31.1.16
Crônica diária
Delfim, o “Gordo”
Delfim Neto elogia o Lula, enaltece a
Dilma, mas é inteligente e diz o óbvio: "no presidencialismo é preciso ter
um presidente". E concorda com a vasta maioria do povo brasileiro de que a
Dilma não esta cumprindo suas funções. Ou assume o comando do país, e faz o que
deve ser feito ou não acaba seu mandato, e se o fizer, acaba com o Brasil. Esse
é o resumo da entrevista que deu para Mirian Leitão. O "Gordo",
continua gordo, cabelo preto, e absolutamente lúcido, e didático. A Dilma nunca
foi de ouvir conselho, tanto assim, que só agora, três anos depois voltou a
reunir seu Conselho Político. Reuniu, falou, mas não deu voz aos seus membros,
portanto não ouviu, mais uma vez. Apesar de esperançoso, Delfim esta equivocado. Ela não chegará ao fim
do mandato. Não fará as reformas necessárias. O Brasil precisa de
"confiança", segundo o ex-ministro. Só confiança fará o empresariado
retomar os investimentos. Oitenta e três bilhões de crédito, neste momento, não
resolvem nada. Medidas como essa, da linha desenvolvimentista do governo
(leia-se Nelson Barbosa), só farão a inflação e o desemprego crescerem. Esses
dois componentes não geram receita, e é a mais simples rota para o caos. O
"Gordo" prevê para depois das Olimpíadas, e fim das obras no Rio de
Janeiro, grandes massas de desempregados servindo de estopim para a explosão
final. Para que nada disso aconteça é urgente que se promova o impeachment
dessa presidente que não governa. O Delfim não acredita nessa hipótese, e a meu
ver esta enganado. Ou se faz passar por.
30.1.16
Crônica diária
Meio de
esquerda
Foi o Valter Ferraz quem me recordou a auto definição
do escritor Antonio Prata: "Meio radical, meio de esquerda." Foi o
Valter também que num comentário disse que : "rir de si mesmo e ainda
contar aos outros é uma definição de caráter. Ponto pro Prata". Concordo
plenamente. E volto a falar do Antonio para dirimir dúvida. Afirmei que tinha
empatia por ele, apesar de não o conhecer. Tínhamos alguns gostos em comum.
Acordar cedo, vinho branco à beira-mar, e ler Rubem Braga na varanda de um
sítio. Mantenho minhas afirmações. E vou além, não desgosto de pessoas bem
humoradas e meio de esquerda. O que não tolero é radical de direita ou de
esquerda. Até meio esquerda eu chego. Daí para frente fica insuportável.
29.1.16
Crônica diária
O corno era o comunista
Numa de suas últimas crônicas o escritor Luiz Fernando Veríssimo transcreve esta anedota invertendo os personagens. A versão verdadeira é a do comunista que viaja e volta sem avisar a mulher. Quando entra no quarto a encontra com uma pessoa na cama. "O que é isso?" E ela responde: "Um reacionário." "Mas como?" volta a perguntar estarrecido. Ela explica: " Toda noite antes de deitar você não olha embaixo da cama? Como você estava viajando eu olhei, e tinha".
Numa de suas últimas crônicas o escritor Luiz Fernando Veríssimo transcreve esta anedota invertendo os personagens. A versão verdadeira é a do comunista que viaja e volta sem avisar a mulher. Quando entra no quarto a encontra com uma pessoa na cama. "O que é isso?" E ela responde: "Um reacionário." "Mas como?" volta a perguntar estarrecido. Ela explica: " Toda noite antes de deitar você não olha embaixo da cama? Como você estava viajando eu olhei, e tinha".
28.1.16
Crônica diária
Incultura radiofônica
Sou implicante, confesso. Às vezes me incomodo com coisa desprezíveis. O Haddad, prefeito de São Paulo com baixíssima popularidade (13%) acaba de criar regras de conduta e trajes para os motoristas de táxi. Polêmica instalada. Juristas afirmam que não cabe ao prefeito legislar sobre a matéria que seria de competência federal. Curiosamente o sindicato da categoria aprovou as medidas. Acredita que a classe tem que se aprimorar para fazer frente aos aplicativos como Uber* e outros a caminho.
