19.8.17

Resenha do "O diabo desse anjo", por ROBERTO KLOTZ




O diabo desse anjo
Eduardo P. Lunardelli
Editora Piacaba
232 páginas
R$ 35,00
Ganhei o livro do autor. Veio pelo correio embrulhado num abraço apertado com outros seis livros, também do autor.
A lista de espera dos livros na minha estante á para mais de metro. Quase três. Existem autores, como o Eduardo que conquistam a simpatia e recebem uma senha para a fila da leitura prioritária.
Peguei para ler com voracidade como se fosse um romance. Me dei mal. Engasguei logo. São crônicas. Textos que provocam o pensar, que provocam reflexões. Que, no mínimo, provocam a vontade de bater um papo sobre o assunto. Concordando, discordando ou simplesmente acrescentando a nossa experiência ao tema desenvolvido.
São textos para serem mastigados 32 vezes antes da digestão.
Eu dou oficinas literárias e certamente vou levar o livro com exemplo quando o tema for conto x crônica. As crônicas se diferem dos contos por muitas características, quase todas presentes no livro.
• Narrativa curta.
• É um relato do cotidiano;
• Narrado em primeira pessoa;
• Opinião e interferência do autor sobre a observação.
• Não contém diálogos.
• Via de regra com bom humor – o autor procura cativar o leitor para outras leituras;
• É a narrativa a partir de um flash – um artigo do jornal, uma conversa, um fato, uma particularidade;
• Identificação com o leitor. O cronista, no fundo, deseja que o ledor seja um coautor;
• A grande inspiração do cronista é o prazo do editor (Eduardo entrega diariamente a crônica até as 8h30 ao facebook e ao seu blog);
• A crônica abre uma discussão, uma polêmica, um questionamento;
• Normalmente o suporte é o jornal;
• Costuma ter finais surpreendentes.
Deixando a teoria de lado, gostaria de exemplificar com:
A RELATIVIDADE DAS COISAS
Um canivete suíço multifunções, aqueles que têm saca rolha, abridor de lata, chave de fenda, espeto, lâminas com três dimensões, serra, tesoura, palito de dente de marfim, é tão importante quanto um helicóptero anfíbio em determinadas e específicas ocasiões. Para salvar vidas ou dar mobilidade para a polícia, um helicóptero é uma ferramenta de trabalho tão importante quanto o tal do canivete para um sobrevivente na selva. Uma simples vela e uma prosaica caixa de fósforos fazem toda a diferença num apagão elétrico. Por mais crédito que você possa ter no banco ou no cartão, uma simples moeda para telefone ou para liberar um carrinho de malas no aeroporto ou, ainda, um copo de água nas máquinas automáticas faz a diferença. Um palito no bolso pode proporcionar um alívio entre os dentes só comparável ao ato de tirar os sapatos que causam incômodos ou dor. Só não existe vida relativa. Ou se está vivo ou se está morto.
UMA DEFINIÇÃO
Um livro é bom quando se parece com o enfermeiro que pega a sua veia na primeira picada, indolor, e na primeira página.
Eduardo fala de tudo. Política, vizinhos, sexo, restaurantes, literatura e também sobre a descoberta de palavras.
Quer saber? Eu recomendo. Minha palavra não é o suficiente? Então, puxe uma cadeira e sirva-se de petiscos diariamente no blog ou no Facebook.
Vou confessar. Este foi o meu livro predileto para enfrentar filas. De banco, nos consultórios médicos, na agência dos correios... Agora na hora de procurar textos curtinhos, várias senhas caíram de dentro do livro. Será que ainda teremos uma crônica sobre o homem que colecionava senhas?
Você reparou que eu mudei a foto do meu perfil? Mais um talento do Eduardo: caricaturista de mão cheia. Obrigado, meu amigo, ainda haverá o momento de conhece-lo e trocar um abraço apertado.
ROBERTO KLOTZ

