31.12.10

TORSO

Torso, cimento+argila+vermiculita,  circa 2005, ( Piacaba ) hoje num apartamento de São Paulo
E.P.L. Dez 2010

Duchamp, a Pinacoteca e a coleção Cisneiros

"Duchamp não frequentava museus questionando os critérios que teriam presidido á escolha daqueles artistas e não de outros" ....
 Acabo de visitar a Pinacoteca de São Paulo, e em especial a mostra da colecionadora venezuelana  Patricia Phelps Cisneiros, que segundo noticiaram é  a mais importante coleção particular de artistas da América do Sul. Não pude deixar de lembrar a frase do Duchamp. Por que esses artistas ? Por que essas obras, desses artistas ?
Muitos deles eu conheci quando não eram nem famosos, nem suas obras importantes. Já lá, me perguntava: quem será que esta comprando "isso" ? Quem tem tanto dinheiro sobrando para pagar tantos milhões, por "isso" ? E hoje tive uma parte das respostas. Uma dessas pessoas era sem dúvida Patricia Phelps Cisneiros, e se eu tivesse essa informação, naquele tempo, diria que certamente estava sendo enganada por algum marchant  inescrupuloso! É muito dinheiro para pouco "arame" retorcido. E as perguntas permanecem: por que razão escolheu esses, e não outros da sua geração? Por que esses trabalhos, especificamente, e não outros desses mesmos artistas? Duchamp tinha razão, mais uma vez.
Postado dia 29 de Dezembro de 2010, no meu O ÚLTIMO BLOG

SANDY SKOGLUND - Fotógrafa

Sandy Skoglund




A fotógrafa Sandy Skoglund é a convidada de honra do “Lucca Digital Photo Fest 2010” – um dos mais prestigiados festivais de fotografia e vídeo-arte europeus – que decorre na Villa Bottini, naquela cidade toscana, desde 20 de Novembro. Os seus trabalhos integram a exposição “The power of the imagination”, que encerra ao público no final do próximo mês de Janeiro.


Sandy Skoglund, fotografia de Nicolai Klimaszewski


Não existe manipulação digital nas fotografias de Sandy Skoglund. A artista constrói os cenários previamente, de forma meticulosa, recorrendo a objectos e tonalidades contrastantes, ou obedecendo a uma selecção monocromática de cores.


Sandy Skoglund, “Hangers”, 1979


O processo de concepção é demorado e abrange uma imensa variedade de adereços, de material e origens diversas, cuja organização tem como objectivo a criação de um ambiente específico, onde são posteriormente incluídas as personagens (corpos reais). Concluída a instalação, é feito o registo fotográfico.


Sandy Skoglund, “Ferns”, 1980

Sandy Skoglund, “Radioactive Cats”, 1980

Sandy Skoglund, “Revenge of The Goldfish”, 1981
Sandy Skoglund, “A Breeze at Work”, 1987
Sandy Skoglund, “Fox Games”, 1989
Sandy Skoglund, “The Green House”, 1990
Sandy Skoglund, “Gathering Paradise”, 1991
Sandy Skoglund, “The Cocktail Party”, 1992
Sandy Skoglund, “Cats in Paris”, 1993
Sandy Skoglund, “Squirrels at the drive-in”, 1996
Sandy Skoglund, “Babies at paradire pond”, 1996

Sandy Skoglund, “Walking on Eggshells”, 1997

Sandy Skoglund, “Shimmering Madness”, 1998

Sandy Skoglund, “Breathing Glass”, 2000

Sandy Skoglund, “Raining Popcorn”, 2001

Sandy Skoglund, “As Far as The Eye Can See”, 2001

Sandy Skoglund, “Picnic on Wine”, 2003
Sandy Skoglund, “Fresh Hybrid”, pormenor, 2008


"Fresh Hybrid" segundo Sandy Skoglund: “É uma fotografia (instalação) que explora os limites entre a vida e a realidade, sob a visão artificial da paisagem. Substituindo as lâminas de erva por pipecleaners e fibras de lã, os materiais tendem a transformar a natureza em suaves superfícies, numa cornucópia de prazer.