Sou implicante, confesso. Às vezes me incomodo com coisa desprezíveis. O Haddad, prefeito de São Paulo com baixíssima popularidade (13%) acaba de criar regras de conduta e trajes para os motoristas de táxi. Polêmica instalada. Juristas afirmam que não cabe ao prefeito legislar sobre a matéria que seria de competência federal. Curiosamente o sindicato da categoria aprovou as medidas. Acredita que a classe tem que se aprimorar para fazer frente aos aplicativos como Uber* e outros a caminho.
Sobre o assunto a comentarista da rádio Band news FM criticando e
ironizando as sugestões de conduta, no tocante ao traje smoking para
motoristas de carros de luxo, disse que tal vestimenta era para o noivo
em cerimônia de casamento. Ela, pobrezinha, não sabe que o noivo pode e
deve se casar com terno e gravata, ou o tradicional fraque. Nunca
smoking. O traje apropriado para o motorista do carro de luxo é o
correto terno e gravata escura, com camisa branca. Sapatos de amarrar e
meias pretas. Erra o prefeito que é um simplório petista, erra a
jornalista por total falta de senso.
*Uber é uma empresa multinacional americana de transporte privado urbano baseado em tecnologia disruptiva em rede, através de um aplicativo E-hailing que oferece um serviço semelhante ao táxi tradicional, conhecido popularmente como serviços de "carona remunerada".
*Uber é uma empresa multinacional americana de transporte privado urbano baseado em tecnologia disruptiva em rede, através de um aplicativo E-hailing que oferece um serviço semelhante ao táxi tradicional, conhecido popularmente como serviços de "carona remunerada".
27.1.16
Crônica diária
Agradeço ao Fernando Machado
Meu amigo Fernando é bissexto. Liga uma
vez a cada dois anos. Ultimamente nem isso tem feito. Há um mês escreveu
no Facebook perguntando se eu havia lido "Mercadores de Arte" de
Daniel Wildenstein. Caso contrário poderia almoçar e ele me emprestaria. Devolvi
a pergunta com outra: se o marchand em questão era o que tinha tentado vender
obras de arte para Henry Ford? Caso positivo, me lembro de ter lido a uns
quatorze anos. Não obtive resposta. Resolvi comprar o livro num sebo. Por
dezoito reais mais o frete, constatei não tratar-se do livro que havia lido. É
a história de outro marchand. Resumindo: a falta de resposta do Fernando me
proporcionou fazer uma economia. O almoço teria saído muito mais caro do que o
livro no sebo.
Comentários que valem um post
Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Comentários que valem um post":
Jorge Pinheiro. No último livro que li de Luís Sepúlveda, ele referia-se às casas de P.... como «casas de conforto». Achei bem! Agora o Jorge chama-lhes «casas de tolerância...» Também não está mal.
Postado por Gaspar de Jesus no blog . em segunda-feira, 25 de janeiro de 2016 21:44:00 BRST
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26.1.16
Una giornata particolare – Sul terrazzo
Una giornata particolare – Sul terrazzo
pequeno tributo a Ettore Scola
Enviado por José Luiz Fernandes
Crônica diária
Ainda sobre vaias
Ontem falei das vaias que consagraram a Semana de Arte Moderna de 1922. Elas foram orquestradas para salvar o movimento. Da mesma forma dirão os historiadores, como Roberto Pompeu de Toledo, no futuro, sobre as manifestações de rua, que acontecem no Brasil, presentemente. Essas manifestações organizadas pelas ONGs, Centrais Sindicais, MST, PT, MPL e tantas outras entidades tem em sua composição representantes de grupos especializados em promover badernas, quebra-quebra, e chamar atenção da polícia, e da mídia, sobre a manifestação. São tantas, com tantos objetivos e causas, em tantas cidades brasileiras, que se não houver um fato extraordinário, não chegaria a ser notícia. Não cumpriria sua finalidade. Não fossem os mascarados, os black bloc, ou arruaceiros profissionais, verdadeiros mercenários da baderna, as reivindicações do Passe Livre, do impeachment, do "Fora PT", não teriam tido as repercussões que tiveram. As vaias salvaram a Semana de Arte Moderna em 22 e os vândalos patrocinados pela esquerda e pelo PT, tem salvo as manifestações dos anos 2013 para cá. Salvo as manifestações e salvo os Governos, que imputam aos delinquentes, as queixas e demandas legítimas.
