, se
arvoram em críticos especiais. Diziam que eu trocava "meus desejo" com
os fatos reais. Não enxergavam, como não enxergam, o mal que faziam ao
país. Perdemos até o momento quinze preciosos meses de nossa vida. Não
bastaram os doze anos de aparelhamento do estado, a roubalheira que se
instalou no mundo político, a quebra da maior empresa brasileira e com
ela a perda do orgulho nacional. A total destruição da política externa.
Conseguiram transformar a instituição Itamaraty em porta voz do atraso
bolivariano. A economia e finanças do país foi mera consequência das
políticas equivocadas da Organização Criminosa que se apoderou do
governo, primeiro em três eleições pouco corrompidas, e a quarta
completamente estelionatária. Foi contra ela que me rebelei. Uma pena
não terem nos ouvido antes. Mas sou obrigado a admitir que tudo tem o
seu tempo. E a hora chegou.
Modernidade e implicância
Eu convivo com ambiguidades desde sempre. Sou conservador no tocante à
maneira de me vestir, e moderno em relação a design e arquitetura. Gosto
também da mistura do velho e antigo com o contemporâneo e moderno.
Sobre minha escrivaninha tenho carimbo e almofada ao lado de um
ventilador sem hélices aparentes. Carimbo faz parte de uma das minhas
manias. O que fica na escrivaninha é o meu ex-libris. Carimbo que
coloco em todas as páginas de rosto dos meus livros. Quanto ao
ventilador tenho três desse modelo sem hélice. Dois redondos e um oval.
Ideal para quem tem netos e não gosta de poeira. Os tradicionais com
hélice e proteção são dificílimos de manter sem pó aparente. Sou meio
moderno, meio antigo, e implicante completo.
A mega batata doce cultivada na Piacaba. Março de 2016
Odores e cheiros nefastos
Claro que até o momento é tudo especulação. Não poderia ser de outra
forma, mas assustam-me os nomes e a maneira como se esta desenhando o
futuro (próximo) governo do Temer. Em nome da pacificação nacional
muitas atitudes conciliadoras estão em jogo. O nome do Nelson Jobim no
Ministério da Justiça me arrepia. Além do seu recente passado como
estrategista do Lula, é advogado das empreiteiras. Esse tipo de
composição pode facilitar em muito qualquer transição, mas é receita
segura para que nenhuma das reformas, absolutamente indispensáveis, se
implante no país. A dúvida entre Meireles e o Armínio Fraga para a pasta
da Economia, faz parte desses desacertos. É cedo para julgar, mas pelo
"odor", que anda tão em moda, o cheiro de pizza esta no ar, e isso não
convém ao país.
Autor desconhecido. Enviada por José Luiz Fernandes
O fazedor de velhos
Não gosto do título. Mas o livro é do
Rodrigo Lacerda, neto do Governador Carlos Lacerda de quem sempre fui
admirador. Hoje o Rodrigo já se impôs como jovem e brilhante escritor. "A
República das Abelhas" é prova disso. "O fazedor de velhos",
apesar de um livro infanto-juvenil me levou às lágrimas no final. Não é coisa
muito difícil, diga-se de passagem. Sou um chorão inveterado. No mais recomendo
o autor.
Villa Bramasole- Foto enviada por José Luiz Fernandes
(Allan Robert P.J. fevereiro 2016)
A Villa Bramasole, do filme Sob o Sol da Toscana, acabou virando uma atração à parte.
Baseado no best seller homônimo
autobiográfico da escritora Frances Mayes, no qual ela conta como o
divórcio acabou trazendo-a à Itália, onde comprou uma casa na Toscana,
reformou e onde passa diversos dias por ano, o filme se liberta da
versão original para alcançar um dos objetivos da Walt Disney, atrair
público.
