4.9.15

Crônica diária



O quase impossível acontece

Desde ontem estou às voltas com um mistério. Dentro de alguns dias saberei se vou conseguir resolver uma parte do problema. Sem citar nomes vou relatar o ocorrido. Dia oito de Julho deste ano, um amigo na cidade do Porto, em Portugal, colocou no correio um livro endereçado a mim. Como temos trocado livros, sabemos que, em alguns casos, levaram mais de mês para serem entregues. Desta vez a demora já passava dos 56 dias quando o amigo me envia um e-mail anexando outro por ele recebido dos Correios do Brasil informando que uma "encomenda, com um determinado número de registro (SR576978576974BR) havia tido três tentativas de entrega sem sucesso e que, portanto ele deveria clicar num determinado link (em azul) para saber os novos procedimentos". Tudo muito crível. Ele havia despachado uma encomenda há 56 dias, e eu não havia recebido nada até então. Uma coisa me chamou atenção no e-mail que os "Correios" enviaram para o meu remetente. O número do registro terminar com BR. Se fosse referente à encomenda enviada no Porto deveria ter um registro com final PT. Mas mesmo assim cliquei no link (azul). Vírus, claro. Era um e-mail maligno. Avisei o amigo em Portugal. Ambos admirados com a estranha coincidência. Como alguém poderia saber que ele havia despachado um livro? E mais ainda, como poderia saber que o livro ainda não me havia sido entregue? Perguntas sem resposta. Diante desse fato consultei os Correios que me informaram que o ID mencionado no e-mail falso continha um dígito a mais. O amigo português me passou o número do registro correto. Com ele acessei o site dos Correios e constatei que a mercadoria havia sido entregue no dia 17 de Julho, portanto nove dias depois de despachada. Mas eu cometi um erro imperdoável, fornecendo, ao amigo, o número da minha casa equivocado. No lugar de 1920, que seria o correto, escrevi 1929, erro causado pela proximidade do número 9 e do zero, no meu teclado. Distração. E claro, o amigo endereçou com os dados que eu forneci. Completamente passado com o ocorrido, procurei saber onde era o 1929 na minha rua. Um restaurante japonês em frente meu prédio. Fui até lá às dez da noite. Lotado. Depois de expor o problema, procuraram no caixa alguma encomenda, ou notícia dela, e nada encontraram. Pediram-me o nome da pessoa que recebeu o livro, para tentarem localizar. No dia seguinte entrei em contato com os Correios, e sem querer culpa-los pelo extravio, pedi que me informassem quem recebeu a encomenda, quarenta e cinco dias atrás. Nada fazem sem um preenchimento de solicitação formal. Resposta só dentro de cinco dias úteis, prorrogáveis. Com o número do protocolo desse pedido, tentei a Ouvidoria, que por sua vez só aceita pedidos ou reclamações depois de vencido o prazo do protocolo anterior, em andamento. Portanto, só me resta esperar. Se os Correios informarem o nome do funcionário, ou pessoa que recebeu a encomenda existe uma boa chance de localizarmos o livro. Mas com já faz 45 dias, pode ser que essa pessoa nem trabalhe mais no restaurante. A encomenda em questão é um livro de arte, tiragem limitada e esgotada. Se não conseguirmos resgata-lo será uma perda lamentável. Por outro lado, a estória do e-mail maligno permanece. Coincidência? Ou a pessoa que “recepcionou” o livro, não contente em não entrega-lo para a gerência do estabelecimento, resolveu "brincar" com o remetente? Mistério.

3 comentários:

João Menéres disse...

Que coisa fantástica, Eduardo !
Quem reteve o livro conhece o gosto que o meu amigo tem pelas coisas policiárias e obsequiou-o com uma trama para um romance.
Deve ficar-lhe grato por isso.

Agora, compete-lhe a si escrever o happy end.

Srsrsrs...

Jorge Pinheiro disse...

Um caso de polícia, com japonês incluído. O melhor é mandar outro livro. Esse já foi!

Li Ferreira Nhan disse...

  Ótimo enredo para um conto/ romance policial!!! Aqui onde eu moro sempre há alguma confusão com o correio. Durante muito tempo eu tinha o hábito de enviar postais quando viajava. Quase
sempre enviava-os de Madrid porque me era mais
fácil. Todos chegavam aos destinatários menos os
que enviava à minha casa. Onde moro há somente
3 casas; um restaurante japonês, minha casa e outra que abriga uma escola (antes vivia um
espanhol com a família). Quando eles se mudaram
a empregada veio em minha casa com um maço de
postais. O vizinho os recebia e nunca me entregou;
guardava-os. Eu nunca soube o motivo. E nem
porque o carteiro entregava-os na outra casa. Hoje,
para os correios,  uso o endereço da fundição.           

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )