2.12.16

Paulinha em NY

Há muitos anos atrás...

Crônica diária

Ana Cristina Reis

Até pouco tempo eu era o único cronista da família. E quando só se tem um, não havendo com quem comparar, estava absolutamente soberano. Agora tenho a filha da Cristina minha prima. Mas era de se esperar. Filha do Eduardo Almeida Reis, tem por quem puxar, como diria minha mãe. O Eduardo além de ter sido casado com minha prima era muito amigo do meu pai. Visitava-o com frequência. Usou-o como personagem de um de seus livros, pelo menos. Com seu charuto, numa família que só nosso avô fumava, e seu bom humor contagiante, onde não primávamos por ele, pelo humor, o casamento durou pouco. Mas deixou uma cronista de mão cheia. E Global, para completar. Não é preciso dizer mais nada. Fui absolutamente aniquilado. A cronista da família é a Cristina Reis. Nós os Lunardelli continuamos seus súditos.

1.12.16

No estilo Macgaiver



O cronista e colhereiro Alvaro Abreu, que meus leitores do Varal já estão conhecendo, pois me honrou com uma coluna de suas crônicas, fez dias atrás, um comentário curioso. Ao ver uma foto do novo deck da Piacaba, disse, entre outras observações, que o chuveiro que aparece na imagem era no estilo Macgaiver. Não vou mentir que esse nome não me era familiar, mas realmente nunca assisti nenhum capitulo do seriado. Fiquei sem entender direito a piada. Mas aproveitei para contar para o Alvaro que sobre a mesa, da foto, haviam pedras roladas que é outra das minhas manias. Tenho aos montes. Trago de toda parte por onde passo. Viagens nacionais ou internacionais guardo como souvenir um pedregulho. Tive inúmeros casos em alfândegas, e problemas com as balanças dos aeroportos. Minto que são para um aquário. É o mais crível possível para uma pessoa normal poder admitir. Já tive pedrinhas confiscadas em praias da Bahia. Tenho inúmeras histórias com elas. O curioso é que o Alvaro me responde juntando quatro imagens das sua vasta coleção. Ele também é catador de pedras. E aproveitou para me explicar qual é o estilo Macgaiver a que se referiu sobre meu chuveiro. Transcrevo para que percebam a graça: "Saiba que Macgaiver é o rei da gambiarra. Ele consegue fazer um avião com barbante, cuspe e pedaços de bambu, que me diz chuveiro de praia..."

Crônica diária



Coisas da idade

Encontrei por acaso na farmácia do nosso bairro uma amiga de infância de minha irmã mais velha. Mais velha porque tive três. A Helena morreu aos oito anos. E a Estela é nossa caçula. Quando ela nasceu eu já podia ser pai. Mas a Cecilia Carmen era amiga da Elisa. E ela estava aguardando o farmacêutico para tratar de uma bolha no pé. Havia comprado um tênis folgado, e o resultado foi uma bolha. Eu estava a procura do mesmo farmacêutico por conta de um dedo do pé inflamado. Na minha idade (73) entre a necessidade e vontade de cortar a unha do pé, sobrepõe-se ama barreira, ou barriga, que me impede de chegar, e enxergar a unha com facilidade. Muito pelo contrário. Mal a mão alcança o dedo, a vista não contribui para a estafante tarefa. O meu "trim" (cortador de unha) velho e com muito uso, estava negando corte. Comprei um novo e poderoso. Não sou de trocar de carro todo ano, achei que merecia um "trim" novo em folha. Pois foi ele o responsável. Cortou além da unha o que não devia. O dedo inchou numa coceira louca. Inflamou. Paula minha mulher achou que o sangue coagulado fosse bicho de pé. Aqui no caso de dedo. O farmacêutico confirmou o meu diagnóstico. A unha encravou. Recomendou um chinelo para arejar, e quatro vezes ao dia pinceladas de tintura de iodo. Très dias de anti-inflamatório, e o problema estaria resolvido. Não tive mais notícias da bolha do pé da Cecilia Carmen, mas eu com um pé calçado, outro na havaiana, estou um próprio aposentado em praça de cidade do interior.

Comentários que valem um post



João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Pena que, por causa da sagrada saúde, tenha sido obrigado a deixar a pintura, Eduardo.
Quanta saudade tenho da sua obra pictórica !...


Postado por João Menéres no blog . em quarta-feira, 30 de novembro de 2016 07:45:00 BRST 

*********************************************************

30.11.16

MONDRIAN (1872 - 1944)

Jose Luis Fernandez envia um lindo VARAL de Mondrian.
                         Farmhouse with wash on the line (1897) – Oil on cardboard

Crônica diária



Sempre há tempo

Houve um tempo em que eu lia para saber o que os outros andavam escrevendo. Hoje não consigo ler mais de duas páginas, de qualquer autor, de qualquer gênero, sem que tenha duas ou três novas ideias para escrever. Paro e escrevo. E pergunto-me, como pode ter gente sentindo falta de assunto?  O que tenho sentido é falta de tempo para escrever mais, sem deixar de lado o meu hábito de ler. Hábito esse que também me pergunto como pode ter gente que não tenha? Ir ao teatro, já fui bastante, e há muito tempo não vou. Ir ao cinema, vou raramente. Quando vou gosto muito, e me pergunto: por que tenho ido tão pouco?  E para toda pergunta há sempre respostas. O que não gostamos é de ouvi-las. E por isso cada dia nos questionamos menos. Do mesmo modo que não abro mão de bons livros, gostaria de não ter deixado o teatro, cinema, e música de lado. Mas, às vezes, nem sempre tudo é possível. Já parei com o cigarro há meio século. Com o açúcar há um par de anos, e com o sal também. A eles não pretendo voltar, mas ao cinema, teatro e música, ainda há tempo.

29.11.16

Le Jazz

Steak tartare ou Bife tártaro

Mexilhão com batata frita

Crônica diária



Inteligente por natureza

Existe  tipos de pessoas sensíveis e inteligentes por natureza. Geralmente não se enquadram nos padrões comuns. E são de difícil definição. Enveredam pelas humanas, raramente pelas exatas. São jornalistas, poetas, escritores, artistas. Um desses foi Rubem Braga, que estudou direito mas nem o diploma foi buscar. Repórter, jornalista, e o maior dos cronistas brasileiros. A independência intelectual, a simplicidade, e a coerência foram suas marcas. Nunca foi comunista, mas os integralistas o tinham como tal. Os comunistas sabiam que ele não era. Sempre teve uma sensibilidade e inteligência que não o permitiu ser comunista, apesar de sempre preocupado com o social.  Considerava-se um jornalista pequeno-burguês. de um país semicolonialista. Conviveu e foi amigo de todos os melhores intelectuais do seu tempo. Trabalhou para o Assis Chateaubriand sem a ele se subjugar. Cobriu guerra e revoluções com um distanciamento profissional. Os amigos achavam engraçadíssima sua permanente aparência de mau humor. Dizia não rir porque tinha péssimos dentes, e por isso não conhecia o sorriso rasgado, fácil, feliz.  Ao escrever um cuidadoso prefácio para seu primeiro livro "O Conde e o passarinho", nome sugerido por Jorge Amado, diz: " Já escrevi umas duas mil crônicas. É natural, eu vivo disso. Estas aqui não são as melhores; podem dizer que escolhi mal, tanto do ponto de vista literário como do ponto de vista revolucionário. Mas estas representam as outras. Quero dizer que elas também representam a mim. Falam da minhas forças e minhas fraquezas." Este prefácio foi excluído da segunda edição.  Estou deliciando-me com sua biografia escrita por Marco Antonio de Carvalho. E para finalizar, como nenhuma regra deixa de ter suas exceções, conheci recentemente um de seus sobrinhos, o Alvaro Abreu, que apesar de inteligente e sensível, é engenheiro. Engenheiro, colhereiro e cronista de mão cheia.

Comentários que valem um post

Blogger João Menéres disse...
Actualmente, estou com o DANCE COMIGO nos braços, percorrendo o amplo salão que as suas páginas me proporcionam, apreciando o sabor de cada crónica conforme o ritmo que o maestro Lunardelli impõe.
E está a ser uma dança volúpia a cada volta !...

segunda-feira, 28 de novembro de 2016 06:42:00 BRST
*************************************************************
Excluir

28.11.16

Biblioteca do Clube Harmonia, SP

Biblioteca do Clube Harmonia. Out 2016

Crônica diária

Os longos caminhos de uma imagem

Estava a procura do tema do texto de hoje, com o olhar perdido no monitor do meu notebook, onde a imagem era de uma foto enviada pelo José Luis Fernandez, de Niterói. Meu ultimo livro, "Dance comigo" entre capas de discos 33 rotações. Quantas lembranças essa bailarina da capa não me trás. Quantas não despertarão, entre os leitores,  ao longo dos próximos anos. As primeiras são só minhas. Um pequeno retrato no jornal. Depois a montagem do chassis de madeira com 168 x 168 cm. Esticar e pregar a lona. Duas mãos de tinta branca fosca de base. Depois o desenho com carvão. E por derradeiro e mais prazeroso a pintura. A tela é datada de 2004. Onze anos depois, convidei meu filho Guilherme para fotografar. No ano seguinte estava decidido que "A bailarina" seria a capa do novo livro. O nome da tela não me convencia para nomear o livro com 300 crônicas. Amarguei essa procura até encontrar "Dance comigo". Gostei do achado. Dei para o próprio Guilherme a tarefa de criar a capa com a foto. Aí já não era mais uma pintura, muito menos o retrato da bailarina. Era uma fotografia que viraria capa de livro. Vai para a gráfica, e vem o livro pronto. Já não é uma pintura, nem retrato, nem fotografia. É um livro. E essa capa vai despertando emoções, memórias e imaginação. O livro em Niterói, ao lado do disco do Vinícius tocando e cantando. Vinícius que conheci numa manhã de domingo em São Paulo, em companhia do Américo Marques da Costa,   quando fomos beber um aperitivo num bar de uma galeria da Avenida São Luiz. Nunca havia estado antes. Nunca mais voltei. Imaginem vocês eu bebendo numa manhã de domingo. Só o Americão e o Vinícius para justificarem essa façanha. Quarenta anos depois Vinícius na capa do disco, ao lado da capa da minha bailarina. Ele e ela em Niterói. Tudo pelas mãos e objetiva (ou será um celular?) do José Luis. Quanta história não rolou antes desse improvável encontro. Não fosse minha amizade com o Americão, não teria bebido num bar com o Vinícius. Não fosse o Colégio de Cataguases, não teria conhecido o José Luis. E não fosse a internet, esse encontro não seria possível. E assim caminha a humanidade.

27.11.16

Contra luz

Out. 2016

Crônica diária

A Constituição

Getúlio Vargas deixava bem claro: "A Constituição é como virgem, nasceu para ser violada". Hoje a jovem Constituição de 5 de outubro de 1988, com seus 28 aninhos de existência, tendo um STF diuturnamente a incumbência de  guarda-la livre de grandes violações, é constantemente emendada. A virgindade constitucional não tem mais a importância que um hímen já teve. Hoje as PECs vão lhe dando o formato que o momento exige. Constituintes prolixas, como a nossa, carecem de constantes interpretações e emendas. Já estamos na sétima. A todo instante se ouve falar na necessidade de reforma-la. Deveríamos a exemplo dos Estados Unidos criar uma constituição com no máximo cinco páginas, não necessariamente de pergaminho, mas com sete artigos e vinte e sete emendas. Tudo o que não pode esta lá. Não estando, pode. Ficaríamos menos tentados a viola-la, e não precisaríamos estar emendando a todo momento.

José Jaime Rocha Siqueira & senhora


    Agradeço muito ao casal de amigos, especialmente ao fotógrafo de bons varais., e meu leitor fiel.

JANTAR SECRETO de Raphael Montes

 Aceitei o convite
 Jantar secreto
Raphael Montes

26.11.16

Piacaba, outubro de 2016

Jardim e bandeira
Peixe velho no deck novo

Crônica diária



Trump nos Estados Unidos
 
Sei que tenho leitores que esperavam minha manifestação logo no dia seguinte à surpreendente eleição presidencial americana. Se os frustrei, não foi por acaso. Sobre o assunto, o mais relevante, no momento, é o total vexame das previsões. Com exceção de um único jornal, que ironicamente apoiava Hillary,  e previu a vitória do republicano, toda a mídia errou redondamente. Esse sim é um fato relevante neste momento. Quanto lamentar ou especular sobre o que será da América é absolutamente prematuro. Dia 20 de Janeiro, portanto daqui a dois meses, tomará posse o presidente eleito. Só a partir de então saberemos a que veio o bilionário, não político, Donald Trump. E quando minhas crônicas forem abordar esse tema, elas já estarão fazendo parte de um novo livro, "Pre´textos", com mais 300 textos, que sucederão ao "Intimidades crônicas". E assim caminha a humanidade.

AS POSTAGENS ANTERIORES ESTÃO NO ARQUIVO AÍ NO LADINHO >>>>>

.

Only select images that you have confirmed that you have the license to use.

Falaram do Varal:

"...o Varal de Ideias é uma referência de como um blog deve ser ." Agnnes

(Caminhos e Atalhos, no mundo dos blogs)

..."parabéns pelo teu exemplo de como realmente se faz um blog...ou melhor tantos e sempre outstandings...".
(Vi Leardi )

Leiam também:

Leiam também:
Click na imagem para conhecer

varal no twitter

Não vá perder sua hora....

Blog não é tudo, tudo é a falta do blog ....
( Peri S.C. adaptando uma frase do Millôr )
" BLOG É A MAIOR DAS VERTIGENS DA SUBJETIVIDADE " - Maria Elisa Guimarães, MEG ( Sub-rosa )