“Fresh Hybrid”, Sandy Skoglund, acertos finais


“Como se fosse um dia de Primavera, as árvores florescem esculpidas com generosidade e alegria, sob a forma de pintos de chenille, produzindo em massa amuletos da sorte que nos proporcionam a visão frágil e inquietante de uma imaginária inocência perdida.” (Sandy Skoglund, 2008)


“Fresh Hybrid”, detalhes (pipecleaners e fibra de lã)


Sandy Skoglund a concluir a instalação, 2008


Sandy Skoglund, “Fresh Hybrid”, 2008
Fontes: aqui, aqui e aqui.
Sandy Skoglund, Weymouth, EUA, 1946

BALANÇO DO ANO

Início do conteúdo Ano morno de promessas frustradas

Camila Molina - O Estado de S.Paulo
29 de dezembro de 2010

Bienal, a despeito dos esforços para reerguer a mostra, não deu visibilidade à obra do transgressor Flávio de Carvalho; novo prédio do Museu de Arte Contemporânea também não ficou pronto.


Foto: José Luis da Conceição/AE
Retrospectiva. A Estação Pinacoteca respondeu por uma das melhores exposições, mostra reuniu trabalhos do pai da arte pop americana, Andy Warhol
A expectativa pela 29.ª Bienal de São Paulo prometia um ano mais vibrante para as artes visuais - pelo menos, na capital paulistana -, mas, afinal, em termos de programação, sem grande impacto viu-se 2010 marcado por mostras institucionais com destaque mais para artistas estrangeiros do que para brasileiros.
O otimismo do início de ano ainda se estendeu para o mercado, com a marca, em fevereiro, de novo recorde de venda em leilão: a escultura de bronze L"Homme Qui Marche I (O Homem Que Caminha I), do artista suíço Alberto Giacometti (1901-1966), foi arrematada em Londres por US$ 104,3 milhões, batendo, por pouco, os US$ 104,2 milhões pelos quais foi vendido, em 2004, o quadro Garçon a la Pipe (Menino com Cachimbo), de Picasso. Mas, infelizmente, a onda da crise econômica, principalmente, na Europa, abafou os ânimos do mercado mundial.
Mas, no caso do Brasil, houve a constância do que se pode definir como uma boa safra. Um termômetro certamente é a SP-Arte, a feira internacional de obras contemporâneas e modernas, que teve em 2010 sua 6.ª edição, no Pavilhão da Bienal. O evento aumentou de tamanho e contabilizou volume 15% maior de vendas comparado a 2009. Outro fator que indicou a pulsão do mercado brasileiro, ainda, foi um movimento de galerias paulistanas inaugurando, na cidade, espaços novos e ampliados - como a Marília Razuk, Luisa Strina e, futuramente, Raquel Arnaud - e, também, a abertura do galpão da Baró/Emma Thomas e a criação da Zíper Galeria, nos Jardins, por exemplo.
Mais ainda, em termos de recursos, o que dizer da Fundação Bienal de São Paulo? Graças ao esforço e trabalho da diretoria presidida pelo empresário Heitor Martins, a instituição está com suas contas em dia e conseguiu arrecadar a totalidade do montante que necessitava para realizar a 29.ª edição de sua mostra (leia mais ao lado) - orçada, afinal, em R$ 23,5 milhões - e também patrocínio para o início da reforma de seu prédio.
Antologias. No ano em que as artes visuais perderam a escultora francesa naturalizada americana Louise Bourgeois (aos 98 anos, em 31 de maio); o pintor alemão Sigmar Polke (aos 69 anos em 11 de junho); e os artistas paulistanos Wesley Duke Lee (aos 78 anos, em 13 de setembro) e Hércules Barsotti (aos 96 anos, no dia 21), é possível relacionar mais exposições de destaque de criadores de outros países.
