31.5.14

Myra Landau

Retrato que recebi de MYRA LANDAU
Maio 2014

Crônica diária

Por que será que muita gente vira poeta aos setenta anos? Eu mesmo cometi uns poeminhas nessa idade. Posso falar por mim: perde-se o pudor. Acabo de ler que o Enio Mainardi, com setenta e nove anos, vai publicar um livro de poesias. Não é que se vira poeta por conta da idade. Mas por razão dela perde-se o pudor. Fazer poesia na minha família correspondia há ser um "vagabundo". Usavam essa palavra para designar aquele que não gostava de trabalhar. E trabalho intelectual, em família de agricultores e pecuaristas é coisa de "vagabundo". Hoje, com minha idade, não tenho mais contas a prestar aos familiares, mesmo porque todos, que assim pensavam, já morreram. Mas eu continuei com esse complexo, e tenho ainda certa dificuldade em posar de intelectual perante meus "colaboradores", para não usar a palavra "empregados", que ficou politicamente incorreta. Quanta coisa mudou nestes últimos anos! No caso do Enio, não sei se foi só o câncer que o fez mudar. Mas eu também tive os meus, não tão graves quanto o dele, mas sei como nós poetas nos sentimos ao renascer.

30.5.14

Achados na praia

E.P.L.2014

Crônica diária

 Faz dias que venho pensando em como contar essa cena. Como se trata de um som, não sei se com palavras sou capaz de descrever. Mas vou tentar. Ao desembarcar no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, fui direto para a calçada onde se apanha o táxi. Nesse dia havia muito pouca gente na fila, e de repente me vejo diante de três funcionários com uniformes que os identificavam como pessoal da equipe do ponto. Éramos, portanto, só nós quatro em cena. E foi nesse momento, que ao ouvir parte da conversa entre eles, me dei conta de que era uma cena de um filme, e que por engano da dublagem, ou da mixagem, haviam colocado uma voz de mulher na boca de um dos funcionários. Uma coisa esquisitíssima. Você olha para direita, para a esquerda, para trás a procura de um ser feminino. Nada. Somos só nós quatro no raio da cena. E a voz de mulher esta lá, na conversa entre os três. O carro chegou, entrei, e fiquei matutando: será que vi e ouvi isso mesmo?

29.5.14

Urubus

Crônica diária

Espere tudo dos amigos. Você nunca será surpreendido por traições, trapaças, falcatruas, partindo de quem não conhece. Pode até vir a ser vítima de mal feitos cometidos por desconhecidos, mas desses se pode esperar tudo, a qualquer momento. Das pessoas com quem convivemos, parentes e amigos é que não se espera esse tipo de atitude. Traições, falcatruas e trapaças só nos surpreendem quando vem de quem nunca se espera. E a maioria das safadezas vem justamente de quem nunca imaginamos pudessem vir. Muitos crimes acontecem dentro de nossas próprias casas. O mordomo é sempre um suspeito em potencial.

RONALDO WERNWCK e HUMBERTO MAURO em Belo Horizonte

RW & HM em BH: filmes e palestra no Palácio das Artes
Do alto de seus setenta anos, Ronaldo Werneck não para quieto. No dia 03 de junho estará em Belo Horizonte, onde fará palestra (19 horas) no Palácio das Artes e irá exibir dois filmes (21 horas) que realizou sobre Humberto Mauro.
Em julho, fará a palestra inaugural do 3º Festival de Cinema de Visconde do Rio Branco; em outubro, será o poeta homenageado do Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha.
Enquanto isso, o poeta está editando uma série de filmes a partir de imagens captadas na Cataguases dos anos 1980/1990 e prepara ainda um novo livro, “50 Poemas Escolhidos pelo Autor”, a ser lançado pela Editora Galo Branco (Rio de Janeiro). 
Mostra “Humberto”
Organizada pelo Fundação Clóvis Salgado, a mostra “Humberto” – que ocupará o Palácio das Artes em Belo Horizonte de 22 de maio a 12 de junho – será um grande evento em homenagem ao cineasta Humberto Mauro, com exibição de filmes, palestras e mesas redondas com renomados críticos e estudiosos de sua obra.
Seguindo o conceito das grandes retrospectivas do Cine Humberto Mauro (Palácio das Artes), em que se conjuga a exibição de filmes com atividades de reflexão e formação de público, será possível discutir o papel decisivo de Humberto Mauro na história do cinema brasileiro, além de reavivar a obra mauriana em toda sua variedade e potência, colocando-a em cotejo com as questões e impasses do presente. Nesse sentido, a mostra Humberto contará com uma série de atividades paralelas.
Haverá palestras com a pesquisadora Sheila Schvarzman, autora do livro Humberto Mauro e as Imagens do Brasil, e com o poeta e escritor Ronaldo Werneck, que foi amigo pessoal do cineasta e escreveu vários artigos, livros e relatos sobre ele.
Outros estudiosos e conhecedores da trajetória do mineiro participarão de debates e sessões comentadas, entre eles os críticos Inácio Araújo e Ewerton Belico, os pesquisadores Hernani Heffner, Paulo Augusto Gomes, Luís Alberto Rocha Melo e Ataídes Braga, a produtora Alice Gonzaga e o cineasta Geraldo Veloso. Todos os longas exibidos terão pelo menos uma sessão comentada. Nos dias 5, 6 e 7 de junho, um curso com o professor e pesquisador Eduardo Morettin, autor do livro Humberto Mauro, Cinema, História, permitirá ao público interessado mergulhar ainda mais no universo do diretor.