Ontem falei das vaias que consagraram a Semana de Arte Moderna de 1922. Elas foram orquestradas para salvar o movimento. Da mesma forma dirão os historiadores, como Roberto Pompeu de Toledo, no futuro, sobre as manifestações de rua, que acontecem no Brasil, presentemente. Essas manifestações organizadas pelas ONGs, Centrais Sindicais, MST, PT, MPL e tantas outras entidades tem em sua composição representantes de grupos especializados em promover badernas, quebra-quebra, e chamar atenção da polícia, e da mídia, sobre a manifestação. São tantas, com tantos objetivos e causas, em tantas cidades brasileiras, que se não houver um fato extraordinário, não chegaria a ser notícia. Não cumpriria sua finalidade. Não fossem os mascarados, os black bloc, ou arruaceiros profissionais, verdadeiros mercenários da baderna, as reivindicações do Passe Livre, do impeachment, do "Fora PT", não teriam tido as repercussões que tiveram. As vaias salvaram a Semana de Arte Moderna em 22 e os vândalos patrocinados pela esquerda e pelo PT, tem salvo as manifestações dos anos 2013 para cá. Salvo as manifestações e salvo os Governos, que imputam aos delinquentes, as queixas e demandas legítimas.
Comentários que valem um post
Depois de falar aos "blogueiros de casa"
José Luiz Fernandes
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Provas de amor e intimidade":
Mas que ingratidão, Eduardo...
Mais de dois meses depois !...
O que vale é que a FÁTIMA é uma pessoa de gargalhada fácil e de traço leve e divertido.
Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 25 de janeiro de 2016 09:16:00 BRST
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25.1.16
Provas de amor e intimidade
Por uma falha imperdoável o Varal postou esse presente de aniversário que o autor recebeu da amiga querida Maria de Fátima Santos e não deu o crédito devido.
Esta semana o Facebook nos lembrou de outro mimo que recebi da Maria de Fátima, anos atrás. Ela confessa:
"o FB tem destas: a fazer-me recordar que a minha intimidade com o Eduardo já foi ao ponto
um abraço e votos de muita saúde, Eduardo".
Crônica diária
A vaia da Semana Moderna
Por absoluta coincidência esta crônica escrita dia 19 passado foi
prevista publicação no dia em que se comemora a fundação de São Paulo:
25 de janeiro. As datas anteriores já estavam comprometidas. E o assunto
é a famosa vaia que os participantes da Semana de Arte Moderna de 22
receberam. Foi a glorificação do evento. Foi sua consagração. E estou
sabendo através da leitura do livro "A Capital da Vertigem", de Roberto
Pompeu de Toledo, que foi encomendada por um dos patronos da Semana,
Paulo Prado, autor intelectual da vaia, segundo Di Cavalcanti. Havia
outro suspeito: Oswald, que sempre negou. A Semana consistiu numa
exposição de artes plásticas, e em três dias de apresentações, na
segunda, quarta e sexta-feira dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922.
Corria mansa, morna e pacificamente e não teria cumprido sua finalidade
não fosse as vaias do ultimo dia. Por essa razão acredita-se que tenha,
mesmo, sido orquestrada por seus idealizadores. Paulo Prado teria
chamado o amigo Cícero Marques, o meticuloso recenseador dos prostíbulos
da rua São João, em seu livro "De pastora a rainha", e pedido:
"Promova uma vaia! Tenho horror de isso ficar parecendo com festinha."
