16.10.14

Crônica diária



Calças jeans


Nunca supus que minha decisão, aos sessenta anos, portanto há dez anos atrás, de não mais usar jeans pudesse provocar tanta indignação. E antes que o escritor e amigo  Jorge Pinheiro faça suas considerações, como usuário, certamente vai defende-las, em texto que já anunciou, vou cometer algumas observações. Minha sorte é que virá do Jorge mais um texto delicioso. Mas enquanto não vem, vou justificar meu ato. As calças de brim azul que foram criadas com peitoril e suspensório, no após guerra, para vestir operários, tomaram o mundo de assalto. Virou traje dos cowboys, vaqueiros americanos, e posteriormente dos playboys, mundo a fora. Nunca foram baratas. Copiadas como as sandálias havaianas, nunca  superaram as marcas originais Lee e Levi´s. Por que deixei de usa-las aos sessenta? Por várias razões. Talvez a mais preponderante, para fazer um "tipo". A calça jeans ficou sinônimo de praticidade. É possível usa-las, sem lavar ou passar, por meses seguidos. Só o odor poderá determinar sua troca, ou lavagem noturna, para uso na manhã seguinte. Economia passou a ser outro ponto forte. Quanto mais velha, desbotada e gasta, mais "must" ela é. Aos sessenta anos não fica bem a nenhum homem querer parecer jovenzinho. É ridículo. Aos sessenta anos não se deve aparentar um estado financeiro que exija o uso de uma única calça por meses a fio, e muito menos usa-las com furos no joelho e rasgos na bunda. Os únicos sessentões que ficam bem fumando Marlboro e usando jeans são os velhos vaqueiros, no Texas, nos filmes de Wollywood, ou em qualquer parte rural do mundo. Não era mais o meu caso. Por essas breves razões decretei a aposentadoria dos meus queridos jeans. Usei-os no formato branco, com blase azul e camisa idem, como fazia o Bob Zaguri, namorado da Brigitte Bardot. Usei os azuis da Lee e da Levi´s. Com botão ou zipper na braguilha. Usei as de corte reto e boca larga, e as justas enquanto podia. Aos sessenta ninguém mais pode. Nunca usei cópias. Muito menos marcas caríssimas de estilistas famosos. Jeans só Lee e Levi´s, se possível compradas em NY e, claro,  produzidas na China.

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·JEANS
Desde sempre usei jeans. Calça incómoda que entra pelo rabo e aperta os tomates. Vinham em contrabando em navios piratas directamente dos USA. Eram Wrangler, Lee e Lewis. Comprava à mulher do embarcado, ali a caminho da praia de Carcavelos. Sabia a droga. Ilícito só para entendidos. Sem impostos e a saber a sal. Estávamos nos anos 60. O tempo era salazarista. O modo careta. Os jeans eram o ocidente, a terra dos hamburgers. O Ketchup da ideologia americana. Elas gostavam de nos ver bem afiambrados, com a fruta em relevo e a braguilha acentuada. O pior das jeans é a tesão acentuada, que pode provocar danos internos e alegorias externas. Hoje continuo na jean sem provocação aparente, no aperto metafórico de quem pensa mais do que deve.

2 comentários:

João Menéres disse...

Jeans propriamente ditos, nunca tive...
Mesmo sem ter pensado no motivo, creio que a razão foi aquela que fez o Eduardo aposentar-se delas.

Jorge Pinheiro disse...

Por amor de Deus!... Este é século da jean. O pessoal anda muito pipi.

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