3.9.15

Filé de porco

Filé de porco, arroz e brocolis

Crônica diária

Observações

Comungo com o escritor Paulo Mendes Campos, que comungava com o rei Lear, que (no ato 5, cena 3 de King Lear, de Shakespeare) segurando Cordelia, morta, nos braços, diz: "Sua voz foi sempre suave, doce e gentil - virtudes na mulher". Também noto, depois dos pés, a voz na mulher. Depois de sua aparência é a tonalidade da voz que mais me chama atenção. Como o cronista mineiro, também aprendi  a pisar leve e fechar portas com respeito. É um horror ouvir barulho de gente descendo escadas como aquelas máquinas de bater estacas. Não gosto de ver as pessoas se jogarem, se arremessarem, no assento de uma poltrona ou sofá. Como percebem, estou ficando irremediavelmente ranzinza.

2.9.15

Camarão e Lulas

Com purê de batata doce

Crônica diária

Raras criaturas

Paulo Mendes Campos teve o desejo de escrever um livro sobre Zequinha Estelita (1926-1970) que era corretor de terrenos, e boêmio que fez história na Ipanema da década de 1960. Dizia o Paulo com convicção: "Sem escrever, sem pintar, sem fazer cinema ou canções, Zequinha era a criatura mais significativa de minha geração." Agora digo eu, duas outras pessoas, boêmios da mesma geração, em São Paulo, foram igualmente significativos. Quem não lembra do Américo Marques da Costa e do Carlito Maia? Figuras raras.

1.9.15

Fonte

Detalhe
Agosto 2015

Crônica diária



A infância era ferroviária

O titulo desta crônica é do Paulo Mendes Campos. Ele tem toda razão. As estradas de ferro sempre exerceram fascínio nas pessoas, adultos e crianças. Meu pai viajava de trem de São Paulo para Bauru e vice-versa todo mês. Nas férias escolares o Paulo, meu irmão, e eu íamos com ele. Era no leito da Estrada de Ferro Paulista. Vagão verde. Embarcávamos na Estação da Luz as vinte horas e amanhecíamos de madrugada em Bauru. A estação de Bauru era importante entroncamento ferroviário. A Noroeste do Brasil partia de lá e atravessava o Pantanal em Mato Grosso, passando pela nossa fazenda Aguapei, mas meu pai preferia seguir viagem de táxi, e fazer o mesmo percurso na metade do tempo. O trem levava umas dez horas, parando em quase todas as cidades do percurso. A estação, as locomotivas movidas a lenha, os trens de carga, transportando gado, madeira e grãos, eram o grande divertimento em nossas férias. Os jornais, os malotes do correio, e algumas encomendas chegavam com os trens de passageiro. Nossa infância era ferroviária, como foi a do Paulo Mendes Campos. Por mero acaso, acabo de ler o romance "A garota no trem" da Paula Hawkins, que vem reafirmar o fascínio que as estradas de ferro exerceram sobre muitas gerações.

Comentários que valem um post

 Eduardo P. Lunardelli  disse: Me exclua desse NÓS por favor Cassio Penteado. Eu e a maioria esmagadora da população brasileira não tem nada a ver com esse rombo de 200 bilhões até 2018. Nada com o rombo de 30 bilhões neste exercício. Quem gastou mais do que podia, quem criou bolsas e benesses para ganhar eleições, prometendo o que não tinha para dar, que resolva a situação. Eu e a maioria do povo brasileiro não compactuamos com os governos do PT dos últimos 12 anos, portanto nos negamos a pagar essa conta. Quem pariu Matheus que o embale. Ou tirem o PT e a Dilma do governo, coloquem o Lula na cadeia, que voltaremos a ajudar a salvar o Brasil do estrago feito por eles. Agora dar mais dinheiro para essa tigrada, NÃO, definitivamente.

31.8.15

Direto da horta

 Horta
 Agosto 2015

Crônica diária



Ainda Paulo Mendes Campos

Dizia o cronista Paulo que "Há o burro burro e o burro inteligente; este é o que fala pouco." Essa frase me fez lembrar um dos homens mais intrigantes com quem tive o privilégio de conhecer e trabalhar. Ovídio Miranda Brito. Foi sócio do meu pai. Tinha origem muito humilde, tendo sido engraxate aos nove anos de idade. Meu avô Geremia, já bem de vida, ficou enciumado com a sociedade do Ovídio e Santo, meu pai. Entrou como sócio e criaram a GOS. Entre outras pérolas, o Ovídio, que tinha um ar bovino, dizia: "Coitado do burro com cara de esperto. Esperto é aquele que só tem cara de burro."

