Contrariando todas as expectativas mais otimistas, os aeroportos brasileiros se comportaram absolutamente dentro da normalidade durante a Copa do Mundo.
Memória e imagem inesquecível
Não é raro ler um livro com duzentas páginas, e dele extrair uma única
frase memorável. Não foi o caso do romance policial "O caminho de Ida"
do escritor argentino Ricardo Piglia. Muito pelo contrário, gostei
muitíssimo da trama toda do livro. Cheguei a não querer que a história
chegasse ao fim. Fiquei vivamente impressionado com a cultura literária
do personagem narrador. Como em certos filmes de ficção cujo trabalho
dos atores e do diretor é tão verossímil que mais parece um
documentário. O romance do Piglia me deu essa impressão. Só não gostei
do final onde nada fica muito explicito, e o relacionamento do ex amigo
do personagem principal, e amante de sua ex mulher, fica para o próximo
livro. Mas dele pude extrair além do grande prazer da leitura, esta
frase: "Memória incerta ou imagem inesquecível de acontecimentos que
nunca vivemos". Por mais estranho que possa parecer, isso já aconteceu
comigo, mais de uma vez.
Na Copa do Mundo, os restaurantes no Brasil, entram no clima do futebol. Duas saladas de entrada.
Vamos falar do Uruguai
Gosto muito de Montevidéu. Há anos não a visito. Conheci em seu
esplendor, e depois completamente falida. Gosto dos uruguaios. Fazem um
contraponto interessante entre os arrogantes argentinos e os humildes
paraguaios. Seu folclórico presidente Pepe Mujica, pequeno agricultor
que apesar de receber $12500,00 dólares de salário, doa a maior parte e
vive com R$2800,00. Uma figuraça. Anda
de sandálias franciscanas de couro, sempre de manga de camisa, nunca de
gravata, apesar do cargo de presidente que ocupa. Seu carro continua a
ser um antigo Volkswagen, sem segurança, e espera na fila, como qualquer
mortal uruguaio, para ser atendido no posto de saúde local. Por essas e
outras muitas histórias, além da promulgação do comércio da maconha,
tenho uma certa simpatia por ele. É tão autentico que todas as situações
que poderiam ser tomadas como demagógicas, no caso do Mujica são
verdadeiras, e correspondem ao personagem simples, popular e quase
vulgar. Passou do ponto quando foi receber Suárez no aeroporto como
herói. Suárez, melhor jogador da seleção de futebol do Uruguai é um
mordedor contumaz de companheiros. Essa foi a terceira vez. Uma
vergonha. Mujica deveria ter repudiado o ato, como de fato fez, sem no
entanto prestigiar o jogador, que precisa além de quatro meses longe dos
campos e nove jogos da seleção proibido de participar, receber
assistência psicológica. É maluco. E a Fifa aplicou muito justamente uma
pena exemplar. O futebol anda cada dia mais violento, e qualquer vacilo
agora, corre o risco de virar um esporte de canibais.
Pra mim, foi a melhor que já li. Adorei! E que sempre os anjos nos salvem de nossas diabruras deliciosas. Bom dia!
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Crônica diária":
Uma crónica ESPANTOSA, Eduardo !
O que é bom é ter o diabinho em nós e o anjo por perto.
No outro dia, alguém dizia :
Pelo clima quero viver no paraíso. Mas pela companhia, não dispenso o inferno !Vou nessa !!!
Postado por João Menéres no blog . em sábado, 28 de junho de 2014 14:41:00 BRT
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Enquanto aguarda a chegada da neta, a vovó Paulinha faz quatro corações, dois para a Nora e dois para a Lara, que usarão brincos de ouro.
O diabo de todos nós
Quando falei há dois dias atrás, em meu anjo da guarda e do diabinho que
nos habita, não sabia que estava prestes a criar dois personagens que
irão me acompanhar nas próximas crônicas. Quando quiser falar mal de
alguma coisa, de alguém ou do PT, vou jogar a culpa no diabo. Estarei
blindado para escrever o que me passar pela cabeça sem o perigo de ser
taxado disso ou daquilo. Quando o estrago for muito grande chamarei meu
anjo da guarda para remendar. Eles, anjo e diabo me acompanham desde
sempre. Minha mãe era testemunha. Sofreu muito com meu diabo, e teve
muita ajuda do meu anjo. Eu sou um verdadeiro marionete nas mãos desses
dois polos. A virtude, o bem e o mal. Muitas vezes quando era solteiro, e
fui diversas vezes na vida, me deitava com o anjo e perdia namoradas.
Punha o anjo fora do quarto, ouvia meu diabo conselheiro e fazia as
mulheres se apaixonarem por mim. Como posso não gostar dele? É cínico,
intrigante, inteligente, tem chifres, cascos, e rabo em forma de flecha,
como todo diabinho. Por outro lado, meu anjo não tem vícios, é
correto, todo certinho, e ainda por cima, tem asas brancas. Um chato.
Obrigado Jacinto Gomes, será que o Carlos Eduardo Calfat Salem
se inspirou no romance para batizar o sítio? Valeram suas informações
complementares. Dei o nome de Ramalhete a uma área da fazenda Bela
Vista, herdada do meu pai, que foi, coincidentemente, o pioneiro no
plantio e produção de óleo vegetal do girassol no Brasil.
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Fim de junho
O inverno chegou frio como era de
se esperar. Ao pé da lareira da Piacaba* , que é com se chama minha
casa, leio e vezenquando paro e realimento as chamas com gravetos de
madeira recolhidos em nosso jardim. Fico um tempo olhando as chamas e
vendo a pouca fumaça cinza, da madeira seca, subir pela chaminé. O
efeito estufa que se dane. Os eco-chatos que me perdoem. Com o frio no
presente e o problema do efeito estufa no futuro, vamos aquecer o
presente. Volto ao livro e me aqueço com o estalar da madeira e com o
cheiro característico de lenha queimada. Me lembra os invernos em Campos
do Jordão onde se tomava "quentão" e se comia pinhão.
1º
PS- *Todas as casas onde morei, ou construi, tiveram nome. As ruas de
algumas não tinham nome, eu as batizei mandando fazer placas azuis com
letras brancas. E bastava coloca-las nos postes da esquina para a câmara
dos vereadores dessem um novo nome, de algum outro falecido. As
pessoas, os animais, casas, sítios, chácaras e fazendas tem que ter
nome. Alguns eu inventei como Forkilha, Ciribaí, Piacaba. Outros copiei
como Ramalhete, que acho um lindo nome, do sítio do Carlinhos Salem.
2º
PS- * A Piacaba, minha casa atual, fica em Santa Catarina, numa praia
chamada Ibiraquera, no continente, oitenta quilômetros ao sul da ilha de
Florianópolis.
Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Crônica diária":
Eduardo, faz bem em dar trabalho a esses seus ajudantezinhos.
:-)
Abraço.
Postado por Silvares no blog . em quinta-feira, 26 de junho de 2014 08:51:00 BRT
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Eduardo, meu amigo, a gente se lê mutuamente, e isso é muito bom. Quem escreve quer ser lido. Obrigado! Grande abraço.
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Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":
A Alexandra leio todos os domingos,
a noitinha corro ao Atlântico Sul.
Desde do Alentejo ela está melhor ainda (e eu que pensava que ela não poderia ser melhor ainda!).
Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em quinta-feira, 26 de junho de 2014 19:23:00 BRT
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Com polenta frita uma saladinha com grão de bico, pepino, tomate, cebola e alface
Um diabinho faz semana que me azucrina. "Escreve, escreve!" Meu anjo da
guarda, a quem dou muito trabalho, diz: "nem pense nisso!" Mas como
sempre o diabo vence. E aí meu anjo tem muito trabalho para juntar os
cacos. Leio crônicas de amigos, e de outros que nem conheço, com muita
regularidade. Poucas me agradam. Ou porque tratam de realidades muito
diferentes da minha, ou porque não gosto da maneira como escrevem, ou
ainda porque o assunto é muito pessoal ou regional. Mas de dois, que vou
citar o nome, leio e gosto muito. Ricardo Ramos Filho é o brasileiro,
neto e filho de famosos escritores, tem um texto lindo, assuntos
pertinentes, postura independente, às vezes até humor, e na maioria, uma
crítica fina e sutil. A outra é portuguesa, não a conheço pessoalmente,
mas adoro a forma inventiva, experimental, e moderna como escreve:
Alexandra Lucas Coelho. Espero que meu anjo tenha gostado da forma
elegante como tratei os cronistas a que faço restrições, e que o diabo
não me venha mais infernizar.
Nascer e morrer
Para se nascer a natureza nos prepara por nove meses. Ninguém pode
alegar que nasceu de repente. Mas a morte não avisa. Pode ser súbita.
Imprevista. Traiçoeira. Foi como atingiu nosso amigo e colaborador
Carlos Morbach. Tínhamos muitos planos para o futuro. Me visitou
recentemente, e levou uns livros meus para ler. Nunca saberei se leu, e o
que achou. Seu coração o traiu, e a morte
o apagou. Assim, sem mais nem menos, sem avisos ou sintomas. A morte é a
única coisa definitiva na vida. Carlos Morbach vai nos fazer muita
falta, e deixou muitas e boas lembranças. Vou falar com o Eduardo Novaes
e ver se Jaguariúna e Campinas não prestam uma justa homenagem, dando o
nome de Carlos Morbach a ruas ou praças da cidade.
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Crônica diária":
Bela ( por realista ) crónica !
Portugal foi vítima ( talvez ) do calor e da elevada umidade.
Muitos craques não estão no melhor ( ou próximo ) da sua forma a que nos habituaram.
O team do Brasil também joga bem duro. Deu para ver ontem perante os Camarões.
O NEYMAR é um fora de série !
Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 24 de junho de 2014 08:04:00 BRT
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Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Crônica diária":
Os campeonatos deviam ser todos em países temperados, de preferência
europeus e ainda melhor em Portugal. Ainda não vi um bom jogo. Não acho
muita graça ao Neymar. É um joga na areia. Quanto á política, nada tem a
ver com futebol, como todos sabemos. Vivam os novos gladiadores.
Postado por Jorge Pinheiro no blog . em terça-feira, 24 de junho de 2014 15:26:00 BRT
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Ver o livro a circular por entre mãos amigas e olhos
atentos é pura magia. Um processo que começou há meses e que de repente culmina
num êxtase colectivo. Escrever é um vício e uma oportunidade. Sou um narcisista
assumido. Um tímido exibicionista. Adoro ter pessoas à minha volta, mesmo não
sendo muito social. As pessoas são o que são e não devem ter medo de ser. Somos
chatos e meigos. Inteligentes e preconceituosos. Imbecis e amorosos. A única
capacidade que nunca podemos perder é a auto-crítica. Este livro deixou-me
ainda mais exposto. Mas, sinceramente, nunca percebi por que nos queremos
preservar. Passamos a vida a esconder os defeitos e depois queremos confessar
tudo em meia dúzia de linhas. O prefácio do Eduardo e a apresentação do
Francisco deram-me um novo fôlego. Sinto que já muito pouco tenho a falar de
mim. Sinto que as próximas aventuras só podem ser ficção. Não porque eu não
seja uma total ficção, mas porque a ficção é a realidade colectiva onde todos
nos revemos. O lugar comum onde todos podemos ser qualquer coisa
Expresso da Linha
Dois velhos amigos aqui do Varal. Fico devendo o autor da foto.
Futebol
Com mais de
sessenta jogos, três por dia, não dá para não falar de futebol. Quem me conhece
sabe que não entendo nada. Sou Corintiano, mas do tempo do Baltazar. Nessa Copa
torço pelos mais fracos. Como tem dado muita zebra, tenho ganho alguns jogos.