Menotti, que participava da Semana, notou que os vaiadores se
encontravam em pequenos grupos, estrategicamente distribuídos pela
plateia. Para ele, seria evidente de algo encomendado e ensaiado. De
qualquer forma, foi uma santa, sagrada vaia. Segundo Pompeu de Toledo
"nunca houve vaia tão consequente em São Paulo". Claro que seu livro
trata da história de 1900 a 1954. Recentemente tivemos outras vaias
colossais, em estádios de futebol, onde a Dilma, como Presidente da
República, foi chamada, em coro uníssono, de FDP.
Comentários que valem um post
Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
Casas de Tolerância é um nome interessante. Tolerância de quê e porquê?
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em domingo, 24 de janeiro de 2016 08:57:00 BRST
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24.1.16
Crônica diária
A intolerância
Na ultima terça-feira escrevi sobre as casas de tolerância que existiam no início do século passado na rua São João esquina com rua Ipiranga. Era o centro novíssimo da nova e pequena cidade de São Paulo. O que me chamou atenção foram duas coisas. Primeiro o fato de que casas de prostituição costumam ser nos arredores da cidade, numa ilha como era em Cataguases. Se estabelecem no centro quando este já esta degradado. Não era o caso da recém fundada cidade de São Paulo. Outro fato a considerar foi a intolerância dos meus leitores com o tema. Miséria, fome, corrupção, política, guerra, crimes são temas escabrosos, mas tolerados. Prostituição, e casa de tolerância, não.
Na ultima terça-feira escrevi sobre as casas de tolerância que existiam no início do século passado na rua São João esquina com rua Ipiranga. Era o centro novíssimo da nova e pequena cidade de São Paulo. O que me chamou atenção foram duas coisas. Primeiro o fato de que casas de prostituição costumam ser nos arredores da cidade, numa ilha como era em Cataguases. Se estabelecem no centro quando este já esta degradado. Não era o caso da recém fundada cidade de São Paulo. Outro fato a considerar foi a intolerância dos meus leitores com o tema. Miséria, fome, corrupção, política, guerra, crimes são temas escabrosos, mas tolerados. Prostituição, e casa de tolerância, não.
23.1.16
Crônica diária
Por falar em antigamente
Quando a conversa descamba para o saudosismo, para as coisas do passado, numa roda de gente com mais de sessenta anos, as lembranças não tem fim. Uns lembram os fotógrafos de praça pública, precursores das polaroide, que tiravam e revelavam as fotos na hora. O fundo da fotografia invariavelmente era a igreja matriz, o coreto ou o chafariz. Outro retruca com o realejo, aquela espécie de órgão portátil acionada por uma manivela e que portava uma casinha de madeira com um periquito que tirava a sorte. Isso é que era exploração de aves. O indivíduo, geralmente idoso, vivia às custas da pobre avezinha. As latas de Toddy tinham uma "chave" para abri-las. E assim vai a conversa passadista. Esta semana assisti um filme sobre um astronauta que é deixado em Marte* pelos seus companheiros. Datado de 2015 me fez lembrar o seriado**, em preto e branco, do Flash Gordon. A tecnologia melhorou, mas o cenário de Marte continua inóspito, e sem graça. Areia e montanhas rochosas. A grande novidade é que os astronautas atuais fazem coco em saquinhos metálicos. No tempo do Flash Gordon esses detalhes comezinhos não tinham sido resolvidos.
* "Perdido em Marte" um filme de Ridley Scott com Matt Damon, Jessica Chastain : O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é enviado a uma missão em Marte. Após uma severa tempestade ele é dado como morto, abandonado pelos colegas e acorda sozinho no misterioso planeta com escassos suprimentos, sem saber como reencontrar os companheiros ou retornar à Terra.
**Em 1936, a Universal Pictures, inspirada no sucesso dos quadrinhos, resolveu fazer o seriado Flash Gordon, sob direção de Henry McRae e estrelado por Buster Crabbe. O seriado teve 13 capítulos, e estrelou, além de Crabbe, Jean Rogers, James Pierce. Em 1938, foi realizada a continuação, Flash Gordon's Trip to Mars (1938) (no Brasil, “Flash Gordon no Planeta Marte”), também com Buster Crabbe. Em 1940, realizou-se Flash Gordon Conquers the Universe (1940) (no Brasil, “Flash Gordon Conquistando o Mundo”), também com Crabbe.
Comentários que valem um post
Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Cactos":
Hilocéreo, são lindas! Parentes da Pitaya.
Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em sexta-feira, 22 de janeiro de 2016 02:13:00 BRST
22.1.16
Crônica diária
Empatias
Tem pessoas que a gente não gosta sem conhecer. Outras que gostamos
apesar de desconhecidas. É o caso do Antonio Prata. Nunca leio jornal.
Na Piacaba, em Santa Catarina não chegam, em São Paulo por falta do
hábito. Domingo passado li na Folha o artigo do Antonio Prata. Ele
escreve gostoso. Desta vez falava do prazer que é tomar vinho branco à
beira-mar, ou ler Rubem Braga numa varanda de um sítio. Deve ser por
isso que gosto do Antonio. A gente já tem três prazeres em comum. O
terceiro é escrever. Temos mais um: acordar cedo nos predispõe à
felicidade. Nesse artigo, cujo título é "Abraçando árvore", conta de
forma deliciosa, para uma leitura dominical, que numa sexta-feira foi
almoçar com seu editor. Comeram peixe na brasa, acompanhado de vinho
branco. Repito, eu também gosto dessa combinação. Após o almoço, ao lado
do Cemitério da Consolação, "com seus pacíficos encantos", saiu
andando a pé e quando se deu conta estava em frente à paineira da
Biblioteca Mario de Andrade. Descreve a árvore centenária, gigantesca,
que certamente já estava ali antes do Mario de Andrade nascer. Por
muitas razões que não vem ao caso, teve uma súbita vontade de abraçar a
árvore. Deixa claro que não é do tipo que abraça árvore. Pelo contrário,
como eu, faz piada com quem abraça árvore. Mais uma identidade. Foi,
disse Antonio, um gesto simbólico, como atirar rosa ao mar dia 31 de
dezembro. "Olhou prum lado,". "Olhou pro outro". "Tomou coragem e foi só
encostar o rosto no tronco para ouvir: "Antonio?!" Era seu editor.
Foram dois segundos de desespero. Seu inconsciente, consciente do perigo
de passar por louco, alcoólatra, perder o editor, lançou a ideia
salvadora. "Uma braçada", disse "volvendo para a esquerda e envolvendo a
árvore novamente, "duas braçadas e...Três". "Uns cinco metros de
diâmetro". "Tava medindo pra escrever no livro, pois no fim essa
paineira é importante." Colou". Cada um foi pro seu lado. Na verdade, no
livro, nem uma samambaia estava prevista.
21.1.16
Crônica diária
A culpa é do moldem
Há coisas que eram essenciais a pouco tempo, e deixaram de existir, ou
quase. Como canivete, prendedor e pérola na gravata, corrente de relógio
de bolso, abotoadura, polaina, só para ficar nos penduricalhos
masculinos. Outras surgiram, e fazem parte de nosso dia a dia de forma
imprescindível. Exemplo? Celular, tablets, e o tal do moldem. Sem o
moldem seu computador, ou o sinal de internet, não funciona. Entre o
moldem e o computador pode, ainda, estar o roteador. Termos que não
existiam a muito pouco tempo. Minha casa, que tem nome: Piacaba, na
praia e lagoa de Ibiraquera, em Santa Catarina, é a ultima da rua, que
recebe (mal) o sinal da internet. As casas, minhas vizinhas, não tem
sinal. Isso até parece coisa de dezesseis anos atrás (uma eternidade)
quando não tínhamos lixeiro, iluminação pública, e carteiro, que
continua não passando por aquelas bandas. Por essa razão o técnico da Oi
vive em casa. Nunca é o mesmo. Os serviços são terceirizados, e o
atendente é sempre um novo. A culpa nunca é da linha telefônica, da
empresa. É sempre problema interno, que não é com eles. Ou... do moldem.