Para maiores informações, acessar o site da mostra:
http://fcs.mg.gov.br/programacao/humberto-mostra-dedicada-a-humberto-mauro-o-grande-pioneiro-do-cinema-brasileiro/

Comentários que valem um post


Israel Kislansky mencionou você em um comentário.
Israel escreveu: "Amigos do "Arte que bicho é esse": Fiz essa peça entre os anos de 2002 e 2004. Antes de terminá-la vendi a nº 1/8 ao caríssimo amigo Eduardo Penteado Lunardelli, que sempre me incentivou seja adquirindo algumasobras, mas principalmente com longas horas de papos e valiosos conselhos.... Na galeria "Arte que Bicho é esse" está, se não me encano, apenas a do meio e em breve devem chegar a bh o retante do grupo. Espero q visitem a galeria e apreciem esses e muitos outros trabalhos do Julio Alves Atelier e da Selma Weissmann. Abs"

28.5.14

Artista mediocre

 O autor é Adolf Hitler....A modelo é Geli Raubal (1908-1931), filha da meia irmã de Adolf Hitler, sobrinha por quem tinha uma paixão incestuosa, a quem obrigou a posar nua dois anos antes que ela suicidasse ( ou fosse assassinada, há controvérsias). Geli foi o grande amor não correspondido de Hitler, de quem era praticamente uma prisioneira. Foi sucedida por Eva Braun, secretária do seu fotógrafo Hoffmann, também vinte anos mais jovem. O tresloucado ditador tinha preferência por Lolitas, e possivelmente, era um pedófilo enrustido, cuja impotência sempre foi considerada em suas biografias. Os detalhes estão no link:https://www.youtube.com/watch?v=uQe8Spgbhzc

Crônica diária

Minha sogra era sábia

A sabedoria esta nos detalhes. Não se aprende nas escolas. Almoçando com minha sogra, dia desses, ouvi a seguinte história: "Quando eu era moça fui convidada, por um rapaz, pretendente a namoro para tomar um guaraná. Quando ele pediu uma garrafa (350ml) e dois copos, eu disse: "Esse não me serve".

27.5.14

Três imagens, um só conceito



Três fotos de PAULA CANTO. A primeira na Italia, a segunda na Alemanha e a terceira ( Maio 2014) em São Paulo).

Crônica diária



 Ponha na rede

Todo mundo sabe que as empresas fazem uso da internet e de suas redes de comunicação social  para expor, ou vender, serviços ou produtos. Mas foi esta semana, no encosto da poltrona do avião em que voltei de Florianópolis para São Paulo, que li o pedido explicito, para divulgar minha opinião pela rede. A Gol companhia aérea, que acaba de lançar voos no que passou a chamar Gol +. Isso mesmo, Gol + (mais). "Mais" o que? Mais espaço entre as poltronas. E a publicidade incitava seus usuários a fazer uma postagem na rede, informando o que  acharam  do conforto das novas poltronas. Reclinam  50% mais, e tem um espaço entre poltronas maior. Eu com esta crônica estou fazendo o que eles esperam de todos os passageiros: publicidade de graça. Nem por isso deixam de cobrar por um mísero sanduíche ou refrigerante a bordo, e pedem que facilite o troco. As passagens subiram muito nos últimos meses. Estão MAIS caras. E o rigor para embarque aumentou. Cheguei 25 minutos antes do horário de partida do voo. Meu atraso se deu por conta de um vasto congestionamento na BR101 e na entrada da Ponte Hercílio Luz. Mas como não tinha bagagem para despachar poderia perfeitamente ter embarcado. Sempre embarquei em situações semelhantes em outras companhias. Mas a Gol+ fez jus ao seu novo nome, foi MAIS rigorosa, e me informou que o "sistema" trinta minutos antes do embarque não aceita MAIS passageiros, que não tenham feito o check in antecipado. Nos nossos lugares vão embarcar os que estão, eventualmente, em lista de espera. Não era o caso, desta vez.  Por essa razão tive que remarcar meu voo pagando MAIS, evidentemente, e embarcando duas horas depois. MAIS tempo no aeroporto.

NOTA-  GOL Linhas Aéreas Inteligentes Olá, Eduardo. Compreendemos sua manifestação. Porém, esclarecemos que conforme legislação vigente, o atendimento de todo voo nacional deve ser encerrado trinta minutos antes do horário da decolagem, visto que o comandante da aeronave recebe a documentação com todos os dados exatos de peso e balanceamento, bagagens, distribuição de assentos dos clientes que estão a bordo e outras informações imprescindíveis para que o voo seja seguro. À disposição.

26.5.14

Crônica diária




O Réu Paulo Cesar de Araújo,  e o Rei Roberto Carlos
"Roberto Carlos, em detalhes" biografia não autorizada do Paulo Cesar de Araújo, livro proibido pelo biografado, eu não li. Na época (2007) não tive nenhuma curiosidade em saber detalhes da vida do ídolo da Jovem Guarda. Mas a proibição da biografia criou nesses sete anos acirrados debates, apaixonadas polêmicas, que é conhecida como o mais famosa biografia proibida. Estamos, na verdade, na ante véspera de voltar a ter o livro liberado pela justiça, com base em nova lei sobre os direitos à privacidade, ou censura de biografias de pessoas públicas. Lei essa, em grande parte motivada, exatamente, pelo escândalo que se criou com a proibição do livro do Paulo Cesar. E não por casualidade, o mesmo autor acaba de lançar um novo livro onde narra essa aventura. Claro que comprei no primeiro dia, e antes que os advogados façam um parecer sobre a obra, já solicitado pelo RC. Ele não aprende. Não lê, e pede para que seus advogados o façam. Mas antes de saber a opinião dos advogados,  quero expor a minha opinião. Meus leitores saberão por mim o que provavelmente o Rei vai saber pelos seus advogados. O livro é um longo e exaustivo depoimento da origem pobre, quase miserável, do autor. A luta que teve durante uma infância pobre, trabalhando de engraxate e vendedor de picolé, nas ruas da pequena Vitória da Conquista, na Bahia, onde passou sua infância, trabalhando para ajudar sua mãe. Depois em São Paulo e Niterói onde trabalhou e estudou, com muito esforço, vendendo óculos. Desde os quatro anos de idade, quando ouviu pela primeira vez, seguindo de perto a carreira de seu ídolo e maior cantor do Brasil. Foram longos quinze anos de pesquisa e mais de cem entrevistas para escrever uma biografia apaixonada. Um livro, que segundo a imprensa noticiou, era um verdadeiro hino em homenagem ao biografado, que respondeu do alto da sua fama, riqueza, e superstições de forma mesquinha, sem generosidade, muito menos piedade ao proibir o livro, fruto de tanto esforço e trabalho.Paulo Cesar põe com muita elegância mais lenha na fogueira. Vai vender muitos livros e fazer, mais uma vez, o seu ídolo se remoer de ódio.

25.5.14

Mais flores

Jardim da Piacaba

Crônica diária

 Segredo é aquilo que só você sabe. Quando duas ou mais pessoas tem conhecimento, passa a ser uma grande dúvida quem não o esta guardando. Segredo é a alma do negócio. Conheci um camarada que tinha um produto fantástico mas que por medo que o clonassem, guardou segredo. O produto nunca foi comercializado e o negócio faliu antes de nascer. Nunca se deve pegar as coisas ao pé da letra. Outros segredos viraram mito, como a fórmula da Coca Cola. Hoje todo mundo sabe, mas continua secreta. A maçonaria e outras seitas secretas estão completamente fora de moda. Hoje a mania é transparência. Nas contas públicas, nas atividades empresariais, nos rótulos dos produtos. As bulas de remédio e catalogo, de alguns produtos, continuam com letras tão minúsculas que são quase secretos. E com o advento da era digital, dos cartões de crédito, todo mundo tem senhas. Há senhas para tudo, e a recomendação é que sejam secretas. Mas não foi só nessa área que o segredo aumentou. Nas igrejas católicas não tenho visto tantos confessionários como haviam antigamente. Os pecados andam passando a ser considerados segredos, e nem os padres devem saber.

24.5.14

Sombra na praia

Guarda sol em Ibiraquera

Crônica diária

Sei que o desajustado aqui no FB sou eu. Aqui não é lugar de se falar a sério. Deveria fazer como todo mundo faz, usar minha página como porta de geladeira, colando com ímã as imagens e bobagens que entendesse. Mas como tenho a herança dos blogs, onde só a minha amiga Maria Tomaselli ousou me dizer que não era coisa séria, meto-me a falar de comportamento, memórias, política, e literatura no lugar de fazer graça, pedir graças, ou contar desgraça. Apesar de ficar muito feliz quando recebo comentários de leitores que riram ao ler minhas bobagens. Fazer as pessoas rir, nos dias bicudos de hoje, não é fácil. Li esta semana duas tiradas muito boas. A primeira: "Bipolar: minha nossa". E a segunda, menos sutil, mas igualmente hilária: Uma amiga cinquentona, desquitada, enxuta, bem resolvida  escreveu que, ao voltar, cansada, para casa depois de um longo dia de trabalho, cometeu um pequeno deslize no transito. O motorista agredido pela transgressão  gesticulou com o braço  peludo para fora da janela do carro: "Vá se foder!" e ela muito digna, arregalando os olhinhos,  balbuciou entre dentes: "Deus te ouça!"

23.5.14

A borboleta na escultura

Moça reclinada, com sombra e BORBOLETA

Crônica diária

 Medo e coragem

Ainda sobre o livro "O homem que amava os cachorros" de Leonardo Padura de que falei ontem, faltou destacar a palavra "medo", tantas vezes usada nos diálogos entre os personagens do romance. Medo, o lado obscuro, frágil, tenebroso que carregamos dentro de nós, foi, e é, o mais importante componente de que se valem os partidos políticos, regimes ditatoriais, religiões e seitas pelo mundo a fora. O oposto da "coragem", onde o destemor, e a valentia prevalecem, o medo é próprio do nosso espírito de conservação. Só os fortes, e os insanos tem coragem desmedida. São minoria nas sociedades. A grande maioria é fraca, crente, medrosa. Essa a razão do sucesso de Hitler, Stalin, Franco, Mussolini, Salazar, Perón, Fidel, e tantos ditadores, em tantos momentos da história. O livro de Padura fala, com coragem, desse sentimento de medo que gerou perseguições, traições, julgamentos criminosos, mortes e a derrota dos regimes comunista. Todo o terror que Stalin implantou foi motivado pelo medo que pessoalmente sentia. Apesar de tosco e insano, tinha medo. Cercava-se de pessoas, que por medo o endeusavam, e as eliminava por medo que o traísse.

22.5.14

Uma borboleta ou uma folha?

Uma borboleta que imita uma folha seca. E.P.L. Maio /2014

Crônica diária


Agora é definitivo: o melhor livro do ano

Estava gostando tanto que não me contive, dias atrás, e comentei sobre o romance do cubano (portanto, insuspeito) Leonardo Padura, "O homem que adorava os cachorros". Mas ainda não havia terminado. Prometi voltar com uma palavra no final. Como comentários, dignos de nota, à aquela minha opinião provisória, cito a observação do Cássio Penteado: " Li o livro. Para quem conhece a estória da vida de Trotski o Padura não acrescenta grande coisa, porém com duas exceções ficcionais relevantes: uma, a tentativa de recriar (muito bem) os momentos finais do assassinato e, duas, a vida de Mercader na antiga União Soviética depois do crime. Gostei porque gosto muito de história." Dela discordei, ainda que estivesse na metade do livro (mais de 580 páginas), no tocante ao sutil  menosprezo do Cássio, à altíssima qualidade narrativa, construtiva e literária. Quanto aos dois pontos positivos citados eu ainda não havia chegado lá. Me abstive de responder ao comentário. Faço-o agora, independente da história da Espanha, que o Aloísio de Almeida Prado, na mesma linha do Cássio, disse ter aprendido alguma coisa, mas ambos não fazem menção à qualidade global da obra. Não são detalhes históricos, para quem gosta de história, não são fatos novos ou desconhecidos do rumoroso assassinato de Trotski, é na verdade uma monumental confissão do desastre comunista no mundo. É um romance que, amparado em realidades históricas, ficciona de forma verossímil aquilo que até hoje não foi aceito como verdade pelos socialistas e comunistas de todo planeta. Quantas mortes, quantas mentiras, quanto cinismo, quanta traição. Não fosse um cubano o escritor brilhante que é Leonardo Padura, a credibilidade seria ainda menor. E por que o melhor livro do ano? Num ano que li e comentei livros extraordinários, como Getúlio, do Lira Neto ( primeiro e segundo volume), "Barba ensopada de sangue" do Daniel  Galera, entre muitos, pelo fato de que nas entre linhas Padura, não escreveu, mas qualquer um pode perceber as sérias críticas e denúncias aos regimes de Cuba, (não citada abertamente, apesar do claro desencanto do personagem narrador), mas os bastidores do poder que podem construir, e passar para a sociedade, mentiras como verdades incontestes. Tribunais de fachada. Perseguições mortais. Expurgos monumentais. O Lula não chega a ser um anão, medíocre imitador do Stalin. Mas se considera o dono do país. Nunca leu na vida, não lerá Padura, e sua incultura só o habilita imitar o Getúlio. Mas a obra do Padura não fala só dos fanáticos da esquerda  brasileira, mas das esquerdas e direitas do mundo. Um livro para se ler, e pensar. Depois de pensar, tentar não perder as esperanças nas instituições, nos partidos, nos políticos, e nos homens Um livro cheio de ódios, esperanças, idealismo e decepções. Um livro muito atual.

21.5.14

Fotógrafos


 Autor desconhecido

Crônica diária

 Batedores de carteira

Olha só como é a cabeça da gente. Foi procurando como explicar que os hipopótamos abrem a boca em noventa graus que cheguei nas tampas de carteiras escolares do meu tempo de primário no colégio Dante Alighieri. Meus colegas daquele tempo hão de lembrar. Eram duplas, isto  é poderiam sentar dois alunos, as classes não eram mistas, mas também haviam as carteiras escolares individuais. Nas tampas haviam dobradiças e elas se abriam, para cima, em noventa graus. Dentro guardavam-se os livros, cadernos e eventualmente a lancheira. Algum tempo depois as carteiras passaram a ter o tampo fixo, e uma prateleira em baixo, para o mesmo fim, guardar os pertences dos alunos. Finalmente perderam a prateleira e hoje só tem o tampo. Mas foi no Colégio das Bandeiras, dez anos depois,  onde estudavam a noite aqueles que já trabalhavam, como eu, ou que estudavam para vestibular  durante o dia, que vi pela ultima vez batedores de carteira. A algazarra consistia em levantar uns milímetros o tampo e deixa-lo bater. Era um barulho ensurdecedor. Dezenas de tampos batendo. E para que os vigilantes e professores não identificassem os autores um dos endiabrados (como chamavam os maus alunos, na época) usava um fio elétrico em formato de u para colocar na tomada e causar um curto. Com as luzes apagadas os batedores de carteira não eram identificados. Certamente o termo "bater a carteira" com significado de roubar o porta notas tem outra origem. Mas voltando aos hipopótamos, eles abrem a boca em noventa graus, como as tampas das carteiras.

20.5.14

Folhagem

Por que umas folhas tem mais verde que outras?

Crônica diária



A procura de uma carapuça

Quando o Facebook começou a desbancar, e acabou aniquilando os blogs, fui um ferrenho inimigo. Falei mal durante muito tempo. Depois desisti. Remar contra a correnteza não leva a lugar nenhum. E sou obrigado a confessar que o danado do seu inventor, jovem e bilionário, teve seus méritos. Reencontrei muitos parentes, e amigos, que haviam desaparecido da minha vida. Hoje tenho um alegre e sadio contato com primos e primas, que se não fosse o FB, nunca mais nos veríamos. Tenho reencontrado amigos de infância que nunca mais teria visto. Gente no Brasil e fora dele. Tenho criado algumas polêmicas, e, num ou dois casos, grandes confusões, mas faz parte do meu temperamento. De resto são só alegrias poder me corresponder com tanta gente. Lastimo que um ou outro leitor tenha colocado a carapuça, quando não deveria, e criado enormes constrangimentos. Mas os ganhos foram muito superiores às perdas. Muitas pessoas tem dificuldade de lerem um texto sem tentar se identificar. E mesmo quando se identificam, tem dificuldade de aceitarem que, por não terem sido citadas nominalmente, não devem se manifestar. Ao fazê-lo, assumem a responsabilidade pela auto delação, ou pior se colocam no lugar, muitas vezes, de um personagem fictício, literário, ou coincidentemente semelhante. E aí vira caso de polícia.

Comentários que valem um post

Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Os "perdigotos" !!! Levei um no olho; inesquecível! O chato além de "pegar", expelia saliva. Foi só um único encontro mas o suficiente para que eu quase bailasse ao seu redor fugindo dos cuspes e dos toques. Em vão.

[S/ a crônica Vc e o Próximo Livro; muita responsabilidade comentar; isso é p/ quem domina as palavras ;) ]

Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em segunda-feira, 19 de maio de 2014 02:41:00 BRT 
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  João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Minhas telinhas":

Eduardo versus Manet et compagnons !
Sensacional !!!

Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 19 de maio de 2014 08:02:00 BRT 
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 Ery Roberto Corrêa Eduardo fotografa o assunto, se apodera dos detalhes e assim os transforma em harmoniosas linhas de histórias.
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  João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

O latifundiário dos blogues, Eduardo P. L.,é também um latifundiário da escrita, mas de uma escrita deliciosa, entre o mordaz e o humor inteligente e culto.

Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 19 de maio de 2014 08:09:00 BRT 

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19.5.14

Minhas telinhas




 Essas treze telas de pequena dimensão, homenagem a famosos artistas que gosto muito já estiveram em várias paredes, em alguns endereços em São Paulo e agora estão em Ribeirão Preto. Fotos de Sandra Lunardelli. Rosa e Cristiano são os responsáveis técnicos dessa nova montagem.

Crônica diária

 Você e o próximo livro

Faltam exatos trinta dias, portanto trinta crônicas, para completar 300, que estipulei como número suficiente para publicar um novo livro. Já fizemos uma pesquisa, entre meus leitores, aqui no FB, para encontrar um título. Será o título de uma tela que pintei há uns dez anos atrás. Temos, portanto, o material, o título, e a capa, faltam as revisões. São sempre muito demoradas. Faço em geral três, com dois revisores diferentes. Minha irmã Estela Salles fazia as primeiras, e depois a ultima. Um revisor profissional fazia a segunda. Desta vez me pediu para fazer só a ultima. Assim mesmo passa um ou outro "cochilo". É inevitável. Eu pessoalmente nunca leio mais de uma vez o que escrevo. Sei que é um erro, mas se for ler, acabo reescrevendo tudo novamente. Já não tenho tempo, paciência e idade para isso. Nesta crônica vou fazer mais um convite: quem quiser ter  duas ou três linhas publicadas na contra capa ou na orelha do livro, faça aqui abaixo algum comentário. Fica a critério do editor escolher os comentários que entender pertinentes. Não é preciso elogiar, basta comentar.

18.5.14

Salada

Salada de repolho roxo, cenoura e maçã verde

Crônica diária

 Piolho-da-púbis e outros chatos

Primeiro foi o Aloísio de Almeida Prado que me chamou de chato. Depois a Elianne Mezavilla disse que chato era ele, ao propor temas como a morte. Arrependeu-se e retirou o comentário. E por fim sobrou o tema: "chato", para esta crônica. Não precisei recorrer ao "Tratado geral dos chatos"  (Civilização Brasileira) considerada a bíblia do assunto, escrita por Guilherme Figueiredo em 1960. Hoje a internet tem inúmeras matérias e referências sobre o assunto. Como só disponho de dez linhas de paciência dos leitores, vou tentar ser breve e objetivo: há chatos de todas as espécies. Todos desagradáveis como o piolho que lhes emprestou o nome. De tempos em tempos são adjetivados como: chato-de-galocha, na época que se usava esse aparato de borracha para cobrir os sapatos. O chato era aquele que não a retirava ao entrar num ambiente. Mas existem até hoje os chatos-etílicos, os chatimbanco, que adoram as pegadinhas, tipo puxar a cadeira quando você vai sentar, e os piores: existenchatistas. Há comportamentos que definem o chato. Falar muito próximo do rosto do interlocutor. E se expelir perdigotos, então, são chatérrimos. Falar e pegar no seu braço, no seu ombro são características dos chatos. Muito comuns os chatos fanáticos por futebol, política ou religião. Fuja deles. São os chatos-monotemáticos. Mas há os que se tornam chatos por acharem todo mundo chato. Há ainda os donos da verdade, que corrigem todo mundo o tempo todo. Há, como veem, chatos de todas as espécies. Humorista chato, jornalista chato, diretor de cinema chato, cronista chato e sem dúvida nenhuma, leitores chatos.

17.5.14

Mamão

Mamão, no café da manhã.

Crônica diária

Ainda não acabei. Estou na metade. São mais de 580 páginas. Mas já estou com vontade de reler. Uma gostosura a leitura desse romance do Leonardo Padura. Para quem não o conhece, escritor cubano, que escreve na Folha de São Paulo,  é mundialmente conhecido como autor de romances policiais. Neste, que não foge o ao tema, onde os crimes se amontoam em todas as linhas, foi ficticiamente construido sobre uma história real. Magistralmente, diga-se de passagem. Trata da vida do assassino de Leon Trotski líder soviético perseguido por Stalin. Não deixem de ler. Um clássico da literatura contemporânea. Voltarei a falar do livro assim que acaba-lo.

16.5.14

Pescada

Pescada com espinafre e ricota

Crônica diária


Espírito de porco
 
Tenho uma amiga que acredita em filósofos. Algumas questões milenares vão com o passar do tempo tomando outras  leituras. Evoluem. O caso da existência ou não da alma é uma delas. E esta diretamente ligado à morte. Os materialistas, que não acreditam na existência da alma, sabem que a morte é o fim da vida. Pronto esta resolvido.  Por outro lado há os que acreditam no espírito e na vida eterna. Eu pessoalmente não me incomodo que as pessoas acreditem no que bem entenderem, mas fico pasmo  que, até hoje, tem gente preocupada com isso.

Comentários que valem um post

Eduardo Penteado Lunardelli Meu caro arquiteto e amigo Mauro Magliozzi, obrigado pelo comentário e colaboração com a matéria acima. Como podemos ler nos comentários da matéria citada, as opiniões divergem muito. A ignorância e falta de visão a longo prazo fazem das pessoas que hoje são contra um projeto desses , vítimas no futuro, não muito distante, de uma situação de deterioração ambiental irreversível. Favelas, assentamentos desordenados, poluição por falta de saneamento, parcelamento irregular do solo, etc etc. Quando uma empresa privada propõe um investimento dessa ordem de grandeza e de cuidados ambientais, logo surgem os "complexados" para acusar o capitalismo e o lucro como vilões. É sempre a mesma história. O atraso é mortal.
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15.5.14

Panqueca

Panqueca de espinafre

Crônica diária

Fui conhecer um Projeto previsto para ser implantado, em cinco fases, durante os próximos vinte anos. Fica no município de Paulo Lopes, em Santa Catarina, às margens da BR101 à cinquenta quilômetros no continente, ao sul da ilha, e capital do estado, Florianópolis. Entre a praia da Gamboa e a rodovia uma  área rural de 1.132ha, de propriedade particular, onde se pretende construir um Balneário auto sustentável. Campo de pouso para aeronaves, campo de golfe, hotel para mil e quatrocentos hóspedes, duas mil e oitocentas residências, mil oitocentas e sessenta salas comerciais e uma população média de 14 000 pessoas dia. Edifícios com grande preocupação ambiental e até 15 pavimentos. Escolas, clubes, igreja e ciclovias. Uma verdadeira cidade do futuro. Entre muita área verde, lagos e canais completarão a paisagem. Onde hoje a área é ocupada por quatro residências, e alguns bois de engorda, uma cidade planejada poderá gerar emprego, e revitalizar a economia do município que vive estagnado, há décadas, dependendo de uma beneficiadora de arroz e produção rural. Em cinco de março passado uma equipe de 40 técnicos do EIA vieram a público recomendar à FATIMA, o licenciamento prévio. O projeto, que nasceu há quatro anos atrás, acaba de disponibilizar computadores, para acesso público, com informações detalhadas sobre o futuro Porto Baleia, na Prefeitura e na Câmara dos Vereadores. Pelo correio mandam um folheto, fartamente ilustrado para todos moradores de Paulo Lopes, e em 2014 serão feitas muitas audiências públicas. Diante de um projeto dessa magnitude, previsto ficar concluído em 2035, tem muito vereador e munícipe que é contrário. Inacreditável. Só espero estar vivo até lá, para ver com meus próprios olhos, mais essa façanha da iniciativa privada.

Projeto Porto Baleia

Projeto de megaempreendimento em área verde de Paulo Lopes causa polêmica na região

Proposta prevista para ser concluída em 2035, ocuparia uma área semelhante a mil campos de futebol no entorno do rio da Madre

Letícia Mathias
Florianópolis


Um projeto de ocupação que prevê 12 empreendimentos entre moradia, hotel, centro de convenções, aeródromo, clubes de golfe e polo em Paulo Lopes, em uma área verde no entorno do rio da Madre equivalente a mil campos de futebol, tem causado dúvidas e polêmica entre os moradores da região e dos balneários vizinhos. Cartilhas informativas, com ilustrações, planos e mapas, que resumem o projeto privado Porto Baleia - enviado para análise da Fatma (Fundação do Meio Ambiente), foram entregues aos moradores da cidade.  A proposta é executar em cinco etapas durante 20 anos.
Empresários da Agroland Ltda, empresa que é dona de parte das terras onde hoje opera com serviços de pecuária, tiveram a ideia há cerca de quatro anos e propuseram a parceria a um grupo de investidores, que agora integram o projeto conceito. O engenheiro agrônomo especialista em gestão física e territorial, Ricardo Luiz Scherer, foi quem fez os estudos para o projeto Porto Baleia e afirma que não é apenas um conjunto de empreendimentos, mas sim um plano de urbanização sustentável. Com projetos para mobilidade e conservação do estuário da Lagoa do Ribeirão, afluente do Rio da Madre.
Se o plano for concretizado, o projeto prevê, em 2035, uma movimentação média de 13 mil pessoas por dia na baixa temporada e 15 mil na alta temporada, somente no local onde estará instalado o Porto Baleia. Quase duas vezes a população estimada de Paulo Lopes em 2013 segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 7.045 habitantes.
A área abrigaria cerca de 8.400 moradores e 5.387 unidades entre residências, quartos de hotel e salas comerciais, podendo ser casas ou prédios com média de quatro andares e máximo de 15 andares. Hoje a área verde conta com poucas casas, de nativos da região e nenhum prédio residencial ou comercial.

Daniel Queiroz/ND
Área verde com poucas casas de nativo, daria lugar a um projeto de ocupação com mais de 5.387 unidades, entre residências, quartos de hotéis e salas comerciais

Moradores da região tem dúvidas sobre o projeto
As opiniões se dividem entre os moradores do entorno. A preocupação dos que não concordam com o empreendimento ou ainda não têm conhecimento completo do projeto é a área verde, a lagoa e o rio da Madre. A área foi desanexada do Parque da Serra do Tabuleiro entre 2009 e 2010 e virou uma APA (Área de Proteção Ambiental), hoje regulamentada por um decreto estadual de 2010. O plano de manejo e conselho gestor desta área estão em fase de elaboração.
O pedido da LAP (Licença Ambiental Prévia) para o projeto foi protocolado na Fatma há duas semanas e pode ficar em análise por até um ano ou por quanto tempo os técnicos considerarem necessário. Esta autorização apenas indica o que é viável ou não, depois ainda é necessário a LAI (Licença Ambiental de Instalação) para o início das obras e, por último, a LAO (Licença Ambiental de Operação).
Mas os autores da ideia não tem pressa. A proposta é mesmo em longo prazo. A ideia dos investidores proponentes do projeto é de que o complexo Porto Baleia esteja completamente pronto e em funcionamento pleno em 2035. Seria dividido em cinco partes, construído ao poucos e paralelamente.
Para o encanador aposentado e pescador Antônio Nascimento, 65, o projeto pode ser bom para uns e ruim para outros. Ele acha que pode trazer emprego para quem mora na região, mas ao mesmo tempo teme em perder a bela vista que tem do quintal da sua casa no bairro Ribeirão, em Paulo Lopes, terreno vizinho do rio e da área onde futuramente pode abrigar o projeto Porto Baleia. “Depois que eles pegarem a terra, pode ser que ninguém mais passe por ali e, se for assim, vai fazer falta”, diz.
A filha dele, Janaína Nascimento,30, teve acesso à cartilha e não vê vantagem: “O que eu vivi com meu pai, meus filhos não vão viver com o avô. De natureza a gente já tem pouco. Hoje vamos ao rio no fim de semana, pegamos um peixinho fresco para comer e acho que isso pode acabar”.

Daniel Queiroz/ND
Se empreendimento for erguido, pescador Antônio Nascimento perderá a bela vista que tem do quintal de sua casa no bairro Ribeirão

Fatma envolverá toda a equipe na análise do projeto
Como é um projeto de grande porte, precisa de um EIA/Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente). Esses estudos já estão na Fatma, mas sem previsão de data para conclusão do parecer técnico. Segundo o presidente da Fatma, Alexandre Waltrick, o processo vai demandar muito estudo e não é possível falar antes que seja analisado criteriosamente.
Um grupo de técnicos, que será coordenado pela diretora de Licenciamento da Fatma, está sedo formado e toda estrutura da fundação estará envolvida nesta análise. “Sabemos da importância do projeto, da possibilidade de discussão de ideias e vamos trabalhar com tudo o que temos aqui. Vamos analisar cada caso, avaliar os impactos, os meios de minimizá-los e, se necessário, contratar os melhores consultores do país para a análise”, disse.
Sobre o plano de manejo, Waltrick afirma que está sendo elaborado e tem previsão de ser concluído este ano. A demora se deve ao alto custo de fazer um plano deste tipo. Segundo ele, pode custar até R$ 400 mil. O documento servirá de parâmetro ao licenciamento.
Implicações na Guarda do Embaú
O projeto não despertou curiosidade apenas nos moradores de Paulo Lopes, mas também dos que vivem na Guarda do Embaú. O movimento SOS Rio da Madre, que lutam pela proteção do Rio da Madre, Guarda do Embaú e toda baixada do Maciambu e conta com centenas de moradores da região, quer esclarecimentos e defende a manutenção da área verde, desocupada.