Crônica diária




Grande Otelo e Oscarito
Foi inevitável a lembrança de uma entrevista que o José Roberto Noronha, falecido prematuramente num desastre automobilístico, e eu, fizemos com o Oscarito no hotel de Cataguases. Éramos dois paulistas internos no colégio, que leva o nome da cidade, no sul de Minas, e editores do jornalzinho mimeografado "O Pirilampo". Os nossos colegas Américo Picanso, Olavo Moraes Barros e José Edgar da Cunha Bueno são testemunhas e certamente vão lembrar do fato. E se não lembrarem tenho o exemplar do Pirilampo autografado pelo Oscarito. Poderá corroborar com minha afirmação o poeta e escritor Ronaldo Werneck que possui uma cópia completa das edições do "O Pirilampo, uma luz sobre o Colégio de Cataguases". Uma das características da velhice é essa. Ativa  as remotas memórias. Foi entrar no cine Itau-Unibanco  da Rua Augusta e deparar com a enorme foto em preto e branco da dupla que reinou nos tempos das chanchadas musicais do cinema brasileiro: Oscarito e Grande Otelo para lembrar dessa entrevista e do nosso jornalzinho. Sobre "O Pirilampo" e a razão do Werneck possuir uma cópia das edições completas, é a "Quitandinha do Bananal", coluna com textos do aluno e colega Chico Buarque, até hoje amigo do Ronaldo. Digo até hoje porque a vida nos separou definitivamente. Enquanto todos nós brasileiros pagamos o "Pato", o Chico escreve e compõe em seu apartamento de Paris. Quando vem ao Brasil, onde possui um campo de futebol no centro da cidade do Rio, é para dar apoio ao Lula, responsável pela nossa desgraça. O melhor é continuar lembrando do passado.

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Minha fonte":

Já era por si bem mais bonita do que os horríveis meninos a fazer chi chi para os lagos ou piscinas !

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 18 de agosto de 2017 05:40:00 BRT 

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 João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

99% dos IMORTAIS só o foram quando já estavam com muita terra em cima...
Mas a frase do Bilac é lapidar !

Postado por João Menéres no blog . em sexta-feira, 18 de agosto de 2017 05:44:00 BRT 

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18.8.17

Minha fonte

Repisando a foto da fonte da Piacaba. A natureza acabou dando graça às pedras e cimento.

Crônica diária

ABL e os imortais

Acabam de eleger um novo imortal. Antonio Cândido. Poeta. Sobre sua posse outro imortal Heitor Cony falou na CBN: "Sobre ser imortal, já dizia Olavo Bilac, somos porque não temos onde cair mortos". Para a crônica de hoje, estas três linhas bastam.

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sonia a. mascaro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Brincando com os netos":

Que privilégio poder vivenciar a arte com o vovô artista!


Postado por sonia a. mascaro no blog . em terça-feira, 15 de agosto de 2017 16:49:00 BRT 

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17.8.17

Arnaldo R. Diederichsen

Coleção do autor do blog

Crônica diária

O sanduíche do Ema

Como disse, quero dizer, escrevi dia quatorze passado, sou absolutamente suscetível à boa publicidade. No dia anterior que comprei, pela internet, dois vidros de azeite de oliva e um pote de azeitonas Olibi, escutei na CBN, pelo  rádio do carro, uma ótima entrevista com a chef Renata Vanzeto dona de nove casas gastronômicas. A menina tem vinte e oito anos, e seus empreendimentos dez. Sua história é interessantíssima. A entrevista formidável. Só fui me dar conta de que já fora seu cliente depois de comentar com minha mulher sobre o Marakuthai. Fica a poucas esquinas de casa e já frequentamos anos passados. Mas não conhecia o Ema, o mais novo dos empreendimentos, e xodó da Renata, segundo ela. Fui ao santo Google e vi a foto do sanduíche de pãozinho de batata com um frango frito a milanesa. Vendo era ainda mais apetitoso do que pela agradável voz da entrevistada. Convidei minha sogra (87 anos), uma prima da minha mulher, e a própria para irmos conhecer o tal Ema, e comer o sanduíche citado. O restaurante fica à poucos metros de casa, e elas toparam. No caminho fui falando da minha antiga paixão  pelo "pão francês com filé à milanesa" que serviam no Pandoro, restaurante que infelizmente não existe mais. O Ema só é identificado por um pequeno neon vermelho, com as três letras ao lado de uma estreita e escura escada lateral ao bar  Me Gusta. Todos lotados. E era uma quarta feira fria de agosto. Escalamos a tal escada, e por falta de reserva tivemos que escalar de volta, pagar o estacionamento e procurar outro local para jantar. Não sei se volto. Detesto fazer reserva. Sobre isso, e já escrevi a respeito, tive um "probleminha" com Rogério Fasano quando exigia reserva e gravata para jantar no antigo Fasano. Mas isso no século passado. Hoje todos os restaurantes, os mais simples, preferem trabalhar com reservas. Quanto às gravatas, nem tanto... 