São Paulo, principalmente, e Rio, abrigaram antologias importantes de estrangeiros, como a do pai da arte pop americana Andy Warhol (Estação Pinacoteca); da alemã Rebecca Horn (CCBB); do belga multimídia Jan Fabre (Instituto Tomie Ohtake); dos alemães Joseph Beuys (Sesc Pompeia/Videobrasil) e Georg Baselitz (Estação Pinacoteca); e dos americanos Fred Sandback (Instituto Moreira Salles) e a cult Laurie Anderson (CCBB).
Já na seara de brasileiros, a promessa de se fazer acender o espírito transgressor de Flávio de Carvalho (1899-1973) foi maior do que a realização de atividades em torno do artista. A retrospectiva no MAM, em abril, ficou destituída de sedução, perdendo-se no excesso de documentações e apresentando apenas as pinturas do modernista. Já a presença de Carvalho na 29.ª Bienal ficou quase totalmente apagada.
Outra promessa do ano era a abertura da nova sede do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC) no antigo prédio do Detran, no Ibirapuera, mas o espaço só ficará pronto em 2011. Com área expositiva de 10 mil m² - e, segundo o secretário de Cultura Andrea Matarazzo, com obra orçada em um total que chegará a cerca de R$ 70 milhões bancados pela Secretaria de Estado da Cultura -, o novo prédio do MAC deve ser inaugurado só depois de março.
Ainda na linha de eventos dedicados a criadores nacionais, um dos destaques de 2010 certamente foi a mostra antológica que a Estação Pinacoteca apresentou, em setembro, da produção de Carmela Gross, perpassando sua carreira desde a década de 1960 até hoje. A exposição mesclou a secura de trabalhos diretamente políticos, como a obra Presunto, grande corpo amorfo de lona estofada criado em 1968, e o rigor e poesia de Projeto para a Construção de Um Céu (1981). No time de criadoras, vale também destacar a intervenção Tramazul que Regina Silveira realizou por toda a fachada do Masp, na Avenida Paulista (que ficará em exibição no local até meados de janeiro). No edifício, Regina fez o que seria a projeção de um céu azul bordado no local, suspenso na arquitetura.
Já no Rio, duas mostras que tiveram muitos elogios ocorreram no MAM carioca: Fruto Estranho, de Nuno Ramos, e Salas e Abismos, de Waltercio Caldas. Voltando ao campo das antologias chegou este ano, em abril, ao País (Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre), a mostra O Alfabeto Enfurecido, dedicada à suíça radicada brasileira Mira Schendel e ao argentino Leon Ferrari.
A exposição, primeiramente apresentada no Museum of Modern Arte (MoMA) de Nova York, e no Museu Reina Sofia, de Madri, reforçou o prestígio de Mira no circuito internacional. Ao mesmo tempo, a mostra Anywhere Is My Land, com a produção dos anos 1960 e 70 do artista Antonio Dias, enfim foi apresentada na Pinacoteca do Estado depois de ser exibida no espaço da Coleção Daros-Latinamerica, em Zurique.

VARAL DO DIA

tumblr

30.12.10

Adão & Eva

Completou três anos ( 2007 ) o alto relevo ADÃO & EVA, nos jardins da PIACABA. A hera ainda esta tímida...mas a pátina do tempo já fez sua parte.

VARAL DO DIA

Varal en terraza


Visto en Foz (Lugo, Galicia)
Aproveito para felicitar o Nadal e desejar um próspero aninovo 2011 a todos os leitores do Varal!
Abraços

Pablo do Paso

Novo posto de criação do VARAL

O Varal é nômade, como seu autor! Quando cheguei em São Paulo, agora em Dezembro, vindo da Piacaba, encontrei um novo espaço para trabalhar. Agora muito melhor instalado.

