30.6.14

Aeroportos

Contrariando todas as expectativas mais otimistas, os aeroportos brasileiros se comportaram absolutamente dentro da normalidade durante a Copa do Mundo.

Crônica diária

 Memória e imagem inesquecível

Não é raro ler um livro com duzentas páginas, e dele extrair uma única frase memorável. Não foi o caso do romance policial "O caminho de Ida" do escritor argentino Ricardo Piglia. Muito pelo contrário, gostei muitíssimo da trama toda do livro. Cheguei a não querer que a história chegasse ao fim. Fiquei vivamente impressionado com a cultura literária do personagem narrador. Como em certos filmes de ficção cujo trabalho dos atores e do diretor é tão verossímil que mais parece um documentário. O romance do Piglia me deu essa impressão.  Só não gostei do final onde nada fica muito explicito, e o relacionamento do ex amigo do personagem principal, e amante de sua ex mulher, fica para o próximo livro.  Mas dele pude  extrair além do grande prazer da leitura, esta frase: "Memória incerta ou imagem inesquecível de acontecimentos que nunca vivemos". Por mais estranho que possa parecer, isso já  aconteceu comigo, mais de uma vez.

29.6.14

Serafina


Na Copa do Mundo, os restaurantes no Brasil, entram no clima do futebol. Duas saladas de entrada.

Crônica diária

Vamos falar do Uruguai

Gosto muito de Montevidéu. Há anos não a visito. Conheci em seu esplendor, e depois completamente falida. Gosto dos uruguaios. Fazem um contraponto interessante entre os arrogantes argentinos e os humildes paraguaios. Seu folclórico presidente Pepe Mujica, pequeno agricultor que apesar de receber $12500,00 dólares de salário, doa a maior parte e vive com R$2800,00. Uma figuraça. Anda de sandálias franciscanas de couro, sempre de manga de camisa, nunca de gravata, apesar do cargo de presidente que ocupa. Seu carro continua a ser um antigo Volkswagen, sem segurança, e espera na fila, como qualquer mortal uruguaio, para ser atendido no posto de saúde local. Por essas e outras muitas histórias, além da promulgação do comércio da maconha, tenho uma certa simpatia por ele. É tão autentico que todas as situações que poderiam ser tomadas como demagógicas, no caso do Mujica são verdadeiras, e correspondem ao personagem simples, popular e quase vulgar. Passou do ponto quando foi receber Suárez no aeroporto como herói. Suárez, melhor jogador da seleção de futebol do Uruguai é um mordedor contumaz de companheiros. Essa foi a terceira vez. Uma vergonha. Mujica deveria ter repudiado o ato, como de fato fez, sem no entanto prestigiar o jogador, que precisa além de quatro meses longe dos campos e nove jogos da seleção proibido de participar, receber assistência psicológica. É maluco. E a Fifa aplicou muito justamente uma pena exemplar. O futebol anda cada dia mais violento, e qualquer vacilo agora, corre o risco de virar um esporte de canibais.

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Rosangela Mattos Pra mim, foi a melhor que já li. Adorei! E que sempre os anjos nos salvem de nossas diabruras deliciosas. Bom dia!
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  João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Uma crónica ESPANTOSA, Eduardo !
O que é bom é ter o diabinho em nós e o anjo por perto.
No outro dia, alguém dizia :
Pelo clima quero viver no paraíso. Mas pela companhia, não dispenso o inferno !

Vou nessa !!!

Postado por João Menéres no blog . em sábado, 28 de junho de 2014 14:41:00 BRT
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28.6.14

Brincos para a nora e neta



Enquanto aguarda a chegada da neta, a vovó Paulinha faz quatro corações, dois para a Nora e dois para a Lara, que usarão brincos de ouro.

