20.8.19

Pompéia, Italia

Muitos anos atrás

Crônica diária

Revista Piauí - 155 - Agosto


Ontem escrevi que não havia mais revista semanal que merecesse leitura. Ressalvei o suplemento do Valor Econômico de sexta-feira, como uma excelente exceção. Hoje vou lhes falar da revista mensal Piauí. O número 155 (mais de 12 anos) de agosto de 2019 com capa do Caio Borges que se apropriou da famosa tela "Os embaixadores" 1533 - Hans Holbein, e nela colocou uma chapeira com hamburguês, e boné com as cores dos Estados Unidos na cabeça de um deles, numa divertida referência ao filho 03 do presidente. Além da capa, a revista esta repleta de ótimas matérias e artigos. Me lembrou a revista Senhor dos bons tempos. Comentarei só "O infortúnio do João Gostoso" assinado por Armando Antenore, editor da Piauí. O artigo trata de uma longa e curiosa pesquisa sobre o poema de Manoel Bandeira, baseada numa notícia de jornal. Poema publicado pela primeira vez no vespertino A Noite, em 31 de dezembro de 1925. Cinco anos depois incluiu na primeira edição do livro "Libertinagem" com sutis modificações. "João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número/ Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro/Bebeu/Cantou/Dançou/Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado."
Esse poema com 38 palavras e cinco versos tornou-se um marco do modernismo brasileiro. Em junho passado o editor Claudio Soares fez uma descoberta preciosa. Bandeira se inspirou na notícia da morte do João Gostoso, como conhecia um fato anterior (1916) quando João foi notícia, pela primeira vez, no A Noite, por ter agredido com uma pedra, por ciúmes, sua amásia Rosa Maria da Conceição.

19.8.19

Punta Del Este, Uruguai

Como minha irmã Elisa em foto do seu marido, meu cunhado Carlos Eduardo Novaes.
 Éramos jovens e achávamos imortais. Circa 1970

Crônica diária

EU & FIM de SEMANA - Valor Econômico
 
Mario de Andrade , Ian MacEwan e Oswald de Andrade

Foi meu velho amigo Germano Ferh (o pai) quem me chamou atenção para esse suplemento publicado às sextas-feiras pelo jornal Valor Econômico. Como nunca leio esse jornal não sabia de sua existência. Sexta dia 9 passado li um quase de cabo a rabo. Muito bom. As revistas semanais estão um lixo. O Roberto Civita deve estar se revirando no túmulo. A Veja esta imprestável. As outras nem se diga. Mas EU & Destaques trás matéria sobre o Eduardo Constantini, idealizador do MALBA - maior museu de arte sul americana das Américas, e dono do nosso Abaporu, da festejada Tarsila do Amaral. Perguntado se venderia a obra da artista modernista brasileira, respondeu que por valor nenhum. Na matéria de capa André Lara Resende fala sobre: "Equivoco dos juros". Fernando Abrucio escreve sobre o governo Bolsonaro que chama de excludente. Na coluna cinema Juliette Binoche. Arte aborda a exposição "À Nordeste". Foto e matéria sobre Vladimir Herzog, que pouco antes de ser preso e morto pensava em se tornar cineasta. Há coluna de Vinhos. Na de literatura matéria sobre Mario de Andrade, por Eduardo Magossi, creditando a ele o mérito, até pouco tempo dado ao Oswald, de responsável pelo Movimento Modernista no país. Trata também da sexualidade do Mario, que até hoje fui meio tabu, para não desagradar seus parentes. Além de muitas mulheres, teve um caso com H, muito além de amizade. E por fim uma interessantíssima resenha do ultimo livro do Ian MacEwan, denominado "Máquinas como Eu", onde trata do relacionamento entre um homem, uma mulher e um robô. Precisa mais? Obrigado Germano. Toda sexta que puder, vou ler EU & Fim de semana, do Valor.

18.8.19

Desenho

Só não consigo ler a data. Crayion sobre papel Fabiano

Crônica diária

A conversa continuou

O Leonardo depois de dar a notícia da morte do Afonsinho disse que tinha ido a uma cartomante em Brasília. Lembrei da história da cartomante Dona Rosa, que também morreu, e muita gente até hoje me pede seu endereço. Mas você foi até lá só por conta da cartomante? perguntei. "Não, eu tive que ir a negócios a Goiânia, e como estava de carro, voltei por Brasília. A cidade cresceu muito desde a ultima vez que estive lá." De piada perguntei se foi na inauguração? Rimos e subimos para tomar um café na sobre loja da Livraria da Vila, da Rua Lorena. O que conta a cartomante? perguntei. " Você não vai acreditar". Eu sei, nunca acreditei em cartomantes. "Mas dessa vez tomara que ela esteja mesmo enganada". Por que? " Ela disse que o Bolsonaro, e na verdade chamou-o de Johnny Bravo, vai concorrer a reeleição contra o Dória e o Wilson Witzel do Rio de Janeiro. Ela citou outros dois ou três candidatos da esquerda, mas sem nenhuma chance. A esquerda em 2022 estará aniquilada."E quem vencerá a eleição? "Ela disse que a apuração ainda não tinha terminado". Risos . Encontrar com o Leonardo é sempre um prazer enorme.

17.8.19

Uma foto de que me orgulho

Dessa foto de muitps anos atrás, me orgulho muito. Cheia de significados. Como devem ser as boas fotos.

Crônica diária

Placa de bronze

Depois de algum tempo sem ver ou falar com o Leonardo cruzo com ele na Livraria da Vila da Rua Lorena. Quanto tempo! Pois é, o nosso amigo Carlito Maia, de saudosa memória, já dizia: "São Paulo junta bandidos e separa amigos". E nos abraçamos. Você esta muito bem! E você também. Trocado os abraços e comentários de praxe, ele comentou: "Tio Afonsinho morreu". Respondi: início de inverno é uma merda. Velho morre de pneumonia. "Não foi não, morreu atropelado". Não diga, retruquei. "Pois foi, por um patinete amarelo". Não acredito. "Pois é. Acredite. Fraturou dois ossos do braço esquerdo, e uma grave fratura da bacia." Bacia nessa idade é complicado. E sabe mais? A maior causa de morte no mundo não é câncer ou doença nenhuma. É queda. Velho cai, quebra, é anestesiado, operado, e vem a óbito por complicações variadas. "É verdade", anuiu o Leonardo. E meio que rindo lembrou que seu tio Afonsinho era um jogador viciado." Jogava em tudo. Em cavalos, no bicho, Mega-Sena, bingo, e carteado. Neste ultimo costumava jogar pesado. Nunca perdeu". Como assim, nunca perdeu? perguntei. "Pois é, foi nisso que a mulher e os filhos sempre acreditaram. Ele ao comprar os cacifes pagava com cheque e sempre valor maior. Recebia o troco em dinheiro. Chegava em casa sempre com dinheiro vivo no bolso, que dizia ser o lucro da noite. Esse era o Afonsinho. O ultimo desejo, antes de morrer foi que mandassem fazer uma placa de bronze: "Aqui jaz um que morreu de tanto viver."

16.8.19

Vista da PIACABA

Acrílica sobre tela, da série LITORÂNEAS Lagoa de Ibiraquera

Crônica diária

Saca essa rolha

Esse é o título da coluna da jornalista cearense, muito jovem, apesar de mais de 15 anos de uma carreira com muitos feitos na imprensa nacional e como correspondente no exterior, Isabelle Moreira Lima. Não sou leitor diário do Estadão, e portanto não acompanho o caderno Paladar, onde ela escreve. Casualmente a matéria tratada dia 8 de agosto de 2019, Vinhos Extremos chamou minha atenção pelo título. Seria a Isabelle uma enóloga tão jovem? E fui procurar saber um pouco de sua biografia. Tem de tudo um pouco. Coberturas e entrevistas políticas, com artistas internacionais, com personalidades de várias áreas inclusive vaquejadas. Mas entrevistou gente muito importante no mundo do vinho. Só isso a credenciou me levar a leitura interessantíssima dessa matéria. Aqui o espaço não permite transcrever o artigo em sua integralidade. E o resumo do resumo, para quem não conhece a arte de produzir vinhos, e no caso vinhos extremos, ela sintetiza que "a videira não deve ser tratada a pão de ló". Me fisgou na primeira frase. E ela explica que no solo pobre obriga as raízes da videira a se esforçarem mais, buscando nutrientes, e alcançando mais riqueza mineral do que a superfície pode oferecer. Isso resulta numa fruta mais interessante e concentrada. "A uva tende a ganhar personalidade quando cultivada em geografias ou climas inusuais, ou quando vem de planta muito velha ou selvagem, ou quando é produzida com muita dificuldade física". Nelson Rodrigues diria lendo essa descrição da Isabelle, que uva é como mulher: gosta de apanhar, ser mal tratada. A jornalista cita vários exemplos, desses vinheteiros-guerrilheiros que produzem em condições extremas. Vinhos do deserto, de cavernas, de uvas congeladas. Fornece o nome, a vinha, preço e local de venda em São Paulo. Vão de R$153,00, (um vinho Italiano) R$ 198,00 (da região de café paulista) até R$450,00 com pisa a pé, colheita manual, e rendimento de 40% das uvas do Atacama.

15.8.19

Foto de cena

                                    Século passado fazendo cinema atrás das câmeras. Decada de 60

Crônica diária

 
Sugestões impagáveis


Como pode ter gente que ainda defenda o PT? Inimaginável. Mas tem. E tem gente que faz enquetes, ou procuram por algo nas redes sociais. É uma forma divertida de ler disparates, e ouvir conselhos de "sem noção". Vou só citar dois exemplos que vi hoje. Um indivíduo pergunta: "Quero morar na Europa sem sair do Brasil. Alguma dica?" E foram muitas as dicas. O Jardim Europa, muito citado. Rua França, no mesmo bairro. Algumas cidades de Santa Catarina na maioria Gramados e Serra Gaúcha. Esta última a mais provável e coerente delas. Mas teve os "sem noção" que sugeriram Pernambuco, e outra Rua Pamplona.  
Outro exemplo o camarada escreveu um livro e procura quem possa indicar um revisor. O primeiro sabidinho disse que o Word tem um programa que faz tudo. Revisa, diagrama, etc. Claro que não era isso que o escritor queria. O Word tem revisor ortográfico. Revisão de um livro é coisa muitíssimo diferente. Nos meus faço com duas revisoras profissionais, e acaba passando gato por lebre. É o maior prazer dos que eu chamo de "Procurando Wally". A sorte do camarada é que não faltaram revisores, orçamentos e conselhos.

14.8.19

Julho de 2013

Santa Catarina

Crônica diária

DR rendeu muitos comentários

Ainda sobre os comentários dos leitores. Quando postei a crônica "Fui vítima de dois DRs", o meu querido amigo e arquiteto Fernando Cals lá pelas tantas, depois de dezena de comentários que davam boas dicas, fez irritado (imagino eu) o seguinte comentário: "Fiz a pergunta, ninguém respondeu: what porra is DR? Please!" A leitora Sara Guedes gentilmente respondeu: "Fernando Cals discutir relação." Logo em seguida, o amigo comum, meu e do Fernando, Valter Ferraz voltou a postar:
"Discutir a relação, Fernando Cals." E o Fernando mais nada escreveu. Mas deve ter pensado "Que porra mais ridícula." Ele é um pouco mais velho do que eu, e somos do tempo que em Pernambuco, Rio ou em São Paulo, essas coisas entre casais se resolviam de três formas: na cama, no $ Banco, ou na bala. risos...
Mas houve comentários de leitoras, sobre DR, muito interessantes. Com uma visão completamente feminina do assunto. A começar pela  leitora Alessandra Zacarias que escreveu: "Acho que sou homem, porque se tem uma coisa que me causa completa exaustão é a tal da DR!!!" Se eu escrevesse isso seria chamado de machista, mas traduz a pura verdade. Claro que sempre há exceções. Homens que querem pontuar entre as mulheres. 
Mas outras leitoras como minha querida prima Py Pacheco E Silva, comentou: "Eduardo, já fui vitima de uma pedrada no meu carro. Hoje dou risada mas na época foi bem tenso...." 
E o ciúme foi abordado em vários comentários. A insegurança masculina, ou até de broxa acusaram os meus detratores.
E por fim, por falta de DR, acontece hoje o que chamam de feminicídio, e foi observado pelo meu querido leitor José Eduardo Nogueira que escreveu: "Eu acho que você é um homem de sorte. A 45 anos poderia ter sido morto por "legítima defesa da honra"! Veja o texto: Mas há um mito no Brasil de que existe algo chamado legítima defesa da honra. Ela aconteceria quando o cônjuge ou namorado(a) traído matasse o(a) parceiro(a) que trai e/ou a pessoa com quem trai. Segundo esse mito, a legítima defesa da honra seria um tipo de legítima defesa e, portanto, faria com que a justiça absolvesse o acusado. A lógica seria que a honra faz parte da pessoa, da mesma forma que a vida ou o corpo, e por isso a pessoa pode matar para protegê-la".
Nesse caso eu teria sido vítima duas vezes, uma por não ter absolutamente nada com a esposa do assassino, e outra de postumamente ser acusado de ter "atentado contra a honra". 
Continua o José Eduardo: "O famoso caso do Doca Street foi um caso em que o homicida se deu mal: Doca Street foi julgado em 1980, tendo sido defendido pelo advogado Evandro Lins e Silva. A defesa foi baseada na tese de legítima defesa da honra, responsabilizando-se a vítima, Ângela Diniz, por ter provocado tal violência, em razão do próprio comportamento. Inicialmente, a pena de Doca Street foi de dois anos, com direito à sursis. O caso teve grande repercussão e foi o estopim para organização de um movimento de mulheres contra a violência doméstica, com o slogan "Quem ama não mata". Após a mobilização social, houve um segundo julgamento, e a pena do assassino foi elevada para 15 anos de reclusão".
José Eduardo ainda lembra: "Tem o caso também da Elza Leonetti que assassinou o seu amante Robert Lee. Ela nunca foi para a cadeia!"
Mas esquecemos que homens e mulheres se matam todos os dias, e no mundo todo. Optam pela força, pela faca ou pela bala., ao invés de uma saudável DR. Ou de uma DR mal resolvida. 
Completa Francisco Giaffone "É a vida. Não há o que se fazer. Dizem os argentinos que para dançar um tango se precisa de dois".

13.8.19

Antonio Lunardelli e o Pretextos

Antonio lendo o Pretextos em Mansué, Vêneto, Italia

Crônica diária

A crônica e seus comentários
    Sempre me reporto aos velhos cronistas que me inspiraram, como Rubem Braga, Luiz Martins (LM) e tantos outros que escreviam nos jornais diários. Mas lá não tinham o retorno dos comentários em tempo real. As redes sociais e os blogs permitiram essa prática. Senão vejamos:
    "Maria Vitória Lago: Adoro suas crônicas , mas me divirto mesmo é com os comentários ..."

    "Valter Ferraz: Maria Vitória Lago , por isso uma postagem sem comentários não tem graça nenhuma!
    Eduardo P. Lunardelli: Resumo da ópera: o bom cronista é aquele que junta ao seu texto gente inteligente que faz comentários engraçados...

 

12.8.19

Sergio Moro

Mais uma Vítima

Dia dos Pais

Recebi ontem, Dia dos Pais esta foto do meu pai, minha mãe Heloisa, minhas duas irmãs Elisa e Estela com o neto mais velho Eduardo Novaes. Quem me enviou foi minha filha Sandra, admirada com a semelhança minha, com o Dr. Santo. Somos mesmo parecidos.

Crônica diária

Sobre a hora da postagem

Durante 2418 dias postei 2418 crônicas às sete da manhã. Por que? Porque era a hora que lia nos jornais, os meus cronistas favoritos: Rubem Braga, Luiz Martins (LM), e todos os outros que escreviam suas colunas diárias. Era a hora que os jornais chegavam em casa. Na minha cabeça ficou ligado crônica às primeiras horas do dia. E deu certo. Tenho o depoimento de muitos leitores que fazem isso com meus textos. Digerem antes ou durante o café da manhã. Outra razão subjacente é que sou absolutamente matinal. Diurno. Nunca leio ou escrevo a noite. Minhas melhores ideias, meus melhores momentos intelectuais, são pela manhã. Por alguma razão, que não vem ao caso, postei duas ou três crônicas no início da noite. O resultado foi expressivo. Mudou ligeiramente o perfil e ordem dos comentários. Quem comentava dez minutos depois de postado, só foi postar na manhã seguinte. Aqueles que postavam durante o dia, final de tarde, apareceram na dianteira. E houve também uma sutil mudança no espírito dos comentários. Os noturnos, mais elaborados, com menos pressa, e talvez menos humor. Mas é só uma reles observação, sem valor estatístico. Mas tem uma razão óbvia. Le a noite quem dorme tarde. Quem não acorda cedo, e quem não tem tempo durante o dia. E as noites, para quem não dorme cedo, e tem insônia, são longas. Daí os textos, nos comentários, maiores.

11.8.19

Bundinhas





Em bronze, em gesso, e em cimento com base de mármore e granito sobre espelhos

Crônica diária

Moro na frigideira 

Jair Bolsonsro

Sergio Moro

 A Revista Crusoé já estampa manchetes como: "Bolsonaro frita Moro" (9/8/19). Quem acompanha a movimentação do xadrez político já percebeu que o ex-juiz, idolatrado e considerado nas manifestações de rua em todo Brasil como o herói, salvador da Pátria, e mito da Lava-jato, passa por momentos de grande dificuldade. A decepção fica a cada dia mais estampada na face do atual ministro. O arrependimento por ter abandonado uma carreira, promissora, de 20 anos de magistratura, para ocupar um cargo de confiança no governo Bolsonaro, fica mais visível no rosto do Moro. Ver seu projeto de combate à corrupção a todo instante ser criticado e censurado pelo próprio governo, e pior postergado em sua aprovação pelo Congresso, desanima qualquer pessoa cheia de boas intenções. Ter sido um dos atingidos pelo escândalo dos hackers, foi mais um golpe importante. Mesmo que nada de ilegal e fora das rotinas usuais entre juízes e promotores, ficou a mácula, e manchou sua reputação, pelo menos momentaneamente. O presidente que sempre invejou a popularidade do seu ministro, tem dado sinais dúbios de seu irrestrito apoio. E recentemente, conforme noticia a Cruzoé, o Bolsonaro tem demonstrado contrariedade com a resistência do Moro em aceitar tranquilamente a transferência do Coaf para o Banco do Brasil, despolitizando o órgão, e distanciando-o da Justiça, e portanto enfraquecendo o seu ministro da área. Não será nenhuma surpresa amanhecermos com a renúncia do ex-juiz, e hoje enfraquecido Moro. Como pode um ministro do seu porte, chegar em casa e olhar nos olhos da esposa, diante de uma manchete como essa da Crusoé? Um jovem juiz de reputação ilibada, tendo que passar pelo que esta passando. Acostumado com pressões que o cargo de juiz, e da Lava Jato, lhes impunha, tinha um cargo vitalício e proteções institucionais, que um ex-ministro da justiça, desempregado, e sem pretensões, ou vocação política, devem preocupa-lo. E por outro lado, manter-se  ainda que contrariado e desprestigiado, no cargo, não me parece que faz parte de seu histórico e biografia. Os corruptos e o crime organizado mais uma vez vencendo. Foi assim na Itália, e não seria diferente aqui. E pior é que o Moro sabia disso. As próximas horas ou dias nos darão as respostas. Eu é que não gostaria de estar na pele dele. A frigideira esta quente. E tanto o pai como o filho e futuro embaixador nos Estados Unidos, entendem de frituras. 

Crônica do Alvaro Abreu

No hospital
 


Estive fora do ar por mais de trinta dias, a ponto de não conseguir mandar três crônicas para os editores deste jornal. Preocupei muita gente, mas ganhei uma torcida atenta e carinhosa. A maior parte desse tempo passei às voltas com exames, clínicas e médicos por conta de incômodos provenientes do funcionamento imperfeito dos intestinos. Os demais dias foram vividos no hospital, sendo a metade deles dedicados à investigação da natureza e da extensão de algo diagnosticado inicialmente como sendo uma diverticulite. Sob demandas de um anjo da guarda de jaleco, novos exames deram o caminho das pedras para que o cirurgião fizesse seu trabalho.

Já deitado na maca, ao informar à enfermeira quem iria me operar, recebi dela um comentário efusivo e altamente tranquilizador para quem está a caminho do centro cirúrgico: “Ai, que bom! Esse doutor faz operações maravilhosas!”. Dito e feito. Saí de lá sem um pedaço das tripas e livre de uma tal bolsa externa. O sorriso e a segurança do cirurgião fizeram com que os cinco dias de risco de uma eventual complicação, e todos os demais, corressem sem qualquer preocupação.

Ao entrar no hospital decidi que seria um paciente exemplar, desses que têm paciência e boa disposição para enfrentar a tiração sistemática de sangue, a medição da temperatura, da pressão e da glicose, a aplicação de injeções para evitar coágulos, a tomação, com hora marcada, de remédios líquidos e em pílulas, sem contar a fazeção de exercícios para fortalecer os pulmões e o incômodo de ficar preso a um porta-frasco de soro e de antibiótico difícil de empurrar de um lado para outro.

Na falta do que fazer, passei a prestar atenção nas sobrancelhas das enfermeiras. Muitas delas optaram por desenhos discretos enquanto outras, talvez as mais entusiasmadas, adotaram uma solução chamativa e radical: uma sobrancelha que começa com uma reta vertical próxima ao nariz, com espessura bem larga que vai afinando, em curva, em direção à orelha. Fiquei com a impressão de que todas elas estão usando esse truque para se fazerem mais charmosas.

Vitória, 31 de julho de 2019.
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

10.8.19

Natureza morta

Circa 1960 Assinado no verso da tela. Acrílica sobre tela 60 x 60 cm

Crônica diária

 
Mulher brasileira, futuro e presente
Deus criou a mulher brasileira com fartos e generosos glúteos para poder esperar sentada o futuro. E foi um presente para os homens.

9.8.19

Glória fazendo pão caseiro

Com 10 anos minha neta Glória, esta escrevendo seu segundo livro, e fazendo pão em casa. Foto do pai Guilherme.

Crônica diária

Uniforme e dormir no emprego

Minha mãe há cinquenta anos dizia: "empregada domestica vai acabar". Naquele tempo uma ou duas dormiam no emprego. Eu achava pessimismo da minha mãe. Ela viveu o suficiente para assistir o fim das empregadas dormindo no emprego. Foi ainda durante sua vida que acompanhou a sistemática depreciação que a mídia, principalmente cinema e televisão, fizeram das chamadas "domésticas" ou "criadas". Eram invariavelmente debochadas, e menosprezadas. Até o nome da função mudou, eufemisticamente, para "assistentes do lar", ou "secretárias da casa" ou colaboradora. Chama-las de empregada fico politicamente incorreto. Mas não dormem no emprego. Ganham duas ou três vezes mais do que as que fazem serviços similares em hotéis, hospitais, no comércio ou na indústria. Mas não querem, o que consideram uma pecha, ter a carteira assinada como "domésticas". Gastam horas em conduções de péssima qualidade, para ficar umas poucas horas em suas casas, em geral de qualidade muito inferior. Mas não dormem no emprego. E tem vergonha dos uniformes. Uniforme de doméstica foi usado pelas mais belas e sexis atrizes. Na verdade o uniforme, como a própria etimologia da palavra indica, uniformiza as pessoas, procurando esconder ou suavizar suas diferenças ou dotes. Muito homem tem fetiche por uniforme de empregada, como mulher tem por farda de militar ou policial. Mas isso é outra história. 

8.8.19

Waldo Domingos Claro


No Google foto do Waldo Domingos Claro, publicada pelo Estadão, por ocasião de seu falecimento aos 81 anos, este ano. Sua caricatura de 2010, quando agradeceu ter sido Vítima num Domingo. Grande perda para o jornalismo e para mim, grande amigo.

Crônia diária

"Sessenta e seis elos" - Luiz Eduardo de Carvalho

Do mesmo autor conhecia e já comentei o livro " Xadrez". É maravilhoso. Agora acabo de ler este romance. Longo e curioso. Longo porque tem 484 páginas. Curioso porque parece livro encomendado para exaltar a cultura do negro escravo. Corrobora com essa impressão o formato do livro, sua diagramação, o papel branco, brilhante, encorpado, que faz o livro ficar pesado. Em nada parece um romance. Mas é só a impressão. Sua leitura leva o leitor a duvidar da veracidade de todos os fatos narrados, e ao mesmo tempo não acreditar que tudo seja ficção. Para quem com eu que li à beira da Lagoa de Ibiraquera, onde na página 353, parte dos personagens transita, a parte histórica faz todo sentido. Luiz Eduardo, como no "Xadrez", reserva uma dose de suspense e surpresa de tirar o fôlego. A trama, muitíssimo mais complexa, envolve sessenta e seis elos de forma magnífica.

