Acaso
Lucia Ramona
A noite chega e a
insatisfação também. Então, decido sair e tentar me divertir. Mas sei que não
vai dar certo. Desde que terminei o último namoro, tão longo quanto poderia ter
sido, mergulhei num poço de tédio sem fundo. Não pelo namoro. Nunca. Talvez
pela falta que faz ter alguém, qualquer pessoa...
Mas não importa. Vou me arrumar. Mostrar o
melhor que tenho a oferecer. Escolho um vestido roxo, solto, curto. Saltos
enormes. Ando com eles na sala para ter certeza que não vou cair. Há muito tempo
não os usava. Não precisava. Na maquilagem, olhos foscos. Base leve. Batom de
um vermelho sangue estonteante. Brincos curtos. Meu pentagrama sagrado no
pescoço. Solto os cabelos, pego as chaves do carro e saio.
Ainda na garagem do
prédio me dou conta que esqueci o celular em casa. Não importa. Meu cartão de
crédito e documentos estão aqui. Não vou voltar. Começo a dirigir pelas ruas
imaginando aonde eu poderia ir. Acabo me dirigindo para a região dos Pub’s da
cidade. Muito conhecida pelo público gay. Não sei por quê cheguei lá. Nunca
gostei desses lugares. Mas hoje é uma noite atípica. Então, não importa.
Entro em um Pub
qualquer. Atraída mais pela calmaria do que pela fachada. Pouco à vontade, fui
até o bar, pedi um scotch duplo – o melhor que tivessem, porque, afinal de
contas, a noite é atípica, e me dirigi a um dos reservados. Estilo de estofado semicircular
contínuo com mesa alta de madeira envelhecida no centro. Para umas quatro ou
cinco pessoas. Mas hoje é só para mim.
Olho no relógio. 22:37.
Foi quando a percebi olhando para mim. Cheia de viados em volta, rindo com eles
e conversando em grupo. Me olhando de canto. Linda. Pele cor de açúcar
mascavo, cabelos negros e lisos, blusa solta, shorts curtos, pernas lindas,
sapatilhas nos pés, maquilagem casual e ares de quem está lá toda noite. Que
mulher linda. Aceno com o copo quase no fim. Ela acena com o dela de volta. Cheio.
Vodca com frutas. Muitas frutas. Um mix colorido que começa a borrar, por culpa
do scotch.
Termino meu copo e me
dirijo a pegar outro. Quando peço ao barman outro whisky - já meio cambaleando,
ela vem, coloca a mão na minha cintura (fazendo meu vestido subir uns 4cm) e
fala:
- Cuidado, moça. Você
quase virou o pé. (Para o barman ela vira e fala) – Vini, faz outro copo pra
ela por minha conta, aproveita e enche o meu.
Agradeci com um sorriso
meio bêbado e disse:
- Qual seu nome?
- Luna. E o seu?
- Sophia. Obrigada pelo
whisky. Acho que vou me sentar agora.
- Posso te acompanhar
até a mesa?
- Claro.
Então, ainda com a mão
na minha cintura e ainda levantando meu vestido ela foi comigo até a mesa e se
sentou ao meu lado. Disse; “ Está entregue. Só to curiosa pra saber uma coisa.
Você ta sozinha mesmo? ”
Quando disse que sim e
que era a primeira vez naquele lugar ela me perguntou o que eu estava fazendo
ali. Desconversei. Até por que eu não sabia bem o que fazia ali. Mulher
curiosa. Em todos os sentidos. Mas linda. Uma delícia. Quando me dei conta
estávamos conversando e rindo juntas. Coisas leves. E ela, cada vez mais perto
de mim. Jogava o corpo para perto do meu e usava o copo como desculpa. Disse
que meu perfume era diferente e pediu para sentir o cheiro. Deixei.
Tirei o cabelo do
pescoço e quando ela chegou perto, puxou o ar lentamente e deixou a boca
encostar em mim. Num beijo quase inexistente. Ao mesmo tempo, passou a mão
pelas minhas costas, enlaçou minha cintura e colocou a outra mão na minha
perna. Pertinho da minha bunda... por dentro do vestido, me arrancando um
gemido baixinho. Fiquei um pouco assustada com aquela pegada repentina, mas o
que era um beijo quase inexistente passou a tomar todo meu pescoço. Me
acendendo, atiçando, fazendo com que eu oferecesse também a boca àquela mulher
que passeava com a as mãos dentro da minha roupa.
Abriu as minhas pernas
com as mãos...
Ai foi demais. O bom
senso falou mais alto. Peguei as chaves, paguei a conta e puxei aquela mulher
que custava lembrar o nome para dentro do meu carro. E dirigi. Muito rápido.
Cheia de tesão. Com o som no último volume, meio zonza e com aquela mulher
deliciosa do meu lado. Cheguei em casa. 3:58 da madrugada. Foda-se o horário
amanhã. É domingo. Não estou de plantão. Subimos. Nunca foi tão longa a
distância do subsolo até o 16° andar. Enquanto tentava abrir o apto ela me
apertou na porta ainda fechada, passando o corpo no meu. Me fazendo empinar na
porta do apartamento e sentindo as mãos dela na minha bunda... quadril... me puxando...
me violando... a porta abriu.
Entramos. Tranquei a
porta correndo. Ela me pôs na parede. Levantou meu vestido... arrancou minha
fio dental encharcada... tirou a blusa. Meu Deus. Que peitos... que corpo. Que
delícia! Tirei seu short e a deixei só de calcinha e soutien - de renda.
Branca. Dessas boutiques caras. Puxei-a ao quarto. Cama enorme. Abajur para meia-luz
e o cheiro dela enchendo o ambiente, aumentando meu tesão. Eu, explodindo de
vontade daquela mulher.
Tirou os anéis e colocou
no meu criado mudo. Me pegou com força. Fiquei sem ar. Sem ter o que fazer. E
me jogou na cama, abriu as pernas que eu já queria ter aberto, me calou com um
beijo e penetrou com toda a urgência que nós duas tínhamos. Não raciocinava
mais. Não conseguia me conter mais... e gemi. Gemi como a vagabunda que eu
queria ser para ela. E quando começou a chupar meus peitos, penetrando ao mesmo
tempo... não. Penetrar não faz jus. Metendo mesmo. Metendo e chupando meu corpo,
fazendo minha bucetinha inchar. E meu corpo gritava por mais... por muito mais.
Perguntou, com aquela
voz rouca, cheia de tesão se eu tinha um consolo em algum lugar. Disse que
tinha e que estava na gaveta ao lado dela. Pegou. Colocou a cinta em um minuto
e me pôs de quatro. Tão rápido que não tive chance de reclamar. E não iria. E
me comeu de quatro. De lado. Em pé. Meteu tanto que me deixou mole... Gemendo
baixinho de cansaço. Louca pra gozar. E gozei. Gozei muito quando ela chupou
meus peitos e chegou ao pescoço pertinho da minha orelha e disse que queria me
sentir gozando no “pau dela”.
Com uma mão apertou meu
peito, gemeu no meu ouvido e meteu forte. Não consegui. Gozei. Gozei muito.
Encharquei a cama. Escorria entre as minhas pernas... uma delícia. E meu corpo
inteiro dava choques. E eu queria mais, mas não conseguia me mover. Ela tirou a
cinta, cansada já, me puxou pra ela deixando metade do meu corpo descoberto...
e ficou lá... beijando tudo de leve...
Acordei 13:17 e ela já
não estava mais lá. A chave embaixo da porta, um bilhete na mesa, dizia:
“Foi
realmente um prazer, Dra.
Abraços,
Luna”