Aí eu troco o moldem, e volta a funcionar a internete. Mal, lenta, mas
funciona. Com isso fui juntando moldens. Tenho uma dúzia deles. Esta
semana deu pane no sistema. Ligamos para a Oi, e informaram que estavam
em manutenção e que as dezoito horas voltaria o sinal da internet. Não
voltou. Ligamos novamente e agendaram um técnico para depois de amanhã.
Como ficar quarenta e oito horas sem internet? Impossível. Me leva à
loucura. No dia seguinte voltamos a ligar, explicamos a urgência e
tivemos a confirmação de que o técnico viria na parte da tarde. De fato
uma hora depois ligou perguntando como chegar no endereço. Passada meia
hora chegou. A culpa mais uma vez era do moldem. Claro! As tomadas e
filtros eram novos. Só poderia ser o moldem. Peguei um dos meus doze,
descartados por eles, e trocamos com o que "estava com defeito".
Funcionou. Mas me prometeu que no dia seguinte alguém da Oi iria trazer
um novo mais moderno. E trouxeram. Não é preto. Branco e do tamanho de
um maço de cigarro. A cada dia esses aparelhos eletrônicos diminuem de
tamanho. Até o dia que não vão mais existir como conhecemos hoje. Virão
embutidos nos finíssimos e levíssimos notebook, tablets e congêneres.
Roteador será aparelho do passado. A Piacaba continuará a ser a ultima
da rua e a receber um sinal precário, e não terão mais em quem jogar a
culpa.
Comentários que valem um post
Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Coomentários qque valem um post":
ESTOU FALANDO DE RABOS...
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em quarta-feira, 20 de janeiro de 2016 14:57:00 BRST
20.1.16
Crônica diária
Perguntas que não calam
Nelson Motta escreveu, no O
Globo, um artigo com esse título. Começa perguntando: "Por que o
governo federal e o estadual, em época de penúria da Saúde, não tem vergonha de
seus orçamentos milionários de (auto) publicidade, que não sofreram
cortes?". Eu respondo caro
Nelson, todos os governos são imediatistas. Saúde, apesar de
absolutamente prioritária, custa caro, tem que haver planejamento e políticas
de longo prazo. Campanhas publicitárias, ainda que enganosas (vide as eleições
de 2014), surtem efeito imediato. Antigamente eram os coretos e chafarizes em
praças públicas, ao invés de investimento em saneamento básico, esgoto, etc...
que elegiam os prefeitos das cidades. Os militares proibiram. Restabelecida a
democracia, estamos voltando aos velhos hábitos. Não estou com isso defendendo
a volta dos militares, muito pelo contrário, eles têm grande parte da
culpa por terem acabado com os partidos políticos, entre outros tantos
equívocos. Os marqueteiros dos atuais governantes são seus quadros mais
importantes. Mandam mais do que os ministros da saúde, e do planejamento. Fazem
milagres.
Comentários que valem um post
Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Vão me chamar de machista":
A diferença não é muita...
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em terça-feira, 19 de janeiro de 2016 09:59:00 BRST
Jorge, dois machistas... !!!!
