ADRIANA VAREJÃO e LUCIO FONTANA
Adriana Varejão e as 'Paredes com incisões à La Fontana'
Por Fernando Ferreira de Araujo
O mercado de arte ficou agitado neste últimos dias com a notícia da venda da obra de Adriana Varejão, "Paredes com incisões à La Fontana".
Manchetes rolam soltas na internet: "Adriana Varejão bateu Betariz Milhazes e Vik Muniz com quadro vendido por 2.72 milhões de reais" ..."preço alcancado na Christie's de Londres é o maior pago por uma obra de artista brasielrio vivo; recorde anterior era da carioca Beatriz Milhazes"...e por ai vai. Com isso, outros debates foram abertos: Se ela copiou; filtrou; se influenciou; se teve ou não criatividade. Uma bobagem esta seleuma e uma grande falta de visão macro do seu processo criativo.
No caso de Adriana, ela não teve a ousadia de Damian Hirst, que descaradamente copia sem dar crédito e levando na ponta da lanca, e literalmente, a máxima de Picasso: ‘good artists copy, great artists steal’. Acho decente, e legítimo, quando um artista se utiliza do trabalho de outro dando o devido crédito - principalmente no título e no estudo em si, que nao pode deixar de ser único. Esta obra em pauta tem inclusive o título “Parede com Incisões à La Fontana II”. Outras obras de Adriana reproduzem azuleijos, na verdade trompe l'oeil, e têm a inspiração, estudo, também em Fontana. Honestamente, acho isto prática normal, parte do processo macro da história da arte, principalmente porque ela foi fiél à sua técnica e com conceito próprio. Em outro trompe l'oeil, que está no Guggenheim, ela também tem uma nítida influência da obra de Lucio Fontana, 'Spacio Concepts'. Nesta obra, ela busca o diálogo com a história do Brazil Colonial, e a influência que seu lado escuro da escravidão, e ainda racísmo tem na sociedade atual. Ela, mostra uma superfície perfeita do azuleijo colonial (a aparência da sociedade) e ao mesmo tempo feridas que estouram e abrem a visão para um corpo em decomposição, que simboliza a estrutura real do país. Há inclusive estudos comparativos destas obras de Fontana e Adriana. Aliás, ela não foi a primeira, em 1967, Nelson Leriner continua a sua discussão do mercado de arte ao criar a série 'Homenagem a Fontana', uma referência, que, ao ver suas telas prontas, fazia cortes para sugerir a teoria de outro espaço além do quadro.

Resumindo, ela nunca teve a pretenção de se apropriar de nada, agora se "Aqueles" que dominam o mercado de arte acham que devem dar este valor a obra dela, isto é outra história. Uma questão simples de valorizar quem ainda pode produzir muito para se ganhar bem mais a longo prazo nas mãos de poucos. Fontana, por razões obvias tem sua oferta limitada e fora do controle centralizado. Este paradoxo, curiosamente vai de encontro à lei da oferta e da procura. Na veradade não á nada curioso, pois estes tipos de vendas não são regídos pela lei da oferta e da procura....mas ai já é um assunto que nao entendo. Curioso notar que, no mesmo lote da Christie's em que foi vendida a tela de Adriana em homenagem a Lucio Fontana, foram vendidas duas obras do próprio Fontana, que alcançaram US$ 3,6 milhões e US$ 4,3 milhões.
O mercado de arte ficou agitado neste últimos dias com a notícia da venda da obra de Adriana Varejão, "Paredes com incisões à La Fontana".
Manchetes rolam soltas na internet: "Adriana Varejão bateu Betariz Milhazes e Vik Muniz com quadro vendido por 2.72 milhões de reais" ..."preço alcancado na Christie's de Londres é o maior pago por uma obra de artista brasielrio vivo; recorde anterior era da carioca Beatriz Milhazes"...e por ai vai. Com isso, outros debates foram abertos: Se ela copiou; filtrou; se influenciou; se teve ou não criatividade. Uma bobagem esta seleuma e uma grande falta de visão macro do seu processo criativo. No caso de Adriana, ela não teve a ousadia de Damian Hirst, que descaradamente copia sem dar crédito e levando na ponta da lanca, e literalmente, a máxima de Picasso: ‘good artists copy, great artists steal’. Acho decente, e legítimo, quando um artista se utiliza do trabalho de outro dando o devido crédito - principalmente no título e no estudo em si, que nao pode deixar de ser único. Esta obra em pauta tem inclusive o título “Parede com Incisões à La Fontana II”. Outras obras de Adriana reproduzem azuleijos, na verdade trompe l'oeil, e têm a inspiração, estudo, também em Fontana. Honestamente, acho isto prática normal, parte do processo macro da história da arte, principalmente porque ela foi fiél à sua técnica e com conceito próprio. Em outro trompe l'oeil, que está no Guggenheim, ela também tem uma nítida influência da obra de Lucio Fontana, 'Spacio Concepts'. Nesta obra, ela busca o diálogo com a história do Brazil Colonial, e a influência que seu lado escuro da escravidão, e ainda racísmo tem na sociedade atual. Ela, mostra uma superfície perfeita do azuleijo colonial (a aparência da sociedade) e ao mesmo tempo feridas que estouram e abrem a visão para um corpo em decomposição, que simboliza a estrutura real do país. Há inclusive estudos comparativos destas obras de Fontana e Adriana. Aliás, ela não foi a primeira, em 1967, Nelson Leriner continua a sua discussão do mercado de arte ao criar a série 'Homenagem a Fontana', uma referência, que, ao ver suas telas prontas, fazia cortes para sugerir a teoria de outro espaço além do quadro.

Lucio FONTANA, Argentinian/Italian 1899–1968 - Concetto spaziale, Attese (Spatial Concepts) 1965; water-based paint on canvas, white 130 x 97 cm Solomon R. Guggenheim Museum, New York. Adriana VAREJÃO Brazilian 1964- Folds 2 2003; Oil on canvas over aluminium, mounted to wood with oil-painted polyurethane - 240.7 x 230.2 cm -Solomon R. Guggenheim Foundation
Resumindo, ela nunca teve a pretenção de se apropriar de nada, agora se "Aqueles" que dominam o mercado de arte acham que devem dar este valor a obra dela, isto é outra história. Uma questão simples de valorizar quem ainda pode produzir muito para se ganhar bem mais a longo prazo nas mãos de poucos. Fontana, por razões obvias tem sua oferta limitada e fora do controle centralizado. Este paradoxo, curiosamente vai de encontro à lei da oferta e da procura. Na veradade não á nada curioso, pois estes tipos de vendas não são regídos pela lei da oferta e da procura....mas ai já é um assunto que nao entendo. Curioso notar que, no mesmo lote da Christie's em que foi vendida a tela de Adriana em homenagem a Lucio Fontana, foram vendidas duas obras do próprio Fontana, que alcançaram US$ 3,6 milhões e US$ 4,3 milhões.




2 comentários:
"VIVAS" para "adrianas varejãos" que sabem usar seu talento e recursos financeiros a sua disposição.......
(ver INHOTIN - Minas Gerais)
nós só temos a ganhar podendo usufruir o que disponibilizam a todos.......
ricardo GAROPABA
Ricardo,
quanto aos RECURSOS FINANCEIROS ela hoje, com esses preços de seus trabalhos, não precisa mais do EX MARIDO, e dono do Inhotim a que se refere!
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