Crônica diária

O diabo de todos nós

Quando falei há dois dias atrás, em meu anjo da guarda e do diabinho que nos habita, não sabia que estava prestes a criar dois personagens que irão me acompanhar nas próximas crônicas. Quando quiser falar mal de alguma coisa, de alguém ou do PT, vou jogar a culpa no diabo. Estarei blindado para escrever o que me passar pela cabeça sem o perigo de ser taxado disso ou daquilo. Quando o estrago for muito grande chamarei meu anjo da guarda para remendar. Eles, anjo e diabo me acompanham desde sempre. Minha mãe era testemunha. Sofreu muito com meu diabo, e teve muita ajuda do meu anjo. Eu sou um verdadeiro marionete nas mãos desses dois polos. A virtude, o bem e o mal. Muitas vezes quando era solteiro, e fui diversas vezes na vida, me deitava com o anjo e perdia namoradas. Punha o anjo fora do quarto, ouvia meu diabo conselheiro e fazia as mulheres se apaixonarem por mim. Como posso não gostar dele? É cínico, intrigante, inteligente, tem chifres, cascos, e rabo em forma de flecha, como todo diabinho. Por outro lado, meu anjo  não tem vícios, é correto, todo certinho,  e ainda por cima, tem asas brancas. Um chato.

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Jacinto Gomes Ramalhete, habitação da família Maia, no romance de Eça de Queirós, Os Maias. A obra-prima de Eça começa com a descrição da casa – “O Ramalhete” - (uma casa afastada do centro de Lisboa, na altura, num local elevado da cidade, no bairro onde hoje se situa hoje o Museu Nacional de Arte Antiga.) mas que nada tem de fresco ou de campestre. O nome vem de um painel de azulejos com um ramo de girassóis, colocado onde deveria estar a pedra de armas. Curiosa a analogia e o gosto pelo nome de Ramalhete.

Eduardo Penteado Lunardelli Obrigado Jacinto Gomes, será que o Carlos Eduardo Calfat Salem se inspirou no romance para batizar o sítio? Valeram suas informações complementares. Dei o nome de Ramalhete a uma área da fazenda Bela Vista, herdada do meu pai, que foi, coincidentemente, o pioneiro no plantio e produção de óleo vegetal do girassol no Brasil.

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27.6.14

A dura vida dos fotógrafos

Humor

Crônica diária

 Fim de junho

O inverno chegou frio como era de se esperar. Ao pé da lareira da Piacaba* , que é com se chama minha casa, leio e vezenquando paro e realimento as chamas com gravetos de madeira recolhidos em nosso jardim. Fico um tempo olhando as chamas e vendo a pouca fumaça cinza, da madeira seca, subir pela chaminé. O efeito estufa que se dane. Os eco-chatos que me perdoem. Com o frio no presente e o problema do efeito estufa no futuro, vamos aquecer o presente. Volto ao livro e me aqueço com o estalar da madeira e com o cheiro característico de lenha queimada. Me lembra os invernos em Campos do Jordão onde se tomava "quentão" e se comia pinhão.
1º PS- *Todas as casas onde morei, ou construi, tiveram nome. As ruas de algumas não tinham nome, eu as batizei mandando fazer placas azuis com letras brancas. E bastava coloca-las nos postes da esquina para a câmara dos vereadores dessem um novo nome, de algum outro falecido. As pessoas, os animais, casas, sítios, chácaras e fazendas tem que ter nome.  Alguns eu inventei como Forkilha, Ciribaí, Piacaba. Outros copiei como Ramalhete, que acho um lindo nome, do sítio do Carlinhos Salem.
2º PS- * A Piacaba, minha casa atual, fica em Santa Catarina, numa praia chamada Ibiraquera, no continente, oitenta quilômetros ao sul da ilha de Florianópolis.

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Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Eduardo, faz bem em dar trabalho a esses seus ajudantezinhos.
:-)
Abraço.

Postado por Silvares no blog . em quinta-feira, 26 de junho de 2014 08:51:00 BRT 
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 Ricardo Ramos Filho Eduardo, meu amigo, a gente se lê mutuamente, e isso é muito bom. Quem escreve quer ser lido. Obrigado! Grande abraço.
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Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

A Alexandra leio todos os domingos,
a noitinha corro ao Atlântico Sul.
Desde do Alentejo ela está melhor ainda (e eu que pensava que ela não poderia ser melhor ainda!).

Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em quinta-feira, 26 de junho de 2014 19:23:00 BRT  

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26.6.14

Body Evolution - Model Before and After

Saladinha da PIACABA

Com polenta frita uma saladinha com grão de bico, pepino, tomate, cebola e alface

Crônica diária

Um diabinho faz semana que me azucrina. "Escreve, escreve!" Meu anjo da guarda, a quem dou muito trabalho, diz: "nem pense nisso!" Mas como sempre o diabo vence. E aí meu anjo tem muito trabalho para juntar os cacos. Leio crônicas de amigos, e de outros que nem conheço, com muita regularidade. Poucas me agradam. Ou porque tratam de realidades muito diferentes da minha, ou porque não gosto da maneira como escrevem, ou ainda porque o assunto é muito pessoal ou regional. Mas de dois, que vou citar o nome, leio e gosto muito. Ricardo Ramos Filho é o brasileiro, neto e filho de famosos escritores, tem um texto lindo, assuntos pertinentes, postura independente, às vezes até humor, e na maioria, uma crítica fina e sutil. A outra é portuguesa, não a conheço pessoalmente, mas adoro a forma inventiva, experimental, e moderna como escreve: Alexandra Lucas Coelho. Espero que meu anjo tenha gostado da forma elegante como tratei os cronistas a que faço restrições, e que o diabo não me venha mais infernizar.

25.6.14

Original


Pé de mesa
 Detalhe

Crônica diária

Nascer e morrer

Para se nascer a natureza nos prepara por nove meses. Ninguém pode alegar que nasceu de repente. Mas a morte não avisa. Pode ser súbita. Imprevista. Traiçoeira. Foi como atingiu nosso amigo e colaborador Carlos Morbach. Tínhamos muitos planos para o futuro. Me visitou recentemente, e levou uns livros meus para ler. Nunca saberei se leu, e o que achou. Seu coração o traiu, e a morte o apagou. Assim, sem mais nem menos, sem avisos ou sintomas. A morte é a única coisa definitiva na vida. Carlos Morbach vai nos fazer muita falta, e deixou muitas e boas lembranças. Vou falar com o Eduardo Novaes e ver se Jaguariúna e Campinas não prestam uma justa homenagem, dando o nome de Carlos Morbach a ruas ou praças da cidade.

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Bela ( por realista ) crónica !
Portugal foi vítima ( talvez ) do calor e da elevada umidade.
Muitos craques não estão no melhor ( ou próximo ) da sua forma a que nos habituaram.
O team do Brasil também joga bem duro. Deu para ver ontem perante os Camarões.
O NEYMAR é um fora de série !

Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 24 de junho de 2014 08:04:00 BRT 

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  Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Os campeonatos deviam ser todos em países temperados, de preferência europeus e ainda melhor em Portugal. Ainda não vi um bom jogo. Não acho muita graça ao Neymar. É um joga na areia. Quanto á política, nada tem a ver com futebol, como todos sabemos. Vivam os novos gladiadores.

Postado por Jorge Pinheiro no blog . em terça-feira, 24 de junho de 2014 15:26:00 BRT 
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Jorge Pinheiro por ele mesmo



Ver o livro a circular por entre mãos amigas e olhos atentos é pura magia. Um processo que começou há meses e que de repente culmina num êxtase colectivo. Escrever é um vício e uma oportunidade. Sou um narcisista assumido. Um tímido exibicionista. Adoro ter pessoas à minha volta, mesmo não sendo muito social. As pessoas são o que são e não devem ter medo de ser. Somos chatos e meigos. Inteligentes e preconceituosos. Imbecis e amorosos. A única capacidade que nunca podemos perder é a auto-crítica. Este livro deixou-me ainda mais exposto. Mas, sinceramente, nunca percebi por que nos queremos preservar. Passamos a vida a esconder os defeitos e depois queremos confessar tudo em meia dúzia de linhas. O prefácio do Eduardo e a apresentação do Francisco deram-me um novo fôlego. Sinto que já muito pouco tenho a falar de mim. Sinto que as próximas aventuras só podem ser ficção. Não porque eu não seja uma total ficção, mas porque a ficção é a realidade colectiva onde todos nos revemos. O lugar comum onde todos podemos ser qualquer coisa
Expresso da Linha

24.6.14

Luis Bento na tarde de autógrafos do Jorge Pinheiro

Dois velhos amigos aqui do Varal. Fico devendo o autor da foto.