19.1.16
Crônica diária
Avenida São João com Ipiranga
Outra história deliciosa que Roberto Pompeu de Toledo conta no livro "A
Capital da Vertigem" é narrada no livro de Cícero Marques(1884-1948)
intitulado "De pastora a rainha". Marques conta que na esquina da rua
São João com a rua Ipiranga, que no início do século ainda não haviam
sido promovidas à Avenidas, havia um velho sobrado em que, na parte de
baixo, o italiano Fontinelli mantinha uma casa de secos e molhados e, na
de cima, Natália, "atraente mariposa do amor" compartilhava seu
"casulo" com outras "alegres companheiras". Do outro lado da rua, havia a
mercearia do italiano Ângelo Tebaldi e, pegada a ela, uma casa pintada
de azul onde Julieta Petachinikoff, uma eslava "morena de olhos negros,
alta, magra, bonita e elegante", montou "o seu ninho". Havia, segundo
Marques, que morou na São João, cerca de dezesseis "pensões" de mulheres
na região, sem contar avulsas como "a francesa Juliette" que morreu
envenenada. Havia ainda "a caipirona gorda", que veio a São Paulo
conhecer as delícias tristes da vida alegre". Lola "salerosa espanhola",
na esquina com Líbero Badaró, e a pensão da Maria Augusta, próxima à
rua Aurora. A lista é imensa, e Marques enumera: Maria Cavalheira,
Negrinha, Barretinho, Negrini, madame Dorica e a portuguesa Maria Leal,
onde brilhava "a célebre Cobrinha". Boriska se exibia no Casino
Paulista, em atrações de nus artísticos, e despertava na plateia
exclamações de admiração pelo fato de "poucas vezes" se ter visto no
mundo "um desenvolvimento tamanho dos músculos glúteos". Quando "entoava
umas cançonetas" era interrompida por gritos de "Vira, vira", e ela
virava. Pediam de novo "Vira, vira", e ela virava de novo. "Quanto mais
"madama" virava, tanto mais era aplaudida". O jovem Julio Prestes,
futuro Presidente da República (1930), era um frequentador assíduo
desses espetáculos.
18.1.16
Crônica diária
Uma alucinação
Nos últimos cento e dez anos São Paulo e o Brasil mudaram muito. Conta Roberto Pompeu de Toledo, no seu livro " A Capital da Vertigem" que o "Correio Paulistano", órgão oficial do todo poderoso Partido Republicano Paulista, na sua edição de 21 de Janeiro de 1906 faz um relato da principal notícia do dia. O Senador estadual Francisco de Assis Peixoto Gomide, vice de Campos Sales no governo estadual, e presidente por um ano (1897 e 1898) amanheceu depois de uma noite maldormida , almoçou como era de costume na cidade, às dez horas, com sua mulher e seus quatro filhos, e continuou na sala de jantar acompanhado de sua filha Sofia de 22 anos. Ele continuou silencioso na mesa, jogando para o alto bolinhas de miolo de pão. Ela sentou-se numa poltrona e pôs -se a fazer crochê. Essa situação durou muito tempo, e o pai começou a andar de uma sala para outra muito agitado, porém em silêncio. A alturas tantas, escreve Roberto, o pai se aproxima da filha com um revolver Smith and Wesson e atira na cabeça da moça. Em seguida foi para a sala de visita, sentou-se junto ao piano, e atirou contra a própria cabeça. Estupefação geral. A casa ficava no centro da cidade, na rua Benjamin Constant, e logo os gritos e choros foram ouvidos pelos vizinhos. A redação do jornal Estado ficava perto, na rua Quinze de Novembro, e seu repórter chegou em seguida.A narração agora é do "Estado". Abriu colunas para enumerar as personalidades que acorreram ao velório na própria casa. O "Estado" fez minuciosa cobertura e aventurou-se a tratar das causas da tragédia, coisa que o Correio não ousou fazer. Em síntese Sofia iria se casar dia 27, dali a uma semana. O noivo era o promotor público Manuel Batista Cepelos, moço de origem humilde, que a custo completara os estudos, e já se distinguia como poeta. Segundo o jornal, Peixoto Gomide nos últimos tempos demonstrava sinais de nervosismo. Chegou a confidenciar a amigos que não suportava a ideia de separar-se da filha. Chegou a consultar o psiquiatra Franco da Rocha. O que os jornais não publicaram, e foi a versão que correu durante muitos anos, especulava que o Peixoto Gomide seria o pai do noivo. Incapaz de confessá-lo teria recorrido ao ato de matar a própria filha e a si, para evitar o casamento. Curiosamente o escabroso caso nunca foi tratado pela imprensa como "crime", "assassinato", mas como "tragédia", "uma fatalidade", "uma obra do destino", "uma alucinação".
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )



















