7.1.15

Crônica diária

Distinto público

A forma como somos, nós cidadãos, tratados hoje em dia, me dá saudade do tratamento dispensado pelo mestre de cerimônia de circo de lona furada, num terreno qualquer de periferia de cidade de interior: "Distinto público". E tem pipoca e pirulito de açúcar queimado.Ontem fui à cidade de Imbituba, SC  (40 mil habitantes) para pagar o IPVA do meu automóvel de dez anos de uso. Esta novo, com seus 90 mil quilômetros. Essa é, portanto, a décima vez que me sujeito a essa dolorosa rotina. Renovar o licenciamento do veículo. Vai-se ao Banco do Brasil onde existe um caixa eletrônico que fornece uma tira de papel (que ficará invisível em 12 meses) com os três valores a serem recolhidos: seguro, taxas administrativas, e o IPVA propriamente dito. De posse desses valores tenho que sacar em espécie dinheiro no banco há uma quadra. Não tenho conta no Banco Brasil, e o meu banco Bradesco não recebe IPVA de Santa Catarina, embora eu esteja em Santa Catarina, mas recebe do Rio Grande do Sul, onde não moro, nem tenho veículo com chapa de lá. De posse de um monte de dinheiro volto ao Banco do Brasil que esta super lotado. Tenho ainda uma única outra opção: o Itaú ao lado recebe IPVA de Santa Catarina. Vou à agência, entro na fila, e quando sou atendido me informam que o "sistema do Detran esta fora do ar". Como assim? E a resposta é sempre a mesma: " hoje já caiu e voltou várias vezes. Mas não há como saber quando vai voltar". E como faço? "Ou o senhor espera ou volta outra hora". Mas eu moro há trinta quilômetros daqui. "Então o senhor pode ir a um escritório de contabilidade e imprimir um DARE e pagar aqui no caixa. Fiz isso, fui procurar um escritório de contabilidade, imprimi esse boleto e voltei para a agência bancária. Fila, e finalmente consigo recolher o IPVA, o Seguro obrigatório e as taxas. Agora só falta entregar esses DAREs no Detran local para emitirem o novo certificado de 2015. Vou até a Delegacia de Polícia, onde funciona o Detran, mas estava fechado para almoço. Eram 13 horas, só abriria às 14. Ir almoçar em casa e retornar à cidade eram mais sessenta quilômetros de estrada. O calor era grande. Resolvi almoçar em Imbituba e esperar o Detran abrir. As duas horas da tarde volto e a salinha do Detran esta apinhada de gente. O cheiro é de urina. Aguardo na fila para ser atendido e ao sê-lo sou informado que o sistema continua fora do ar. Isso significa que devo voltar outra hora. Fui para casa. Volto amanhã. Esse é o tratamento dispensado pelo poder público aos cidadãos imbitubenses. São pessoas simples e passivas. Eu é que me revolto. Eles aceitam isso como muito natural. Tenho saudade do: "Distinto público", do mestre de cerimônia dos circos mambembes da periferia.

Um comentário:

João Menéres disse...

Não me espanta !
O Brasil não foi colónia de Portugal ?

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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