19.5.15

Crônica diária



Assumindo culpas


Curioso como a morte de qualquer ser, animal ou humano, redime qualquer pecado. Vou lhes contar uma história que omiti no necrológico que fiz da Vida, nossa cachorra recém falecida. A omissão foi para não tornar o texto longo. Meu propósito é não ultrapassar dez linhas. Talvez nem consiga contar a história, como ela foi, em tão pouco espaço. A Vida e sua filha Mel por instinto da raça (na verdade mistura de raças, pois nenhuma era pura) caçavam tudo que se movia. Mataram carneiros e galinhas dos vizinhos. Fui cobrado por eles um preço absurdo pelos animais e aves abatidos, supostamente, pela dupla. Recebi ameaça de que as matariam, a tiros, na próxima vez. Não tive outra alternativa que não prende-las. Privar da liberdade total e irrestrita que sempre tiveram foi muito dolorosa para elas e para mim. Um cabo de aço com trinta metros para cada uma, em paralelo, onde uma argola deslizava presa numa corrente e na coleira. Assim viveram quatro ou cinco anos. Há uns meses atrás resolvi correr o risco de liberta-las. Estavam gordas por falta de atividade, perdendo pelo, e a Vida já dando sinais de que o seu fim estava próximo. Não me consta que tenham matado nenhum outro animal ou ave após a libertação. A Vida voltou a ser a cachorra de praia que sempre foi. Voltava para casa só para comer e dormir. Algum dia sumia. Mas sempre voltava. Curamos bicheiras, medicamos contra vermes, pulgas e carrapatos. Sempre comeram a melhor ração que pude encontrar: Premiatta (Frango e Arroz) contendo Pró Selenium+M.O.S. seja lá o que isso for. Com sua morte, ficou junto à saudade, o peso na consciência, por tê-las submetido a tantos anos de castigo. Em que pese muitos animais jamais tiveram trinta metros de gramado à sua disposição vinte quatro horas por dia. Mesmo assim a Vida não merecia pena tão longa.

3 comentários:

Li Ferreira Nhan disse...

Animais soltos x vizinhos = problemas. Sempre!

O castigo foi mesmo muito longo coitadas mas não havia outra solução; elas corriam risco de morte. Ponto para os vizinhos, pior pra elas.
Cada vez mais eu acredito que vizinhos são quase sempre um problemão.


Jorge Pinheiro disse...

Também não gosto de animais presos. Mas com os cães as leis são muito rigorosas, pelo menos por cá: não podem andar soltos nunca (em teoria). Sempre tive cães até que morreu o último (Bezunga). Esse estava cadastrado depois de ter mordido em pessoas. Agora só quero gatos. Fazem o que querem, entram e saem e, com sorte, vão escapando aos acidentes. Coisa grave para mim é a privação de liberdade dos pássaros: as gaiolas. É coisa que não entendo. Os cães, é a Vida.

Cláudia disse...

os animais são nossas almas companheiras...acredito que sempre os reencontraremos...luz prá ela

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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