Crônica diária

Futebol

Com mais de sessenta jogos, três por dia, não dá para não falar de futebol. Quem me conhece sabe que não entendo nada. Sou Corintiano, mas do tempo do Baltazar. Nessa Copa torço pelos mais fracos. Como tem dado muita zebra, tenho ganho alguns jogos.  Não aposto dinheiro, porque detesto perder. Assisto as partidas trocando de canais. Geralmente me implico com narradores e comentaristas. O sotaque caipira de um, ou os bordões de outros me cansam. Mudo de canal. Me arrependo, tento um terceiro. As imagens são sempre as mesmas. Fico impressionado como fazem faltas. Pisam nos jogadores como se pisa em guimba de cigarro. E são profissionais de milhões de reais. Ouço que futebol é jogo para homem. É verdade, precisa ser corajoso para enfrentar essas feras. E o público de trinta a setenta mil pessoas, vibra nas arenas, como vibravam os romanos, quando assistiam seres humanos serem jogados às feras. Cantam em capela o hino dos seus países. Se emocionam. Se fantasiam. Se divertem. Pagam fortunas em passagens, ingressos e hospedagem. É preciso amar muito esse esporte.
1º PS- Fiquei tentado em comentar sobre a vitória de 4x1 sobre Camarões. Meu anjo da guarda me alertou que eu iria irritar meus leitores patriotas. Só sendo cego e muito patriota, para não dizer idiota (me soprou meu diabinho) para não ver que nosso time é medíocre. Muito fraco. E vem o Parreira, no meio tempo, dizer que os adversários eram MUITO FORTES. Não dá para ouvir uma bobagem dessa.
2º PS- Lamento decepcionar o leitor Cássio Penteado. Com um time desses não vou perder meu tempo. Com ministros da Dilma, muito menos.

23.6.14

Desenho animado


Crônica diária

Ontem falei do estômago e do sexo, hoje vou contar uma história de criança. Aconteceu comigo. Deveria ter uns seis ou sete anos. Vivia intrigado com a quantidade de urina e o tamanho do meu saco, Sempre achei o nome correto "escroto",  muito feio. Sempre usei saco. Não podia entender como num órgão tão pequeno poderia caber tanta urina. E para tirar a dúvida resolvi medir. Procurei um vidro vazio que tivesse, mais ou menos, o tamanho do meu saquinho e foi num de mercúrio cromo, que minha usava para desinfetar os ferimentos em nossos joelhos, que colhi meu jato inicial. Claro que só deu para o jato inicial. O resto se perdeu no vazo sanitário. Estava comprovado que no saco não cabia tanta urina. Fui procurar saber e descobri que o lugar da urina era a bexiga. Mas para que um saco tão perto do canal do xixi? Isso só fui descobrir anos mais tarde.

22.6.14

Praia lotada II

Autor desconhecido

Crônica diária

Depois de  anos escrevendo crônicas diárias é difícil não se voltar a temas já abordados. Ontem voltei a ele, e hoje continuo. Desta vez para relembrar que o autor da tese foi o arquiteto, artista plástico, pensador, intelectual Flávio de Carvalho, com quem tive a honra de almoçar em sua casa em Vinhedos, SP. Estavam presentes a esse almoço o casal Lenita e Olivier Perroy, fotógrafos, e o  Antonio Carlos cabeleireiro. A tese do Flávio era de que deus nasceu no estômago do homem. Isto quer dizer: adorou sempre aquilo que saciava sua fome. Os animais, depois os astros, em seguida os vegetais, e finalmente seus semelhantes. Depois do alimentado, o sexo foi, e é, sua maior necessidade. Para seu bem estar físico e mental, ou para perpetuar as espécies, o sexo é a coisa mais importante para a maioria dos animais. Com o homem não é diferente. Curiosamente devo ter sido um dos únicos que conheci um dos desafetos do Flávio. Era um grande amigo do meu pai, morava em Bananal, estado do Rio, e se chamava Aires de Azevedo. O Aires era um bom rapaz e quando moço foi quem deu um tapa no chapéu do Flávio, que provocativamente, tentou entrar na contra mão em uma procissão religiosa. O Aires era coroinha e achou aquele ato um desrespeito. O Flávio era magro e muito alto. Se alimentava de ideias. O Aires era baixo e gordinho, adorava comer e ajudar as pessoas. Nunca se casou.

