31.10.11

ANTONIO BANDEIRA

Antonio Bandeira
Nem Adriana Varejão nem Beatriz Milhazes. O abstracionista cearense é o autor da pintura brasileira que atingiu o maior preço em leilões.
por Daniela Name (revista BRAVO, abril 2011)

O tríptico Sol sobre Paisagem, que Antonio Bandeira concluiu em 1966. A obra foi arrematada por R$ 3,5 milhões no ano passado.
A notável (e recente) performance de uma tela da carioca Adriana Varejão na Christie's, importante casa de leilões britânica, acabou jogando luz sobre um pintor cearense quase desconhecido do grande público, que construiu uma sólida carreira entre o Brasil e a França. Parede com Incisões a la Fontana II, concebida por Adriana em 2001, alcançou o preço de US$ 1,7 milhão (ou R$ 2,9 milhões) no último dia 16 de fevereiro. A pintura se tornou, assim, a segunda obra brasileira mais cara a ser negociada num leilão. Perde justamente para Sol sobre Paisagem, de Antonio Bandeira. O artista de Fortaleza, que nasceu em 1922, morreu aos 45 anos de maneira prosaica: não resistiu às complicações decorrentes de uma extração de amígdalas.
Vendido no ano passado pelo marchand Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, o tríptico de pinturas a óleo atingiu a cifra de US$ 2 milhões (ou R$ 3,5 milhões). O painel foi concluído em 1966, um ano antes da morte de Bandeira, e pertenceu a Adolpho Bloch, fundador da rede de televisão Manchete.
Muito disputados por colecionadores de arte moderna, os trabalhos do pintor não participam de grandes exposições há um bom tempo. O fato de o cearense ter integrado a corrente do abstracionismo informal nas décadas de 1940, 50 e 60 explica em parte a ausência. Como Tomie Ohtake, Anna Letycia e outros adeptos dessa escola, Bandeira se alimentava sobretudo do sentimento e da intuição ao pintar, sem se preocupar excessivamente com o rigor técnico. O triunfo do projeto construtivo no Brasil, porém, fez com que a maioria dos abstracionistas informais ficasse obscurecida pelos representantes da abstração geométrica, mais cerebrais e oriundos tanto do movimento concreto (Waldemar Cordeiro e Geraldo de Barros) como do neoconcreto (Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape).
É interessante notar que o preço atingido por Adriana aponta para um novo fenômeno de mercado: a valorização de artistas vivos. Quando Sol sobre Paisagem bateu o recorde de venda, havia a percepção histórica de que se tratava de um clássico. O mesmo se pode dizer do quadro Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral, arrematado pelo colecionador argentino Eduardo Costantini em 1995 por US$ 1,25 milhão, cifra espantosa para a época. Já no caso de Adriana e de Beatriz Milhazes, cuja tela O Mágico abocanhou US$ 1,049 milhão (R$ 1,7 milhão) em 2008, o reconhecimento se dá com as pintoras na ativa e, portanto, artífices de uma trajetória ainda em aberto.
DANIELA NAME é jornalista, curadora e crítica de arte

1 comentários:

Li Ferreira Nhan disse...

Que ótimo! Muito merecido esse reconhecimento!

Já os outros dois...
Melhor não comentar.

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