31.3.15
Crônica diária
A divida do caminhão
Domingo escrevi sobre o copiloto alemão, que ao derrubar o avião que pilotava, se matou e a 149 pessoas. Não havendo razões ideológicas, religiosas, ou de cunho trabalhista, que por si só não se justificam, só a psiquiatria pode explicar. Ontem lembrei do meu pai que morria de medo de voar. Hoje lembro seu pai, meu avô, um dos pioneiros da aviação civil no Brasil. É dele a história do empregado que pediu um dinheiro emprestado para comprar um caminhão. Meu avô emprestou estabelecendo as condições para o pagamento do empréstimo. Passado um tempo, e não tendo recebido nenhuma amortização, chamou o indivíduo, e cobrou. Em resposta o devedor ameaçou se jogar com o caminhão num precipício. Estava desesperado sem condições de cumprir o acordo. Meu avô calmamente retrucou:
_"Se joga, mas deixa o caminhão".
Esse
seria um bom conselho para o copiloto alemão. Quer se matar, ninguém
pode impedir, mas não faça com o avião e 149 inocentes a bordo.
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Ieda Ciampi Eduardo Penteado Lunardelli,vou
ser clara para você, não entendo muito de politica, mas aprecio muito
seus comentários e gosto de compartilhá-los se me permitir.Você é claro e
verdadeiro e assim vou tomando um melhor conhecimento do que se passa
em nosso país, Sinto nojo de tanta corrupção ! Vamos lutar por um Brasil
melhor e vou acompanhá-lo sempre.Um grande abraço !
30.3.15
Crônica diária
O regime já é PARLAMENTARISTA
Chegamos ao Parlamentarismo por vias travessas. Não foi a constituinte,
muito menos o Congresso quem impôs a mudança de regime. Foi o povo, com
dois milhões e duzentas mil pessoas nas ruas do país, dia 15 de Março,
quem mudou o regime. Passamos a ser PARLAMENTARISTAS. Os políticos
profissionais, (leia-se Renan Calheiros e Eduardo Cunha) aceitaram a
carta de outorga da população, e assumiram o poder. O Congresso através
do PMDB e seus representantes no Senado e Câmara dos Deputados, passaram
a governar. Renan Calheiros e Eduardo Cunha legitimamente, ou não,
assumiram o PARLAMENTARISMO de fato, ainda que não de direito. O
primeiro ministro acumula o cargo de Ministro da Fazenda, na pessoa de
Joaquim Levy. E o que sobra para a Rainha da Inglaterra? Fazer o que a
Dilma tem feito. Com uma diferença, com a popularidade despencando,
inclusive no nordeste, sem poder aparecer em público, ou na TV, onde é
fortemente vaiada, e hostilizada. Como agora a presidente não tem mais a
tarefa de governar, espera-se que tenha tempo para indicar o décimo
primeiro ministro do Supremo Tribunal de Justiça, e de todos os outros cargos a espera de nomeação. Quanto ao seu medíocre
ministério, espera-se que ao longo dos próximos meses o PARLAMENTO
imponha modificações, nos livrando dos petistas e do aparelhamento do
Estado. O PMDB aliando-se aos partidos que faziam oposição,
amadoristicamente, poderão fazer o que o povo brasileiro espera para o
Brasil. Cortar pela metade o número de Ministérios. Cortar despesas nos
três poderes. Fazer a reforma política. Varrer do mapa a política
econômica, praticada pela Dilma, impor uma nova e transparente política
externa. Privilegiar o mercado ao invés do "tom vermelho" dos parceiros
comerciais. Voltar a fazer o país crescer, com pleno emprego, sem muita
corrupção, e retornar ao bom caminho. Isso posto, em 2018 o povo poderá
votar novamente num presidente ou referendar o regime PARLAMENTARISTA de
uma vez.
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- Sandra Lunardelli Uma tragédia. ..eu como meu avô DETESTO voar, nunca me sinto a vontade. .. ótima a comparação do "gado para o abate" ..fico imaginando os 12 minutos da mais aguda agonia, que passaram essas pobres almas! Uma tragédia... o problema está sempre no fator humano. ..e o pior, é que pode sempre piorar!!! Sorry, ando meio pessimista ultimamente... esperar por um mundo melhor virou quase uma piada!
Eduardo Penteado Lunardelli Minha filha, Sandra Lunardelli,
quando as coisas estão como agora, tem uma vantagem: só podem melhorar.
Tenho certeza de que o mundo será muito melhor amanhã, quando os
pilotos nunca ficarão mais sós na cabine de comando, quando Israel e
Palestina se entenderem, ainda que precariamente, quando a criminalidade
urbana for contida com educação para toda população, quando o PT
estiver fora do governo, e sobre isso escrevo amanhã, e já há uma luz no
fim do túnel, e por fim quando o terrorismo internacional for
definitivamente exterminado. O mundo seguramente será melhor. Acredite.