Crônica diária

Depois de  anos escrevendo crônicas diárias é difícil não se voltar a temas já abordados. Ontem voltei a ele, e hoje continuo. Desta vez para relembrar que o autor da tese foi o arquiteto, artista plástico, pensador, intelectual Flávio de Carvalho, com quem tive a honra de almoçar em sua casa em Vinhedos, SP. Estavam presentes a esse almoço o casal Lenita e Olivier Perroy, fotógrafos, e o  Antonio Carlos cabeleireiro. A tese do Flávio era de que deus nasceu no estômago do homem. Isto quer dizer: adorou sempre aquilo que saciava sua fome. Os animais, depois os astros, em seguida os vegetais, e finalmente seus semelhantes. Depois do alimentado, o sexo foi, e é, sua maior necessidade. Para seu bem estar físico e mental, ou para perpetuar as espécies, o sexo é a coisa mais importante para a maioria dos animais. Com o homem não é diferente. Curiosamente devo ter sido um dos únicos que conheci um dos desafetos do Flávio. Era um grande amigo do meu pai, morava em Bananal, caminho para o Rio, e se chamava Aires de Azevedo. O Aires era um bom rapaz e quando moço foi quem deu um tapa no chapéu do Flávio, que provocativamente, tentou entrar na contra mão em uma procissão religiosa. O Aires era coroinha e achou aquele ato um desrespeito. O Flávio era magro e muito alto. Se alimentava de ideias. O Aires era baixo e gordinho, adorava comer e ajudar as pessoas. Nunca se casou.

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Aloísio De Almeida Prado Dudu, acordei resfriado e desanimado; li sua crônica-do-dia, reanimei. Agora estou cantando "pode vir quente que estou fervendo"
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21.6.14

Praias lotadas

Autor desconhecido

Crônica diária

Lendo o " Caminho de Ida" de Piglia, ele cita Guilhermo Enrique Hudson, em seu romance "A Crystal Age" (18867) onde num futuro distante, dizia numa carta, onde a paixão sexual é o pensamento central, "que a ideia de que não haverá descanso nem paz perpétua enquanto essa fúria não se extinguir. Podemos  sustentar que melhoramos moral e espiritualmente, mas entendo que não há mudanças nem qualquer redução na violência da fúria sexual que nos aflige. Ardemos hoje com tanta intensidades quanto há dez mil anos. Podemos esperar um tempo no qual já não existam os pobres, mas nunca veremos o fim da prostituição." Concordo plenamente. Mas só se passaram 127 anos.

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Gustavo Alvarez said...
"especial dependência feminina" rs
parabéns Lunardelli. Seu texto é febril.

Blogger Li Ferreira Nhan said...
Quase um sultão ! rsrsrs…
;)

Muito bom Edu!

Anonymous Fernanda said...
Junto-me aos demais para dizer ao Eduardo que o prefácio está muito bom!!! Parabéns
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João Menéres said...
Pelo pouco que conheço da vida pessoal do Jorge, já da sua boca uns pormenores.
Se o POST IT não valesse pelos textos ( e valerá muito mesmo ! ), só por esta introdução do nosso querido Eduardo valia a pena adquirir o livro !
E mais não digo...

Abraços aos dois e um beijo à Fernanda.
Anonymous daga said...
é bem difícil caracterizar alguém e sua escrita ... e o Eduardo conseguiu-o de forma agradável de se ler e esteticamente bela :))