Mais sobre a Bienal de São Paulo

O caminho da bienal ainda está incerto

O Estado de S.Paulo
26 de dezembro de 2010

A Bienal enfrenta também uma crise de fundo, de vocação. A busca de público e de visibilidade estimulou uma concessão cada vez maior à arte-espetáculo; as críticas à segmentação geopolítica (modelo inspirado na centenária Bienal de Veneza) fizeram com que o critério geográfico fosse abolido sem que nada muito superior fosse colocado em seu lugar; a necessidade de corte de custos fez com que se eliminassem os núcleos históricos deixando o público pouco experiente diante da sensação de que a arte contemporânea nasce do nada, vale milhões e não se sabe por quê.
Há dez anos realizava-se no pavilhão da Bienal a célebre mostra dos 500 Anos, que reuniu cerca de 15 mil peças, u número recorde de curadores, arquitetos e cenógrafos e atraiu quase 2 milhões de visitantes. Envolveu ainda edições luxuosas e mostras itinerantes pelo mundo afora. Tal luxo teve como contrapartida o acirramento da crise de uma das instituições mais sólidas e importantes de fomento às artes plásticas do País, que se mostrou incapaz de assumir compromissos excessivamente vultosos feitos por seus administradores e vulnerável frente a uma excessiva e imediatista concentração de poder.
As dificuldades financeiras e administrativas começaram a vir a público de imediato, com o aumento de fornecedores reclamando pagamento. Ainda que tenham sido necessários alguns anos para o encerramento da era Edemar Cid Ferreira, com sua denúncia e prisão por problemas relativos ao Banco Santos, a situação já era grave nos primeiros anos da década.
A atrapalhada gestão de Carlos Bratke, como a decisão de adiar a realização da 25ª Bienal e a demissão, por carta, do curador Ivo Mesquita, jogaram a instituição numa situação que só começou a ser parcialmente resolvida recentemente. Parcialmente porque, se foi possível resgatar a credibilidade e o equilíbrio financeiro com a intervenção da presidência de Heitor Martins - recém-reeleito como presidente da instituição -, ainda é incerto o caminho a ser trilhado pela Bienal.
Ao completar 60 anos em 2011, a instituição cumpriu importante papel na cena artística. Formou artistas e críticos, ajudou a inserir o Brasil no circuito internacional, criou espaço permanente de exibição e, na medida do possível, de reflexão e debate. Mas a Bienal enfrenta também uma crise de fundo, de vocação. A busca de público e de visibilidade estimulou uma concessão cada vez maior à arte-espetáculo; as críticas à segmentação geopolítica (modelo inspirado na centenária Bienal de Veneza) fizeram com que o critério geográfico fosse abolido sem que nada muito superior fosse colocado em seu lugar; a necessidade de corte de custos fez com que se eliminassem os núcleos históricos deixando o público pouco experiente diante da sensação de que a arte contemporânea nasce do nada, vale milhões e não se sabe por quê.
A solução para o término dos dois núcleos historicamente estruturantes da mostra - representações nacionais e núcleo histórico - foi a adoção de critérios variáveis, coletivos (portanto, às vezes turvos) de curadoria e, sobretudo, o recurso a temas abrangentes e um tanto estéreis. Um resumo sucinto dos eventos da década parecem confirmar tal avaliação. Ao pragmatismo das duas primeiras mostras da década, sob o comando do alemão Alfons Hug, sucedeu-se a mostra politicamente correta coordenada por Lisette Lagnado, baseada em texto de Roland Barthes que flertava com questões de cunho político e existencial. Depois foi a vez de Ivo Mesquita proclamar a necessidade, real, de se discutir a fundo os rumos da instituição e instituir a Bienal do Vazio. Na verdade o que se viu foi uma mostra esgarçada, entre o vazio e o cheio e capaz de conseguir algo pouco provável: desagradar a gregos e troianos.
Agora, encerrando a década, tivemos outra mostra que flertou com o político, sem radicalismos. Com altos e baixos, como todas as bienais, mas realizada em tempo recorde e sem maiores percalços. A pena é que ao invés de estimular o debate sobre a arte, suas instituições e objetivos (algo cada vez mais necessário), as discussões sobre a 29.ª mostra continuaram distantes de qualquer reflexão sobre arte. O escândalo infundado na defesa dos urubus, que devem estar em condições piores agora em suas celas no zoológico, e os debates sobre as obras mais polêmicas - os desenhos de Gil Vicente matando políticos e a instalação do argentino Roberto Jacoby - nem de longe trataram do que realmente essas obras estavam fazendo ali.

