22.3.15

Crônica diária



As liberdades improváveis

Vezenquando me ponho a ler e de repente bate uma vontade incontrolável de escrever. Paro, pego uma caneta bic azul (às vezes preta, também) e coloco no papel ideias ou histórias que me ocorreram durante a leitura subitamente interrompida. Hoje não foi diferente. Estava lendo o autor argentino César Aira e sua novela "Como me tornei freira". Fiquei desconcertado com o uso de masculino e feminino para o mesmo personagem. Ora era uma menina de seis anos de idade, ora era um menino. Chamava-se César Aira. Não gostava de sorvete e seu pai mata o sorveteiro asfixiando-o num balde de sorvete de morango. Não pude deixar de me lembrar do livro do Caio F, "Morangos maduros". Mas voltando ao Aira, nessa novela, ou conto, nunca sei exatamente a diferença, o menino ou menina de seis anos não toca no assunto que o título sugere. Não há uma só insinuação de como ele, ou ela, tenha se tornado freira. No prefácio Sérgio Sant´Anna já havia prevenido sobre o jogo das possibilidades infinitas com que o autor costuma confundir seus leitores. Mas a esse ponto não esperava que chegasse. Mas como dizia, me deu uma vontade de anotar três coisas que me ocorreram nas últimas horas. Quando tinha uns quinze anos, no século passado, escrevi um romance policial. Num caderno escolar, à mão, chamava-se "Um passo segue o meu". Deveria ter uma quarenta ou cinquenta páginas. Minha letra sempre foi miúda. Num ataque de modéstia rasguei o caderno, picando em pedacinhos meu primeiro, possível,  livro. Arrependo-me até hoje. Levava-me muito a sério e supunha que a história não estivesse à minha altura. Bobagem. Talvez tivesse sido o melhor que escrevi até hoje. Mais velho, perdi o pudor. Fiquei um velho sem vergonha. A segunda anotação é sobre o diálogo que tive com um balconista dos Correios de Imbituba. Escreverei uma crônica oportunamente. E para concluir, a terceira anotação se refere a um telefonema que recebi da minha irmã Elisa. Ela esteve na casa onde moramos quando éramos crianças. Rua Paraguai, vinte e um. A casa esta lá praticamente intacta pelo lado de fora. Internamente foi reformada. Ela queria minha ajuda para reconstituir os cômodos da casa. Sendo quatro anos mais nova, e eu na época deveria ter seis ou sete anos, ela não poderia lembrar de nada. Mas minha memória, também, não ajudou muito. O que mais me recordo dessa casa foi quando saímos de férias, para passar umas semanas em Campos do Jordão, malas no carro, fechamos o portãozinho, e deixamos a luz do alpendre acesa. Dois dias depois meus pais tiveram que voltar, chamados pelo vizinho que encontrou a casa arrombada. Os ladrões ficaram dias na casa, tomaram banho, comeram tudo que encontraram e tiveram tempo suficiente para fazer trouxas com tudo que quiseram levar. E levaram tudo. 

2 comentários:

Jorge Pinheiro disse...

Nossa memória é uma arquivo dos tempos.

João Menéres disse...

Os seu Pais deve ter ficado arrasados !

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )