16.6.15

Crônica diária



A personagem ninfomaníaca

Ontem recebi, in box, um pedido no mínimo incomum. Uma pessoa que se identificou com nome, e seus dados pessoais, me pediu para opinar sobre um curto texto erótico, que pretendia mandar para um concurso de uma revista pornô. A princípio pensei tratar-se de brincadeira de algum amigo. Por que eu? E ela respondeu que era leitora assídua de minhas crônicas e gostava de como, e o que escrevo. Lisonjeado agradeci e prometi ler e opinar. Melhor assim, do que leitor que confessa me visitar, devezemquando, para ler os comentários do Valter Ferraz. Na verdade é um texto ousado para uma moça tão jovem. Ela diz ter vinte e oito anos. Antes de enviar a minha opinião sobre o texto, pensei em colher a crítica dos meus leitores. A autora concordou. E para não ferir os protocolos e princípios de moralidade desta rede social publiquei o texto (que ela assina com pseudônimo) no meu blog que por ter tarja de ADULTO só lê quem quer. Convido meus leitores que desejarem opinar a visitarem o link: cimitan.blogspot.com.br . Seus comentários podem ser feitos no blog, ou se preferirem mais visibilidade, aqui no Face book. A autora, que omito o verdadeiro nome, por razões óbvias, agradece antecipadamente.

"Sonho erótico"

A escolha dos dois foi feita pela internet. Postei uma foto minha, quando tinha dezoito anos, não para enganar ninguém, mas para despistar pessoas mais velhas. Naquele tempo usava cabelo comprido e ainda era morena. Hoje uso cabelo curto pintado de loiro dourado. Há uma crença de que os homens preferem as loiras e burras. Eu sou morena.
Junto da foto escrevi que, estando solteira, procurava amizades.
Não fui clara no primeiro post para não causar má impressão.
Sou uma moça honesta, embora digam, que gosto de sexo exageradamente. O que posso fazer se enlouqueço os parceiros na cama. E eles, a bem da verdade, também me enlouquecem. Por essa razão prefiro não transar com pessoas conhecidas. Vão pensar mal de mim.
Alguns candidatos me pareceram interessantes. Mas as fotos poderiam ser enganosas, como a minha. Marquei encontro num barzinho no centro da cidade. Lá ninguém me conhece. A seleção levou quase um mês. Tive, cara, até que mudar de bar para não pegar mal. No fim tinha bebido e conversado com uma dúzia de interessados. Nunca dei meu telefone, e sempre usei um nome falso. Eu é que ficava no comando. Escolhi dois, entre todos. E aqui começava a fase mais complicada do meu sonho. Como dizer a eles que iríamos transar a três? Aceitariam numa boa? Me chamariam de puta? E como promover o encontro dos dois desconhecidos para leva-los juntos para a cama? Achei que seria prudente conhece-los melhor, apresentando um ao outro, dizendo que um deles era "meu primo". Saímos os três para jantar. A estratégia funcionou. Um foi com a cara do outro. Foi um jantar muito alegre e descontraído. Demos muita risada. Eles me acharam divertida. Bebemos todas. Eles pareceram acreditar no parentesco, e "meu primo" se aproveitou disso para me abraçar, e beijar, me chamando de "prima querida". O outro se conteve em me bolinar, discretamente,por baixo da mesa.
Oras tantas, "meu primo" pediu a conta e fez questão de pagar. O amigo era convidado. E para retribuir nos chamou para tomar um ultimo copo no seu apartamento. Morava só e gostava de música e cinema. Lá fomos nós. A noite prometia. No caminho, no carro do "meu primo" o amigo perguntou se ele era muito ciumento. "Meu primo" respondeu que não. A mim ninguém consultou. Devia estar na cara que eu adoraria transar com o dois. E juntos. Toda mulher tem essa fantasia, mas não confessam.
O apartamento, num bairro chique da cidade, era lindo. Decoração minimalista, como dizem, onde o menos é mais. Essa teoria só não vale na cama. Lá, quanto mais e maior, melhor...Voltando ao apartamento, todo branco com alguns estofados e tapetes preto. Uma grande bandeja de metal com meia dúzia de garrafas e um balde para gelo. Nosso amigo apanhou na geladeira uma garrafa de Champagne, das boas, e colocou no balde. Três taças e um CD delicioso. Rebaixou a luz num dimer ao lado da porta de entrada, e nos convidou para conhecer seu quarto. Gostei de como ele foi direto. A cama era king size, toda branca, com muitos travesseiros. Tirei meus sapatos, para mostrar que estava à vontade. Me joguei na cama. "Meu primo" não se fez de rogado, tirou a camisa, os sapatos, as meias e se jogou também. Nosso amigo nos imitou. Ficamos uns instantes abraçados, rindo e tomando a Champagne.  A música, a bebida e a companhia não poderiam ser melhores. Foi nesse clima que fomos uns tirando a roupa do outro, isto é, eu a deles, e eles a minha. Eles não se tocavam entre si. Nus, eu no centro e eles cada um de um lado. Fui ficando muito excitada. Os dois também. Procuravam me apalpar por todos os lados, mas sempre evitando contato entre si. Quando um estava dedicado a lamber meus seios, o outro me lambia as coxas e a xoxota. Por fim, ou muito antes do fim, porque essa alegre brincadeira durou horas, peguei o membro de cada um deles, e os fiz delirar.  Estávamos os três muito loucos. Eu no centro de pernas abertas como um X, e cada um deles chupando meus pés, enfiando os dedos onde encontravam lugar para enfiar. Eu vibrava de gozo e prazer, e demonstrava isso com forte pressão nos seus membros. Suas mãos se encontravam dentro de mim. Quantos dedos, e quais mãos, nunca saberei. Eu era o dínamo e seus falos rijos e melados eram as manivelas que ao serem manuseadas geravam uma energia fantástica. Tremíamos de louco prazer. Chupei o da direita, e o da esquerda. Foi uma trepada inesquecível. Nunca mais encontrei o "meu primo", nem o nosso amigo. Deletei a foto da internet. Essa noite nunca existiu.