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sonia a. mascaro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Lara em Julho":

Que linda é a Lara!
Beijos para ela.

Postado por sonia a. mascaro no blog . em terça-feira, 15 de agosto de 2017 16:46:00 BRT

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16.8.17

Três escultores

Ontem, num restaurante italiano em São Paulo, um almoço com (da direita para a esquerda) Dan Fialdini, o autor do blog, Israel Kislansky, e o Fabrizio, filho do Dan.

Crônica diária



Help, help, quero uma aspidistra

Vocês não vão acreditar. Depois que li "A flor da Inglaterra" do George Orwell, passei a procurar quem pudesse vender mudas de aspidistra, e não conseguia. Liguei e fui pessoalmente nos maiores fornecedores de plantas de São Paulo e ninguém tinha aspidistra.. Para dizer a verdade todos, sem secessão, nunca tinham ouvido falar nela. Consegui vendedores de folhas para arranjos florais. Mas nada de mudas. Não podia acreditar que numa cidade como São Paulo não tivesse uma alma cultivando aspidistra. Ia pedir a colaboração dos meus leitores para localizar uma única muda, ainda que única, de aspidistra. Escrevi estas linhas. Eis quando o anjo da guarda do George Orwell interferiu em meu favor, e uma florista de Moema, liga-me dizendo que encontrou um fornecedor. Aleluia. Ontem fui buscar as mudas. Agora não só os londrinos da classe média média tem aspidistra em casa. Eu também tenho.

PS- Na foto ao fundo óleo sobre tela do Luiz Sôlha, coleção do autor do blog.

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                            P I A C A B A
João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Além do mais ficava mais difícil de fixar...
E nem era uma locução interessante.

Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 15 de agosto de 2017 04:54:00 BRT 

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 João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Torso do ISRAEL KISLANSKY":

Realço a beleza do torso !

Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 15 de agosto de 2017 04:49:00 BRT 

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 sonia a. mascaro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "MONTANHA nº 11":

Muito bonitas as três montanhas!
Bjs.

Postado por sonia a. mascaro no blog . em terça-feira, 15 de agosto de 2017 16:44:00 BRT 

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A

Ana Maria de Almeida Prado 
Comprei dois vidros, comi com pão, e adorei. Obrigado pela dica.  
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15.8.17

Torso do ISRAEL KISLANSKY

 Torso em cerâmica esmaltada
O torso ao lado de "A Cabeça", obras do Israel Kislansky, coleção do autor do blog

Crônica diária

Aiuruoca e outras tupi-guaranices

Eu adoro esses nomes tupi-guaranis que sobraram em nossa cultura. Aiuruoca é uma pequena cidade em região montanhosa de Minas Gerais, dentro da Mata Atlântica. Significa  "toca de papagaio", ou Aiuru (papagaio) + oca (casa). Tudo isso fiquei sabendo por conta do azeite de oliva Olibi , que como escrevi ontem, quer dizer "óleo da terra" e é produzido no município de Aiuruoca. Dentro dessa levada, para usar um termo bem da moda, justifico o nome da minha casa aqui em Santa Catarina. Ele também nasceu de uma expressão tupi-guarani. Piacaba, que significa "mirante, mirador, lugar que se avista". Esse nome define bem a situação da casa, junto à montanha, com uma grande vista para o mar, dunas, lagoa e toda a beleza de Ibiraquera. E antes que alguém me corrija, vou logo avisando que na verdade a palavra original era Paranapiacaba, mas o meu amigo Sergio Hamburguer  aconselhou-me eliminar o Paraná do nome. Não porque significa "mar", em tupi-guarani, mas porque as pessoas iriam me tomar como paranaense. Nada contra o Paraná, mas não era essa a intenção.

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Então foi um drone que transportou o OLIBI ?
Já provou esse azeite biológico ?

Postado por João Menéres no blog . em segunda-feira, 14 de agosto de 2017 03:38:00 BRT 

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Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Curvas fora de casa":

Está muito bom.

Postado por Jorge Pinheiro no blog . em segunda-feira, 14 de agosto de 2017 07:54:00 BRT 
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14.8.17

Curvas fora de casa

MYRA LANDAU

Crônica diária

Como um drone em minha janela

É verdade que sou facilmente suscetível à uma boa publicidade. Mas desta vez o número de fatores positivos desconcertou-me. Vi e li um post de um consumidor sobre um azeite de oliva extravirgem  produzido artesanalmente em Aiuruoca, Minas Gerais, com 0,1% de acidez. Como sou fã de um bom azeite no pão ou na salada me interessei. Aí havia apelos ecológicos, e para a recuperação da flora e introdução de pássaros da Mata Atlântica. Esses argumentos fizeram a diferença. Compro pela internet só passagens aéreas e livros dos sebos. De resto sou refratário. Mas fui à luta. Tive muita dificuldade, mas nada por conta do site do vendedor. Por deficiência minha, mesmo. Compra realizada com sucesso, doze horas depois estava com uma caixa tipo Sedex, dois vidros, que mais parecem com embalagem de perfume, propositadamente bonitos para serem levados à mesa. E um pequeno vidro com azeitonas. Tudo embalados com gosto e capricho. O nome e marca do azeite é  Olibi, que em tupi-guarani quer dizer "óleo da terra". Conheça mais em www.olibi.com.br ou na sua página no Facebook. Vivi com essa compra, a comodidade e rapidez que parecia ficção científica até pouco tempo. Digitar meia dúzia de números e senha, e um drone aparece na janela de sua casa com a compra. Foi mais ou menos assim.
 

13.8.17

Israel Kislansky

                                          "O importante não é o resultado, mas o caminho."

Crônica diária



Piadas velhas e novos boatos

Há quatro dias citei dois amigos e seus textos aqui no Facebook. Hoje comento o resultado prático do meu texto. A anedota, apesar de boa, foi taxada de "velha". Concordo que não existe piada nova. Todas são repaginadas, adaptadas. Por exemplo: a do ovo jogado no Dória, resultou imediatamente na versão de que no Lula jogam "algemas". A polarização política continua viva e reativa. Quando afirmo, sem ter votado no prefeito de São Paulo, que ele será candidato em 2018, recebo comentários ácidos, de gente da "esquerda burra", que não propõe outro nome, mas agride o alcaide. Ideologizar pessoas e ideias, a priori, não ajuda a construir uma saída para o país. E lamento que o outro texto, sobre o voto nulo, que divulguei, tratava-se de mais um boato. Aliás, é o que mais rola nas redes sociais, além de vírus. Apesar da fonte, pessoa minha conhecida, ele também foi vítima da credulidade. Voto nulo não anula uma eleição. Portanto não é a saída. Infelizmente.

12.8.17

MONTANHA nº 11

 Detalhe da MONTANHA nº11 na Lareira do atelier
Três montanhas, duas na mesa de centro e uma na lareira.

Crônica diária

 Filosofias baratas

Tudo que é barato não tem qualidade. Tudo que tem muita qualidade, é sempre caro. Por essa razão detesto esses filósofos de esquina, que difundem filosofias baratas. Tipo Leandro Karnal da vida. E estão se propagando como peste nas redes sociais, colunas de jornal e comentários de TV. São insuportáveis. Mas durante um almoço com um amigo, e não era o Leonardo, ele saiu-se com essa:  "Não importa se não vamos alcançar o objetivo. O importante é que a caminhada seja prazerosa, e o percurso agradável. Se no fim o objetivo não for alcançado, a trajetória valeu a pena." E é verdade. Muitas vezes nos fixamos numa meta, e nos decepcionamos quando não a atingimos. Esquecemos de fazer o trajeto em boa companhia, boa qualidade de vida, alegria e prazer. A grande perda não é não alcançar o objetivo, mas o tempo de vida perdido na desagradável caminhada.

Crônica do Alvaro Abreu


No olho do juiz

Ontem, ao entrar no carro para voltar pra casa, pouco depois de sair do dentista com a indicação de seguir adiante na avaliação das reais condições de um dos meus dentes, ouvi pelo rádio uma notícia de desanimar qualquer cidadão brasileiro de boa fé, sobretudo aqueles que são otimistas por natureza, sejam eles banguelas, usuários de dentadura, proprietários de dentes implantados ou portadores de dentes perfeitos. Foram poucas as palavras do locutor, mas o suficiente para acabar de vez com o que restava do meu sorriso prejudicado pelo efeito da anestesia.

