23.9.08

LIBERDADE DE PÉ - O filme

Olá, Eduardo,
estou realizando uma pesquisa sobre os 40 anos do Teatro Anchieta, do SESC SP. E no quesito Cinema tenho deparado com vários filmes que foram exibidos cujos registros são difíceis de localizar.
Um deles é sobre o filme LIBERDADE DE FÉ, de EDUARDO LUNARDELI. Só isso - sem data etc... que foi exibido no início de 1968.
Tenho muitos sites de busca sobre Cinema, alguns ótimos. Mas em nenhum deles encontrei diretor com este nome, muito menos o filme.
Vai daí que através do google cheguei ao seu blog.
Ainda que não encontrasse nenhuma pista a respeito, ainda assim resolvi escrever.
Se não tiver nada a ver com "suas artes", valeu por conhecer o Varal de Idéias, muito interessante e que depois dessa missão em que estou vou pesquisar mais.
Obrigada por sua atenção.

Teca La Macchia
{11} 5062-9638 - 9193-0072
"Somente aquele que se dispõe a fazer as coisas pequeninas que sabe e pode, virá a saber e a poder realizar grandes coisas"Pensamentos, Emmanuel
RESPOSTA
Minha cara Teca,
como já faz tempo!! 40 anos. Esta virando história!
O filme em 16 mm LIBERDADE DE PÉ ( e não Liberdade de fé) é meu, sim.
Infelizmente não sobreviveu ao tempo. Participou de um festival de cinema amador no Rio de Janeiro, patrocinado pelo Jornal do Brasil, e era à época o mais importante festival de cinema, Festival JB de Cinema. Era sem dúvida o mais bem elaborado filme do festival, mas não ganhou o primeiro prêmio por razões políticas da ocasião. O filme vencedor era a matança de um porco!
Liberdade de Pé faz uma alusão às liberdades numa época de muita censura, nos anos pesados da década de 60.
Em preto e branco, sonorizado, com cerca de 15 minutos, contava a história de uma jovem rica senhora que saia de sua enorme casa, estilo "Vento Levou", e com seu Kharmanguia ( VW esportivo) ia as compras ( crítica à sociedade de consumo) num Shopping Center. Ao som dos Beatles, comprava em diversas lojas, e saía carregada de pacotes. Ao chegar de volta ao carro, estacionado numa rua onde na calçada dormia uma moradora de rua, velha e preta, contra um muro com uma pichação LIBERDADE. A atriz do filme de mini saia, e sapatos altos que lhe incomodavam, e isso já havia sido registrado em cenas anteriores nas lojas, retira-os e os coloca no teto do carro, para poder abrir a porta e colocar todos os pacotes nos acentos. A velha senhora, já de pé no meio fio, observa a cena. A jovem senhora entra no carro e esquece os sapatos no teto.Ao sair com o veículo os sapatos são lançados no meio da rua, e a preta velha e descalça avança em sua direção, coloca-os nos pés e saí andando, muito desequilibrada com seus trapos de panos envolvendo o corpo e um par de sapatos dourados! Anda em direção ao fim da rua , com a câmara nas suas costas , ouvindo-se só o toc toc dos saltos no paralelepípedo. Fim.
Por essa razão a metáfora: LIBERDADE DE PÉ. O que é liberdade para uns, pode ser solução inédita para outros! Falar de LIBERDADE sob regime de ditadura só assim!
Moro hoje em Santa Catarina, mas devo ter em algum lugar álbum com imagens das filmagens e das cenas! O nome da atriz profissional ( única no elenco) , e que fazia a jovem dama, era Inês Knaut, já falecida.
A velha moradora de rua, era autêntica e se prestou magistralmente ao papel.
Isso é o que de pronto e de memória poderia te adiantar.
Além desse filminho em 16 mm , fiz outros, igualmente amadores, e alguns com o então fotógrafo, e depois cineasta Olivier Perroy.
Fui assistente de Direção na participação de OZUALDO CANDEIAS no filme TRILOGIA DO TERROR, que era dividido em três episódio, além do nosso, com direção de Mogica Marins ( Zé do Caixão) e Luiz Paulo Person.
Sobre esse a Internet tem registros!
Continuo à sua disposição, e se quiser saber mais de minha pessoa tenho um blog sobre artes que poderá acessar:
VARAL DE IDÉIAS
onde vou postar sua carta, para deixar um pequeno registro desse filme na rede.
Abraços,

Eduardo

26 comentários:

La Vanu disse...

adorei saber de tudo isso!
e adorei a possibilidade de uma possível pesquisa tornar a ser uma possível mostra!

Só- Poesias e outros itens disse...

Eduardo,
que delícia de novidade por aqui.
Um artista multimídia!!!!
Genial. Adorei o roteiro do seu filme.


bjs.


JU Gioli

Lizete Vicari disse...

Eduardo, que maravilha de filme!
Ví a mulher com seus trapos e de sapatos dourados.
Bela descrição!
Parabens, que atual!
Um beijo e um bom dia!
lili

disse...

Que maiores surpresas vc ainda vai nos mostrar??
Acho que em algum lugar em algum tempo vi este filme...visualisei cada cena ao vc descrever o roteiro....ou será sua capacidade narrativa? Parabéns ótimo...porque parou?

roserouge disse...

Um verdadeiro "Homem dos Sete Instrumentos". Adorei saber tudo isto aqui. E porque não vingou a tua carreira como realizador de cinema?

Eduardo P L disse...

La Vanu,

pois é, como percebi que não havia registros desse filme, resolvi fazer do e-mail e resposta uma POSTAGEM para ficar acessivel ao Google. Agora quem quiser procurar por LIBERDADE DE PÁ, vai achar esta postagem e informações sumárias!

Obrigado pelo oportuno comentário.

Eduardo P L disse...

Jugioli,

talvez esta minha paixão por fotografia venha daí!

Bjs e obrigado pela visita!

Eduardo P L disse...

Lili,

obrigado pelo seu comentario.
Bom trabalho!

Bjs

Eduardo P L disse...

Vi,

pode ser que tenha assistido, sim! Passamos em vários lugares no ano de 1968 e 69...
Uma das atrizes que fazia uma pontinha era Eleonora Ex-Mendes Caldeiras), minha amiga e uma das meninas mais bonitas da minha geração.

bjs e obrigado pelo comentário.

Eduardo P L disse...

Bé,

por falta de talento, provavelmente!E não dava dinheiro. No Brasil se fazia por AMOR À ARTE, e isso não pagava conta...

Bjs e obrigado pelo comentário.

peri s.c. disse...

Sua artista foi, conforme diz a lenda, a "morena dos olhos d'água" ? Nada mal, seu Eduardo. Trabalhei, em algum dos escritórios desta vida, com a irmã dela outra morena dom olhos d'água.

João Menéres disse...

Meu caro Eduardo:
Quanta surpresa no seu Varal nos mostra e conta !!!
A descrição do roteiro é de uma realidade que, para lá dos fotogramas, eu até captei o som final, calçada fora.
Um abraço com múltiplas admirações por si.
João

Eduardo P L disse...

Peri,

este mundo é uma ervilha, mesmo!

Eduardo P L disse...

João,

para quem já escreveu alguns roteiros de cinema, descrever um filme por mim dirigido não é dificil!
Obrigado por nos visitar e comentar com esta constância!

Lord Broken Pottery disse...

Eduardo,
Gostei muito da idéia e do script do seu filme. Bom saber que o amigo tem outras aptidões artísticas. Particularmente, gosto de escrever roteiros. Quem sabe um dia não trabalhamos juntos?
Grande abraço

Eduardo P L disse...

Lord,

esta fechado. Vamos combinar quando iniciaremos!
Obrigado pela visita e comebtario, que sendo seu me honra muito.

Adelino disse...

Eduardo, eu sabia que você tinha feito um filme curta e concorrido no JB. Você contou isto no ano passado naquele post que fiz sobre o número 1 da revista Claudia, lembra-se? Ficou de dar mais detalhes, mas ficou nisso mesmo.
Você não tem cópia do filme Liberdade de Pé? Se tiver coloque-o no You Tube. Pareceu-me muito interessante.
Um grande abraço.

flor disse...

Olá Seu Eduardo
confesso que estou um tanto sumida mesmo.
Ando muito ocupada com o trabalho e a faculdade, e tenho destinado pouco tempo para o blog, o que não poderia acontecer, tenho que dar mais atenção para ele e para meus peixes que lá ficam de guarda e tbm visitar os amigos. Não esqueci de vcs, sempre que possivel passarei aqui.


Abrç.

Eduardo P L disse...

Adelino,

como disse no texto da postagem, o filme se perdeu no tempo e no espaço ao longo desses 40 anos e muitas mudanças...
Mas agradeço seu oportuno e simpático comentário!

Abçs

Eduardo P L disse...

Dna Deise,

não suma por muito tempo!

Bjs

Maria Augusta disse...

Eduardo, você é um artista completo mesmo, já criou até para o cinema. A descrição está perfeita, dá para seguir direitinho o roteiro. Também acho que você deve colocar no You Tube se tiver uma cópia.
Abraços e um bom dia.

disse...

Puxa o You Tube é otima sugestão...estamos aguardando...

Fernando Zanforlin disse...

GC,m, bacana o roteiro do Filme, pena ter perdido, está na hora do "rimeique" com a Ana lógica.
aßs

sonia a. mascaro disse...

Que legal, Eduardo! Não conhecia essa sua outra arte! Gostei do roteiro... pena que o filme não existe mais...
Bjs.

Joana disse...

Oi Eduardo! Sou filha da grande Inês Knaut! Rolou um encontro com o Abraham Metri anos atrás e ele sem saber que eu era filha da Inês, me reconheceu pela semelhança com ela. Ele foi um querido e convidou eu e minha irmã pra jantarmos em sua casa com sua família. Lá ele mostrou fotografias do seu filme, foi muito emocionante, você pode imaginar. Outro dia revi o Metri e ele me falou do seu blog! Realmente é uma pena q o filme se perdeu, mas mesmo assim nos tocou imensamente através das recordações do Metri e agora com a tua postagem no blog. Abraços! Joana

Eduardo P.L disse...

Joana,

a internet tem dessas coisa! Não sabe com que alegria e satisfação recebo este seu comentário. Gostaria de saber mais de vocês duas, pois sua mãe era uma grande mulher, grande atriz, e foi particularmente muito gentil e aceitar meu convite para esse curta! Uma profissional generosa e competente!
Não sabia que o Abraham tinha ainda fotos das filmagens! Gostaria de reve-las. Vamos combinar e fazer um novo encontro para esse fim. Pode ser em SP, pois moro em Santa Catarina, mas uma vez ao mês, ainda vou para São Paulo.
Foi um pecado ter se perdido o celulóide desse 16 milímetros! Algumas fotos eu devo ter em algum canto dos meus guardados! Vou tentar encontrar. Faria uma nova postagem, com elas!
Vou deixar meu e-mail, para que se quiserem, entrar em contato comigo, fiquem à vontade, terei muito prazer.

Bjs e abçs ao Abraham

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..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
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