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20.6.14

O tempo fechou

Autor desconhecido

Crônica diária

Acredite se quiser

O país era muito diferente. No final da década de cinquenta, e inicio dos sessenta, só tínhamos a revista semanal "O Cruzeiro" e os "Diários Associados" com o monopólio das informações a nível nacional. Mas já haviam maracutaias. Uma delas, inacreditável, aconteceu exatamente contra meu pai. Ele era médico e pecuarista. Levava uma vantagem enorme sobre seus colegas da época, que eram semi analfabetos, a maioria mineiros, inteligentes e corporativos. Em São Paulo dominavam os concursos de pecuária de corte. Depois de dois anos vencendo seus concorrentes, Santo Lunardelli teve seu lote de bois desclassificados num concurso de bois gordo. Isso mesmo, num torneio onde se disputava ganho de peso, os bois que mais ganharam peso, foram desclassificados. É verdade. Não é piada. Meu pai nunca mais participou de concursos. Continuou selecionando o nelore, foi o pioneiro em inseminação artificial em Zebu, criador do Nelore Pele Rosa, e responsável por muitos avanços na pecuária de corte. Colecionou desafetos que não o perdoavam por ser contra a importação de gado da Índia, grande fonte de dinheiro dos mercadores de Zebu. O mundo era diferente, e como não tinha a internet, pouco se sabe dessas histórias.

POST IT



  1. EXCERTOS DO PREFÁCIO - EDUARDO LUNARDELLI

    Filho único de militar tem uma especial dependência feminina. Sempre foi muito mimado por sua mãe, e cultivou em vida casamentos, que embora desfeitos, não macularam seus relacionamentos com essas companheiras, amigas, esposas, assistentes, gerentes, mulheres e-faz-tudo. Sem elas o Jorge não teria sobrevivido, literalmente... O estilo, muito particular nos seus textos, é bem anterior ao blog Expresso da Linha. As primeiras crónicas datam de 2003, 2004. Elas já eram curtas, enxutas, hilárias, enfim tinham os componentes ideais para a internet, onde textos longos, ou muito rebuscados, não encontram guarida... Curiosamente pude constatar que apesar de escrever em silêncio e concentração, escreve como fala, e seu estilo literário, é também sua forma de se comunicar na vida real. Não é de fazer locuções extensas. Pelo contrário, é cirúrgico em suas observações. Quase monossilábico. A única diferença é que burila, retoca, constrói, apaga e volta a escrever. Quando fala, tudo sai em definitivo... Sua sensibilidade aguda e físico contido, com gestos curtos, camuflam o escritor espaçoso, fértil, competente que ora usa barba, ora não, mas sempre tirando e pondo seus óculos, atento a tudo o que o cerca. Exalta a beleza e faz piadas com os matacões. Leiam e me digam se não tenho razão.

    Excertos do prefácio de Eduardo Lunardelli

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Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Zero a zero... dizia uma canção de um tipo que acabou por morrer num desastre de automóvel:

"Há zero a zero,
há cem a cem,
há zero a zero
está tudo bem"

entre o zero e o cem talvez possamos encontrar-nos a nós próprios.

Postado por Silvares no blog . em quinta-feira, 19 de junho de 2014 11:18:00 BRT 
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  João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

RUI

ISTO vai ter um destaque amanhã !

Postado por João Menéres no blog . em quinta-feira, 19 de junho de 2014 16:14:00 BRT 
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19.6.14

Varal

Fotografo desconhecido

Crônica diária

Comecei a ler em São Paulo, li a bordo da Gol, entre Congonhas e Florianópolis, e escrevo essas considerações no intervalo do jogo Brasil e México. O jogo esta zero a zero. No romance a Stella marcou bons gols. Minha afilhada de casamento. Ela tinha dezenove, o Sérgio Mattos, meu amigo uns 22 e eu uns 23anos. Depois de casados nos vimos muito pouco. O Sérgio meu colega de Cataguases, encontrei em São Paulo, algumas  ocasiões, já separado, só pensava em montar. Tinha uma égua. Agora com o romance, muito calcado na auto biografia, entendo melhor o passado. Um livro para quem é alcoólatra e deseja se curar. Um livro de auto ajuda, com tudo de bom e mau que essa definição contém. Alguns capítulos, no fundo do poço, são as melhores passagens literárias. Para quem não bebe a leitura chega a ser desagradável, como é todo bêbado. Mas tem a parte espiritual que, para quem acredita, também pode ser interessante. Sou amigo de um casal que me relatou duas visitas ao João de Deus, em Goiás. É impressionante a semelhança dos relatos da Stella e desse casal. O segundo tempo vai começar.