FOTOGRAFIA

Este ano, a fotografia ganhou mais espaço em discussões e publicações

Simonetta Persichetti - O Estado de S.Paulo
29 de dezembro de 2010


Início do conteúdoA imagem como objeto de reflexão
Sem dúvida, 2010 foi um ano especial para a fotografia, arte que no País já é tema central de pelo menos 12 festivais. Isso ocorreu não apenas por causa do crescente número de exposições e livros publicados, mas ainda pela cada vez maior possibilidade de pensar sobre essa atividade. Deixamos um pouco de lado curadorias mirabolantes, nas quais a cenografia de alguma forma encobria produções fracas - se bem que a grande moda deste ano foram as paredes azuis -, que insistiam em se impor nos museus e galerias. Na verdade, foram abertos mais espaços para discussões, além de grande variedade de semanas e simpósios para discorrer sobre o fazer fotográfico.
No âmbito da reflexão, o Paraty em Foco, realizado em setembro na cidade fluminense, se estabelece como fonte de discussão pelo sexto ano consecutivo. Assim como foi importante, em outubro, a segunda edição do Fórum Latino-Americano de Fotografia, no Itaú Cultural. Uma maneira de nos aproximarmos da imagem criada pelos nossos vizinhos de continente. Para ajudar a avaliar a produção contemporânea, em setembro a 4.ª SP-Arte/Foto, além de apresentar 500 fotografias, 170 artistas e 18 galerias, organizou um curso para ajudar a compreender o objeto fotográfico, tema de edição especial da revista Arte!Brasileiros.
Em relação às exposições, o ano começou bem com uma magnífica mostra na Galeria de Arte do Sesi-SP - de 2 de março a 4 de julho - com cerca de 200 registros da inglesa Maureen Bisilliat, cujo acervo pertence hoje ao IMS (Instituto Moreira Salles). Aliás, o IMS foi responsável pelas melhores exposições deste ano, como a do argentino Horacio Coppola e a da alemã/brasileira Hildegard Rosenthal sobre São Paulo e Buenos Aires das décadas de 30 e 40, realizada em março em parceria com o Museu Lasar Segall.
Desde o ano passado, o IMS tem expandido suas fronteiras, trazendo também exposições internacionais como a do fotógrafo russo Aleksandr Rodchenko, atualmente em cartaz no Rio, mas com previsão de vir para a Pinacoteca de São Paulo no início do ano que vem. E por falar em Pinacoteca, a instituição trouxe duas importantes mostras latino-americanas: em setembro a dos Irmãos (Carlos e Miguel) Vargas, A Fotografia de Arequipa, Peru 1912/1930, retratistas peruanos do começo do século 20, e o emocionante trabalho da mexicana Graciela Iturbide. Esta, imperdível, permanece em cartaz até o fim de janeiro. Isso sem falar na presença das imagens na Bienal.
Os livros também foram destaques neste ano. Vários fotógrafos publicaram ensaios e retrospectivas, a Cosac Naify traduziu para o português o diário de Robert Capa, Ligeiramente Fora de Foco, e a Companhia das Letras o excelente Só Garotos, da performer e poeta Patti Smith que narra seus anos de convivência com o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Um ano em que, talvez, se mostrou menos, mas, sem dúvida, pensou-se mais.

