8.2.16

Crônica diária


Um plano B

Não gosto de gente que responde à pergunta protocolar de "como vai?" Em geral contam umas histórias tristes de doença, crises financeiras, problemas familiares. Também não gosto de quem, sem ninguém perguntar, descrevem seus problemas. Mas é impossível contar minha recente experiência com anestesia sem falar que padeço de mielodisplasia. Há cinco anos tomo um medicamento chamado Ciclosporina. A medula voltou a funcionar às mil maravilhas, mas o remédio tem efeitos colaterais. Pudera, cinco anos de drogas diárias! Um deles é gerar ou criar, não sei o termo técnico, carcinomas malignos na pele. Da primeira vez o médico optou por anestesia geral. Era no cocuruto da careca. Não fosse ter saído tão rápido do sono anestésico teria sido uma maravilha. Como a anestesia foi leve, ao sair muito rapidamente, senti muitas dores antes de receber analgésicos. Uma pequena barbeiragem do anestesista. De resto ficou ótimo. Isso foi em 2014. A semana passada fui submetido a mais três cirurgias. Dois carcinomas no nariz e um maior na canela da perna esquerda. Outro cirurgião, outro procedimento. Optamos por anestesia local. Digo optamos porque assinei concordando. Era uma coisa à toa, e não valia a pena anestesia geral. Ledo engano. Assistir ao festival de bisturis elétricos, agulhas e pontos, não é uma experiência nada agradável. Nós quatro, Claudia a enfermeira, o cirurgião e seu assistente passamos mais de duas horas numa enorme sala cirúrgica. Ela era quem dava as cartas, isto é os instrumentos. Ela é quem sabia de tudo naquela sala. Subiram no meu nariz como a luva do Mike Tyson fazia com os narizes de seus desafetos. Desde as doloridas picadas, muitas, de anestesia local, e cheiro de carne assada, fazem dessa parte da história muito desagradável. Ao mesmo tempo, tudo acontecia na minha perna esquerda. Picadas, bisturi, e carne assada. Depois meia hora de conversa esperando o resultado do patologista, que é quem dá a ultima palavra. Demorou tanto que a Claudia, a enfermeira, saiu para almoçar. Depois fui removido para a enfermaria, e recebi alta. Minha impressão de que o Mike Tyson havia me atropelado ficou patente dois dias depois. O olho e metade do rosto eram irreconhecíveis. A canela doía. No box não se atinge a canela. Resumindo, estou na dúvida se não é melhor deixar de tomar a tal Ciclosporina, a continuar, a cada dois anos, ter que operar os carcinomas. Mas há, felizmente, um plano B. Depois eu conto.

4 comentários:

Li Ferreira Nhan disse...

Caramba Edu!!! Estimo que você se recupere bem e sem muita dor.

João Menéres disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Menéres disse...

Eduardo, não me leve a mal,mas só ri enquanto lia o seu drama !
Não tenho culpa do Eduardo saber contar as tragédias com um fino humor.

Quanto ao plano B, não sei não...
Não há um plano C ?

Jorge Pinheiro disse...

E temos sorte em haver anestesia. Imagine que era à base de cachaça?! Fico á espera do plano B.

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )