26.11.14

Crônica diária



 
Sem querer me comparar


Fica pretensioso e arrogante contar esta estória comparando-a a duas outras famosas. Mas como é verdadeira e não sou mais um  aspirante a pintor, vou conta-la. Quando desenhava e pintava, e o fiz por cinquenta anos, até contrair Mielodisplasia (disfunção da medula) causada pelo uso continuado de tinta a óleo e terebintina para limpeza dos pinceis, a mesma doença que matou Portinari, fiz um retrato da minha mãe. Nem ela nem ninguém da família, os únicos que tinham acesso à pintura, acharam a menor graça. Uns vinte anos depois, em visita a minha casa meu pai  viu a pintura e disse que o retrato estava muito bom. Acabo de ler na página 139 da biografia de Matisse, escrita por Hilary Spurling, que Picasso após pintar o famoso e emblemático Retrato de Gertrude Stein em 1906, comentou diante dos protestos de que o modelo pouco se parecia com a imagem: "Ela ainda vai chegar lá". O mesmo se deu com o retrato que Matisse fez de sua mulher em 1905, "Mulher com chapéu", continua nos contando Hilary, que os amigos de Amélie não só reconheceram a semelhança como também insistiram que, ao ficar mais velha, mais extraordinária seria a parecença. Modestamente foi o que aconteceu com o retrato da minha mãe.

5 comentários:

Li Ferreira Nhan disse...

Nada de modéstia Edu, o retrato da tua mãe é ótimo!
E muito bem lembrado e colocado aqui os episódios de Picasso e Matisse.


também estou lendo a imensa biografia do Matisse :)

João Menéres disse...

Eu sempre fui de opinião que o retrato da Senhora sua Mãe era ÓPTIMO !

Espero chegar à idade da caricatura que o Eduardo fez de mim e dizer : Olha que perfeição !

LOL.

Um abraço.

Jorge Pinheiro disse...

É muito interessante o mecanismo que transforma as coisas que fazemos em arte considerada e disputada. O tempo às vezes valoriza, outras faz esquecer. Quadros que hoje pintamos acabarão num sótão poeirento ou num museu famoso. Porquê?

Li Ferreira Nhan disse...

Boa pergunta Jorge.
Aqui em casa acredito que vai tudo para o lixo.

Silvares disse...

A arte em geral e a pintura, em particular, enviam-nos para lugares que estão mais dentro das nossas cabeças do que fora delas. Talvez por isso uma imagem que me fascina diga pouco à pessoa que está ao meu lado e vice-versa. Quanto a retratos a coisa pia mais fino mas não andará muito longe. Quantas vezes você não disse: "aquela pessoa parece mesmo aquela outra" e a pessoa ao seu lado respondeu: "de forma nenhuma!" Se é assim com gente viva, de carne e osso, como não seria com gente pintada, gente de tinta e tela?

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