16.12.19

Foto da Glória pelo pai Guilherme

Fotógrafo: Guilherme Lunardelli e modelo sua filha Gloria, minha neta.

Crônica diária

 Produtor de cenários para crônicas

À exemplo de produtores de cinema e fotografia que exigem cenários e argumentos para suas obras, pilhei-me fazendo a mesma coisa com minhas crônicas. Na fotografia e no cinema algumas cenas são externas e muitas em estúdio, com cenário, luz, som cuidadosamente controlados. Hoje escrevi para minha prima Py Pacheco e Silva porque era seu aniversário, e aproveitei para pedir que ela consiga uma foto do meu livro (esgotado) "Flores para a Delegada", ao lado de um dos personagens. Ao escrever esse "quase romance" me baseei para criar a empregada Margarida, que a vida toda trabalhou para a tia Aparecida e avó da Py. Soube nessa ocasião que era chamada carinhosamente de Margo. Numa próxima edição vou usar isso também. Hoje deve estar com perto de cem anos. É uma lenda. Hoje aposentada. As lendas se aposentam. E se estiver lúcida, como espero, gostaria de saber sua reação. Claro que a foto é mais um motivo para uma nova crônica, e assim a fila anda. 

15.12.19

COP 25

 
Eduardo Lunardelli Novaes, meu sobrinho, e assessor especial do Ministro Ricardo Salles na COP 25 Conferencia Climática da ONU, em Madri. por falta de um acordo a sessão de encerramento foi adiada e os trabalhos estão se estendendo até as 5 da manhã.

Crônica diária


"Agora pisei" de Roberto Klotz

Em cinco de julho de 2017 postei minhas impressões sobre "Quase pisei" do Roberto Klotz. Dois anos e meio depois continuo lendo suas impagáveis crônicas. "Agora pisei" é o título e a confirmação de que "crônica é a literatura de bermudas" (frase do Joaquim Ferreira dos Santos). E não por acaso o autor, em quase todas suas crônicas, esta vestido com bermudas camiseta e tenis. Ele além de escrever pratica o cooper. Corre e observa. Tira de suas visões de "esportista", por determinação médica, material para sua crônicas. Comenta a estação do ano. Observa as flores do cerrado brasiliense, seus pássaros, as cores da grama, ora verde mesa de bilhar, ora marrom falta de chuva. Outro foco constante além do cocô de cachorro, são as mulheres que caminham ou correm e ele observa:"Acho maravilhoso o balançar das letras", referindo-se às palavras das camisetas das mulheres. Crônica, como a bermuda, é um texto curto. Uma não tem conexão com a outra. E podem ser lidas aleatoriamente. E foi assim que li o novo livro do Roberto. Tanto quanto no primeiro, continua pisando como Saci. Refiro-me às duas capas. Na primeira foi o solado do pé direito que "quase" pisou. No segundo, e descalço, as pegadas da capa também são de um pé só. Esse humor perpassa toda literatura do autor.  

14.12.19

Nascer do sol em Ibiraquera

Sol nascendo atrás da Ilha do Batuta, na praia de Ibiraquera.

Ctrônica diária


Tudo pode ser um pretexto

Nada acontece por absoluto acaso. E tudo pode ser um bom pretexto. Rever, ou conhecer parentes muito próximos depende apenas de uma iniciativa. Sair da zona de conforto, para usar uma expressão da moda, dar dois ou três telefonemas, e desfrutar de encontros familiares indescritíveis. Depois de certa idade não é comum se fazer novas amizades. Parentes são amigos por natureza, ainda que desconhecidos. Trazem no DNA características comuns que surpreendem, encantam, revelam-se, e criam identidades e condições de um desfrute maravilhoso. Uma telinha a óleo pintada pela irmã mais velha da minha mãe, há mais de noventa anos, a cena de uma gata e seus três gatinhos no chão de um paiol, foi o motivo do encontro. Arnaldo com 90 anos, casado com a Maria Lucia Moraes, é o proprietário da tela pintada por sua mãe, tia Edith. Eu tenho memória  dessa pintura já no apartamento da vovó Nina, mãe da Edith, na Rua Piauí. Antes esteve na casa da Rua Treze de Maio, mas eu era muito pequeno para lembrar. Aos seis ou sete anos lembro dessa tela no corredor do hall de entrada do apartamento. Os pelos, o olhar, e  a posição dos gatinhos, me encantavam. Cinquenta anos depois, demonstrei para minha mãe o desejo de rever a tela. Ela andou falando com os sobrinhos, mas morreu antes de realizar meu desejo. O tempo passou, e por iniciativa completamente diversa, num encontro com os primos, e parentes, num jantar, demonstrei meu desejo para a Maria Lúcia que, imediatamente, nos convidou  para ver "Os gatinhos" na sua casa de campo, em Campos do Jordão. Mas antes disso acontecer, ela me liga dizendo que havia trazido a tela para ser restaurada em São Paulo. Daí não demorou uma semana, nosso encontro. Foi uma noite agradabilíssima. Uma emoção rever a telinha setenta anos depois. A pintura "Os gatinhos" não decepcionou. Pelo contrário, apesar do desgaste do tempo, confirmou minha admiração pela pintura da tia Edith. É tão boa que os próprios netos desconfiam da autoria da avó. Santo de casa não faz milagres. Foi um prazer dobrado rever a pintura e conhecer os filhos do Arnaldo e Maria Lúcia.

Crônica do Alvaro Abreu

Agora vai
 

Na semana passada, aconteceram dois fatos promissores para quem busca caminhos consistentes de promoção do progresso deste nosso pedaço de mundo. 

O primeiro deles: uma grande reunião comandada pelo governador, com a participação de autoridades, dirigentes de grandes indústrias, entidades de representação, instituições universitárias, incubadoras de empresas, pesquisadores e muitos mais. Vi por fotografia e soube, por quem esteve lá, que, sentados em volta de uma mesa enorme no Palácio, trocaram informações e defenderam propostas para que o Espírito Santo, finalmente, adote a inovação e o desenvolvimento tecnológico como instrumentos estratégicos na geração de riqueza local. É chegada a hora de garantir condições para que pessoas determinadas protagonizem o direito inalienável de definir seus projetos, lançando mão das suas próprias capacidades para criar e empreender.

O outro foi o Startup Summit, evento de três dias realizado pelo SEBRAE num enorme galpão de lona, montado num estacionamento da Enseada do Suá, por onde passaram 7000 visitantes inclusive eu e muitos dos que estiveram naquela reunião. Palestras e apresentações, demonstrações, mesas de trabalho, testes e simulações, games pra marmanjos e crianças e muitas outras atrações interessantes. Praticamente ninguém comprando nem vendendo, mas tentando impressionar quem se interessasse por algo inovador, recém criado ou em desenvolvimento. Não vi ninguém triste ou reclamando. Pelo contrário, as caras eram de pura emoção, de curiosidade e entusiasmo. Vi muitas pessoas debatendo ideias e olhando com inveja boa para quem, cheio de orgulho, mostrava o que tinha conseguido materializar junto com sócios. É provável que estivessem por ali investidores de olho em bons negócios. Certamente, um ambiente verdadeiramente novo, animador e estimulante.

Eu era um dos mais velhos que estavam ali. Encontrei muita gente com quem venho convivendo há 30 anos, desde quando começamos a falar em empreendedorismo e empresas de tecnologia por aqui. Demorou, mas acho que agora vai.     

São Paulo, 12 de dezembro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

13.12.19

Banksy e sua obra neste natal (2019)

 Homem deitado em banco ao lado de grafite de Banksy em Birmingham

Crônica diária

Pirralha e geringonça

I - Eleger a "pirralha" Greta Thunberg (16 anos) como personalidade do ano, demonstra como a revista Time, e outras instituições, tem encontrado dificuldade em eleger, ou premiar verdadeiras personalidades. O mundo anda muito infantil nas aparências, e pouco nobre na essência..

II - "Geringonça" foi o termo usado pelo articulista Vinícius Torres Freire para resumir o primeiro ano de governo do Bolsonaro. Quem apelidou a mini-ativista Greta de "pirralha"  foi o Presidente.

12.12.19

Desenho

Com forte influência do amigo Wesley Ducke Lee

Crônica diária

 Mãe tem sempre razão

Na casa dos meus pais, todos os filhos engraxavam seus próprios sapatos, pelo menos uma vez por semana, ou quando necessitavam. Claro que achávamos chato e fazíamos reclamando. Quem comandava a casa era minha mãe. E ela nos dizia, "engraxar sapato não tira pedaço, e um dia vocês vão me agradecer". Isso faz mais de setenta anos. Tirei do armário um mocassim marrom, desses próprios para dirigir, que não tem sola de couro, mas umas borrachinhas no solado e calcanhar. Uma delícia no pé e no volante. Mas como estavam guardados há muito tempo, o couro reclamava uma graxa. Pedi para a moça que trabalha em casa dar uma boa engraxada. Não deu. Ficou opaco e continuou com aparência de ressecado. Ela provavelmente nunca havia engraxado um sapato na vida. Deixei passar uns dias, para não ofender a moça, peguei a caixa de graxas, com três latinhas, uma de cada cor, três escovas para brilho, mas faltavam os paninhos, e as escovas de dente usadas para passar a graxa nos cantos e brechas onde os paninhos não chegam. Ficou uma beleza. Foi tão gratificante fazer isso tantos anos depois. E melhor, não porque não tivesse quem fizesse por mim, mas pelo prazer de fazer. Nossas mães tem sempre razão.