FOTO DO PERFIL









COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST - Feito no blog 100 Cabeças do Rui Silvares

a vida é larga disse...
fizeste-me lembrar o duchamp, que não frequentava museus questionando precisamente os critérios que teriam presidido á escolha daqueles artistas e não de outros ....
coisa bicuda !!! eheheeh !
abraço forte

Comentário sobre esta postagem AQUI

29.12.10

Isso é criatividade



Looptaggr

Looptaggr is a DIY project by Ariel Schlesinger & Aram Bartholl. I guess it’s the fastest graffiti stencil system I’ve ever seen … drive-by graffiti. You can find a compete how-to @ www.looptaggr.com.

PARTICIPE - Encontro de Mensagens INHOTIM

 ENCONTRO DE MENSAGENS

VARAL DO DIA ( REPRISE )

JORGE PINHEIRO, postado no Varal e no seu EXPRESSO DA LINHA
(REPRISE)

COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST

Janaina Cruz deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Brassaï, Gala, 1932":

Um luxo de blog, cheio de fragmentos poéticos e artísticos retratos, impossível não desejar estar aqui sempre, isso há de me inspirar bastante, associo-me ao blog seguindo o e admirando o também.

Postado por Janaina Cruz no blog Varal de Ideias

Meu BARBEIRO: Cabral

 Sou uma pessoa metódica apesar de detestar rotinas, sou muito fiel aos meus barbeiros. Tive poucos ao longo da vida! Troco quando eles morrem, ou eu mudo de bairro ou cidade, ou passam a me tratar mal. Gosto de ser bem tratado. O Cabral é meu barbeiro há pouco mais de cinco anos, talvez. Mas já se tornou um amigo. Conversamos sobre tudo, de pesca a blog, tudo passa pelos nossos comentários. Até política. Só não falo de futebol. Não se deve falar do que não se entende! Muitas de suas conversas viram crônicas no meu O ÚLTIMO BLOG. Ontem ganhei um presente: " Quero mostrar o que ganhei de um freguez. Você esta com a máquina fotográfica aí? Me perguntou. Respondi que sim. Então me mostrou uma verdadeira relíquia: uma caixa completa de lâminas de barbear, da marca SOLINGE, a mais antiga e melhor do mundo. Essa caixa com mais de 60 anos, completa e sem uso. Uma raridade!
Aproveitei para registrar num cantinho da barbearia do Cabral, o material usado pelas manicures do salão. Detalhe: nunca fiz nem barba, nem unhas, em barbeiro algum. Qualquer dia desses ainda vou acabar com esse tabu! Será?

Peri & cia, em PORTUGAL

 Peri, do blog ARMAZÉM, num feliz retrato do Jorge Pinheiro, do blog EXPRESSO DA LINHA
Cervejaria da Trindade, depois de um dia cheio, em Lisboa. Vinicius o filho do Mauro (Peri), Fernanda mulher do Jorge e autor destas imagens, Reni (a mulher do Peri ) e a  Bé (RoseRouge).

FOTO DO PERFIL










28.12.10

SÉRIE CADEIRAS

Saul Steinberg

Comentários que valem um post

expressodalinha deixou um novo comentário sobre a sua postagem "No pé da árvore":

Concordo inteiramente. Falta um biógrafo à altura.

Postado por expressodalinha 

NOTA: A respeito do livro CONVERSAS A LUZ DOS OLHOS de João Menéres

VARAL DO DIA ( REPRISE )

JORGE PINHEIRO, postado no Varal e no seu EXPRESSO DA LINHA
(REPRISE)

FOTO DO PERFIL










CONVITE

 Inauguração \da forma da escrita à escrita da forma\




"a escrita do sudoeste" surgiu, como tema do modulo do curso livre de escultura cerâmica, orientado pela professora Elsa Gonçalves.

O património histórico de Almodôvar, foi a fonte de inspiração que levou os diferentes olhares dos artistas numa procura da identificação com as formas e com a riqueza plástica. Ficando um contributo para a historia desta escrita milenar, materializada nas peças que compõem a exposição "da forma da escrita à escrita da forma".