Não aposto dinheiro, porque detesto perder. Assisto as partidas trocando de
canais. Geralmente me implico com narradores e comentaristas. O sotaque caipira
de um, ou os bordões de outros me cansam. Mudo de canal. Me arrependo, tento um
terceiro. As imagens são sempre as mesmas. Fico impressionado como fazem
faltas. Pisam nos jogadores como se pisa em guimba de cigarro. E são
profissionais de milhões de reais. Ouço que futebol é jogo para homem. É
verdade, precisa ser corajoso para enfrentar essas feras. E o público de trinta
a setenta mil pessoas, vibra nas arenas, como vibravam os romanos, quando
assistiam seres humanos serem jogados às feras. Cantam em capela o hino dos
seus países. Se emocionam. Se fantasiam. Se divertem. Pagam fortunas em
passagens, ingressos e hospedagem. É preciso amar muito esse esporte.
1º PS- Fiquei
tentado em comentar sobre a vitória de 4x1 sobre Camarões. Meu anjo da guarda
me alertou que eu iria irritar meus leitores patriotas. Só sendo cego e muito
patriota, para não dizer idiota (me soprou meu diabinho) para não ver que nosso
time é medíocre. Muito fraco. E vem o Parreira, no meio tempo, dizer que os
adversários eram MUITO FORTES. Não dá para ouvir uma bobagem dessa.
2º PS- Lamento
decepcionar o leitor Cássio Penteado. Com um time desses não vou perder meu
tempo. Com ministros da Dilma, muito menos.
Ontem falei do estômago e do sexo, hoje vou contar uma história de
criança. Aconteceu comigo. Deveria ter uns seis ou sete anos. Vivia
intrigado com a quantidade de urina e o tamanho do meu saco, Sempre
achei o nome correto "escroto", muito feio. Sempre usei saco. Não podia
entender como num órgão tão pequeno poderia caber tanta urina. E para
tirar a dúvida resolvi medir. Procurei um vidro vazio que tivesse, mais
ou menos, o tamanho do meu saquinho e foi num de mercúrio cromo, que
minha usava para desinfetar os ferimentos em nossos joelhos, que colhi
meu jato inicial. Claro que só deu para o jato inicial. O resto se
perdeu no vazo sanitário. Estava comprovado que no saco não cabia tanta
urina. Fui procurar saber e descobri que o lugar da urina era a bexiga.
Mas para que um saco tão perto do canal do xixi? Isso só fui descobrir
anos mais tarde.
Depois de anos escrevendo crônicas diárias é difícil não se voltar a
temas já abordados. Ontem voltei a ele, e hoje continuo. Desta vez para
relembrar que o autor da tese foi o arquiteto, artista plástico,
pensador, intelectual Flávio de Carvalho, com quem tive a honra de
almoçar em sua casa em Vinhedos, SP. Estavam presentes a esse almoço o
casal Lenita e Olivier Perroy, fotógrafos, e o Antonio Carlos
cabeleireiro. A tese do Flávio era de que deus nasceu no estômago do
homem. Isto quer dizer: adorou sempre aquilo que saciava sua fome. Os
animais, depois os astros, em seguida os vegetais, e finalmente seus
semelhantes. Depois do alimentado, o sexo foi, e é, sua maior
necessidade. Para seu bem estar físico e mental, ou para perpetuar as
espécies, o sexo é a coisa mais importante para a maioria dos animais.
Com o homem não é diferente. Curiosamente devo ter sido um dos únicos
que conheci um dos desafetos do Flávio. Era um grande amigo do meu pai,
morava em Bananal, estado do Rio, e se chamava Aires de Azevedo. O Aires
era um bom rapaz e quando moço foi quem deu um tapa no chapéu do
Flávio, que provocativamente, tentou entrar na contra mão em uma
procissão religiosa. O Aires era coroinha e achou aquele ato um
desrespeito. O Flávio era magro e muito alto. Se alimentava de ideias. O
Aires era baixo e gordinho, adorava comer e ajudar as pessoas. Nunca se
casou.
Depois de anos escrevendo crônicas diárias é difícil não se voltar a
temas já abordados. Ontem voltei a ele, e hoje continuo. Desta vez para
relembrar que o autor da tese foi o arquiteto, artista plástico,
pensador, intelectual Flávio de Carvalho, com quem tive a honra de
almoçar em sua casa em Vinhedos, SP. Estavam presentes a esse almoço o
casal Lenita e Olivier Perroy, fotógrafos, e o Antonio Carlos
cabeleireiro. A tese do Flávio era de que deus nasceu no estômago do
homem. Isto quer dizer: adorou sempre aquilo que saciava sua fome. Os
animais, depois os astros, em seguida os vegetais, e finalmente seus
semelhantes. Depois do alimentado, o sexo foi, e é, sua maior
necessidade. Para seu bem estar físico e mental, ou para perpetuar as
espécies, o sexo é a coisa mais importante para a maioria dos animais.
Com o homem não é diferente. Curiosamente devo ter sido um dos únicos
que conheci um dos desafetos do Flávio. Era um grande amigo do meu pai,
morava em Bananal, caminho para o Rio, e se chamava Aires de Azevedo. O Aires
era um bom rapaz e quando moço foi quem deu um tapa no chapéu do
Flávio, que provocativamente, tentou entrar na contra mão em uma
procissão religiosa. O Aires era coroinha e achou aquele ato um
desrespeito. O Flávio era magro e muito alto. Se alimentava de ideias. O
Aires era baixo e gordinho, adorava comer e ajudar as pessoas. Nunca se
casou.
Dudu, acordei resfriado e desanimado; li sua crônica-do-dia, reanimei. Agora estou cantando "pode vir quente que estou fervendo"
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Lendo o " Caminho de Ida" de Piglia, ele cita Guilhermo Enrique Hudson,
em seu romance "A Crystal Age" (18867) onde num futuro distante, dizia
numa carta, onde a paixão sexual é o pensamento central, "que a ideia de
que não haverá descanso nem paz perpétua enquanto essa fúria não se
extinguir. Podemos sustentar que melhoramos moral e espiritualmente,
mas entendo que não há mudanças nem qualquer redução na violência da
fúria sexual que nos aflige. Ardemos hoje com tanta intensidades quanto
há dez mil anos. Podemos esperar um tempo no qual já não existam os
pobres, mas nunca veremos o fim da prostituição." Concordo plenamente.
Mas só se passaram 127 anos.
Acredite se quiser
O país era muito diferente. No final da década de cinquenta, e inicio
dos sessenta, só tínhamos a revista semanal "O Cruzeiro" e os "Diários
Associados" com o monopólio das informações a nível nacional. Mas já
haviam maracutaias. Uma delas, inacreditável, aconteceu exatamente
contra meu pai. Ele era médico e pecuarista. Levava uma vantagem enorme
sobre seus colegas da época, que eram
semi analfabetos, a maioria mineiros, inteligentes e corporativos. Em
São Paulo dominavam os concursos de pecuária de corte. Depois de dois
anos vencendo seus concorrentes, Santo Lunardelli teve seu lote de bois
desclassificados num concurso de bois gordo. Isso mesmo, num torneio
onde se disputava ganho de peso, os bois que mais ganharam peso, foram
desclassificados. É verdade. Não é piada. Meu pai nunca mais participou
de concursos. Continuou selecionando o nelore, foi o pioneiro em
inseminação artificial em Zebu, criador do Nelore Pele Rosa, e
responsável por muitos avanços na pecuária de corte. Colecionou
desafetos que não o perdoavam por ser contra a importação de gado da
Índia, grande fonte de dinheiro dos mercadores de Zebu. O mundo era
diferente, e como não tinha a internet, pouco se sabe dessas histórias.