Lucia Ramona

Digam-me agora, aqui, ou na minha página do Face book, o que devo dizer para a nossa leitora.

*****************

 
Lucia Ramona agradece

para encerrar o caso da postagem de ontem, transcrevo a carta que acabo de receber, in box, da autora do texto que submeti à crítica de vocês:

Amigo Eduardo, agradeço a iniciativa de ter colocado à crítica meu texto "Sonho erótico". Por mais sincera que tenha sido sua opinião, não teria me ajudado em nada. A dos seus leitores e leitoras foram muito úteis, apesar de dolorosa. Não vou me inscrever no concurso. Vou reescrever e tentar melhora-lo. Não quero me expor a mais um vexame. "Fraco, óbvio, ruim, bem fraquinho, modorrento, fraquíssimo, maçante, uma merda, sem graça, pouco profundo, banal, raso, literariamente pobre", e outros adjetivos, não me saíram da cabeça durante toda a noite passada. Foi como receber uma estrondosa vaia num estádio de futebol. E diga-se de passagem: a primeira vaia nunca se esquece.
Eles querem sacanagem grossa? Eu sei como escrever. Querem ficar úmidas e com tesão, também sei o que fazer. Tenho mil histórias para contar. Vou evitar eufemismos e falar claro. Talvez tenham razão. Sexo deve ser praticado sem censura. Sem limites. Sem preconceitos. Vou escrever sobre o pipoqueiro que me iniciou quando tinha 12 anos. Vou contar minhas primeiras descobertas, e tenho certeza, seus leitores e leitoras irão gostar.
Obrigada a cada um deles pelo tempo que gastaram com a leitura e com os comentários. Não perdem por esperar.


Assinou com seu nome verdadeiro, que omito, e substituo pelo nome artístico,

Lucia Ramona

4 comentários:

João Menéres disse...

Se é para uma revista pornô, que ENVIE !

Jorge Pinheiro disse...

Partindo do princípio que é verdade o que diz e que o texto é mesmo de uma mulher, acho francamente muito soft e pouco profundo em termos literários. O sonho do "threesome" é banal e aparece por todo o lado em qualquer site porno. As próprias "50 Sombras de Grey", embora seja uma porno-chachada, é muito mais avançado. Procuraria melhorar o texto com mais detalhes. Uma coisa que me parece difícil (salvo se fôr uma figura literária) é dizer que a chuparam durante horas. Nenhuma mulher aguenta ou então há manifesta incompetência masculina.

Silvares disse...

Parece-me bastante fraquinho...

A Extraterrestre disse...

Pouco literário. Óbvio. E mentiroso. Nem todas as mulheres querem um "threesome". Tem várias falhas ao meu ver... quem lê não quer nada óbvio demais. Não é isso que agrada. Pelo menos, não ao público do meu querido e sumido amigo Eduardo que conheço, silenciosamente, de longa data. Talvez agrade a quem vai ler a tal revista pornô. Não a nós. Gostaria de ter visto o texto antes.

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