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Renata Fioravanti Vc escreve muito nítido, conciso e com propriedade. Gosto muito.
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18.6.14

Fotofrafos

Autor desconhecido

Crônica diária

Tentando inverter a ordem natural das coisas, mais uma vez o PT, muda seu slogan para colocar a pecha de ódio na oposição. O PT, enquanto oposição, tinha o ódio como ingrediente permanente e constante. Esta no DNA do partido odiar as elites, a classe média, e a imprensa. No poder ha doze anos usufruindo de um Brasil herdado de governos desenvolvimentistas, políticas sérias e comprometidas com o equilíbrio fiscal, um país sem inflação, conseguiram tirar a esperança de todos brasileiros conscientes. Compraram com as "bolsas" a consciência dos que passaram a viver delas. Acabaram com a decência na vida pública. Acabaram com a Petrobras. Não investiram em segurança, nem em educação, muito menos em saúde. Atrasaram o país nos seus doze anos de poder. Odeiam seus adversários políticos. Jogam classes sociais, umas contra as outras. Detestam ricos, mas roubaram a ponto de se tornarem os mais novos milionários do país. Instigam racismo. Esvaziaram o Congresso, e conseguiram nomear a maioria dos ministros do STF. Aparelharam o Estado. Protegeram bandidos, e tiveram, apesar de tudo, suas lideranças condenadas por corrupção, e presas na Papuda. Odeiam a ideia de deixar o poder. O Lula acaba de ameaçar o povo brasileiro, como vingança, por ter mandado a Dilma tomar no C*, elegendo-a para mais um mandato. Não passarão. O povo não é bobo. O PT destilou o ódio, e dele vai sucumbir.

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Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Queria ter esse fiapo de esperança, mas a sensação é de medo pelo que nos aguarda, o que está por vir. Nunca vi uma militância tão fanática, irada e preconceituosa como essa. Os ânimos estão pra lá de exaltados, beiram a ignorância. Que Deus nos ajude. Se é que ele pode.

Que tal escrever mais 66 crônicas?
Uma por dia em ano bissexto!
Nós adoraríamos!!! :))
Bjs!

Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em terça-feira, 17 de junho de 2014 13:52:00 BRT 

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17.6.14

Atelier

Autor desconhecido

Crônica diária

 Última crônica

Neste dia 17 de Junho (2014)  publico minha última crônica do próximo livro. Completam hoje 300 crônicas diárias. No meio da Copa da Fifa, onde a sorte do Brasil ainda esta em jogo, e com ela, em boa medida, o resultado das próximas eleições para presidente da República. O livro termina deixando em aberto muitas expectativas, dúvidas e incertezas. Eu continuarei a escrever essas crônicas, que depois de 300 delas, poderão virar outro livro, mas aí já estaremos no dia 4 de Março de 2015, e saberemos muitas coisas que hoje não podemos prever. O Brasil poderá estar sendo governado pelo Aécio Neves, e com novas esperanças. Um país sem o aparelhamento do PT, mais livre, mais independente, mais sério, mais competente, mas com muitas contas a pagar. Inflação alta, combustível e energia elétrica mais cara, e suas consequências econômicas. Vitória ou derrota conquistada nas urnas, apesar do resultado do futebol. Ou apesar desse mesmo futebol, o brasileiro estará mais empobrecido por conta dos desmandos e desserviços dessa gente que se apossou do poder, para se locupletar com ele. Se o candidato do PT vencer o Brasil estará mais próximo de Cuba e da Venezuela, e por consequência mais distante do mundo desenvolvido. Estará com a educação, saúde e transportes em frangalhos. Com as liberdades de expressão tolhidas. As manifestações de rua proibidas. A economia estagnada, e a infra estrutura penalizada. Os mensaleiros fora da Papuda. O Joaquim Barbosa fora do STF. Que os céus permitam que os próximos 300 dias sejam muito diferentes dos últimos que vivemos. Eu ainda tenho um pouco de esperança.

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Preciso ligar para a mamãe e ler isso para ela ouvir..
Existe uma frase que diz assim: Quem beija meu filho minha boca adoça. Nunca concordei muito com isso e eles sabem disso. Acho que elogios bem vindos são esses. Vindos das pessoas que respeitamos...coisas para mostrar prô papai, para a vovô e para os amigos também.
Acho que vai gostar e ficar orgulhosa de ler a crônica que o Eduardo postou hoje facebook. Sua neta elogiada em público e gratuitamente pelo oque ela é..Achei lindo isso.
Preciso ligar para a mamãe e ler isso para ela ouvir...

