29.7.15

Acaso - Conto erótico de Lucia Ramona

Acaso 
Lucia Ramona


              A noite chega e a insatisfação também. Então, decido sair e tentar me divertir. Mas sei que não vai dar certo. Desde que terminei o último namoro, tão longo quanto poderia ter sido, mergulhei num poço de tédio sem fundo. Não pelo namoro. Nunca. Talvez pela falta que faz ter alguém, qualquer pessoa...
             Mas não importa. Vou me arrumar. Mostrar o melhor que tenho a oferecer. Escolho um vestido roxo, solto, curto. Saltos enormes. Ando com eles na sala para ter certeza que não vou cair. Há muito tempo não os usava. Não precisava. Na maquilagem, olhos foscos. Base leve. Batom de um vermelho sangue estonteante. Brincos curtos. Meu pentagrama sagrado no pescoço. Solto os cabelos, pego as chaves do carro e saio.
             Ainda na garagem do prédio me dou conta que esqueci o celular em casa. Não importa. Meu cartão de crédito e documentos estão aqui. Não vou voltar. Começo a dirigir pelas ruas imaginando aonde eu poderia ir. Acabo me dirigindo para a região dos Pub’s da cidade. Muito conhecida pelo público gay. Não sei por quê cheguei lá. Nunca gostei desses lugares. Mas hoje é uma noite atípica. Então, não importa.
             Entro em um Pub qualquer. Atraída mais pela calmaria do que pela fachada. Pouco à vontade, fui até o bar, pedi um scotch duplo – o melhor que tivessem, porque, afinal de contas, a noite é atípica, e me dirigi a um dos reservados. Estilo de estofado semicircular contínuo com mesa alta de madeira envelhecida no centro. Para umas quatro ou cinco pessoas. Mas hoje é só para mim.
             Olho no relógio. 22:37. Foi quando a percebi olhando para mim. Cheia de viados em volta, rindo com eles e conversando em grupo. Me olhando de canto. Linda. Pele cor de açúcar mascavo, cabelos negros e lisos, blusa solta, shorts curtos, pernas lindas, sapatilhas nos pés, maquilagem casual e ares de quem está lá toda noite. Que mulher linda. Aceno com o copo quase no fim. Ela acena com o dela de volta. Cheio. Vodca com frutas. Muitas frutas. Um mix colorido que começa a borrar, por culpa do scotch.
             Termino meu copo e me dirijo a pegar outro. Quando peço ao barman outro whisky - já meio cambaleando, ela vem, coloca a mão na minha cintura (fazendo meu vestido subir uns 4cm) e fala:
             