Juliane Fressynet
claire

TEORIA

"Se você criar uma teoria legal que permita um processo contra o WikiLeaks, isso dará poder ao governo de processar jornalistas por revelar seus segredos. Revelar segredos de governo representa o corpo e também a alma do jornalismo investigativo". -Glenn Greenwald, advogado constitucionalista norte-americano, colunista do Salon.com e defensor do Wikileaks.

27.12.10

Brassaï, Gala, 1932

Brassaï, Gala, 1932

João Menéres e seu último livro

EDUARDO P.L. disse a respeito do post do livro: "Conversas À LUZ DOS OLHOS"

Realmente o fotógrafo JOÃO MENÉRES, a cada livro que publica, se firma como um dos MELHORES FOTÓGRAFOS da atualidade. Seu olhar equilibrado, sua estética apurada, sua técnica esmerada, fazem de suas fotofrafias pinturas contenporâneas, e relatos objetivos e contundentes!
Nenhuma apresentação de sua obra, nem nesse pequeno livro, no formato, nem nos outros que tive a oportunidade de conhecer, retratam suas fotografias e trajetória à altura do que são. Sem favor algum, João Menéres é o grande mestre da fotografia portuguesa e internacional.

Giacometti, by John Baldessari

Prada Foundation, Via Fogazzaro 36, Milan,  

John Baldessari: The Giacometti Variations

Miguel Esteves Cardoso: PORTUGALITE

A Portugalite
Entre as afecções de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma há tão generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite é uma inflamação nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. É altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e até hoje não se descobriu cura.

A Portugalite é contraída por cada português logo que entra em contacto com Portugal. É uma doença não tanto venérea como venal. Para compreendê-la é necessário estudar a relação de cada português com Portugal. Esta relação é semelhante a uma outra que já é clássica na literatura. Suponhamos então que Portugal é fundamentalmente uma meretriz, mas que cada português está apaixonado por ela. Está sempre a dizer mal dela, o que é compreensível porque ela trata-o extremamente mal. Chega até a julgar que a odeia, porque não acha uma única razão para amá-la. Contudo, existem cinco sinais — típicos de qualquer grande e arrastada paixão — que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a lógica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as «bocas» que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher, é natural que se junte aos demais para chorar a sua sorte e vilipendiar a causa comum de todos os seus males. Assim sempre se vão consolando uns aos outros. Bebem uns copos, chamam-lhes uns nomes, e confortam-se todos com o facto de não sofrerem sozinhos. Às vezes, para acentuar a tristeza, recordam-se dos bons velhos tempos em que Portugal, hoje megera ingrata que se vende na via (e na vida) pública, era uma namorada graciosa e senhora respeitada em todos os continentes. E, quando dez milhões de lágrimas caem para dentro do vinho tinto que seguram nas mãos, todos abanam as cabeças, dizendo em uníssono «e hoje é o que se sabe...».

Não é só o facto de não saberem nem poderem falar noutra coisa que prova a existência duma paixão. Como qualquer apaixonado arrependido, o português acha Portugal má como as cobras, mas... lindíssima. O facto de ser tão bonita de cara (as paisagens, as aldeias, a claridade, o clima) só torna a paixão mais trágica. O contraste entre a beleza à superfície e a vileza subterrânea dá maior acidez às lágrimas. É por isso que só há um tabu naquilo que se pode dizer de Portugal. Pode dizer-se que é bárbara e miserável, traiçoeira e ingrata, e tudo o mais que há de aviltante que se queira. O que não se pode dizer é «Portugal é um país feio». Nunca. Também neste aspecto se comprova a paixão.

Em terceiro lugar, os portugueses só deixam que outros portugueses digam mal de Portugal. Só quem sofreu nos braços dela (e que ela vai tratando ignobilmente a seu bel-prazer, por saber que nunca lhe hão-de fugir), se pode legitimamente queixar. Isto porque Portugal, sendo uma lindíssima meretriz, engata os estrangeiros descaradamente, desfazendo-se em encantos e seduções para com eles. Esta ideia exprime-se no dogma nacional que reza «Isto é bom é para os turistas», como quem diz «A viciosa da minha mulher a mim não me dá nada, mas atira-se a qualquer estranho que lhe apareça à frente». Qualquer estrangeiro que tenha a ousadia e o mau gosto de se fazer esquisito frente aos avanços despudorados de Portugal está condenado ao maior desagrado de todos.

Esta atitude é lógica, porque só há uma coisa pior do que se ser atraiçoado por quem se ama — é não se ser atraiçoado só porque o outro a acha feia e não a quer. À traição da mulher junta-se o insulto do outro, ao não achá-la sequer digna de um pequenino adultério. É como dizer-nos: «Não só estás apaixonado por uma pega, como ela é feia como breu.»

Os estrangeiros que nos visitam nunca compreendem isto. Lêem e ouvem dizer por todo o lado as maiores infâmias acerca de Portugal e não percebem porque é que todos lhe caem em cima no momento em que ele se atreve a dizer que um pastel de nata não está fresco, ou que tem a impressão de ter sido enganado no troco por um motorista de táxi.

Em quarto lugar, apesar do português passar o tempo a resmungar e a queixar-se quando está perto de Portugal, sabe-se o que lhe acontece quando está há muito tempo longe dela. Os grunhidos transformam-se em gemidos e as piscadelas de olho já não vencem senão lágrimas. E pensa invariavelmente: «Portugal é uma bruxa, mas antes mal tratada por ela do que bem por outra donzela...»

Em quinto e último lugar (e o «Quinto» não é fortuito), temos a derradeira prova da paixão do português por Portugal. Tem a ver com a ideia que ele tem do que Portugal podia ser. Para cada português, «isto podia ser o melhor país do mundo se...» (Segue-se uma condição invariavelmente impossível de se cumprir). A miragem deste país potencial é um paraíso que agrava substancialmente o inferno que os portugueses já supõem aturar. Isto porque os portugueses graças a Deus, têm expectativas elevadíssimas. Nada abaixo do Quinto-Império pode garantir satisfazê-los. Nenhum português se contenta, por exemplo, só com pertencer à Europa. Aliás, só começaria a contentar-se caso fosse a Europa toda a pertencer a Portugal. (E mesmo assim, qual não seria o português, com um cepticismo que provém de um longo e civilizadíssimo cansaço cultural, que não desconfiasse logo que «isto agora da Europa pertencer a Portugal traz água no bico, com certeza...?»)

Estas expectativas insaciáveis revelam-se na saudável mania que têm os portugueses de comparar Portugal só com a pequena minoria de países que se encontram em muito melhor situação. Para um português, Portugal é o país mais pobre do mundo. Isto é, do mundo «que interessa». Se lhe falarmos nos demais 75% que estão piores que nós, diz logo: «Está bem, mas isso nem se fala...» Nem é preciso ser a Nicarágua ou o Bangladesh — basta mencionar a Grécia ou a Turquia para ele se virar para nós com ar despeitoso e incrédulo e dizer: «Ó filho, está bem, mas isso...»

É curioso notar que a Espanha goza de um estatuto especial nestas comparações. Nem conta como «melhor» nem «pior». A Espanha é sempre até, e a frase «Até na Espanha...» tem o significado precioso de chamar a atenção para um país reconhecidamente rasca onde, neste ou naquele aspecto, já estão escandalosamente melhores do que em Portugal. De qualquer modo, os espanhóis não são como nós. Acham, por exemplo, que é motivo de orgulho ser-se espanhol. Nisso pelo menos, estão muito piores que nós. Entretanto, compreende-se que o difícil não é amar Portugal — o difícil é deixar de amá-lo, também porque é sempre difícil nós sermos felizes.

Miguel Esteves Cardoso, in 'A Causa das Coisas'

Aeroporto

E.P.L., 2010, Dez

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )