14.7.14

Crônica diária

 Voltei à maternidade

Há doze dias atrás tive uma experiência que já faziam alguns anos que não vivenciava.  Passei quase três dias em maternidades. Não se enganem, fui mero acompanhante. Nasceu a primeira neta da minha mulher. Eu já tenho quatro, e ela morria de inveja. Agora temos a Lara, uma linda morena, e uma enorme promessa como são todos recém nascidos. Mas o que me leva a escrever sobre as maternidades são as modernidades. Fomos inicialmente para a Pró-Matre, onde por coincidência eu nasci setenta anos atrás. Hoje, em prédio novo, continua sendo uma ótima maternidade. Só que não tinha quartos disponíveis. Constatação número hum: nascem muitas crianças nos dias correntes. Fomos transferidos, isto é, a parturiente e o pai de ambulância para outra unidade do mesmo hospital, que leva o nome de Santa Joana. A avó e eu fomos de carro. Instalações modernas, e muitas mulheres grávidas. Não se vê bebês. Depois de algumas horas de burocracia, exames, e preliminares, a grávida é encaminhada para o trabalho de parto. Só o pai, como acompanhante, tem acesso. Avós, tios, irmãos e parentes agregados como eu temos que nos limitar a assistir TV no quarto a espera de alguma notícia. Ahhh tem um bar com telão, onde o nome das parturientes, e o estágio dos procedimentos, vão sendo informados. Quando nasce aparece em outra tela, nome dos pais, pesos e medidas e filminho do recém nascido da forma como veio ao mundo. É a primeira foto de nu, para muitas futuras modelos de revistas masculinas. Mas há também janelas em que os familiares são chamados para assistirem os momentos finais do parto, isto é, a entrega da criança nos braços da mãe. Entre muitos profissionais nessa sala, circula uma pessoa, igualmente paramentada, com toca e máscara, filmando tudo. Segunda constatação: não há neste mundo um segundo de privacidade. A exposição é geral, completa e irrestrita. E para finalizar esta crônica, que já passou do tamanho ideal, duas novas notícias para quem nasceu no século vinte: os bebês são obrigados a usar luvas porque as maternidades não cortam mais as unhas das crianças. O primeiro corte só se dá depois do sétimo dia. E finalmente: o berçário fica vazio o dia todo. As crianças passam o dia no quarto ao lado das mães.
Menos trabalho para a enfermagem, e mais cedo os recém chegados ao mundo vão se socializando com as algazarras das visitas e familiares. Muita coisa mudou desde que nasci.

3 comentários:

João Menéres disse...

Grande evolução, na verdade !
Nasci em casa há quase 8 décadas e cá vou indo.

Silvares disse...

Virá o dia em na ficha do bebé será de imediato registada a sua "morada" no Facebook.
:-)

Jorge Pinheiro disse...

Virá o dia em que os nascimentos serão notícia no telejornal... pelo menos em Portugal.

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