           - Cuidado, moça. Você quase virou o pé. (Para o barman ela vira e fala) – Vini, faz outro copo pra ela por minha conta, aproveita e enche o meu. 
             Agradeci com um sorriso meio bêbado e disse: 
           - Qual seu nome?
            - Luna. E o seu?
           - Sophia. Obrigada pelo whisky. Acho que vou me sentar agora.
           - Posso te acompanhar até a mesa?
           - Claro.  
             Então, ainda com a mão na minha cintura e ainda levantando meu vestido ela foi comigo até a mesa e se sentou ao meu lado. Disse; “ Está entregue. Só to curiosa pra saber uma coisa. Você ta sozinha mesmo? ”
             Quando disse que sim e que era a primeira vez naquele lugar ela me perguntou o que eu estava fazendo ali. Desconversei. Até por que eu não sabia bem o que fazia ali. Mulher curiosa. Em todos os sentidos. Mas linda. Uma delícia. Quando me dei conta estávamos conversando e rindo juntas. Coisas leves. E ela, cada vez mais perto de mim. Jogava o corpo para perto do meu e usava o copo como desculpa. Disse que meu perfume era diferente e pediu para sentir o cheiro. Deixei.
             Tirei o cabelo do pescoço e quando ela chegou perto, puxou o ar lentamente e deixou a boca encostar em mim. Num beijo quase inexistente. Ao mesmo tempo, passou a mão pelas minhas costas, enlaçou minha cintura e colocou a outra mão na minha perna. Pertinho da minha bunda... por dentro do vestido, me arrancando um gemido baixinho. Fiquei um pouco assustada com aquela pegada repentina, mas o que era um beijo quase inexistente passou a tomar todo meu pescoço. Me acendendo, atiçando, fazendo com que eu oferecesse também a boca àquela mulher que passeava com a as mãos dentro da minha roupa.
            Abriu as minhas pernas com as mãos...
            Ai foi demais. O bom senso falou mais alto. Peguei as chaves, paguei a conta e puxei aquela mulher que custava lembrar o nome para dentro do meu carro. E dirigi. Muito rápido. Cheia de tesão. Com o som no último volume, meio zonza e com aquela mulher deliciosa do meu lado. Cheguei em casa. 3:58 da madrugada. Foda-se o horário amanhã. É domingo. Não estou de plantão. Subimos. Nunca foi tão longa a distância do subsolo até o 16° andar. Enquanto tentava abrir o apto ela me apertou na porta ainda fechada, passando o corpo no meu. Me fazendo empinar na porta do apartamento e sentindo as mãos dela na minha bunda... quadril... me puxando... me violando... a porta abriu.
            Entramos. Tranquei a porta correndo. Ela me pôs na parede. Levantou meu vestido... arrancou minha fio dental encharcada... tirou a blusa. Meu Deus. Que peitos... que corpo. Que delícia! Tirei seu short e a deixei só de calcinha e soutien - de renda. Branca. Dessas boutiques caras. Puxei-a ao quarto. Cama enorme. Abajur para meia-luz e o cheiro dela enchendo o ambiente, aumentando meu tesão. Eu, explodindo de vontade daquela mulher.
            Tirou os anéis e colocou no meu criado mudo. Me pegou com força. Fiquei sem ar. Sem ter o que fazer. E me jogou na cama, abriu as pernas que eu já queria ter aberto, me calou com um beijo e penetrou com toda a urgência que nós duas tínhamos. Não raciocinava mais. Não conseguia me conter mais... e gemi. Gemi como a vagabunda que eu queria ser para ela. E quando começou a chupar meus peitos, penetrando ao mesmo tempo... não. Penetrar não faz jus. Metendo mesmo. Metendo e chupando meu corpo, fazendo minha bucetinha inchar. E meu corpo gritava por mais... por muito mais.
            Perguntou, com aquela voz rouca, cheia de tesão se eu tinha um consolo em algum lugar. Disse que tinha e que estava na gaveta ao lado dela. Pegou. Colocou a cinta em um minuto e me pôs de quatro. Tão rápido que não tive chance de reclamar. E não iria. E me comeu de quatro. De lado. Em pé. Meteu tanto que me deixou mole... Gemendo baixinho de cansaço. Louca pra gozar. E gozei. Gozei muito quando ela chupou meus peitos e chegou ao pescoço pertinho da minha orelha e disse que queria me sentir gozando no “pau dela”.
            Com uma mão apertou meu peito, gemeu no meu ouvido e meteu forte. Não consegui. Gozei. Gozei muito. Encharquei a cama. Escorria entre as minhas pernas... uma delícia. E meu corpo inteiro dava choques. E eu queria mais, mas não conseguia me mover. Ela tirou a cinta, cansada já, me puxou pra ela deixando metade do meu corpo descoberto... e ficou lá... beijando tudo de leve...
Acordei 13:17 e ela já não estava mais lá. A chave embaixo da porta, um bilhete na mesa, dizia:
“Foi realmente um prazer, Dra.
 Abraços, Luna”
 

3 comentários:

Fátima Santos disse...

belíssimo naco literário
muito bem contado
muito intenso
muito burilado: nem uma palavra de menos nem uma a mais
parabéns à sua escritora erótica, Eduardo

Jorge Pinheiro disse...

A Ramona sabe do que fala. Aliás Ramona rima com...

João Menéres disse...

Só agora chegou a hora de poder ler, Eduardo !
A Fátima definiu muito bem a sua escrita deste naco verdadeiramente quente !
Lina a linha, vi o filme ao vivo.
Parabéns.

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )