A primeira vez que ouvi falar em Eduardo Longo não sabia ainda o que era arquitetura. Lembro-me de ter visto aquela casa em formato de bola na rua Amauri, perto da avenida Faria Lima, em São Paulo, e de meu pai dizer que quem a tinha feito era um dos seus maiores ídolos. Para uma criança, a ideia de morar numa bola era algo curioso, mas meio incompreensível, pois a imaginava  como um casulo, da altura de uma pessoa.
Na faculdade de arquitetura, dentro da sala de aula, nunca ouvi falar em Eduardo Longo. Com meus amigos, encontramos um programa gringo de televisão que visitava a mesma Casa Bola, chamada, de fato, Casa Peruíbe/Amauri/FariaLima. No vídeo, Eduardo faz um tour por sua própria residência. “Mas não tem nada aqui... Nenhum móvel, objeto, quase nada de roupa... Como você mora aqui?”, pergunta a repórter surpresa. “É muito difícil não ter nada, e tudo que eu preciso a cidade me oferece.”
 
Longo sempre esteve “á margem, lugar em que ele parece confortável. Quase sempre desprezado pelo mundo acadêmico e pouco integrado à arquitetura paulista, suas construções nunca obedeceram a ditames, muito menos aos padrões da arquitetura moderna. Cada projeto é uma invenção. Desde a geração de estudantes da década 1970 até hoje, o interesse pela obra de Longo é extraoficial, como estimulo para uma espécie de contracultura arquitetônica.
 
Leia a matéria completa na seção homenagem da bamboo de outubro.