11.12.19

Crônica diária


Os gatinhos da tia Edith

Em 28 de março de 2018, faltando três meses para dois anos atrás, escrevi sobre lembranças da casa da minha avó Nina (Sebastiana Camargo Penteado). Entre outras coisas disse: "Outra lembrança que trago, já não é da casa, mas do apartamento da rua Piauí. Na parede do corredor de entrada havia uma pequena tela de uma ninhada de gatinhos. Autoria, tia Edith, irmã mais velha de minha mãe. Antes da minha mãe morrer, tentei rever essa tela, que na ocasião estava na casa do Salvio ou da Nedy. Hoje deve estar com um dos seus filhos. Gostaria muito que fotografassem e me enviassem. Foi uma pintura acadêmica que marcou-me na infância. Fica aqui o registro." Em outubro deste ano (2019) aconteceu um encontro delicioso com meus primos e agregados do lado Penteado. E lá estava a Maria Lúcia Moraes, casada com o Arnaldo e hoje detentores da "preciosa" obra da ninhada de gatinhos. Conversamos sobre o assunto, e como a tela se encontra na casa de veraneio, em Campos do Jordão, ficamos de combinar oportunamente uma visita. Dois meses depois a Maria Lúcia me lega, e informa que os "gatinhos" vieram para São Paulo para sofrer um restauro. Combinamos mais uma vez um café para meu encontro com essa "memória" de infância. Antes ou depois do restauro, não importa. Sei exatamente como era real e linda essa pintura. Vou consultar meu amigo Claudino Nóbrega para saber quem pode cuidar do restauro, e depois da visita, conto como foi minha emoção.


10.12.19

Sandra, minha filha

Óleo sobre tela

Crônica diária

"Essa Gente" do Chico Buarque

O meu amigo Leonardo, por telefone decretou: "...do Chico e do FHC eu não compro mais livro, e não leio mais nada". A polarização e extremismos ideológicos chegaram ao extremo. Eu ponderei que do FHC não me interessa o que pensa, e o que fez eu já sei, mas do Chico tenho curiosidade de ler seu ultimo romance. E comprei "Essa Gente". O danado escreve bem. O livro muito biográfico e repleto de observações contemporâneas do Brasil 2019 ou Bolsonarista, é muito bem estruturado. Ele descreve, como só um bom observador e grande escritor, cenas de um churrasco na favela, ou um banho de mar ao lado de surfistas, como precisão cirúrgica. Diálogos perfeitos, e um humor constante e cínico, prende o leitor com uma história banal de um escritor de 66 anos, em busca de inspiração para seu décimo segundo livro, atrasado dois anos em relação aos adiantamentos e contrato com seu editor. Ás voltas com suas ex mulheres, um filho e seu cachorro paquera uma ruiva linda e jovem mulher de um salva vidas crioulo. Nos lamentos, e algumas passagens do livro, pode-se constatar no personagem do escritor, temores do jovem Chico, com quem convivi no Colégio interno de Cataguases. Não é seu melhor livro, mas também não é o pior. Ainda que tenha faltado uma história mais complexa, a forma e narrativa, própria do autor, nos garante que ainda poderão vir outras obras à altura do "Leite Derramado", na minha opinião seu melhor.

9.12.19

Flora Figueiredo e o Cronicante

Agradeço todas as gentilezas da poeta Flora Figueiredo

Crônica diária

O poder do humor

Há exatamente uma semana me deparo com um comentário da amiga e leitora Irene Kantor que me fez rir. Rir e não apenas sorrir, ou mexer os cantos da boca. Rir de sair lágrimas. O famoso, e cada dia menos comum: "Chorei de rir".
Eu havia escrito:
"Meu sapato mais novo tem mais de cinco anos, e nem conto a idade dos mais velhos, e não são muitos, para não declarar minha idade".
Foi quando ela comentou:
"Kkk! Quanto aos sapatos poderem entregar sua idade, sorry, mas seus pés NÃO calçam o mesmo número que quando você estava no primário."
Adoro presença de espírito e gente bem humorada. E o que mais provoca riso é o inesperado da piada. E de quem não se espera uma. Ao contrário de quando se esta acostumado a ler comentários hilários, como os do Roberto Klotz, que quando escreve alguma coisa séria, nos deixa preocupado. Releio para conferir se não fui eu quem não percebeu a graça.

8.12.19

Pintura do meu neto Pedro (10 anos)

Pedro Lunardelli Moreira
No dia 5/12/2019 comentaram no FB mais de 116 amigos,
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