Cheio de estereótipos que tanto agradam o público americano, foi recheado de situações que o turista espera encontrar: o latin lover que tem um affair com
a escritora, mas que acaba escolhendo a selvagem local; a velha louca
que aumenta o preço da casa para quem ela não gosta e acaba vendendo –
por uma série de coincidências – à escritora, que não tinha o dinheiro
suficiente; o velho que todos os dias passa silencioso com as flores em
memória de alguém (interpretado por Mario Monicelli!); o empreiteiro
italiano que explora estrangeiros; uma versão leve e atual de Romeo e
Giulietta; Pores do Sol de cores quentes; as paisagens rurais da
Toscana; praias semi desertas; e reencontro do amor com um outro
americano...
A casa que aparece no filme, na realidade não é a Villa Bramasole, casa da escritora, mas uma
outra, usada como cenário. Sim, a Villa Bramasole existe e muita gente
vai visitar Cortona para poder conhecê-la. Na maioria, turistas
americanos.
A villa (tradução
italiana para casa independente) fica a três quilômetros do centro de
Cortona, foras dos muros da cidade, em uma daquelas estradinhas
estreitas típicas da Itália, circundada por ciprestes plantados em
memória aos mortos da Segunda Guerra. Cada árvore tem uma placa velha
com o nome do homenageado, que a escritora tem planos de mandar refazer.
Cortona é muito agradecida à escritora por projetar a cidadezinha no
mundo.
Desqualificar o inimigo
Quando a "guerra" esta perdida, resta fuga em massa, e campanha para
desqualificar o inimigo. O PMDB já desembarcou do governo, onde a bem da
verdade, ocupava mais cargos do que dava apoio. Como sempre. E,
proximamente, o veremos no poder de novo, e desta vez, com o presidente
do seu partido, no comando da nação. Dizem seus aliados que o Brasil
não tem nada a Temer. Veremos. Quanto a desqualificar o inimigo, tática
usada na Itália pelos réus do processo "Mãos limpas" que inspirou a
Lava-Jato, foi exatamente desqualificar a justiça, como o Lula, e a
Organização Criminosa que lidera, tentam contra o juiz Sérgio Moro. O
ridículo da ação pode ser medido na proporção do capital moral do Lula e
do PT, contra os seis milhões de manifestantes do ultimo dia 13 de
Março. Lula não é mais nada no quadro político brasileiro. Não cuida de
outra coisa a não ser fugir da polícia e da justiça. É evitado pelos
políticos até no telefone. Ao contrário o juiz Sérgio Moro aparece entre
os 50 mais influentes do mundo. É o cara.
Esquina da Rua 42 com a Quinta Avenida – autor desconhecido - Ano em que eu nasci.
Cordilheira, Daniel Galera e a memória
Eu achava graça quando minha mãe com
cinquenta e poucos anos dizia não lembrar do início de um livro quando ainda
estava no final. Ela viveu mais trinta e tantos anos e acabou morrendo sem
reconhecer ninguém. Conto isso porque estou a menos de quarenta páginas do fim
do livro "Cordilheira", do Daniel Galera, que tenho, agora, absoluta
certeza de já ter lido. Ao compra-lo tive dúvidas, mas não lembrava da capa,
embora o nome me parecesse familiar. Mas poderia ser um engano. Poderia ser
memória da lista de livros escritos pelo autor, e sempre citados nas orelhas.
Ao iniciar a leitura tive lampejos de memória, e momentos de absoluto
ineditismo. Com o correr da história sempre muito bem escrita, como de hábito
na literatura do Daniel, e neste caso na primeira pessoa de uma mulher. A
leitura prende e flui. Faltam quarenta páginas para terminar. Tenho absoluta
certeza de já ter lido. E, consequentemente, escrito uma resenha sobre o livro.
Vou no "procurar" do O Ultimo Blog e lá esta: 20 de Janeiro de 2014.
"Cordilheira, Daniel Galera". Agora sei do que falava minha mãe aos
cinquenta anos.