30.8.15

Samurai

Agosto 2015

Crônica diária



Satisfação aos meus leitores

O mês de Agosto esta terminando e a Dilma continua no Planalto. No poder faz tempo que deixou de estar. Aliás, desde que assumiu seu segundo mandato em Janeiro, vem perdendo apoios políticos e aumentando sua rejeição popular. Goza dos mais baixos índices que um presidente republicano já teve. Só não foi impedida pelo Congresso, como eu vinha prevendo, por dois acidentes de percurso. Primeiro foi o adiamento do julgamento das suas contas (e pedaladas) pelo TCU, sob forte pressão do PT e do Palácio. O retardamento adiou por trinta dias, mas não modificará o resultado. Em Setembro o Congresso terá condições de, rejeitadas as contas de 2014, pedir o impeachment. Porém, o segundo acidente foi o indiciamento do presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha. Com isso o Cunha perdeu força, e certamente apoios importantes para votarem o afastamento da Dilma. Além do fato complicador que ninguém mais deseja, ou vislumbra, o deputado assumindo a presidência por noventa dias. Esse impasse deu novo alento a hemorrágica situação da presidente da República.  Por essas duas razões, basicamente, o impeachment não se deu em Agosto como eu vinha anunciando. Mas não desanimem. A situação interna da economia só agrava. O prestígio do Joaquim Levy vem sofrendo desgastes com as constantes quedas de arrecadação e dificuldades de caixa, que dificultam as medidas do ajuste fiscal. A queda das bolsas mundiais nos últimos dias só fará aumentar a crise econômica brasileira. Nesse quadro recessivo, de crise e de incertezas políticas, a cada dia fica mais difícil a permanência da presidente que fraudou as eleições e continua mentindo para o povo. Quando a situação financeira do governo fica complicada, como é no caso presente, os maus governantes apelam para um novo imposto. Simples assim. Fazem desaforos com o dinheiro público, e quando vem a conta, mais uma vez, o povo é chamado a paga-la. A volta da CPMF, ou de qualquer outro imposto, nesta altura, é muito pouco provável que o Congresso aprove. Não há declaração de apoio do presidente do Banco Itaú,  nem ameaça do Presidente da Bolívia, que salvem a Dilma. Pode não cair em Setembro, mas não de Dezembro não passa. 

29.8.15

Atelier de esculturas

Piacaba 2015

Crônica diária

"A garota no trem"


Ontem falei que estava no meio da leitura do best-seller "A garota no trem" da estreante Paula Hawkins. Hoje vou falar sobre o ótimo romance psicológico/policial ou  thriller psicológico. O que nos leva a dizer se um livro é bom ou não? Primeiro quando o assunto é de nosso interesse. Quando não é, de nada adianta ser bem escrito. A forma e maneira como se nos apresenta a história também importa. Neste caso a autora narra, na primeira pessoa, a participação de três mulheres, Rachel, Megan, Anna e seus maridos, além de um psicólogo, num caso de assassinato. A história nos prende definitivamente. A cada capitulo um novo e surpreendente fato nos vai conduzindo para um desfecho completamente imprevisível. Uma delícia de leitura. O livro já esta sendo filmado, e quem perder esta deliciosa leitura, não deve perder o filme. Apesar, e volto aos pesares da crônica de ontem, nenhum filme se equiparar a um bom livro. E quando estava escrevendo essas sucintas considerações me ocorreu que a trama tem tudo para ser encenada no teatro. A ambientação, que consta de uma estrada de ferro, paralela a uma rua, onde em duas casinhas acontece toda a história, pode perfeitamente caber num palco. Fica aqui a sugestão.

28.8.15

Bandeira e esculturas

Agosto de 2015

Crônica diária



Antes que a história acabe

Ao contrário do que escreveu minha velha amiga Guaracy Mirgalowska não me faltam assuntos. Pelo contrário gostaria de publicar duas ou três crônicas por dia. Acontece que não há leitores dispostos a lerem mais do que dez linhas na internet. Livros podemos devorar duzentas páginas numa única sentada. É o caso deste que estou lendo: "A garota no trem" de Paula Hawkins, que apesar de ser um best-seller, que não costumo ler, apesar de ser escrito por uma autora estreante, que tenho defendido escreverem para o mundo das mulheres, e com isso enfureço minha amiga e escritora Maria Tomaselli, estou lendo porque foi recomendado pelo meu leitor Walter De Queiroz Guerreiro a quem tenho respeito e admiração. Trata-se de um " thriller psicológico", seja lá o que isso queira dizer. Mais profundo do que os romances policiais do Luiz Alfredo Garcia-Roza, como sugeriu o Walter. Ainda estou em meio à leitura, e deixo para fazer uma resenha definitiva quando acabar. Crio assim, mais um suspense, entre todos que o livro tem.

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