Um juiz federal da comarca de Ponte Nova, em Minas Gerais, suspendeu a ação movida contra a Samarco e mais 22 pessoas acusadas por terem provocado a tragédia de Mariana, há quase dois anos. Esse senhor deve ser daqueles magistrados que não se dobram diante dos poderosos nem se afastam um milímetro sequer das letras dos parágrafos e eventuais incisos das normas brasileiras que foram aprovadas para assegurar o império da lei, doa a quem doer, inclusive aos parentes dos que morrem por decisões gananciosas e prepotentes.

Bem posso imaginar a alegria dos advogados que defendem as empresas e seus dirigentes, todos executivos e membros de conselhos, responsáveis por decisões tecnicamente erradas e humanamente irresponsáveis. Profissionais competentes, altamente perspicazes e muito bem pagos, eles  devem estar exultantes por terem conseguido identificar uma eventual falha de natureza processual de dimensões micrométricas e, com isso, em nome do direito de defesa de seus clientes, demandar a anulação do processo inteiro. Pelo que soube até agora, as razões alegadas são ridículas frente às consequências do vazamento de rejeitos industriais que provocou a morte de 19 pessoas, desgraçou a vida de milhares de famílias e estragou um bom pedaço do país. Essa usual e malandra estratégia de defesa me fez lembrar do que escreveu meu tio Newton, criatura de alma finíssima que esta semana ganha homenagens lá em Cachoeiro: “um cisco no olho pode ocultar uma montanha.”

Vitória 09.08.2017
Alvaro Abreu
Escrita para A GAZETA

11.8.17

Lara em Julho

 Lara pintando o 7
...e comendo algodão doce.

Crônica diária

O mal de todos os males

O Leonardo ligou-me para dizer que também começou a ler “A Flor da Inglaterra” do George Orwell, por influência minha. Perguntei se estava gostando. Leonardo pigarreou, houve um espaço de silêncio mais longo do que o normal, finalmente disse: “É pra isso que estou ligando”. Outro pigarro, e continuou: “Diferente de você que achou graça na aspidistra, e na camisa da lamparina, estou adorando o ódio que o Gordon, personagem principal, nutre pelo dinheiro. É maravilhosa a filosofia que desenvolve contra “o mal de todos os males”. O dinheiro.” Respondi: é verdade, pretendo ainda escrever sobre isso. E o Leonardo continuou: “estou absolutamente de acordo com o Gordon. Toda minha infelicidade é gerada pelo cargo de Ministro da Fazenda, aqui em casa. Sou obrigado a administrar receitas decrescentes e demandas e despesas que só fazem aumentar. Descontento a todos meus dependentes, e com isso fico deprimido. A causa é sempre o maldito dinheiro. Ainda esta semana fui obrigado a fingir que não li um pedido, no in box do Facebook,  de um valor irrisório, para não ter o dissabor de nega-lo. O filho, que não conheço, de um funcionário, de um dos colégios que estudei, já havia me pedido dinheiro no passado. Na ocasião, constrangido e contrariado com a situação, mandei. E esperava com isso gratidão eterna. Passados dois anos outro pedido, e tenho absoluta certeza que vai me odiar por não ter atendido. De quem é a culpa? Do dinheiro. Maldito dinheiro.” E se não interrompo o Leonardo iria continuar sua indignação por muito tempo. Então eu disse: que bom que esta gostando do livro.  

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Jorge Pinheiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Trabalhando nas MONTANHAS":

Está a ficar uma cordilheira.

Postado por Jorge Pinheiro no blog . em quinta-feira, 10 de agosto de 2017 07:29:00 BRT

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10.8.17

Trabalhando nas MONTANHAS

Foto de Guilherme Lunardelli. O autor do blog e suas Montanhas nº 7 ao fundo, 8 pintada de verde, e 9 em primeiro plano.

