COMENTÁRIOS QUE VALEM UM POST
- Este comentário foi feito num post sobre SARAMAGO no blog 100cabeças
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Rui Sousa disse... - Rui O caso Saramago é um daqueles em que devemos de facto pensar e falar, sem ressentimentos nem espíritos de vingança, porque é um bom exemplo da complexidade na natureza humana. Durante toda a sua vida confundiu-se e misturou-se muita coisa (algumas vezes por culpa dele, outras por tacanhez de outros). A minha opinião ( que vale o que vale ) é que é sempre muito difícil pedirmos a alguém que separe a obra da vida do autor como se uma vivesse bem sem a outra. Já há uns largos tempos atrás me lembro de ter comentado, aqui, um post sobre um tema algo parecido, sobre o relevo que as sociedades dão às obras e não dão ao homem. Sobre a força ofuscante que a arte provoca em nós a ponto de conseguirmos desvalorizar o lado da natureza humana. A história está cheia de homens com grandes obras, mas de carácter zero, e não sei porquê todos convivemos relativamente bem com isso. O génio da obra desculpa a mediocridade da natureza humana. Não estou a dizer que seja o caso do Saramago. O Saramago não tinha uma natureza medíocre ( que eu saiba ), mas nunca conviveu muito bem com a verdade, ou pelo menos com alguma verdade. Em relação às suas criticas ao Vaticano e ao catolicismo concordo quase com tudo, parece-me lúcido, óbvio e claro, mas o facto de ele ter pertencido ao PCP ( embora depois tenha saído de militante ) nunca lhe deu a clareza de espírito para olhar para a história com a mesma acutilância com que sempre “martelou “ o Vaticano ( e bem ). Eu acho que ele nunca percebeu ( ou não quis ) que pedir a um católico que reveja determinadas verdades não é muito diferente que pedir a um comunista que reveja toda uma história. O comunismo tal como o catolicismo, em nome do bem ( e é aqui que dói ), provocaram um enorme sofrimento no mundo, foi em nome de uma superioridade moral que se fez o que se sabe. Saramago nunca teve essa grandeza de criticar alto e a bom som, as mesmas misérias de um lado como fazia em relação a outro. Eu não acho que ele tenha sido incoerente, antes pelo contrário, mostrou a coerência e militância que fez de muitas pessoas uns verdadeiros chatos ( só se preocupa com a coerência quem tem falta de imaginação, alguém disse um dia ). Reconhecer é ter grandeza e não o contrário. Esta é a parte que eu acho em relação ao homem. Em relação ao poder politico foi a miséria que se sabe. O governo Cavaco e os seus ministros idiotas não souberam distinguir o interesse nacional dos interesses pessoais mesquinhos e foi o que se sabe ( até na hora da morte ). Da obra só posso falar de dois livro: o Memorial, que adorei e o Homem Duplicado que gostei. Da vida dele também acho que foi de facto um milagre. Para alguém que nasceu com o destino traçado conseguiu ousar sonhar. Vingou o destino. Creio que não é preciso dizer muito mais. Os grifos são meus!




5 comentários:
Independentemente da política, do Nobel e do nacionalismo, há um ponto essencial: os sentidos. Eu não gosto de ler Saramago. Tento várias vezes e não gosto, nem consigo. É O ÚNICO CRITÉRIO PARA MIM.
Experimentaste "A Viagem do Elefante"? Parece-me um bom livro para "entrar" na obra de Saramago.
ALO EDUARDO
conheço pouco o Saramago e nada do que escreveu o texto que blogaste. Parabéns pela iniciativa de faze-lo. Sobre Saramago li poucos dos seus livros mas super-gostei do EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO.
ricardo GAROPABA blauth
Conheço pouco da obra de Saramago, mas o que apreciei foi o modo como ele nos conduzia ao universo estranho de seus personagens.
Jorge,
Rui,
Ricardo,
Maria Augusta,
obrigadpo pelos comentarios!
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