"Com este ultimo livro lido, completo a obra
de Daniel Galera definitivamente um dos bons jovens escritores brasileiros. Na
verdade não é preciso dez linhas para afirmar, com toda ênfase, que sua
literatura é importante. Domina os diálogos, a construção de personagens, a
dinâmica de uma trama verossímil e a magia do bom contador de história. Tive
contra ele o preconceito inicial da idade. Muito jovem. Depois os títulos e
capas. Sou muito sensível a esses dois fatores sem nenhuma importância. Mas sua
escrita, seus personagens e seus romances me convenceram, e colocaram-no entre
meus preferidos autores nacionais. Viva a boa fase da literatura brasileira.
Depois de Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, e
alguns outros, a safra de grandes escritores esta repleta de promessas
verdadeiras. Autores que estão ganhando traduções em diversas línguas. Editoras
que estão investindo nos jovens, como nunca o fizeram na história da literatura
tupiniquim. Viva, e escreva muito Daniel Galera."
Eduardo Lunardelli: Jorge, tem muita estrada pela frente. Viver dói, mas não mata, enquanto dura.
Foto de Express Newspapers/Getty Images, 13 Nov 1963
Enviado por José Luiz Fernandes
Golpes, contra golpes, rasteiras e fim de festa
Esta valendo tudo, ou quase tudo. O governo que não chegou a se iniciar
em Janeiro de 2015, porque foi fruto de fraude eleitoral, esta em via de
ser posto fora do poder por instrumento constitucional, só não usado
até o momento, por fraqueza e inércia de parte da oposição, e acomodação
popular. Esta caindo de podre. Por si só. Os ratos, os amigos, os
comparsas estão abandonando a nau. Trapalhadas sobre trapalhadas. Dois
dias depois de fechar ministérios, cria outro para abrigar o ex Ministro
da Casa Civil, Jaques Wagner, aquele que faltou à posse porque a Dilma
pensava que ele só usasse avião de carreira. Ledo engano da gerentona.
Foi de FAB mesmo, o atraso. Lula é salvo da cadeia sendo nomeado
Ministro. Quinze minutos depois é destituído do cargo por força de
mandato de segurança. Foram mais de cinquenta. Corre corre. Meu deus me
acuda. Ministro da Justiça que age pelo olfato. Notas e declarações à
imprensa o dia todo. A palavra golpe sendo usada a torto e a todo
instante. Desespero. São as ultimas horas da Organização Criminosa no
poder. Salve-se quem puder. Lula confinado como rato (ou jararaca)
assustado num quarto de hotel em Brasília tentando convencer o Renan e o
Sarney a adiarem a convenção do dia 29, quando o PMDB desembarca
oficialmente do governo. Lula tentando golpe no ex aliado PMDB. O clima em
Brasília é de total baderna administrativa. E ainda faltam mais algumas
horas. Tudo ainda pode, e vai acontecer.
Mario Prata e James Lins
O título do livro é "O playboy que não deu certo" O autor Mario Prata, é
meu vizinho aqui em Florianópolis. James Lins, o personagem, amigo de
infância do autor na cidade de Lins na noroeste de São Paulo. Publicado
em forma de folhetim no jornal O Estado de São Paulo, e em livro em
2003, esta edição que li e comento é de 2013. Mario Prata tem se
dedicado ao conto e romance policial. Estaria com ele no próximo dia 25
de Abril no evento "Navegar é preciso 2016", nas águas do Rio Negro no
Amazonas, mas o destino e a grande procura por cabines no navio não
permitirão o encontro. O texto do Mario é coloquial e amável. O
personagem James Lins tem todos os ingredientes que compõem a personalidade
dos boêmios, chantagistas e bandidos urbanos. O leitor, em geral, grande
curiosidade em conhecer detalhes desses escabrosos crimes e casos
policiais de grande repercussão. Quando o autor é amigo de infância do
criminoso, o interesse aumenta. A possibilidade de fatos novos e
relevantes esta sempre presente. Nesse clima é que se desenvolve a
história. O leitor se diverte com a condução segura e bem humorada da
trama. Recomendo como uma leitura leve e despretensiosa.