"Maria, uma promessa de escritora
Esta semana jantamos com a Selena Sartorelo, seu marido Roger e sua
filha Maria Luiza de quatorze anos. Deles ganhamos uma caixa de chocolate, e um livro do Amós Oz: "Uma certa paz",de 1982, escrito cinco anos antes de "Caixa-preta" que o consagrou internacionalmente. Li o "Caixa-preta" e alguns outros romances desse intelectual, jornalista e professor israelita. Tenho para ler dois ou três livros antes desse presente. Estão na lista "A neblina do passado" de Leonardo Padura, "Fundo do céu" da minha amiga Stella M. de Barros Rebecchi. Lamento estar com esta crônica completando 300 que comporão meu novo livro. As resenhas do Amós Oz, do Padura e da Stella ficarão para o próximo. Mas dedico esta última crônica à Maria Luiza filha da Selena. Quatorze anos, e uma escritora na certa. Escreve, como a mãe, compulsivamente. Leva na bolsa além do iphone um livro. Usa aparelho nos dentes como quase todas as garotas da sua idade. Tem um sorriso franco e um olhar atento. Gosta, como eu, do cheiro do papel e da tinta dos livros impressos. Tenho certeza que falaremos dela em próximas resenhas literárias."

16.6.14

Reflexos

Fotografia de autor desconhecido

Crônica diária

Esta semana jantamos com a Selena Sartorelo, seu marido Roger e sua filha Maria Luiza de quatorze anos. Deles ganhamos uma caixa de chocolate, e um livro do Amós Oz: "Uma certa paz",de 1982,  escrito cinco anos antes de "Caixa-preta" que o consagrou internacionalmente. Li o "Caixa-preta" e alguns outros romances desse intelectual, jornalista e professor israelita. Tenho para ler dois ou três livros antes desse presente. Estão na lista "A neblina do passado" de Leonardo Padura, "Fundo do céu" da minha amiga Stella M. de Barros Rebecchi. Lamento estar com esta crônica completando 300 que comporão meu novo livro. As resenhas do Amós Oz, do Padura e da Stella ficarão para o próximo. Mas dedico esta última crônica à Maria Luiza filha da Selena. Quatorze anos, e uma escritora na certa. Escreve, como a mãe, compulsivamente. Leva na bolsa além do iphone um livro. Usa aparelho nos dentes como quase todas as garotas da sua idade. Tem um sorriso franco e um olhar atento. Gosta, como eu, do cheiro do papel e da tinta dos livros impressos. Tenho certeza que falaremos dela em próximas resenhas literárias.

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João Menéres disse...
Este texto nem parece do Eduardo !
Mudou absolutamente tudo !
Não vou dizer se é melhor ou pior.
Śó digo que adorei, Eduardo !

domingo, 15 de junho de 2014 08:47:00 BRT
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 Graziella Debbane mas acordou rabugento hj esse meu amigo doce, gentil, amabilíssimo; bem informado e humorado... Rs!
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15.6.14

Minha neta GLORIA e seu "celular" com foto do Jack Nicholson

Foto envidada por Guilherme Lunardelli. Minha neta Gloria brinca com seu "celular" com imagem do "Jack Nicholson".

Crônica diária



Um bom título para esta crônica seria: "Uma tarde no divã", se os psicanalistas ainda usassem esse móvel.

Eu queria ser doce. Escrever como as águas rasas e claras que fluem mansamente. Mas sou amargo, tempestivo e orgulhoso. Gostaria de ser divertido como foi o Millôr. Gostaria de conhecer música erudita e curti-la como faz o jornalista gaúcho Milton Ribeiro. Falar sobre cinema,  artes plásticas ou literatura como fazem o Caetano e o Luis Fernando Veríssimo. Gostaria de ser culto, sutil e socialista. Não sou nada disso. Gostaria de ser amoroso,  gentil e saber perdoar. Gostaria de ler e escrever sobre as coisas da alma. Mas como a alma não existe, não posso.

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