EXCERTOS DO PREFÁCIO - EDUARDO LUNARDELLI
Filho único de militar tem uma especial dependência feminina. Sempre
foi muito mimado por sua mãe, e cultivou em vida casamentos, que embora
desfeitos, não macularam seus relacionamentos com essas
companheiras, amigas, esposas, assistentes, gerentes, mulheres
e-faz-tudo. Sem elas o Jorge não teria sobrevivido, literalmente... O
estilo, muito particular nos seus textos, é bem anterior ao blog
Expresso da Linha. As primeiras crónicas datam de 2003, 2004. Elas já
eram curtas, enxutas, hilárias, enfim tinham os componentes ideais para a
internet, onde textos longos, ou muito rebuscados, não encontram
guarida... Curiosamente pude constatar que apesar de escrever em
silêncio e concentração, escreve como fala, e seu estilo literário, é
também sua forma de se comunicar na vida real. Não é de fazer locuções
extensas. Pelo contrário, é cirúrgico em suas observações. Quase
monossilábico. A única diferença é que burila, retoca, constrói, apaga e
volta a escrever. Quando fala, tudo sai em definitivo... Sua
sensibilidade aguda e físico contido, com gestos curtos, camuflam o
escritor espaçoso, fértil, competente que ora usa barba, ora não, mas
sempre tirando e pondo seus óculos, atento a tudo o que o cerca. Exalta a
beleza e faz piadas com os matacões. Leiam e me digam se não tenho
razão.
Excertos do prefácio de Eduardo Lunardelli
Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Crônica diária":
Zero a zero... dizia uma canção de um tipo que acabou por morrer num desastre de automóvel:
"Há zero a zero,
há cem a cem,
há zero a zero
está tudo bem"
entre o zero e o cem talvez possamos encontrar-nos a nós próprios.
Postado por Silvares no blog . em quinta-feira, 19 de junho de 2014 11:18:00 BRT
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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Crônica diária":
RUI
ISTO vai ter um destaque amanhã !
Postado por João Menéres no blog . em quinta-feira, 19 de junho de 2014 16:14:00 BRT
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Comecei a ler em São Paulo, li a bordo da Gol, entre Congonhas e
Florianópolis, e escrevo essas considerações no intervalo do jogo Brasil
e México. O jogo esta zero a zero. No romance a Stella marcou bons
gols. Minha afilhada de casamento. Ela tinha dezenove, o Sérgio Mattos,
meu amigo uns 22 e eu uns 23anos. Depois de casados nos vimos muito
pouco. O Sérgio meu colega de Cataguases, encontrei em São Paulo,
algumas ocasiões, já separado, só pensava em montar. Tinha uma égua.
Agora com o romance, muito calcado na auto biografia, entendo melhor o
passado. Um livro para quem é alcoólatra e deseja se curar. Um livro de
auto ajuda, com tudo de bom e mau que essa definição contém. Alguns
capítulos, no fundo do poço, são as melhores passagens literárias. Para
quem não bebe a leitura chega a ser desagradável, como é todo bêbado.
Mas tem a parte espiritual que, para quem acredita, também pode ser
interessante. Sou amigo de um casal que me relatou duas visitas ao João
de Deus, em Goiás. É impressionante a semelhança dos relatos da Stella e
desse casal. O segundo tempo vai começar.
Vc escreve muito nítido, conciso e com propriedade. Gosto muito.
***********************************************************
Tentando inverter a ordem natural das coisas, mais uma vez o PT, muda
seu slogan para colocar a pecha de ódio na oposição. O PT, enquanto
oposição, tinha o ódio como ingrediente permanente e constante. Esta no
DNA do partido odiar as elites, a classe média, e a imprensa. No poder
ha doze anos usufruindo de um Brasil herdado de governos
desenvolvimentistas, políticas sérias e comprometidas com o equilíbrio
fiscal, um país sem inflação, conseguiram tirar a esperança de todos
brasileiros conscientes. Compraram com as "bolsas" a consciência dos que
passaram a viver delas. Acabaram com a decência na vida pública.
Acabaram com a Petrobras. Não investiram em segurança, nem em educação,
muito menos em saúde. Atrasaram o país nos seus doze anos de poder.
Odeiam seus adversários políticos. Jogam classes sociais, umas contra as
outras. Detestam ricos, mas roubaram a ponto de se tornarem os mais
novos milionários do país. Instigam racismo. Esvaziaram o Congresso, e
conseguiram nomear a maioria dos ministros do STF. Aparelharam o Estado.
Protegeram bandidos, e tiveram, apesar de tudo, suas lideranças
condenadas por corrupção, e presas na Papuda. Odeiam a ideia de deixar o
poder. O Lula acaba de ameaçar o povo brasileiro, como vingança, por
ter mandado a Dilma tomar no C*, elegendo-a para mais um mandato. Não
passarão. O povo não é bobo. O PT destilou o ódio, e dele vai sucumbir.
Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "
Crônica diária":
Queria ter esse fiapo de esperança, mas a sensação é de medo pelo que
nos aguarda, o que está por vir. Nunca vi uma militância tão fanática,
irada e preconceituosa como essa. Os ânimos estão pra lá de exaltados,
beiram a ignorância. Que Deus nos ajude. Se é que ele pode.
Que tal escrever mais 66 crônicas?
Uma por dia em ano bissexto!
Nós adoraríamos!!! :))
Bjs!
Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em terça-feira, 17 de junho de 2014 13:52:00 BRT
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Última crônica
Neste dia 17 de Junho (2014) publico minha última crônica do próximo
livro. Completam hoje 300 crônicas diárias. No meio da Copa da Fifa,
onde a sorte do Brasil ainda esta em jogo, e com ela, em boa medida, o
resultado das próximas eleições para presidente da República. O livro
termina deixando em aberto muitas expectativas, dúvidas e incertezas. Eu
continuarei a escrever essas crônicas, que depois de 300 delas, poderão
virar outro livro, mas aí já estaremos no dia 4 de Março de 2015, e
saberemos muitas coisas que hoje não podemos prever. O Brasil poderá
estar sendo governado pelo Aécio Neves, e com novas esperanças. Um país
sem o aparelhamento do PT, mais livre, mais independente, mais sério,
mais competente, mas com muitas contas a pagar. Inflação alta,
combustível e energia elétrica mais cara, e suas consequências
econômicas. Vitória ou derrota conquistada nas urnas, apesar do
resultado do futebol. Ou apesar desse mesmo futebol, o brasileiro estará
mais empobrecido por conta dos desmandos e desserviços dessa gente que
se apossou do poder, para se locupletar com ele. Se o candidato do PT
vencer o Brasil estará mais próximo de Cuba e da Venezuela, e por
consequência mais distante do mundo desenvolvido. Estará com a educação,
saúde e transportes em frangalhos. Com as liberdades de expressão
tolhidas. As manifestações de rua proibidas. A economia estagnada, e a
infra estrutura penalizada. Os mensaleiros fora da Papuda. O Joaquim
Barbosa fora do STF. Que os céus permitam que os próximos 300 dias sejam
muito diferentes dos últimos que vivemos. Eu ainda tenho um pouco de
esperança.
Preciso ligar para a mamãe e ler isso para ela ouvir..
Existe uma frase que diz assim: Quem beija meu filho minha boca adoça.
Nunca concordei muito com isso e eles sabem disso. Acho que elogios bem
vindos são esses. Vindos das pessoas que respeitamos...coisas para
mostrar prô papai, para a vovô e para os amigos também.
Acho que
vai gostar e ficar orgulhosa de ler a crônica que o Eduardo postou hoje
facebook. Sua neta elogiada em público e gratuitamente pelo oque ela
é..Ache
i lindo isso.
Preciso ligar para a mamãe e ler isso para ela ouvir...