7.8.19

Maria Tomaselli - Três gravuras

Da série que ilustra o livro Ela se chama Azelene.2019

Crônica diária

A nova palavra da moda

Volto a falar das palavras ou expressões da moda. Tem uma recém-lançada, e que tem tudo para pegar. Virilizam com rapidez epidêmica. A exemplo das que já estão deixando de serem usadas por exaustão, como "janela de oportunidade", "manter o foco", "nos bastidores", e etc...surge com força a palavra: "TOTAL". Quer dizer: concordo, é verdade. Esta ultima já foi abreviada na linguagem digital por "vdd". Os jovens, e publicitários criam, e usam no seu trabalho. De um filmete de TV, para a boca da Maria Beltrão, apresentadora de programas de debate, notícias e política, para a boca do povo, é um passo.  
Total.

6.8.19

Marco Aurélio R. Guimarães - Escultor


Reside em Belo Horizonte e trabalha com mármore no seu atelier mineiro e em São Paulo.

Crônica diária

A vida não esta fácil

Quando escrevo essas linhas ouço lá fora o canto do Fogo-apagou. Mas o assunto não é exatamente ele e sim os Aracuãs. Mais especificamente o aracuã-comum que é uma ave da espécie da família Cracidae. Pode ser encontrada na Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru. Seu nome científico é  Ortalis guttata. Da mesma família do Jacú, e Mutuns, muito comum no interior de São Paulo e Pantanal Mato-grossense. Aqui em Santa Catarina ouve-se pela manhã e no final da tarde seu canto. Digo ouve-se porque é mais fácil ouvi-los do que vê-los, pois são de cor marrom e muito ariscos. Tem um tamanho de uma Arara de porte pequeno. Come frutas. Neste começo de inverno sua alimentação anda muito escassa. As goiabeiras, bananeiras, e coqueiros de toda espécie estão sem frutos na redondeza.  E os aracuãs com fome. Normalmente andam em casal, ou com um ou dois filhotes, até abandona-los. E vivem num determinado território. Seus gritos são uma forma de comunicação e de demarcação de território. Minha casa tem um deck e uma porta grande que dá para a sala. Na mesa enfrente à porta, uma bacia de pedra com frutas. A fome anda tamanha que um grupo de cinco aracuãs entrou na sala, coisa que nos dezenove anos que moro aqui nunca aconteceu, e atacaram com verdadeiro desespero a bacia com bananas. Sujaram o chão e chegaram no alvoroço a derrubar uma luminária. Desse dia em diante passamos a manter a porta fechada, e fornecer uma banana diária. Os cinco amanhecem todos os dias empoleirados na árvore à espreita da ração diária. Hoje colocamos cascas de outras frutas do meu suco matinal. Mamão, maçã, mas a aceitação foi moderada e de curiosidade. Das bananas não deixam vestígio. Mas como a fome anda grande, depois de rápida digestão, voltaram e limparam tudo. A vida não esta fácil.

5.8.19

Cícero d´Ávila, escultor

Cícero, um grande escultor brasileiro, morando e trabalhando na Itália, esculpe para compradores no mundo todo. Aqui numa encomenda da Folha de São Paulo. Em argila. A maioria do seu trabalho é em mármore de Carrara. Dono do único robot escultor da América Latina.

Crônica diária

Fui vítima de dois DRs

Hoje tenho 75, naquele tempo tinha 30 anos.
Um caso foi no Pará, onde eu pernoitava numa fazenda, e durante o dia cuidava da abertura de outra do lado. Certa manhã o gerente da fazenda onde pernoitei veio tirar satisfação e me acusar de estar assediando a sua esposa. O camarada era um "armário". Tinha um físico pelo menos o dobro do meu. Com ele eu só teria chance na bala. Perguntei onde tinha tirado essa ideia? Mas ele babava e vociferava palavras sem nenhum nexo. Peguei o chapéu e minha mala, e nunca mais pernoitei por lá,
A outra aconteceu com um amigo e sua namorada numa lancha em Angra dos Reis. O camarada teve um ataque de choro. No dia seguinte a namorada, até hoje sua esposa, confidenciou-me que foi de ciúmes e o pivô havia sido eu.
Naquele tempo não chamava DR, mas quando um casal, por algum motivo, discute a relação, e você esta por perto. é um perigo.
Em ambos os casos, eu honestamente fui usado e vítima, completamente inocente.
Passados 45 anos, eu não teria porque mentir.

4.8.19

Israel Kislansky e sua flauta

O escultor Israel entre vinho, queijos e mexerica, toca sua flauta, numa tarde noite fria de agosto.

