22.2.19

Betty Vidigal


Crônica diária

Um indivíduo cancheiro

Um senhor de setenta anos, barba branca, olhos azuis, foi chamado de "cancheiro" por uma senhora na internet. A palavra me chamou atenção. Ela revelava carinho, admiração, ao mesmo tempo que me remetia a uma expressão usada pelos jovens, em São Paulo, na década de 60. Fulano tem cancha. E queria dizer "leva jeito", "tem habilidade", com relação a um esporte ou numa pista de dança. Ou ainda "tem charme". Mas cancheiro nunca tinha ouvido ou lido até hoje. Fui buscar no Google e lá estava: "O dialeto gaúcho (também conhecido como "dialeto guasca") é um dialeto do português falado no Rio Grande do Sul, e em parte do Paraná e de Santa Catarina. Fortemente influenciado pelo espanhol, por força da colonização espanhola, e com influência mais reservada do guarani e de outras línguas indígenas, possui diferenças léxicas e semânticas muito numerosas em relação ao português padrão - o que causa, às vezes, dificuldade de compreensão do diálogo informal entre dois gaúchos por parte de pessoas de outras regiões brasileiras, muito embora eles se façam entender perfeitamente quando falam com brasileiros de outras regiões. Na fronteira com o Uruguai e Argentina a influência castelhana se acentua, enquanto que regiões colonizadas por alemães e italianos mantém as respectivas influências. Algumas palavras de origem africana e até mesmo da língua inca também podem ser encontradas. Foi publicado um dicionário "gaúcho-brasileiro" pelo filólogo Batista Bossle, listando as expressões regionais e seus equivalentes na norma culta". 
E como definição de cancheiro:
"adjetivo Acostumado a canchas: Cavalo cancheiro. 
Hábil em canchas.

21.2.19

Picasso


Crônica diária

 "A transparência do tempo" - Leonardo Padura

Li três ou quatro romances desse autor cubano que faz muito sucesso no mundo todo.  "O homem que amava cachorros" é sem nenhuma sombra de dúvida seu melhor livro. O ex-policial Conde é um personagem fascinante. Mas a leitura deste ultimo livro, impresso dia 15 de novembro de 2018, dia do meu aniversário, e dia nacional da umbanda, foi menos difícil que do "Hereges", que não gostei. Mas este ultimo li por puro capricho. Padura poderia ter contado a mesma história num terço das páginas. Dois terços se referem a outras histórias fictícias, desnecessárias e enfadonhas. Em muitos momentos me perguntei: por que estou perdendo tempo com esta leitura? A resposta do Padura, certamente, seria: "escrevo para quem quer passar o tempo". Talvez daí o título óbvio: "A transparência do tempo".
                                                                       Leonardo Padura

20.2.19

Lira Neto


Crônica diária

Cuidado ao ligar para as pessoas

Algumas poucas pessoas, ao ligarem para alguém, não deixam de perguntar: "você pode falar?" Mas não é o que acontece em geral. As pessoas ligam e disparam uma conversa enorme sem saber se do outro lado (antigamente da linha) do sinal de satélite, a pessoa esta em condições de atender e responder à ligação. Não existem mais telefone fixo, praticamente. E quase todo mundo, no planeta, tem um celular. Em Portugal um telemóvel. E se pode ligar o tempo todo, para todo mundo. Algumas poucas personalidades como o Papa, o Presidente, a Rainha da Inglaterra, ou seu médico tem uma telefonista que checa o número, um assistente que completa a ligação, confere se é a pessoa certa que esta falando, e quando transfere a ligação, o interlocutor entra direto no assunto, e muitas vezes com interprete. Fora desses casos é preciso perguntar se a pessoa que atendeu pode falar. Com o advento do celular é fundamental. Respeitar os fusos horários, e não ligar em horas impróprias. Mesmo em horário apropriado é preciso cuidado. A pessoa pode estar sem condições de falar, apesar de atender. Por isso é importante perguntar :"você pode falar?" Independente da amizade,  parentesco, ou hierarquia. A pessoa chamada pode estar num viva voz do seu carro. Podem estar ouvindo a chamada três ou mais pessoas. Pode estar na catraca do metrô. Na cadeira do dentista. Na cama com a amante, ou na mesa do ginecologista.  

19.2.19

Domenico Sartoni


Crônica diária

A queda do Gustavo Bebianno

A vitória do nosso capitão se deu por mérito pessoal do deputado, que percebeu os rumores das ruas, e se pôs em campanha dois anos antes das eleições de outubro passado. A batalha para um deputado inexpressivo vencer uma eleição presidencial não é pequena. Durante uma campanha toda ajuda e colaboração é sempre bem vinda. Houve uma disputa entre partidos nanicos pelo nome do capitão quando sua vitória já era uma possibilidade real. O PSL ganhou e o articulador do partido virou seu presidente e Bebianno fez de tudo para se aproximar do candidato. Fez parte do núcleo central da campanha. Uma coisa é campanha eleitoral, onde até um senador como o do Espírito Santo,  Magno Malta, derrotado nas eleições,  tem seu lugar e papel. Outra é ministro ou executivo de um governo. Bebianno teve mais sorte e conseguiu ser nomeado Ministro da Secretaria-Geral da Presidência,     pasta previamente esvaziada. Quando ficou claro que ele era um espião do PT dentro do Governo, quando foi desmascarado fazendo gestões para a Rede Globo de televisão, considerada inimiga do capitão, agora Presidente, não havia outra alternativa se não exonera-lo. Esses são os fatos. A gota d´agua foi o "caso" do PSL sob sua presidência ter usado candidatas "laranja" para se beneficiar de R$400 000,00 do fundo partidário, isto é, dinheiro público. Trocas de farpas entre o Bebianno e o Carlos Bolsonaro são ruídos da mesma crise, não o âmago da questão. Ainda bem que o nosso Presidente (capitão) tem três filhos políticos e absolutamente alinhados. Um vereador, um deputado e um senador. Esta permanentemente bem informado de tudo que rola no mundo real. Sete ministros militares bem informados e afinados entre si. E só assim o nosso capitão poderá levar avante a guerra de extirpar o país do aparelhamento petista. Despetizar e desratizar nosso Brasil. Não mintam para os três filhos, não brinquem com sete generais.

18.2.19

Uma Glória

Foto GUILHERME LUNARDELLI, Miami 2019

Doris Lessing


Crônica diária

O poder judiciário

Já dizia, ou atribuem ao Rui Barbosa, a seguinte frase:"A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela não há a quem recorrer". E se disserem que a frase não é dele, que é fake, eu a assumo. Recentemente o Presidente do STF, Ministro Toffoli, reuniu-se com o Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e saiu-se com essa: "O Judiciário poderá ser o poder moderador." Quanta besteira! Ao Toffoli falta leitura. Os três poderes da república, numa democracia, são independentes. Os reis, nas monarquias, é que tinham o Poder Moderador. O nosso STF, como reflexo de uma maioria de membros indicados pelos governos de esquerda, esta completamente na contra mão dos desejos da maioria do povo brasileiro. Quem governa o Brasil por quatro anos é o Presidente Bolsonaro. Representa o eleitor deste país as duas casas legislativas: Câmara dos Deputados e Senado. Ao Judiciário só cabe interpretar a Constituição. E só. #foratoffoli

17.2.19

Minha neta Gloria e INTIMIDADES CRÔNICAS

Que orgulho viver para ver minha neta de 10 anos lendo meu ultimo livro. Só isso valeu ter publicado.

João Ubaldo Ribeiro


Crônica diária

A vizinha da tia do amigo do Leonardo

 Já escrevi sobre um jardim que tem um labirinto para as pessoas se encontrarem, ao contrário dos tradicionais, que levavam elas a se perderem. Gostaria de recomendar para um punhado de gente que anda precisando pensar na vida, e injuriar menos o atual governo que mal se iniciou. E quando não quero tratar de um determinado assunto na primeira pessoa, jogo no lombo de um personagem fictício. Digo que o meu amigo Leonardo tem um amigo que lhe contou que a vizinha da sua tia chama o nosso presidente de "o coiso". E alega que os "filhotes" do presidente são mimados, e atrapalham a governabilidade. Nunca se refere ao Presidente como tal. Usa sempre essas "palavras" "coiso" ou "boso", ou no máximo, Bolsonaro. Uma falta de respeito e ironia descabida. A exemplo do que uma parte da imprensa vem fazendo. O presidente merece respeito pelo cargo que ocupa. Seus familiares respeito como todos familiares de autoridade, sem levar em conta que não são quaisquer desocupados. São vereadores, deputados e senadores da república. E a vizinha da tia do amigo do Leonardo ainda diz mais: "que o governo é fofoqueiro". Durma-se com um barulho desses.

16.2.19

Jim Thompson


Crônica diária


Os robôs e as galinhas

Dois filósofos portugueses trataram por acaso (ou isso não seria acaso), no mesmo dia, de um assunto que certamente aflige a Europa, mas não é prioritário aqui, onde os robôs ainda não são o maior problema. Aqui é o roubo. Palavras de sonoridade semelhantes, e talvez, consequências idem. Na Europa os robôs subtraem emprego. Geram uma triste expectativa de vida para os jovens. No dizer do Rui Silvares os ricos vivem dos ovos de ouro das pobres galinhas. Continua sem saber qual dos dois nasceu primeiro. Mas teme pela vida das "galinhas". Já o Jorge Pinheiro é mais pragmático e prevê que num futuro não distante, os governos taxarão fortemente as empresas, para com a receita distribuírem uma "renda mínima", para o povo poder gastar, e manter a roda girando. Aqui não foram os robôs que criaram 14 milhões de desempregados mas 14 anos de desgovernos de esquerda, corruptos e incompetentes. Foi o roubo, o assalto aos cofres públicos que criaram a atual situação. Quanto taxar as empresas e dar bolsas isso já vem ocorrendo em larga escala, sem sucesso. Temos uma das maiores cargas tributária do planeta, e  bolsas de todo tipo. Até bolsas para ex-terroristas. Bolsas na forma de subsidio para setores da economia. Três meses de salário para quem é despedido, ajudando a mante-los desempregados, ou trabalhando na informalidade. Economia estagnada, a previdência quebrada,  e a roda patinando.
                                      A Galinha                                                                            A Galinha dos ovos
                                                 Jorge Pinheiro (2010)                 e                      Rui Silvares (2008)

15.2.19

Vinícius de Moraes


Crônica diária


Alguns comentários sobre algumas caricaturas 

Depois de tanta desgraça num mês só, ainda não esta dando para fazer humor, mas vou falar das ultimas quatro caricaturas que fiz ultimamente e de uma antiga. Faço como terapia. Me dá muito prazer, e em alguns casos me desopila o fígado. As ultimas quatro (publicadas no blog Vítima da Quinta, www.vtmadaquinta.blogspot.com.br , com mais de 875 caricaturas), Ozualdo Candeias, Marcel Dupchant, Arthur Virgílio Neto e Kristina Ohlsson, e uma antiga do Jo Nesbo. Nenhuma por acaso. Como nenhuma das 875 foram por acaso. Ozualdo Candeias foi um diretor de cinema importante no Brasil. Fui seu assistente de direção num episódio do filme "Trilogia do Terror"( 1966). Marcel Dupchant dispensa apresentação. Pintor, escultor e poeta francês, cidadão dos Estados Unidos a partir de 1955, e inventor dos ready made. Arthur Virgílio Neto (Manaus, 15 de novembro de 1945) é um político e diplomata brasileiro, ex-deputado, ex-senador, e reeleito prefeito de Manaus. Nascemos no mesmo dia, ele dois anos depois. E por fim Kristina Ohlsson ainda não conheço sua literatura mas foi muito bem recomendada e lerei dela "Desaparecidas", porque não encontrei seu best-seller "Silenciadas". É considerada uma das melhores escritoras suecas, rivalizando com Jo Nesbo, de quem gosto muito, e já foi minha vítima. 





14.2.19

Charles Bukowski


Crônica diária

Dr. Navarro ?

Não é comum, mas esse dia eu estava com uma camisa branca e calça azul claro. Tive que fazer um retorno no Hospital das Clínicas e foi lá que as seis e meia, quase escuro ainda, se estava. Só fui atendido as oito e meia. Duas horas entre filas e cadeira de espera. TV sem som, mas cujas legendas dava para saber do que falavam nos noticiários matinais. Tragédias, desastres, mortes, e a moça do tempo. Minha consulta foi rápida. Ao sair pelos corredores do Hospital, apinhado de gente, percebi que era notado por quase todos por quem passava. Numa rampa uma senhorinha parou na minha frente e perguntou franzindo os olhinhos: Dr. Navarro? Fui obrigado a frustra-la. Em hospital qualquer um de branco é médico.

13.2.19

Oswald de Andrade


Crônica diária

Um turista sueco perdido nas favela carioca

Gostaria de poder falar para quem não pensa como eu. Escrever aqui onde só os amigos me honram com suas leituras, agrega muito pouco. Mesmo quando amigos discordam, evitam se manifestar, e quando o fazem, são gentis, elegantes, educados, pessoas politicamente corretas, urbanas e civilizadas. Ao contrário, quando comento ou exponho opiniões em blogs ou páginas de rede social, onde frequentam (como num clube fechado) pessoas com as mesmas ideias, opiniões e ideologia, diferente da minha, sou escorraçado.  Eles não tem argumentos, e repetem seus mantras absurdos. E pior no mais baixo calão. Insultam, ofendem, xingam. É uma pena ter chegado a este ponto. As ideias não fluem mais de um lado para o oposto. Como seria de se esperar. É completa perda de tempo tentar dialogar. E vou usar aqui como exemplo insuspeito e bem atual: a luta dos irmãos Cid e Ciro Gomes, dois velhos cangaceiros, que tentam sem sucesso unir as esquerdas brasileiras. Tentam ocupar o vazio deixado pelo chefe da quadrilha criminosa do PT. Mas seus militantes, cegos pelo ódio,  surdos pelas evidências, só não são mudos ao insultarem, ofenderem, escorraçarem os que os tentam unir. Ciro e Cid tem razão em chama-los de "babacas". Se entre eles próprios não há diálogo, imagine eu, com meu passado e presente, sempre absolutamente coerente, tentar uma conversa civilizada. Sinto-me um turista sueco perdido nas vielas de uma favela carioca.

12.2.19

Ruy Castro


Crônica diária

Mais uma notícia triste

As sete horas, todos os dias, eu publico um texto aqui, a que dou o nome de crônica. Meia hora depois ouço os comentários do jornalista Ricardo Boechat na BandNews. Hoje o Brasil não ouvirá mais a sua voz, seus comentários e suas gargalhadas com o colega José Simão. Ontem um pouso forçado, na volta de Campinas, o helicóptero em que viajava, bateu de frente com um caminhão, que acabava de passar pelo pedágio. Morreu junto com o piloto depois de ter decolado, quinze minutos antes, quando acabara de fazer uma palestra para funcionários de uma empresa farmacêutica. Essa é mais uma tragédia que se soma a morte de dez jovens jogadores do Flamengo. Uma enchente que deixou mortes no Rio. Brumadinho com mais de 300 mortos. E ainda estamos no início de Fevereiro, três semanas para o carnaval. 

11.2.19

Simone de Beauvoir


Crônica diária


Sobre o voto aberto 

Os atuais presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre,       apesar de serem do mesmo partido, DEM, divergem quanto ao voto aberto ou fechado para eleição do Presidente das casas, como manda os regimentos internos de cada uma. O Maia argumenta, a meu ver com razão, que deve continuar fechado para evitar que o executivo possa interferir nas eleições, tanto do Senado como da Câmara. Essa independência é fundamental para o bom funcionamento da democracia. Se não vejamos: um presidente da República, eleito pelo povo, e que por temer um Congresso adverso, poderá facilmente aliciar deputados e senadores a votarem para presidir as duas casas, pessoas ligadas aos seus partidos ou ideologias. O voto sendo secreto sempre há uma defesa do parlamentar contra essas influências ou chantagens. Aí me dirão, que o parlamentar que enganar secretamente o executivo, com mais razão, enganará o eleitor que o elegeu. Mas aí não se trata de discutir sobre o voto aberto e transparente, e sim sobre o caráter e moral dos candidatos. E não vamos nos iludir que se possa ter no congresso homens e mulheres diferentes do povo que os escolheu. Essa é uma premissa básica. Daí, só a mudança do voto,  não vai resolver o problema. É preciso uma (mais uma) reforma do modelo político brasileiro. Reforma partidária. Voto distrital. Cinco partidos no máximo. Voto não obrigatório. Comprometimento dos partidos com seus candidatos, e dos candidatos com suas legendas. Fim dos partidos de aluguel. Com melhores quadros de políticos, os eleitos serão necessariamente melhores políticos. Aí o voto pode continuar fechado, unicamente nesses casos expressos na Constituição, e no regimento do Congresso.

10.2.19

Elizabeth Bishop


Crônica diária

Intelectuais desocupados jogam para suas plateias

1º -Vou deixar de escrever sobre abacate, chocolate, queijo e eletrodoméstico para me dedicar aos "intelectuais" que sempre se envergonharam de assumir seus "petismos", mas nunca deixaram de defender os petistas. Agora que a esquerda petista esta órfão de liderança, outras esquerdas (leia-se Ciro Gomes) não conseguem aglutinar-se, e são chamadas pelos irmãos Cid e Ciro, de "babacas".

2º - Outro intelectual que mantém a herança esquerdista na segunda geração, partindo do avô, chama de "idiotas", ou pessoas com "ódio ao PT", as que votaram no Bolsonaro. Só refere-se a ele como 
"coiso". Engana-se. Não me considero idiota e votei, não por ódio, mas por amor ao Brasil. Compara o que não pode ser comparado. Os pequenos, e sem nenhuma importância, desacertos de início de governo, com o descalabro monstruoso, criminoso, causado pelos governos dos últimos 14 anos. Assalto e quebra da maior empresa do Brasil: Petrobras. 14 milhões de desempregados. Economia em frangalhos. A maioria dos responsáveis na cadeia ou respondendo criminalmente. E esse intelectual socialista vem me falar de "bíblia", "vacina", "goiabeira", Ministro Colombiano", "negócios do senador Flavio Bolsonaro", do "Olavo de Carvalho", e coisinhas desse porte e monta. E por fim ataca a falta de cultura do capitão, tendo como ídolo um analfabeto de pai e mãe. É pesaroso pensar que o Lula terá que gramar mais de 25 anos de cadeia, sem conseguir passar o tempo lendo. Isso sim deveria ser objeto de preocupação de quem não tem mais o que fazer, a não ser falar mal do mito. Derramam impropérios e leviandades a todo momento. Desejam a morte do Presidente. E vão nessa linha de mau gosto, indiferentes com o que possa acontecer com o país, que por maioria, e legitimamente escolheu-o como nosso mandatário por quatro anos.

3º - É bom "Jair" se acostumando.


9.2.19

Humberto Eco


Crônica diária

Consumição

Tenho falado de palavras que entram na moda, e tenho escrito sobre um amigo (de esquerda), artista e professor em Lisboa, que escreve maravilhosamente. Rui Silvares tem um blog, de quem tenho falado também: "100 cabeças". O título de sua ultima postagem foi "Consumição". Há em nossa língua palavras usadas em Portugal que não conhecemos e não usamos aqui. Estendal, por exemplo. Aqui é varal. Mas consumição existe lá e cá. E significam exatamente a mesma coisa. E o Rui, em seu texto, tratava da pouca durabilidade dos eletrodomésticos. Antes eram feitos para durar todo o tempo. Hoje só o tempo da garantia. Dois anos. E isso criou o hábito da consumição.

Crônica do Alvaro Abreu

Nas estradas
 
Na última terça feira, bem quando começava a primeira chuva depois da estiagem deste verão, despachamos um filho, uma nora e três netos para São Paulo. Foram em carro lotado até o pescoço e com uma bicicleta pendurada na traseira. A arrumação da bagagem foi feita na véspera, para deixar tudo pronto para a viagem que começaria com os meninos ainda dormindo no banco de trás entre cobertas e travesseiros. Malas de todos os tamanhos, muitas mochilas, sacolas e pacotes, case com violão, caixa de som, pedestais de microfone, ventilador de teto desmontado, alguns brinquedos e uma bola de futebol. Para complicar mais um pouquinho, foi necessário refazer a primeira arrumação para poder colocar por baixo de tudo o tal carrinho de rolimã do vovô, que não poderia ficar pra trás. Em seguida, tive que aprender a colocar bicicleta num desses racks que se vê por aí. Por precaução, usei tiras de borracha de câmara de ar, recurso poderosíssimo para fixar o que precisa ser fixado com garantia.
O farnel pra viagem foi feito na véspera. Foram levando duas sacolas de sanduíches sortidos, as maçãs e ameixas que encontrei na geladeira, biscoitos, garrafinhas de água, além de copos de plástico, guardanapos de papel e um pano de prato. Para os motoristas, uma garrafa térmica com café feito pouco antes da partida.

A operação de enfiar no carro todos - eu disse todos - os itens da bagagem de fim de férias longas aqui e no sul da Bahia, foi feita com base em experiência adquirida ao longo de anos de levar de um lado para outro uma família que não parava de crescer. Sempre a bordo de um Corcel 73 e seus sucessores, até adotarmos de vez, os modelos com bagageiro espaçoso e aberto pra dentro. As crianças adoravam viajar dormindo lá atrás. Fugindo da Kombi, resolvemos comprar um ônibus que, transformado em simpático trailer, facilitou o serviço de levar mulher, cinco filhos, arara e amigos para passear. Além de muito espaço e conforto, as viagens no busante tinham sempre um gostinho de aventura e ainda hoje não saem da lembrança de muita gente.


Vitória, 06 de fevereiro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

8.2.19

Wood Allen


Crônica diária

Hoje o assunto é queijo

Meu leitor Tariel Djigaouri fez um comentário sobre uma coisa que eu nunca tinha pensado. Para nós brasileiros um doce de leite, de abóbora, de banana, de goiaba, de pêssego, de figo, de casca de laranja em calda  é quase obrigatório a companhia de fatias de queijo. No resto do mundo não é bem assim. Muito pelo contrário. O queijo é por si só uma iguaria a ser degustado como tal. Principalmente na França, onde produzem e cultuam os melhores do planeta. Na Itália, Suiça e Portugal, entre outros, existem queijos tradicionais e regionais que rivalizam com os da França, embora nenhum francês concorde com essa afirmação.  Os doces na Europa não exigem nenhum acompanhamento, muito menos salgados. Eu nunca tinha feito essa reflexão. Tariel ao chegar ao Brasil estranhou "queijo com doce. Que horror. Só me rendi ao Romeu e Julieta." 
Ainda sobre queijos lembro uma história passada há oitenta anos na cidade de São Paulo. Quem contava era minha mãe, de família de paulistas "quatrocentos anos". Comiam queijo fatiados com aqueles cortadores de prata (hoje de inox) que tiram lâminas quase transparentes. Ficou noiva do meu pai, e no primeiro jantar na casa do sogro, imigrante italiano, escandalizou-se com o pedaço de queijo cortado com faca, à moda campesina italiana.
O queijo e o doce aqui passaram a conviver harmônica e pacificamente, não importando a espessura das fatias.
                                               Tariel Djigaouri

7.2.19

Marcelino Freire


Crônica diária

 Ainda sobre sanduíche

Recomenda a boa prática que não se deve repetir o mesmo assunto da crônica do dia anterior. Acontece que o tema é vasto, e pode ser abordado sob vários aspectos, apesar de já tê-lo feito em muitas outras oportunidades. Um dia talvez possa reunir esses textos e publicar um livrinho só sobre sanduíches. Pelos comentários da crônica de ontem notei que havia leitores que nunca  comeram sanduíche com abacate. Como deve haver gente que nunca experimentou pão francês com barras de chocolate. Na época da páscoa essa prática era comum na casa dos meus pais. Voltei a fazer um sanduíche de pão e ovo de chocolate, e talvez por conta da idade, ou da espessura do ovo, meus dentes da frente reclamaram. Há idade para tudo. Ainda nessa linha de pensamento tenho tido problemas com o pão que eu mais gosto, francês de casca dura. Tenho substituído por  ciabatta que praticamente não tem casca. E recentemente comi um com carne moída crua e grãos de avelã. Maravilhoso. Foi há mais de quarenta anos que li o livro da história do Mac Donald. Conta como os sócios e donos construiram a maior rede de fast-food do mundo. Por derradeiro, e repetidamente, conto a história que meus colegas de Cataguases (vivos e com boa memória) devem lembrar. O Chico Buarque, enquanto estudava lá, certo dia saiu-se com esta: "Um dia quero ser famoso como o sanduíche Bauru". Quis o destino que ele fosse ainda mais conhecido que o sanduíche.  
                                                                   Chico Buarque

6.2.19

Anais Nin


Crônica diária


Sanduíche de abacate


Aqui no Brasil o abacate é pouco usado na alimentação. Talvez  por conta de sua gordura vegetal. Apesar de ser uma gordura do bem. Essa fruta segundo Leonardo Padura tem alimentado o faminto e pobre povo cubano. Em seu recente livro “A transparência do tempo” nos diz como eles comem o abacate. “...só temperado como salada,” “... fatias de abacates salpicadas com sal e enfiadas dentro de um pão.” “Quantos banquetes desmesurados eles acompanharam de salada daqueles mesmos abacates , às vezes regados com azeite de oliva, umas gotas de limão que realçavam o sabor pastoso e rodelas de cebola para aumentar o prazer papilar e gástrico.” Mas não é de agora que  sou fã de abacate. No Colégio de Cataguases, na cantina havia uma “vitamina” de frutas batidas com leite, e entre elas o abacate. Ou mesmo na juventude comi muito abacate na casca, com açúcar ou mel. E foi no Chile que conheci um sanduiche de abacate. Ao lado de casa fechou na Haddock Lobo, o Blue, onde se comia os melhores sanduíches de São Paulo. Ao lado dele acaba de abrir outro chamado Mondo Pane, onde já comi duas vezes. A ultima delas um sanduíche de camarão, e abacate. Maravilhoso.

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