Crônica diária

Uma séria, outra mais ou menos

Li aqui no Facebook, postado por dois velhos amigos, no mesmo dia, duas dicas no mínimo curiosas. A da Annarre Smith sobre a mulher do Silva que recebeu um telefonema do laboratório  desculpando-se e pedindo ajuda. Os exames de dois Silvas, um era seu marido, feitos no mesmo dia, por falha interna, se misturaram. E o pior, os dois resultados não são bons. Um deu positivo para Alzheimer, e o outro para AIDS. "E o que posso fazer?" Perguntou a mulher do Silva aflita. A senhora leve seu marido para um lugar bem longe de onde moram, e abandone-o. Se ele voltar para casa, não transe. 
E logo em seguida uma proposta para ser divulgada nas redes sociais: "Vamos acabar com os políticos corruptos?" E quem divulga a solução é o Zizinho Papa. As urnas eletrônicas não tem a opção de voto Nulo. Mas há uma possibilidade de anular o voto digitando 000+tecla verde. Se 51% dos eleitores fizerem isso, as eleições são automaticamente anuladas, e outra é convocada, sem a participação de quem concorreu na primeira. Bingo. Todos os candidatos e políticos corruptos estarão fora do poder. Grande saída para 2018.

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Bom dia, Eduardo.

Também gostei da foto. Imagino que a casinha colorida seja do salva vidas; o rapaz de calça à esquerda indica que é praia no inverno; a placa no alto deve conter informações turísticas e de segurança. A dúvida maior é sobre o que carregam as duas pessoas à direita. Seria uma dessas redinhas de arrasto para pegar camarão? A estética é refinada.
Não disse, mas digo agora: o tal livro das montanhas bem merece existir. 
Dinheiro, de fato, é vendaval. 

Grande abraço.
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Alvaro Abreu




9.8.17

Brincando com os netos

 Na bancada preparando gesso e celiconi para moldar as mãos dos três netos. Foto Guilherme Lunardelli
Foto Guilherme Lunardelli, mão da sua filha Glória, Julho de 2017. Piacaba

Crônica diária

Dória e uma Avenida chamada Brasil 

Para quem não mora na capital de São Paulo o nome de João Dória (em quem não votei parta prefeito) pode ainda ser desconhecido. Em poucos meses de gestão à frente da prefeitura da maior cidade brasileira, sem recursos, como de resto todo o Brasil, tem feito com o apoio da iniciativa privada e muita imaginação e trabalho, a cidade "parecer" melhor. Como não há recursos para grandes obras, vamos lavar e limpar as existentes. Dorme quatro horas por noite, e inferniza seus auxiliares com cobranças e exemplos. Se fantasia de gari, e finge pegar no pesado. Tudo dentro do maior marketing já visto desde os tempos do Jânio e do Collor. Não quero com isso fazer nenhuma ilação, pelo contrário, torço para que de certo. Como já disse não votei no Dória, mas acompanho sua trajetória política com interesse e atenção. Embora tenha se eleito com o bordão contra os políticos, não difere em nada nos métodos e ações. Jura fidelidade ao seu padrinho Geraldo Alckmin, mas esta na cara que é candidatíssimo à presidente em 2018. Talvez não pelo PSDB que por sustentar o Temer, já perdeu as eleições por antecipação, como escrevi há mais de trinta dias. Dória será candidato por outro velho partido, fantasiado de novo. E sua plataforma política, partindo da prefeitura de São Paulo, começa com as cores verde e amarelo. Transformou, sem gastar um tostão público, os canteiros centrais da importante avenida da cidade, colocando em seus três quilômetros, enormes mastros com a bandeira brasileira. Novo paisagismo, novas esculturas. Otimismo e ufanismo juntos, dando recado aos eleitores dos outros estados brasileiros, que há esperança. É um candidato paulistano para salvar o Brasil em 2018. Esse será o mote de sua campanha, já em andamento. Só não vê quem não quer. E é bom que seja assim. Vamos renovar. É nossa única salvação. E a esquerda, sempre tacanha e burra, já o ataca com ovos.

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João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Uma foto, que apesar dfe minha, sou obrigado a diz...":

Se Imbituba é assim no seu Inverno, como será no Verão ?
Também gostei muito desta imagem, Eduardo !

Postado por João Menéres no blog . em terça-feira, 8 de agosto de 2017 03:08:00 BRT 

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myra deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Uma foto, que apesar dfe minha, sou obrigado a diz...":

eu tambem gostei imenso!

Postado por myra no blog . em terça-feira, 8 de agosto de 2017 05:25:00 BRT 
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myra

       





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