17.5.15

Crônica diária

De novo sobre a expressão "Voltando à vaca fria"

Ontem intitulei minha crônica com a expressão "Voltando à vaca fria", e disse não conhecer a origem dela, apesar de muito usada pela Dna Heloisa, minha velha mãe. Hoje transcrevo o comentário do meu leitor Walter De Queiroz Guerreiro: "meu caro Eduardo pelo que sei em Portugal era costume servir como entradas numa refeição um prato de carnes de gado frias acompanhadas de molhos, algo como o bollito misto piemontês, e algumas entradas que se serviam com frios diversos; como não eram o prato principal os gulosos diziam não vamos "voltar à vaca fria", vamos ao principal!"
Tenho uma outra informação que vale a pena divulgar:
"Voltar à vaca fria" é uma expressão usada para retornar ao assunto principal em uma conversa, discurso ou discussão, que foi interrompida por divagações em temas periféricos. Como a vaca entrou nessa, é outra história.
De acordo com o professor Ari Riboldi, no seu livro 'O Bode Expiatório', essa expressão é a tradução da muito usada na França "revenouns à nous moutons", ou seja, voltemos aos nossos carneiros. Essa frase fazia parte da peça teatral "A farsa do Advogado Pathelin", sobre um roubo de carneiros. 
Esta peça, considerada a primeira comédia da literatura francesa, data do fim da Idade Média, precisamente do ano de 1460. Infelizmente, não se tem conhecimento do seu autor.
Mas, voltemos à vaca fria. Em determinada cena da peça, o advogado do ladrão faz longas divagações fora da questão principal e o juiz chama a sua atenção com a frase 'voltemos aos nossos carneiros', fazendo-o retomar o assunto.
Porém, a tradução para o português da expressão acabou transformando os carneiros em uma vaca. Essa distorção, segundo Riboldi, possivelmente se deva ao fato de que era costume, em Portugal, servir um prato frio feito com carne de gado antes das refeições, ao qual muitos comensais recusavam. Estava dispensada, assim, a "vaca fria".

Um comentário:

Jorge Pinheiro disse...

Voltar à vaca fria pode ser interpretado como acabar com as divagações e voltar ao essencial ou, num contexto argumentativo, estar sempre a voltar ao mesmo assunto (ou seja, travar a evolução da discussão voltando sistematicamente atrás). São dois conceitos quase opostos que usam a mesma expressão idiomática.

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