26.11.15

Crônica diária

Chatô, o filme

A história do filme, e não seu enredo, são por muitos cinéfilos conhecida. 
A estreia do ator Guilherme Fontes como diretor começou em 1995, portanto há vinte anos. Uma história quase policial. Cheia de notícias tais como: "Guilherme Fontes é condenado a devolver R$ 2,5 milhões captados para o filme "Chatô",  "Guilherme Fontes terá de devolver mais de R$ 71 mi por filme "Chatô", Advogado de Guilherme Fontes diz que ele não pode pagar dívida de "Chatô", e
"Depois de quase 20 anos, Guilherme Fontes promete "Chatô" para 2014". Finalmente em Novembro deste ano chega às salas de cinema o comentado filme baseado no livro homônimo de Fernando de Moraes.  Não recomendado para menores de 14 anos decretou a censura. O magnata das comunicações Assis Chateaubriand (Marco Ricca) é a estrela principal de um programa de TV chamado "O Julgamento do Século", realizado bem no dia de sua morte. É nele que Chatô relembra fatos marcantes de sua vida, como os casamentos com Maria Eudóxia (Letícia Sabatella) e Lola (Leandra Leal), a paixão não-correspondida por Vivi Sampaio (Andréa Beltrão), como manipulava as notícias nos veículos de comunicação que comandava e a estreita e conturbada ligação com Getúlio Vargas (Paulo Betti), que teve início ainda antes dele se tornar presidente. O que alegam os detratores do Guilherme Fontes é de que se não houve roubalheira, houve negligência em entregar R$12 milhões (dos quais usou oito milhões e seiscentos mil) de dinheiro público, para um ator inexperiente em produção e direção. Mas essas são águas passadas. Fui assistir o filme antes que as ameaças da  família do Chatô se concretizem. Querem tirar das salas de cinema por sentirem-se ofendidas. Mais polêmica. Tudo muito parecido com a vida do protagonista. O debate e as manchetes só servirão para aumentar a publicidade sobre o filme. Um ótimo filme. O resultado final é magnífico. Fará uma bilheteria igual ou superior as maiores do cinema nacional (R$30 milhões). Ganhará prêmios se concorrer. Valeu a luta do diretor, e a espera dos críticos. O filme é impecável. Moderno, com fotografia, som e produção esmerados. Trabalho de atores notáveis. Propositadamente não houve a preocupação na escolha dos interpretes com semelhança física dos representados, o que possibilitou aos atores, notadamente Marco Ricca no papel do Chatô, e Paulo Betti no de Getúlio um extraordinário desempenho. Carlos Lacerda, Samuel Wainer, Chacrinha, Flávio Cavalcante, e o Gregório estão lá, para quem conhece a história. Eu que conheci pessoalmente o Chatô, em vida plena, pulando cerca de arame farpado na Fazenda Aguapei, e depois na cadeira de rodas, no seu quarto hospitalar, montado na Casa Amarela, posso dar esse testemunho. Os cenários estão perfeitos. Não deixem de assistir.


Um comentário:

João Menéres disse...

Não tenho ideia de de o filme ter já passado.
Se não passou, há-de passar, certamente e irei ver.
Obrigado, Eduardo !

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