29.3.15
Crônica diária
O crime do copiloto
O inesperado resultado
da investigação sobre o acidente aéreo ocorrido nos Alpes franceses, onde 150
pessoas, a maioria espanholas e alemãs perderam a vida, chocou o mundo. Não foi
um acidente, mas um atentado. Para as famílias enlutadas o termo da
classificação: acidente ou atentado muda muito pouco a dor e saudade dos entes
perdidos. A família do assassino suicida, copiloto da aeronave, essa sim tem
sua dor e honra completamente modificado. Desastres aéreos me fazem lembrar meu
pai que morria de medo desse meio de transporte. Como médico e pecuarista fazia
uma comparação entre o gado sendo embarcado para abate, e os passageiros nos
corredores de embarque dos aeroportos. No caso presente 149 pessoas embarcaram
num avião comercial e um rapaz alemão de 28 anos, copiloto desse voo, prende o
comandante do lado de fora da cabine e durante doze minutos, manualmente, faz
com que aeronave se precipite contra as rochas dos Alpes franceses cometendo um
genocídio. Muito ainda se falará sobre esse atentado. Livros, filmes serão
produzidos. Novas regulamentações sobre o número mínimo de dois tripulantes que
serão obrigados a permanecerem na cabine durante todo o voo, mas nada poderá
evitar atentados criminosos, Meu pai tinha razão em temer aviões. Eu sou um
louco de voar com a tranquilidade com que faço. Na grande maioria dos
acidentes, a culpa, ou falha, é humana. A máquina quando bem revisada é muito
segura. Não é fácil derrubar um avião. Mas contra a insanidade mental, ainda
que ocasional, não há leis, dispositivos, testes psicológicos que possam evitar
uma tragédia como essa.
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28.3.15
Crônica diária
Onde anda o guarda-roupa vermelho?
Curiosamente, desde os
dias que antecederam 13 de Março, a presidente Dilma não aparece em público com
seus desafiadores e impositivos trajes vermelhos. Cansou da cor? Agora abusa do
azul, do branco, e do preto. Nada de vermelho. Não consegue fazer o "mea culpa",
porque sua índole de ex-guerrilheira não o permite. Autoritária e
personalista ouve seu "inventor", mas não põem em prática suas
lições. É teimosa e empacadeira como mula do sertão. De uns dias para cá, tem
pregado humildade, que a ninguém convence. Falsa como as cores que tem adotado
ultimamente, com vergonha do vermelho, de quem abusou e ajudou tornar a cor da
desgraça brasileira. O som das panelas continuarão a ser ouvido em todas as
cidades do país, mesmo que ela se apresente de sandálias humildes e vestidona
de azul. As passeatas, com milhões de brasileiros vestidos de verde-amarelo,
continuarão, espontaneamente, a entoar o grito irreverente, mas bem humorado:
Dilma vá tomar no c...
27.3.15
Crônica diária
Bons escritores e chefs
são do gênero masculino
Quando tenho defendido,
com apoio da maioria honesta dos meus leitores, que os escritores, homens, são
melhores que as escritoras, sou chamado de machista. E é preciso que se diga
que os escritores fazem literatura, com personagens femininos, melhor do que as
próprias mulheres. A líder dessa campanha contra mim, é a querida amiga, e
conhecida artista plástica, Maria Tomaselli. Ela esta prestes a lançar um livro
meio ficção, meio biográfico/familiar. Vamos conferir. Mas acabo de ler uma
escritora mexicana chamada Guadalupe Nettel, e seu romance "O corpo em que
nasci". Voltei a comprovar minha tese. É um livro escrito por mulher para
um público, preferencialmente, feminino. Não vai aí nenhum demérito. As
mulheres precisam entender que há metiês em que os homens se dão melhor. Por
exemplo: chef de cozinha. A larga maioria dos melhores chefs do mundo são
homens. Isso não quer dizer que as mulheres não saibam cozinhar. Sabem, e as
vovós, e tias velhas, eram exímias cozinheiras. Mas ficavam por aí. E para
provocar as feministas, conheço duas excelentes chefs mulheres, e que estão no
mesmo nível dos melhores chefs que conheço, mas, por mero acaso, são gays
assumidas.
26.3.15
Crônica diária
O que vai acontecer com o Brasil ?