Crônica diária

O caso do gerente desonesto

Meu pai estava na casa dos 80 anos e vinha tendo desmaios constantes. Ele era médico, embora nunca tenha exercido a medicina, só confiava nos colegas da sua geração. E com eles, nada de um diagnóstico. Isso preocupava minha mãe que temia que ele continuasse a dirigir e pegar estrada que eram suas grandes paixões. Como iam toda semana para a fazenda em Campinas e lá o gerente não era da minha confiança, convenci meu pai a aceitar uma motorista e secretária. Ela passaria a dirigir e controlar as contas da fazenda. Relutou um pouco, mas rendeu-se à pressão da minha mãe. Coloquei um anúncio no Estadão: " Secretária motorista". Apareceram alguns candidatos. Inclusive homens. Uma delas quando entrou na minha sala, me pareceu conhecida. Comentei com ela, que se apresentou como ex inspetora de comissários de bordo de uma companhia aérea que eu frequentemente voava. Combinamos os detalhes e fizemos um contrato de experiência. Não demorou muito meu pai pega ela e o gerente, que era casado, nus na rede da varanda. Todos constrangidos, ficamos sem motorista, sem secretária e sem gerente. 
Moral da história: nunca mantenha um gerente que não seja de confiança. Nunca contrate uma motorista e secretária ex-inspetora de comissários de bordo, para controlar um gerente desonesto.

3.8.19

: Leonora Weissmann

Carlos Leal disse: Que alegria ter o meu retrato pintado por uma das grandes artistas desse pais: Leonora Weissmann, nome que vcs vao ouvir muito, mas muito mesmo. Um talento extraordinario. Ainda esse ano com um livro Lindo editado pela Barléu Edições.

Carlinhos, gostei tanto de revelo no trabalho da Leonora, que trouxe sua postagem para o Varal. Parabéns a artista. Abraço ao retratado

Crônica diária

"Ela se chama Azelene" - Maria Tomaselli
 Foto Paula Canto
Acabo de receber e ler o ultimo livro da Maria Tomaselli. Como todo mundo sabe, é uma artista plástica consagrada em Porto Alegre e muitas outras paragens. Em 2014 escreveu o romance Kai. Em 2017 nos brindou com Vito, livro de contos. E agora "Ela se chama Azelene". Como em sua obra consolidada, de pinturas, desenhos, e gravuras com forte marca pessoal, seus textos tem essa marca, mas estão numa deliciosa evolução. Tive o privilégio de ler os "manuscritos" do primeiros capítulos do Kai. Dei palpites. Me achava um velho escritor orientando uma iniciante talentosa. Depois veio o livro de contos abrindo novas fronteiras e sempre criativa e experimental. Como sua arte plástica. No caso deste novo livro, fartamente ilustrado pela autora, tive ainda o prazer de poder ter participado da vaquinha virtual para edita-lo. A generosidade da To, como assina seus desenhos e gravuras, presenteou cada participante, com uma gravura em metal, nas técnicas água-tinta e água-forte, do ciclo Voos Abortados. O livro com uma edição primorosa, cheia de sutilezas e detalhes de cores, gramaturas do papel, diagramação, e ilustrações que convidam o olhar, o pegar e consequentemente ler. E aí a grande e grata surpresa. Uma história deliciosa. Envolvente, e cheia de suspense. Aqui o artista plástica encontrou a fronteira da boa ficcionista e escritora que é. Hoje se equivalem. Quem gosta de livros, como eu, não pode deixar de possuir, manusear, ler, e conhecer "Ela se chama Azelene". É um livro, mas também um objeto para todos os sentidos. A história um relato fiel das mais profundas misérias humanas, contada de forma genial.

2.8.19

Pipa na PIACABA

O vovô fazendo pipa para a neta Glória há anos atrás. Foto do Guilherme Lunardelli

Crônica diária

Retrato 3X4

Somos 208.5 milhões de habitantes em 2019. O IBGE cortou a verba para o próximo censo.
80% dos presos no Brasil não tem RG e CPF.
A população carcerária é três vezes superior à capacidade prisional. Vale dizer que estamos produzindo bandidos de melhor qualidade, ao invés de socializa-los.
Temos 14 milhões de desempregados. Grande parte deles sem nenhuma qualificação, num mercado cara dia mais exigente. Vale dizer que uma parcela deles morrerá sem conseguir emprego formal.
O ensino em geral piorou muito. Hoje o aluno do fundamental é um analfabeto funcional
O número de universitários desempregados, ou exercendo funções sem nenhuma relação com seu diploma ou vocação é enorme. Engenheiros, advogados, taxistas e caixas de banco são muito comuns.
Há pouco tempo o brasileiro não tinha ideologia.
Era cordial. Corinthiano ou Flamenguista. Tinha, sobre tudo, esperança. Deus era brasileiro.
Com um Papa Argentino, ficou provado que não. 
Hoje o país esta profundamente dividido.
30% da população é de esquerda. Petista e odeia o Bolsonaro.
30% é de direita, evangélicos, e detestam o PT.
30% trabalham duro, tem pouca escolaridade, assistem novela, e votam na esquerda ora na direita. Continuam torcendo para o  Corinthias, e Flamengo, estão devendo 12 parcelas vencidas da compra de um carro, e esperam um dia serem contemplados com "Minha casa, minha vida".
10% não sabem o que são, ou não opinaram.
Mas uma coisa é certa: Anitta conquistou os brasileiros. Com poucos centímetros de fita isolante sobre o corpo, rebolando numa laje, arrebatou seus corações. 
 Anitta com biquíni de fita isolante

1.8.19

Trabalhando em 2004

 Carvãozinho em 2004


Fotos de Guilherme Lunardelli, do autor do blog na PIACABA em 2004

Crônica diária

Amigos, livros a parte

Encontrei numa página da internet o lamento de um escritor: "tenho 158 675 amigos, e quando faço publicidade de um livro, só vendo dois". Na mesma semana Betty Vidigal escreveu, desanimada, que apesar de ter muitos textos inéditos, não pensava em publica-los, porque neste país ninguém lê. Ambos estão repletos de razão. Anunciar livro no Facebook, independente do número de amigos, não vende. E alguém deixou um comentário na postagem do escritor cheio de "amigos" na rede social: "Eles não param nem para ajudar a trocar um pneu na marginal." Também concordo. Fui recentemente convidado para fazer uma noite de autógrafos num restaurante conceituado de São Paulo. Agradeci e não aceitei. Em homenagem aos meus parentes e amigos verdadeiros. Faze-los sair de casa numa noite paulistana, enfrentar transito, pagar estacionamento, comprar o livro, entrar numa fila, é um convite de grego. Não aceitar o meu convite, um constrangimento. Por essa razão ofereço a preço de custo, só dando o trabalho de receber em casa pelo correio. E não tenho do que lamentar, com 6820 amigos no Facebook, também vendo dois livros.

31.7.19

Churrasco na Piacaba

Foto Guilherme Lunardelli

Crônica diária

José Luiz Fernandez e a "Clarice Lispector" fake

Não há porque se orgulhar de determinadas atitudes, até certo ponto recrimináveis, mas que me chamavam atenção, e não vou negar, admiração, quando lia declarações de escritores ou diretores de cinema dizendo que nunca mais abriram seus livros, ou viram seus filmes, depois de lançados. Achava isso no mínimo soberba e superioridade intelectual. Não é nada disso. Tem acontecido comigo. Nunca tinha aberto meus livros publicados. Fui, por curiosidade, foliar o "Intimidades crônicas" publicado em 2018, e na página 209 encontrei uma das poucas ilustrações. Uma foto que o ex colega de Cataguases, José Luiz Fernandez, mineiro e morador em Niterói me enviou. Durante alguns anos era meu leitor diário, e fazia as correções que meu corretor de texto deixava passar. Certo dia discordou de uma frase que postei * e nunca mais falou comigo. Acontece que a foto que me enviou é fake. Trata-se de uma atriz chamada Alice Denham, publicada na Playboy Playmate de julho de 1956. Vinda do José Luiz, postei com grandes elogios, coisa que não fazia com a escritora Clarice. O texto e foto acabaram publicados como crônica 293 do livro. O mal esta feito. Por essas, e certamente muitas outras, é que não gosto de reler meus livros. Arnaldo Jabor e a Clarice são certamente as maiores vítimas de textos  fake. Agora convenhamos, José Luiz, foto é demais. 

*"São Paulo é uma ilha cercada de Brasil por todos os lados".

30.7.19

Baleia na PIACABA

Paulinha, seu filho Fernando, dois amigos dele, e o autor do blog.

Crônica diária

Três pautas

Sobre a mesa tenho três pautas para serem abordadas.
50 anos do primeiro passo do homem na lua.
Ancine, filtro ou extinção.
Ossadas e tumbas vazias no Vaticano.
A primeira delas pode-se resumir que a desenfreada "corrida espacial" como era tratada na década de 60 deixou de ser uma "corrida", para ser apenas uma "caminhada" colaborativa da Rússia, China e USA. Mas nada de novo na face da terra e da lua. Os grandes feitos da história são sucedidos de longos períodos de digestão. São saltos quelevam muito tempo para que sejam absorvidos e assimilados convenientemente.
A segunda pauta, uma promessa de campanha do Presidente Bolsonaro sobre o uso de dinheiro publico na produção de filmes como Bruna surfistinha. Nestes dias determinou a redução dos conselheiros da Ancine, que representavam a sociedade civil, e sua imediata transferência para Brasília, mais especificamente para a Casa Civil do governo, dentro do Palácio da Alvorada. "Ou se cria filtros ou vamos extingui-la." O argumento é que dinheiro público não pode fazer proselitismo político ideológico, muito menos sexual. As igrejas evangélicas aplaudem, os representantes da cultura criticam a medida. Quanto ao combate à pornografia, no mesmo dia leio a notícia de que na Holanda que tem forte fonte de receita proveniente do turismo sexual, acaba de proibir mulheres nas vitrines dos prostíbulos. Sinal dos tempos.
E por derradeiro as ossadas encontradas no Vaticano que depois do exame de DNA poderão confirmar tratar-se da jovem desaparecida há muitos anos, e que denúncias recentes indicaram o local de seu sepultamento. Outros dois mistérios apareceram, durante essas buscas, com jazigos abertos e seus respectivos ocupantes desapareceram. Seriam duas princesas. O Estado do Vaticano, como quase todos os outros não prima pela transparência. Muito pelo contrário. Afinal é governado por homens, e sobre eles, Deus nos acuda.

29.7.19

Duas imagens para relembrar

 Autor desconhecido
Autor desconhecido, mas vale mais do que 1000 palavras. Ambas postadas em algum dos meus 60 blogs, algum dia. Fonte: meu arquivo.

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )