22.10.19

Irene Kantor e o CRONICANTE


Crônica diária

Sinopse de um conto policial 

Banksy, o serial killer 

A policia já sabia que o assassino assinava seus crimes com a alcunha do famoso artista Banksy. Só não conhecia sua verdadeira identidade, como ninguém sabe a do artista.  Algumas deduções já tinham feito. Não era um marginal qualquer. Tinha certa cultura. Havia dúvidas se agia sozinho, e suas vítimas sempre eram homens envolvidos com a justiça. Pedófilos, estupradores e assassinos de mulheres. Um verdadeiro personagem dos romances do Rubem Fonseca. Parecia ser um justiceiro. Outra característica das suas mortes, e inéditas até então, era colocar as vítimas vivas amarradas pelos pés e mãos no triturador do caminhão de lixo. Essa curiosidade despertou o interesse da imprensa e deu grande notoriedade ao serial killer Banksy. Nos primeiros casos a policia fez vista grossa, até porque a maioria eram enterrados como indigentes, e as famílias nunca procuravam os corpos. Tudo acabava passando com mais uma foto nos jornais de outro caminhão de lixo abandonado após um assalto. Sempre em cidades pequenas, no interior de três ou quatro estados. Com o tempo os casos começaram a chamar atenção pelo modus operandi do criminoso. Primeiro rendia o motorista e depois os lixeiros do caminhão. Sob mira de uma arma, amarrava os pulsos dos dois ou três lixeiros e do motorista, imobilizando-os. Subia no caminhão levando os celulares dos assaltados para que não pudessem se comunicar nem com a repartição das Prefeituras, nem com a polícia. Essas abordagens se davam em ruas desertas das periferias, ou em estradas de terra que levavam aos depósitos de lixo. Nunca foi encontrado o meio de transporte do assaltante, nas imediações do assalto, e depois da fuga dele com o caminhão. E por depoimento dos assaltados a polícia sabia que se tratava de um homem alto, muito forte, sempre com um capuz preto sobre o rosto, e luvas de couro preto. Preso na cintura portava uma capanga com um rolo de corda fina que usava para imobilizar os assaltados e suas vítimas. Falava pouco, e sempre demonstrando calma e precisão nas suas ações. Tinha absoluto controle da situação. Um criminoso experiente. Falava que se chamava Banksy, e que se a policia fosse avisada na próxima hora, todas as suas famílias corriam risco de morrer. Todos os assaltados cumpriram a determinação. Em alguns casos o caminhão abandonado, sem as chaves da ignição, era encontrado a poucos quilômetros do local do assalto. No primeiro caso a vítima do Banksy só foi localizada no interior da caçamba do caminhão dias depois do assalto. E foi o cheiro do cadáver triturado no interior do tambor do caminhão que chamou a atenção. O caminhão havia sido guinchado para o pátio da delegacia para ser periciado, e ninguém dera conta do morto no interior do veículo. Nas vezes seguintes em que caminhões de lixo eram encontrados abandonados a imprensa e policia já sabiam que havia uma vítima no seu interior. Faz alguns meses que nenhum caminhão de lixo é encontrado abandonado, mas toda a categoria de motoristas e lixeiros andam assustados durante suas rotinas de trabalho. A polícia ainda tem muitas dúvidas sobre como opera o Banksy. Como chega ao lugar do assalto ao caminhão? De moto? De carro? Como? Nunca foi encontrado esses veículos. E onde deixa sua vítima amarrada antes do assalto. Abandona o caminhão com sua vítima morta, e como se locomove, uma vez que é sempre em lugares sem outros meios de condução a não ser moto ou carro. Como leva sua vítima para o lugar da execução? São perguntas sem resposta até hoje. Uma das teorias é que esses serviços de coleta de lixo tem dia, hora e itinerários fixos. Mas isso não responde a todas as perguntas. A qualquer momento o Banksy pode voltar a agir.

Convite do Luiz Lunardelli

Livro sobre as 30 famílias de Lunardelli que vieram para o Brasil.

21.10.19

Natureza morta e CRONICANTE


Crônica diária


Tempos de pastilha de anis e Dan Top

Que idade nós tínhamos? Talvez uns oito ou nove. Estudávamos no Dante Alighieri , cujos diretores na época eram o Porta e o Porreta. Aulas de italiano eram facultativas, mas duas línguas eram obrigatórias, inglês e francês, na maioria. Mas não é do ensino nem do seu Marino, que tocava o sino, que vou tratar. Falo hoje dos jogos de futebol no recreio, onde o pátio era, e continua sendo, de pedra portuguesa. Ásperas e disformes. A bola era uma tampinha de refrigerante. Pobre da sola de couro dos  nossos sapatos da casa Toddy. A área que considerávamos campo para esse esporte ficava na porta da cantina onde comprávamos o melhor misto frio de que tenho notícia. Mas tinha também o Dan Top. Inesquecíveis. Mas o que nunca mais encontrei fabricado no Brasil, foram as pastilhas azuis de anis. Esta semana comprei da Barkleys fabricantes das famosas balas em lata, presente em mais de 50 países, especializadas em menta. Sabor "aniseed". Lembro minha infância. Tempo que jogávamos bolinha de gude na terra à sombra dos enormes eucaliptos que tinham no pátio do recreio. A caixinha metálica das balas Barkleys ainda será útil para guardar clips, moedas, elásticos, um dado verde, uma bolinha de vidro, uma caixinha com 1000 grampos para o grampeador, que estavam soltos no fundo de uma gaveta.

20.10.19

Marina de Godoy Moreira e o CRONICANTE

Cronicante leitura de férias em UBATUBA - Marina de Godoy Moreira

Crônica diária

O bigode do meu pai
Foi lendo "Assim começa o mal", do Javier Mariás, escritor espanhol recomendado pelo Paulo, meu irmão, lembrei do bigode do meu pai. Estaria super na moda hoje em dia. O personagem magnificamente descrito por Mariás usava aquele bigode fininho imediatamente sobre o lábio. A lá Errol Flynn, David Niven ou mesmo Robert Taylor. O que meu pai usava na década de 50, ele com uns quarenta e pouco e eu com doze anos, era retangular ocupando todo o espaço entre o nariz e a boca, sempre bem aparados com quatro milímetros. Meu filho e muita gente da sua geração, hoje com a idade do meu pai, naquela época, usam barba e bigode semelhantes. Com aquela aparência de duas semanas. Aparência de cara suja, como diria minha mãe.

19.10.19

Javier Marías

Este escritor espanhol não reclamou (até o momento) nem do nariz, nem de nada.

Crônica diária



"O vinco entre os peitos"

Essa foi a forma que o João Almino descreveu o que eu chamo de " Vale entre os seios". Os gaúchos chamam os peitos de "mamas". O personagem que o autor criou tem setenta anos. O Almino 69 e nessa idade prestamos atenção em detalhes da mulher, que em outros tempos passavam desapercebidos, ou tinham menor importância. Dos meus trinta anos não lembro de nenhum "vinco" ou "vale" que tenha me emocionado. Lembro de pés, coxas, bundas, e seios que até hoje são memoráveis. 

Nota do autor - João Almino - "Entre facas, algodão" -Editora Record


Crônica do Alvaro Abreu

Carros e vitrines


Faz tempo que meu pessoal me fala pra trocar o carro. Não que ele esteja velho e com defeitos, tem só uns pequenos arranhões. Foi comprado novinho em folha para as férias de 2011 e, como ando pouco, ele é um legítimo semi novo, no linguajar do mercado. Até então eu sempre comprei carro de segunda mão, pouco rodado, por achar a relação custo benefício favorável. O valor do zero km costuma cair bons pontos percentuais tão logo se ultrapasse, orgulhoso, o portão da concessionária.

Hoje já não tenho disposição para sair por aí lendo anúncios no jornal, telefonando para ofertantes, ouvindo elogios enganosos, indo conferir in loco o estado geral do carro e o levando à oficina de confiança para avaliação mais completa. Antigamente, a procura era facilitada pelo reduzido número de modelos e de marcas existentes e, sobretudo, de carros à venda. Não havia essa fartura de hoje em dia. Agora, para complicar, como se não bastasse a diversificada oferta de bons carros nacionais, há também enorme variedade de importados interessantes.

Qualquer cidadão que, como eu, pouco consegue acompanhar as inovações automotivas, se vê cheio de incertezas diante do crescente cipoal de opções e novidades. Abre-se aqui espaço para o marketing digital especializado, que pretende capturar cada comprador potencial com a oferta de produtos que atendam às suas expectativas de consumo, quase sempre criadas por campanhas anteriores.

Nessa rota, quando qualquer um de nós, por distração ou ingenuidade, clica sobre uma fotografia de um carro simpático na tela, faz brotar anúncios que primam pela sofisticação das imagens e que logo chateiam pela insistência. Foi depois de muito sofrer esse tipo de assédio digital que me ensinaram a navegar por sites de marcas e lojas especializadas, usando uma tal janela anônima. Ela até garante a defesa pessoal, mas nem sempre ajuda a tomar uma decisão.

Tudo isso me fez lembrar do poeta Mário Quintana, que dizia adorar andar pelo comércio de Porto Alegre para ficar olhando as vitrines repletas de coisas que ele não precisava comprar.


Vitória, 16 de outubro de 2019
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

18.10.19

Betty Vidigal 2º versão

Da primeira versão de que gosto muito, a caricaturada não gostou do nariz. Tão pouco deste, que chamou de "retrato", mas com nariz inaceitável.

Crônica diária


João Almino

"O livro das emoções"

João Almino eu nunca ouvira falar, e dele nada havia lido até assistir uma entrevista sua pela TV. Membro da Academia, nascido em Mossoró, Rio Grande do Norte em 1950. Escritor e diplomata foi uma grata revelação. Depois da entrevista comprei na Estante Virtual (Sebos) dois títulos, quase que adivinhando que iria gostar. Comecei com "O livro das emoções" que me revelou um grande romancista. O livro trata das memórias de um fotógrafo, com setenta anos, morando em Brasília, e que perdeu a visão. Através de 62 imagens relembra seu passado, e constrói seu livro elencando suas emoções, amores, paixões, aventuras, e desgostos. Uma narrativa gostosa de ler, onde a paisagem de Brasília e a topografia do corpo das mulheres de sua vida é explorado com intensidade, fetiche e uma broxada. 

17.10.19

Pão feito em casa








O Guilherme mora em Miami e fez pão caseiro para sanduiche de porco desfiado e salada de repolho.




Home made. Outubro 2019

Crônica diária

 Uma flor todos os dias


Lendo "O livro das emoções" do João Almino (de quem tratarei numa crônica a parte) lá pela página 142 ele, o personagem, conta que sua mãe havia o ensinado que a cada renúncia ou sacrifício deveria acrescentar uma flor num jarro. Imediatamente lembrei da história mais triste e linda que já li. Escrita por um amigo, mais velho, porém contemporâneo no Dante Aliguieri, João Baptista Gelpi. Eram em quatro irmãos, ele o mais velho dos três homens e uma menina. A moça veio a casar com
Nestor Lunardelli Sozio. O Baptista, o Colla, o Neno, e o Nestor já morreram. Alguns anos antes de morrer o Baptista voltou para o Brasil, depois de passar,  não sei quanto tempo, preso na Tchecoslováquia. Ele e sua namorada tcheca, filha de um militar, praticaram haraquiri como é vulgarmente conhecido o seppuku, suicídio por esventramento. Ela com sucesso. Ele sobreviveu, foi julgado e condenado à prisão. Os amigos, e eram muitos em São Paulo, enviavam roupas e comida para o encarcerado. Quando foi solto voltou ao Brasil, usando uma bengala. Para fazer algum dinheiro escreveu um livro onde conta sua história. O que mais me emocionou foi que no cárcere, a primeira coisa que fazia era desenhar uma flor, dedicada à memória da namorada. Todas as  flores iguais. Todos os dias. E reproduziu em todas as páginas do livro a flor. Estivemos juntos pela ultima vez numa agência dos correios. Ele postando seu livro, e eu o meu.

PS- A namorada tinha 17 anos. A caricatura é do João Almino 

16.10.19

Salada de abobrinha


Comidinhas da PIACABA

Crônica diária

 O robô faz o preço


Acabo de saber, e como sempre sou o ultimo, todo mundo já sabe, a novidade em termos de comércio. O robô que faz o preço personalizado do produto que é comprado pela internet. Ao você acessar o site de compra de um determinado produto, um tênis, ou uma passagem, por exemplo, um robô identifica de onde esta partindo a compra, se de um celular, note book, ou computador. Cruza seus dados com informações sobre seu usuário, e determina o valor. Um preço para você. Isso vale dizer que se estiverem marido e mulher, um ao lado do outro, um no seu celular, o outro no computador, comprando no mesmo site, o mesmo produto, os preços podem ser diferentes. É justo? O Procon já se manifestou que é legal, mas como é muito novo o sistema, poderá sofrer restrições no futuro. Já é possível andar sem dinheiro ou cheque, e agora sem cartão. Tudo numa pulseira. Entrar numa loja física sem nenhum humano, escolher um refrigerante, ou qualquer outro produto, passar a pulseira no leitor, e "um preço personalizado" ser debitado em seu banco, A porta da loja irá se destravar. A pulseira, como a de um relógio, tem senha, e se roubada, de nada servirá.

15.10.19

A prima-vera na PIACABA

Flor de Prima-vera e a Moça reclinada.Outubro 2019

Crônica diária

A arte de falar ao telefone

Telefone foi uma das invenções que mais evoluíram desde sua criação. De toscos aparelhos de mesa pou fixos nas paredes, numa caixa de madeira e manivela, até os iPhones atuais o progresso foi gigantesco. Se compararmos com outras invenções como bicicleta, automóvel, geladeira, aspirador de pó, televisão, foi o telefone quem deu o maior salto. Incorporou a Internet, relógio, despertador, rádio, máquina fotográfica, de filmar, calculadora, secretária eletrônica, gravador de voz e imagem, lanterna, catálogo de endereço, GPS, guia de cidades e ruas, visualização de imóveis, leitor de códigos, além do prosaico telefone sem fio com ou sem viva voz. Minha família fala mal ao telefone. Não são todos, claro, mas tive tios e tenho primos que atendem aos berros e de mau humor. Dois minutos de conversa, ficam mansos como cordeiros. Passam a falar e ouvir normalmente. Será insegurança? Será soberba? O que será que os leva atender com tão má vontade? Eu pessoalmente só lembro de memória dois ou três telefones. A maioria dos aparelhos já trás o nome e número de quem esta chamando. Por que atender gritando? Aparentando irritação? Vai saber. Eu atendo, e mesmo sabendo tratar-se de corretor, ou vendedor de algum produto, agradeço a ligação num tom de voz amigável, cordial,  e desligo. Agora, viro um bicho quando a pessoa não se identifica, e quer passar um trote. "Adivinha com que esta falando". Aí não dá. Incorporo o DNA da família.

14.10.19

João Almino

Escritor e diplomata, Acadêmico

Crônica diária

Pensando na lista lembrei de um

Ontem escrevi que se para vender um livro o Janot inventou uma ficção ao dizer que esteve a ponto de matar o ministro Gilmar Mendes, quando ele era o Procurador Geral da República, eu iria fazer uma lista dos que já tive vontade de matar. O Janot ainda completou que cometeria o suicídio em seguida. Lembrei de uma viagem de Ribeirão Preto, onde eu trabalhava, para São Paulo, quando encontrei o líder sindical Lula, todo suado transpirando nos trinta graus na pista ao lado do Bandeirante, avião da Embraer. Subimos, e o avião decolou. Juro que não é ficção, lá em cima, no céu, me ocorreu que se o avião caísse eu morreria por uma boa causa: livrar o Brasil de tudo que ele representava. E era ainda só um agitador sindical. Arrependo-me do desejo não ter se concretizado. O homem e seu partido desgraçaram o país. Eu hoje não estaria escrevendo livros, mas teria salvo a nação de muita desgraça. A história, no mínimo, teria sido diferente.  


A propósito o Luiz Eduardo de Carvalho escreveu: "Ser escritor é uma profissão tentadora: a gente tenta escrever, tenta publicar e, depois, tenta vender os livros!"

13.10.19

Salada de abobrinha


Blogosto é meu blog de comidinhas, inclusive as da PIACABA. Aqui uma salada super simples e muito saborosa: abobrinha desfiada, lascas de azeitonas verdes, alface roxa e cebola. Tempero: azeite, sal e limão siciliano.

Crônica diária

 Vou fazer uma lista

Se ficar provado que o Janot nem estava em Brasília, o dia em que diz ter pensado em matar o ministro Gilmar Mendes, e que essa história (sem citar nomes) esta no seu livro, é puro marketing. E se para vender livro é preciso inventar um desejo de matar alguém, vou providenciar minha listinha. Nem sei por onde começar.

12.10.19

Leila Ferraz

Autora do Prefácio

Crônica diária

A responsa do crítico

Vejam como quem faz uma resenha de um livro assume uma responsabilidade tão grande ou maior do que o escritor. O autor conta sua história, e não recomenda a ninguém que o leiam. O crítico quando recomenda,  assume um compromisso com o leitor.

Fiz uma breve resenha do livro “Máquinas como eu” do inglês Ian McEwan, e recebi o seguinte comentário do escritor Valter Ferraz: “A resenha cumpriu o seu papel. Deu vontade de ler. No meu caso específico, não é pouco. Raríssimos autores ainda me despertam esse sentimento.” Perguntei a ele: “Veja a responsa! E se o Ian não entregar aquilo que vendi na resenha?” E o Valter completou: “O seu faro de leitor não nos engana.”
No caso do Ian não tenho nenhum temor.

11.10.19

Valter Ferraz e o CRONICANTE


Crônica diária

Lembranças da infância

Na década de sessenta não havia ainda a internet, nem e.commerce on line, mas já se comprava pelo correio. Preenchia-se um cupom que as revistas traziam, enviava-se pelo correio, pagava-se no banco, com cheque ou dinheiro, e semanas depois recebia-se em casa a encomenda. Eu lembro de ter comprado duas vezes por esse processo. Uma um curso de datilografia. Continuo escrevendo com dois dedos, um de cada mão. O outro foi "Faça você mesmo" e no meu caso "um rádio". Eram em duas etapas. Iniciava-se com o "rádio galena", onde um manual orientava a montagem das peças. E na segunda remessa o chassi e válvulas de um rádio AM. Ambos com sucesso. E um pouco mais velho sonhei em ser um rádio amador, como eram meus dois primos Laurinho (filho do tio Lauro) e Décinho (filho do tio Décio). Mas nunca cheguei lá.

10.10.19

Aninha Pontes e o CRONICANTE


Crônica diária

Algonquin Hotel

Em 1969 eu casei pela primeira vez, tinha 26 anos, pouco dinheiro, mas fui passar a lua de mel em NY. Tinha amigos jornalistas e intelectuais e foi para um deles que perguntei que hotel ele se hospedava na cidade. O Algonquin Hotel. Não tive dúvida, foi lá que fiz a reserva.  É um hotel histórico americano localizado na 59 West 44th Street, no centro de Manhattan. O hotel já era conhecido como um marco histórico da cidade. Tem 181 quartos, inaugurado em 1902, foi projetado pelo arquiteto Goldwin Starrett. Tinha portanto 67 anos quando estive lá. Foi originalmente concebido como um hotel residencial, mas foi convertido em um estabelecimento de hospedagem tradicional. Seu primeiro proprietário-gerente, Frank Case (que comprou o hotel em 1927), estabeleceu muitas das tradições do hotel. Talvez sua tradição mais conhecida seja a de receber notáveis ​​literários e teatrais, com destaque para os membros da Mesa Redonda do Algonquin. Pelas fotos que vejo hoje no Google, sofreu profundas reformas. Em 1969 parecia nunca ter sido pintado, ou trocado os estofados, desde sua inauguração. Era uma coisa escura, corredores estreitos, mal iluminados, quartos pequenos e com mobiliário de mais de 60 anos. O pior hotel que já estive na vida, considerando que estava em NY. E mais: em lua de mel. 

9.10.19

Dan Fialdini


Crônica diária

Nossas perdas


São tão numerosas que não vale a pena lista-las. Comentarei as mais significativas e genéricas. Com a idade avançando só há de fato perdas. Ninguém ganha além de barriga e experiência, com uma vida longa. Perdem-se os dentes, a visão, a audição, o cabelo, a paciência, o tônus, o vigor sexual, e o libido. Como não acabam do dia para noite, e vão diminuindo aos poucos, nem o espelho percebe. Em contra partida se ganha rugas, papadas, e dores esparsas pelo corpo. Mas, o mais triste de tudo, é a perda de amigos. Não me refiro às perdas por morte. Essas são, quando por idade, naturais. Lamentáveis, sempre, mas impossíveis de serem evitadas. Falo das perdas de amigos. Gente que por razões diversas mas, sobretudo, por afinidades, fomos colecionando durante a vida, e por conta de uma ou duas palavras, somem. Desaparecem. Ainda se fossem duas únicas palavras ofensivas, diretas, propositais, vá lá. Não foram. Dois comentários num texto sem nenhum propósito pessoal, expondo o que penso sobre dois assuntos absolutamente genéricos, atingiram dois queridos amigos, de forma letal, para nossa amizade. Um deles mineiro e morador de Niterói se ofendeu com minha definição do Estado de São Paulo: "Uma ilha cercada de Brasil por todos os lados". Isso mesmo. Você pode ser bairrista, pode amar onde nasceu e mora, mas não precisa odiar quem pensa o contrário. É ou não é? A outra pessoa me abandonou porque defendi, numa crônica, o tempo em que as empregadas domésticas dormiam no emprego. Hoje, ele um senhor, bem posto na vida, revoltou-se com minha lembrança, e suas ultimas palavras foram "de que eu não sabia o que era ter sido filho de uma delas". Vocês acreditam? Essas são as perdas mais lamentáveis que tenho colecionado com minhas crônicas diárias. Mas é da vida. Faz parte. 

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