"Maria, uma promessa de escritora
Esta semana jantamos com a Selena Sartorelo, seu marido Roger e sua
filha Maria Luiza de quatorze anos. Deles ganhamos uma caixa de
chocolate, e um livro do Amós Oz: "Uma certa paz",de 1982, escrito cinco
anos antes de "Caixa-preta" que o consagrou internacionalmente. Li o
"Caixa-preta" e alguns outros romances desse intelectual, jornalista e
professor israelita. Tenho para ler dois ou três livros antes desse
presente. Estão na lista "A neblina do passado" de Leonardo Padura,
"Fundo do céu" da minha amiga Stella M. de Barros Rebecchi. Lamento
estar com esta crônica completando 300 que comporão meu novo livro. As
resenhas do Amós Oz, do Padura e da Stella ficarão para o próximo. Mas
dedico esta última crônica à Maria Luiza filha da Selena. Quatorze anos,
e uma escritora na certa. Escreve, como a mãe, compulsivamente. Leva na
bolsa além do iphone um livro. Usa aparelho nos dentes como quase todas
as garotas da sua idade. Tem um sorriso franco e um olhar atento.
Gosta, como eu, do cheiro do papel e da tinta dos livros impressos.
Tenho certeza que falaremos dela em próximas resenhas literárias."
Fotografia de autor desconhecido
Esta semana jantamos com a Selena Sartorelo, seu marido Roger e sua
filha Maria Luiza de quatorze anos. Deles ganhamos uma caixa de
chocolate, e um livro do Amós Oz: "Uma certa paz",de 1982, escrito
cinco anos antes de "Caixa-preta" que o consagrou internacionalmente. Li
o "Caixa-preta" e alguns outros romances desse intelectual, jornalista e
professor israelita. Tenho para ler dois ou três livros antes desse
presente. Estão na lista "A neblina do passado" de Leonardo Padura,
"Fundo do céu" da minha amiga Stella M. de Barros Rebecchi. Lamento
estar com esta crônica completando 300 que comporão meu novo livro. As
resenhas do Amós Oz, do Padura e da Stella ficarão para o próximo. Mas
dedico esta última crônica à Maria Luiza filha da Selena. Quatorze anos,
e uma escritora na certa. Escreve, como a mãe, compulsivamente. Leva na
bolsa além do iphone um livro. Usa aparelho nos dentes como quase todas
as garotas da sua idade. Tem um sorriso franco e um olhar atento.
Gosta, como eu, do cheiro do papel e da tinta dos livros impressos.
Tenho certeza que falaremos dela em próximas resenhas literárias.
João Menéres disse...
Este texto nem parece do Eduardo !
Mudou absolutamente tudo !
Não vou dizer se é melhor ou pior.
Śó digo que adorei, Eduardo !

Foto envidada por Guilherme Lunardelli. Minha neta Gloria brinca com seu "celular" com imagem do "Jack Nicholson".
Um bom título para esta
crônica seria: "Uma tarde no divã", se os psicanalistas ainda usassem
esse móvel.
Eu queria ser doce. Escrever como as águas rasas e
claras que fluem mansamente. Mas sou amargo, tempestivo e orgulhoso. Gostaria
de ser divertido como foi o Millôr. Gostaria de conhecer música erudita e
curti-la como faz o jornalista gaúcho Milton Ribeiro. Falar sobre cinema,
artes plásticas ou literatura como fazem o Caetano e o Luis Fernando Veríssimo.
Gostaria de ser culto, sutil e socialista. Não sou nada disso. Gostaria de ser
amoroso, gentil e saber perdoar. Gostaria de ler e escrever sobre as
coisas da alma. Mas como a alma não existe, não posso.
AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>
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Falaram do Varal:
"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes
(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)
..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )
Não vá perder sua hora....
Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )
parabéns Lunardelli. Seu texto é febril.
;)
Muito bom Edu!
Se o POST IT não valesse pelos textos ( e valerá muito mesmo ! ), só por esta introdução do nosso querido Eduardo valia a pena adquirir o livro !
E mais não digo...
Abraços aos dois e um beijo à Fernanda.
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