Agora posso responder a essa pergunta: "O que vai acontecer com o
Brasil?". Ela tem sido feita por amigos que moram na Europa, e outros,
que mesmo morando aqui, tem dúvidas para onde os movimentos de rua nos
levarão. Já posso responder. Tendo participado da fantástica e memorável
manifestação do domingo 15 de Março, e de muitas outras anteriores,
arrisco afirmar que não derrubarão governo nenhum. Para que um governo
caia é preciso mobilização permanente e contínua. Com isso não estou
preconizando golpe. Era esse o mote da manifestação: "Fora Dilma". Na
Primavera Árabe, como exemplo, o povo tomou as ruas e praças, e nelas
ficou acampado, até o governo cair. Manifestações mensais, como as que
ocorrem aqui, não derrubam governo. Pressionam, assustam, e influenciam
os políticos, mas não tem o poder de derrubar o governo. Em junho de
2013 aconteceu um movimento inesperado e espontâneo, e o resultado nós
conhecemos. O de 15 de Março será sucedido por outros já convocados para
12 de Abril próximo, e Greve Geral em 26 de Junho, mas não passarão de
claras demonstrações de descontentamento, mas sem força para alterar as
regras do jogo. Enquanto o povo não estiver disposto a ir, e ficar nas
ruas, até a Dilma se convencer de que não tem mais condições de
governar, tudo continuará como sempre foi. Toma lá, dá cá, com o PMDB e
aliados, e nós vamos pagando a conta. Renan Calheiros e Eduardo Cunha,
farinhas do mesmo saco, usam os movimentos de rua para se fortalecerem
pessoalmente, e em nome da honra e independência do Congresso vão
fazendo o jogo que lhes convém. Não o que necessariamente interessa ao
país. A oposição dividida, como sempre foi, não tem coragem de tomar a
liderança do movimento. Nem o povo quer líderes dessa categoria. E
curiosamente os estudantes, que lutaram por vinte centavos, em Junho de
2013, não estão se manifestando pelos milhões da Petrobras, BNDES,
Fundos de pensão, e outros focos de corrupção. Sem a participação maciça
dos estudantes e operários, acampando e tomando as praças de Brasília, e
das maiores cidades brasileiras, não haverá mudança séria, e profunda.
Não discuto a oportunidade ou legalidade de manifestações como as que
depuseram governos dessa forma. Mas afirmo que qualquer outra
demonstração de descontentamento, mesmo levando dois milhões de duzentas
mil pessoas às ruas, num mesmo dia, Brasil a fora, como aconteceu em 15
de Março, não vai resolver nossa crise política e muito menos a grave
crise econômica. Foi por isso que escrevi: "Sangramento mensal pode gerar filho, mas não derruba governo." E parece que ninguém entendeu.
25.3.15
Crônica diária
Águas-fortes cariocas
Roberto Arlt no ano de 1930 passou dois meses escrevendo crônicas para o jornal "El Mundo", da Argentina. Descreve suas impressões do Rio de Janeiro, comparando-a à cidade natal de Buenos Aires. Ele era tido, à época, como um cronista gaiato. Com poucos recursos intelectuais, quase nenhuma escolaridade, escrevia de forma tosca e popular. Chegam a compara-lo ao nosso Nelson Rodrigues e ao Sérgio Porto, indevidamente, apesar de que não foram contemporâneos. Como nunca havia saído da Argentina suas observações sobre o Rio são no mínimo curiosas. Comete pequenos equívocos nas informações e análises, mas dá uma ideia das cidades de Buenos Aires e Rio à época. Como literatura não recomendo, mas vale pela curiosidade de se revisitar o Rio sob o olhar de um "irmano" e seus conceitos.
Roberto Arlt no ano de 1930 passou dois meses escrevendo crônicas para o jornal "El Mundo", da Argentina. Descreve suas impressões do Rio de Janeiro, comparando-a à cidade natal de Buenos Aires. Ele era tido, à época, como um cronista gaiato. Com poucos recursos intelectuais, quase nenhuma escolaridade, escrevia de forma tosca e popular. Chegam a compara-lo ao nosso Nelson Rodrigues e ao Sérgio Porto, indevidamente, apesar de que não foram contemporâneos. Como nunca havia saído da Argentina suas observações sobre o Rio são no mínimo curiosas. Comete pequenos equívocos nas informações e análises, mas dá uma ideia das cidades de Buenos Aires e Rio à época. Como literatura não recomendo, mas vale pela curiosidade de se revisitar o Rio sob o olhar de um "irmano" e seus conceitos.
24.3.15
Alô alô BRASIL :
SANGRAMENTO MENSAL PODE GERAR FILHO, MAS NÃO DERRUBA GOVERNO. É PRECISO MOBILIZAÇÃO DIÁRIA E PERMANENTE. Divulguem.
Crônica diária
Eu girei
"Vuelta al
perro" que segundo o escritor Cesar Aira é a expressão usada nas pequenas
cidades argentinas para designar o "footing" na praça. Não sei se
esse hábito perdura, mas em Cataguases, MG no final da década de 60, quando lá
estudei, fazíamos no final da tarde de domingo o ritual das voltas na praça. Os
rapazes e moças solteiras rodopiavam a procura de seus pares. Mulheres num
sentido, os homens no sentido contrário para ao se cruzarem poderem flertar.
Essa operação podia levar uma ou duas voltas ou a vida inteira. Antecediam à
seção de cinema. Éramos tímidos e essa paquera, como se diz hoje, podia levar
um bom tempo. Tudo era mais lento. Tudo era mais recatado. As moças, na sua
maioria, eram virgens. Isso mesmo não se espante! Algumas eram experientes, mas
não era permitida penetração. Valia quase tudo que não manchasse,
irremediavelmente, a boa reputação. Isso é quase inimaginável nos dias de hoje.
E olhem que não faz tanto tempo assim.
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )







