9.1.16

Crônica diária

A arte do bronze

Minhas crônicas não fazem crítica de arte. Procuro escrever sobre o cotidiano, sobre os livros que leio, sem nenhuma pretensão de estar fazendo resenha literária. Falei dias atrás de minha coleção de arte. Iniciada nos anos 60, e muitas vezes forçado a me desfazer de muitas obras, por razões variadas. Citei um artista excepcional, que tenho a honra de privar de sua amizade. No início dos anos dois mil, não sei precisar exatamente, resolvi brincar com argila. Morando na Piacaba, em Santa Catarina, e com abundância de argila e espaço físico, para exercitar o "ofício" de escultor, senti necessidade de conhecer técnicas e materiais para esse trabalho. Na Casa do Artista encontrei um folder do Israel Kislansky. Telefonei para o atelier/escola, e ele pessoalmente me atendeu. Se dispôs a nos dar um curso rápido e comprimido, de uma semana, com aulas pela manhã, a tarde e a noite. Do desenho ao molde, em uma semana. Paula minha mulher e eu, tivemos as noções necessárias para  voltar à Santa Catarina e brincar de escultores. Tenho na minha coleção quatro obras importantes, do agora, amigo Israel. Dois bronzes e duas terra cotas. A razão pela qual admiro o talento do Israel reside na qualidade de seu desenho, e na espontaneidade de suas figuras humanas. É um mestre na arte de modelar. Professor de centenas de turmas e novos escultores. No entanto, seu mais significativo trabalho, em prol das artes, deve ser a atenção que tem dedicado, a preservar, e inovar a arte da fundição em bronze no Brasil. Tivemos no passado bons fundidores, que acabaram desaparecendo, com o fim das obras públicas, e encomendas privadas, para túmulos nos cemitérios. Os cemitérios passaram a ser grandes gramados com pequenas placas indicativas. Acabaram as obras em mármore e bronze nos jazigos. Aí entra o grande trabalho do Israel em recuperar a qualidade das fundições. Abnegado artista, professor com qualificação atestada por centena de aspirantes a escultores, entrará para a história da arte brasileira, pela qualidade artística de sua obra, e pelo esforço em cultivar uma atividade em extinção: fundição em bronze. 

3 comentários:

Li Ferreira Nhan disse...

Conheci o trabalho e ele no ap de vcs num encontro de blogueiros (acho que qdo o Jorge esteve por aqui). Chamava atenção aquelas belas figuras proxima a janela. Conversei um
pouco com ele sobre fundição. Depois vi uma
incrível exposição dele na Caixa, centro de Sp.
É mesmo um grande artista e conhece a escultura e a fundição como poucos.


Pena que esse nosso ramo, fundição de metais,
esteja quase sepultado como as esculturas nos cemitérios. Somos os últimos " dos moicanos" que sobraram na cidade de Sp.
Estamos praticamente parados, a mercê dos desvarios desse desgoverno incompetente, irresponsável, corrupto e ladrão.

João Menéres disse...

Felizmente que por cá a moda das " esculturas " nas rotundas parece ter parado !
Autênticos abortos faraónicos, mesmo que alguns dos artistas tivesse um nome a defender.
O Jorge assinalou durante algum tempo essas bizarras encomendas de muitas autarquias.

Jorge Pinheiro disse...

Gosto muito do que conheço do Israel.

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