ANTONIO BANDEIRA
Antonio Bandeira
Nem Adriana Varejão nem
Beatriz Milhazes. O abstracionista cearense é o autor da pintura brasileira que
atingiu o maior preço em leilões.
por Daniela Name (revista
BRAVO, abril 2011)
O tríptico Sol sobre
Paisagem, que Antonio Bandeira concluiu em 1966. A obra foi arrematada por R$
3,5 milhões no ano passado.
A
notável (e recente) performance de uma tela da carioca Adriana Varejão na
Christie's, importante casa de leilões britânica, acabou jogando luz sobre um
pintor cearense quase desconhecido do grande público, que construiu uma sólida
carreira entre o Brasil e a França. Parede com Incisões a la Fontana II,
concebida por Adriana em 2001, alcançou o preço de US$ 1,7 milhão (ou R$ 2,9
milhões) no último dia 16 de fevereiro. A pintura se tornou, assim, a segunda
obra brasileira mais cara a ser negociada num leilão. Perde justamente para Sol
sobre Paisagem, de Antonio Bandeira. O artista de Fortaleza, que nasceu em
1922, morreu aos 45 anos de maneira prosaica: não resistiu às complicações
decorrentes de uma extração de amígdalas.
Vendido
no ano passado pelo marchand Jones Bergamin, da Bolsa de Arte, o tríptico de
pinturas a óleo atingiu a cifra de US$ 2 milhões (ou R$ 3,5 milhões). O painel
foi concluído em 1966, um ano antes da morte de Bandeira, e pertenceu a Adolpho
Bloch, fundador da rede de televisão Manchete.
Muito
disputados por colecionadores de arte moderna, os trabalhos do pintor não
participam de grandes exposições há um bom tempo. O fato de o cearense ter
integrado a corrente do abstracionismo informal nas décadas de 1940, 50 e 60
explica em parte a ausência. Como Tomie Ohtake, Anna Letycia e outros adeptos
dessa escola, Bandeira se alimentava sobretudo do sentimento e da intuição ao
pintar, sem se preocupar excessivamente com o rigor técnico. O triunfo do
projeto construtivo no Brasil, porém, fez com que a maioria dos abstracionistas
informais ficasse obscurecida pelos representantes da abstração geométrica,
mais cerebrais e oriundos tanto do movimento concreto (Waldemar Cordeiro e
Geraldo de Barros) como do neoconcreto (Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia
Pape).
É
interessante notar que o preço atingido por Adriana aponta para um novo
fenômeno de mercado: a valorização de artistas vivos. Quando Sol sobre Paisagem
bateu o recorde de venda, havia a percepção histórica de que se tratava de um
clássico. O mesmo se pode dizer do quadro Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral,
arrematado pelo colecionador argentino Eduardo Costantini em 1995 por US$ 1,25
milhão, cifra espantosa para a época. Já no caso de Adriana e de Beatriz
Milhazes, cuja tela O Mágico abocanhou US$ 1,049 milhão (R$ 1,7 milhão) em
2008, o reconhecimento se dá com as pintoras na ativa e, portanto, artífices de
uma trajetória ainda em aberto.
DANIELA
NAME é jornalista, curadora e crítica de arte





1 comentários:
Que ótimo! Muito merecido esse reconhecimento!
Já os outros dois...
Melhor não comentar.
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