Daniel Queiroz/ND
Moradores da Guarda do Embaú temem que empreendimento possa afetar o rio da Madre, que desemboca na praia de Palhoça

O presidente da Associação de Moradores da Guarda do Embaú, Luiz Antônio Rego, diz que o tema tem sido discutido nas reuniões e a preocupação é que afete o turismo e a pesca na região, dois principais meios de sobrevivência da comunidade.  “Estamos conscientes e de olho no projeto. Esperamos que seja bem analisado, que se pare para rever o que precisa ser feito. Mesmo intitulado como empreendimento ecológico é preocupante”, diz.  “Esse empreendimento pode afetar mais  a poluição do rio e, se acabar com o rio, acaba com a qualidade de vida”, opina o presidente da Associação de Surf da Guarda do Embaú, Marcos Aurélio Gungel, o Kito.
A preocupação da associação de pescadores é semelhante. “Nos afeta diretamente porque o rio termina aqui, acho que falta esclarecimento. Temos que ser consultados também porque se mexer no rio vai mexer com os peixes e a gente vive da pesca”, afirmou o presidente da Associação de Pescadores, Gabriel Correa.
Autores do projeto visam crescimento planejado
O engenheiro agrônomo especialista em gestão física e territorial Ricardo Luiz Scherer, que fez os estudos para o projeto Porto Baleia, afirma que há uma tendência de crescimento da região metropolitana da Grande Florianópolis no entorno da BR-101, conforme tem sido Palhoça. Ele alega que o potencial de expansão e crescimento é inevitável e “se não for bem planejado, pode virar mais uma cidade dormitório, um local sem estrutura e de crescimento e ocupação desordenada”. Por isso, a proposta é implantar o projeto em longo prazo.
A ideia é construir um local que seja possível de trabalhar morar e se divertir. “É um conceito urbano. Quando se pensa em longo prazo, não incha. É desenvolvido e incorpora a valorização ambiental”, justifica. Segundo Scherer, não é possível mensurar os valores de investimento porque ainda é um conceito. Não há projeto arquitetônico definido. “É um projeto de qualidade de vida. Não configura gueto, nem queremos ser os donos da cidade, vamos desenvolver parte dela e será uma área aberta para todos que vivem ali”, explica.
Interferência no rio da Madre
Sobre os rios, o engenheiro garante que não serão feitos desvios, mas interconexões, que irão equilibrar o curso do rio e melhorar o sistema da lagoa. Não será adensado o suficiente para degradar e adensado suficiente para ser viável. O sistema de saneamento da área, que abrange o projeto, será feito pelos empreendedores, mas o entorno, fora da área privada precisará da ação do poder público.
O prefeito de Paulo Lopes, Evandro João dos Santos, assume que o “saneamento do município é zero”, como ele mesmo define, e para este ano não há previsão de mudança para esta situação. “No momento não temos projeto, mas estamos batalhando. Até 2015, o município deve encaminhar projetos para saneamento e pavimentação para também conseguir recursos federais”, afirma.
Sobre o projeto, o prefeito considera “bonito” e diz acreditar que poderá influenciar na geração de empregos e na qualidade de vida dos moradores da cidade. Segundo ele, só as terras valem mais de 50 milhões. “Tem que avaliar as questões ambientais e dentro da legalidade, mas acredito que pode acontecer. Nunca recebemos um projeto dessa importância”, diz.
Publicado em 04/05/14-10:00

14.5.14

Uma vista sempre boa de ver




Lagoa de Ibiraquera, Santa Catarina. EPL Maio, 2014

Crônica diária

 A Constituição e a realidade

Com a recente polêmica criada pelo Ministro Joaquim Barbosa, presidente do STF, que é a mais alta instância jurídica do país, e que tem como escopo interpretar e fazer cumprir a constituição, chegamos a duas lastimáveis conclusões. Primeira, que nossa constituição é tão ampla, genérica, detalhista, que se constitui num enorme e extenso conjunto de leis, e princípios, que precisa de um tribunal com onze integrantes para interpreta-la. Só aí, reside um dos graves problemas da nossa justiça. Países muito mais desenvolvidos que nós prescindem desse calhamaço de regras e tem uma justiça mais célere. Vide a constituição Norte Americana. Por outro lado existe a realidade brasileira. A Papuda, como todas as outras instituições penais brasileiras, é insuficiente físicamente para que a constituição seja cumprida ao pé da letra. Logo temos um impasse insolúvel. Vale a constituição, ou a realidade? Caso prevaleça a realidade, para que um STF para fazer valer a constituição? Caso seja a constituição que tenha que ser cumprida, mais de 400 presos que cumprem pena no regime semi aberto, irregularmente, terão de voltar para as prisões que já estão superlotadas. Como o problema prisional não é dos Ministros do Supremo, agiu corretamente o Presidente do STF, ainda que monocraticamente, correndo o risco de ver sua sentença reformada pelo pleno do tribunal, por razões políticas e da triste realidade brasileira. Há muito mais bandido e quadrilheiros do que lugar nos presídios. Mais fácil mudar a constituição do que construir e manter uma nova cadeia. E viva a impunidade.

13.5.14

Caqui


Uma das minhas frutas preferidas

Crônica diária

Não sou um cronista de aluguel, muito menos faço crônicas sob encomenda, mas meu grande amigo Aloísio de Almeida Prado, que sempre lastima eu ter começado a escrever depois dos setenta, e ultimamente me chamou publicamente de "chato", me ligou do Rio onde mora (ainda que part time) para me "sugerir", o que vale dizer, pelo nível de amizade que nos une, "ordenar" que eu escrevesse sobre a "Morte". Mandou que eu pegasse papel e lápis e ditou: " Escreve aí: morreram esses dias três grandes figuras, todas com mortes alegres e felizes. O primeiro foi o ator José Wilker que morreu na casa da namorada assistindo um filme na TV, que segundo seus íntimos, era o que mais gostava de fazer. Morte feliz. Depois foi o Luciano do Valle locutor esportivo que morreu a caminho de uma transmissão de um jogo do Corinthians. Morte feliz. E por derradeiro a morte do Jair Rodrigues, que morreu na sauna de sua casa cantando Disparada. Morte alegre como foi sua vida". Pronto missão cumprida.

12.5.14

Suco verde


Estou tomando essa mania mundial: SUCO VERDE: couve, maçã verde, gengibre, água, batidos e ingerido em jejum.

Crônica diária

Pronto, em menos de trinta dias estaremos todos ligados nos jogos da Copa do Mundo. Quem é brasileiro, mais do que em qualquer outro lugar do mundo, antes de mais nada, entende de futebol. Homens e mulheres. Somos duzentos milhões de torcedores. A grande maioria fanática. Eu pessoalmente só torço quando o Brasil joga. Sou Corintiano mas não acompanho os campeonatos brasileiros.  Mas quando se trata de seleção, não podemos ficar apáticos. Se bem que dos vinte e três convocados só quatro jogam no Brasil. É uma seleção de importados, ou de exportados, como queiram. Mas não dá para não torcer. Acontece que o futebol é usado pelo governo como um instrumento a seu favor, o que nem sempre corresponde estar a favor do povo, e do eleitor. Por exemplo, a CPI da Petrobras, absolutamente indispensável para desnudar os malfeitos das administrações recentes.  O governo que mente não temer a investigação, faz tudo para atrapalhar e retardar sua constituição, instalação, e início dos trabalhos, para que os jogos da Copa desviem as atenções. E por consequência, uma eventual vitória do Brasil possa favorecer os governistas. Quem vai estar preocupado com refinarias em Pasadena ou no Japão, se o Brasil é campeão. Mas há outra possibilidade, a do Brasil não vencer a Copa, e da CPI, a despeito de toda a truculência dos governistas, demonstrar claramente os desvios, e prejuízos que os diretores indicados pelo PT, inclusive a ex presidente do Conselho, atual presidente do país, causaram com suas gestões. Aí  temos eleições em outubro, e se essa ultima alternativa se efetivar, será a única possibilidade da oposição levar as eleições para o segundo turno, e quiçá vencer. Logo se conclui, que torcer para o Brasil perder a copa, não chega a ser um ato anti patriótico, muito pelo contrário, é a salvação da pátria.

11.5.14

Minha praia



Praia de Ibiraquera, Imbituba, Santa Catarina

Crônica diária

Hábitos e prazeres são como religião, política e futebol, não se discute. Cada um tem os seus, e nem sempre coincidem com os hábitos dos outros. Eu por exemplo, já escrevi, tenho um prazer quase erótico (exagerando, é claro!!!)  em lavar as mãos. As minhas. Não vá pensar que se trata de uma dica do Kama Sutra". O hábito de molhar as mãos, ensaboa-las, e depois de duas ou três passadas da palma, nas costas, e entre os dedos, retirar o sabão com água corrente, é muito prazeroso. Enxuga-las e voltar aos afazeres diários é um hábito meu. Três a quatro vezes ao dia. Pela manhã, antes das refeições e a noite antes de dormir. Nada muito anormal. E lavar o rosto ao acordar, ou durante o banho, ou depois da barba é um hábito absolutamente corriqueiro, comum, e banal. Todo mundo faz. Mas quantas vezes por semana você lava as lentes dos seus óculos? Ahh, se não usa, esta livre de responder. Eu uso desde os seis ou sete anos de idade. Houve um tempo, logo no início, que usava até embaixo do chuveiro. Mas criei juízo e nunca mais dormi ou tomei banho de óculos. Mas me esqueço de lavar as lentes, pelo menos uma vez por semana. É fundamental. Ora, se se lava o rosto todo dia, por que não lavar aquilo que vai ficar dependurado sobre o nariz o dia todo? Me esqueço. E quando a lente esta mais para cego, do que para melhorar a visão, lavo-as e percebo como é bom voltar a enxergar.

Comentários que valem um post

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Os insetos e as flores":

Senhor pretenso escritor. aqui vai uma dica:

Significado de POLIMERIZAÇÃO

"Processo químico importante na produção de borracha sintética, plásticos, tintas e fibras artificiais. Nesse processo, moléculas chamadas monômeros se combinam umas com as outras formando moléculas maiores denominadas polímeros. Se os monômeros são idênticos, o processo é chamado homopolimerização. Se são diferentes, o processo é dito copolimerização."

Utilidade pública - CM

Postado por Anônimo no blog . em sábado, 10 de maio de 2014 09:25:00 BRT 
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  Eduardo P.L. disse...
Obrigado ANONIMO CM, foi muito oportuno seu comentário. Recomendo ler o texto abaixo, minha crônica diária, que parece ter sido escrita para leitores como você, seja lá quem você for!!!!

sábado, 10 de maio de 2014 11:50:00 BRT
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  João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Deve ser da idade que, a cada dia, mais pesa sobre mim, mas é um facto indesmentível que não sinto a menor inveja seja de quem fôr !
Dos que hoje nada significam para mim, os seus eventuais êxitos nada me dizem. Como fisicamente os ignoro, como poderia permitir que os seus êxitos ( eventuais, repito ) me provoquem qualquer reacção ?
Se são AMIGOS, fico orgulhoso do seu sucesso e até o tomo como de mim se tratasse.

Postado por João Menéres no blog . em sábado, 10 de maio de 2014 09:04:00 BRT 
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AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

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