Fora de esquadro
Março 2016
Conselho machista
Era uma vez um velho e experiente touro com seu filho mais novo. Ambos
pastavam bovinamente, no alto da colina, quando o jovem filho avista um
grande rebanho de lindas novilhas, todas de rabinho erguido, e sugere ao
pai: "Vamos correndo transar com algumas?" Ao que o touro
ponderadamente respondeu: "Não, vamos de vagar, comer todas..."
José Luiz Fernandes: deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Crônica diária":
A atriz Lana Turner (1920-1995) chegou a essa conclusão depois de larga experiência.
Postado por Anônimo no blog . em terça-feira, 22 de março de 2016 04:15:00 BRT
FOTO AÉREA DE CAMPO DE FUTEBOL DE VÁRZEA
(fotógrafo: Marcílio Gazzinelli, de Teófilo Otoni, MG)
Enviada por José Luiz Fernandes
Comportamento de um cavalheiro
Nas relações sexuais um cavalheiro nada
mais é do que um lobo paciente.
MARILYN PEDINDO A EDUARDO LUNARDELLI QUE A AJUDASSE A SAIR
DA PISCINA DO COLÉGIO DE CATAGUASES, ANO 1959
Foto de autor desconhecido, enviada (foto e texto) por José Luiz Fernandes
"Outra vida"
Em sua primeira edição de 1909 acabo de ler o romance de Rodrigo
Lacerda, "Outra vida ", onde anunciava o escritor maduro e competente
que se tornou. Um casal e sua filha aguardam na rodoviária de uma cidade
grande o ônibus que os levará de volta à pequena cidade de onde vieram.
Decepção, corrupção, traição, características familiares diferentes são
os ingredientes minuciosamente explorados pelo autor. Durante o tempo
de espera para o embarque tudo acontece. Comprei o livro num sebo e me
diverti com as anotações feitas pelo antigo dono. Com lapiseira ponta
fina de grafite numa caligrafia quase ou totalmente elegível (algumas)
me pareceu ser de um psicólogo ou psiquiatra que comenta passagens do
romance. Com isso, fiz a minha leitura e comparei com a dele. Prazer
dobrado.
Um cavalheiro é simplesmente um lobo paciente
Autor desconhecido, enviada por José Luiz Fernandes
Uma nova
aventura
Anos
atrás minha mulher inventou, e eu aceitei, fazermos uma viagem para ver a
aurora boreal. Meus leitores mais antigos devem lembrar dessa história. Renderam
crônicas e contos. A viagem nunca se efetivou por culpa do péssimo agente de
viagem. E eu acabei aceitando a ideia de ir tão longe, tão frio, para ver a tal
aurora, porque resultaria num livro na volta. Não aconteceu a viagem, muito
menos o livro. Em Fevereiro deste ano surge nova possibilidade. Essa muito mais
perto, muito mais econômica, e talvez até mais agradável. Estávamos planejando
participar do "Navegar é Preciso 2016", uma realização da Livraria da
Vila, em sua 6ª edição. Explico: Um navio da Auroraeco, sete convidados: Mario
Prata (escritor), Fernando Moraes (escritor), Raphael Montes (escritor) Noemi
Jaffe (escritora) Rodrigo Lacerda (escritor), Zeca Baleiro (músico) e Clarice
Niskier (atriz), e quatro dias nas águas do Rio Negro, no Amazonas. Trilhas,
banhos de rio, botos cor de rosa, e duas palestras/debates por dia. Essa era a
proposta. Pareceu-me bem mais divertida. E minha intenção era voltar com
material para um novo livro, mais uma vez. Os personagens, evidentemente,
seriam os sete convidados, e a delegada Moema, personagem fictícia de outros
livros meus. Uma trama policial, de ação. Tudo poderia acontecer. O fim desta
história meus leitores fiéis já conhecem. Sessenta e três dias antes da data
prevista para partida (25 de Abril) fui fazer a reserva e já não havia lugar.
Inacreditável. Mais uma frustração.
AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)
..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
Não vá perder sua hora....
Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )