23.5.13

Escritores


Tennessee Williams

Lucian Freud em plena ação

Lucian Freud

Comentários que valem um post


Caro Eduardo, a lembrança mais antiga que tenho de você era loja, pioneira de calças , la perto da Rua Augusta.Depois foram encontros casuais e depois o afastamento.Incrível com se perdem amigos pelo caminho.Fico muito contente de reencontrar cômodos essas dotes literários.Parabéns, um grande abraço.Lambert Wis

Crônica diária

Expressões regionais

Já andei escrevendo sobre a hipocrisia de certas palavras. Por exemplo "criado-mudo" virou mesa de cabeceira. Chamar uma mesinha de criado é politicamente incorreto. Chamar de criada, uma empregada domestica, é blasfêmia inconcebível. E vai além os preconceitos, pois hoje nem de empregada doméstica podemos chamar as cozinheiras, lavadeiras, e faxineira domésticas. São chamadas com hipocrisia, pernosticamente, de "secretárias ou auxiliares do lar". Isso para não voltar a falar do caso racista de chamar pretos de negros. Preto é crime. Mas essas expressões são de caráter nacional. Tenho três grandes amigas gaúchas e com elas fiquei sabendo que no Rio Grande do Sul chamam seio, peito, mamas de "tetas". É demais. Os gaúchos que me perdoem, mas suas origens pecuária, não lhes dão esse direito. Para o resto do Brasil, teta é de animal. Vacas, cabras, porcas, mas a mulher, respeitosamente tem mamas, peitos ou seios.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

POEMÍNIMOS

Maresia

Salga
e detona
mar e brisa
cheirando
mulher
alga
e
sal
engana
e detona
no silêncio
corrói
e
destrói

Cabeçalho rotativo


Série cadeiras

autor desconhecido

22.5.13

Escritores


Julio Cortázar

Crônica diária

O leitor, dos cinco mais assíduos, Henrique B. Larroudé me deu uma notícia que nos entristece muito. Beto Guerra esta numa UTI do Sírio Libanês em São Paulo por conta de um importante AVC. Uma figura impar, sem papas na língua, colecionou amigos com a mesma facilidade que cultivava desafetos com suas opiniões que não permitiam divergência. Ame-o, ou odeio-o. Sem meio termo. Conservador como exemplo de conduta a dar inveja aos mais conservadores do partido conservador da Inglaterra. Aliás nunca disse isso a ele, mas nasceu no país equivocado. Era um Inglês do corte do cabelo e penteado, aos nós dos sapatos clássicos e discretos. Não admitia modernismos. Glutão, lutou contra o peso a vida toda. Era ferino em seus comentários. E tinha uma risada irônica, solta e divertida. Trava uma batalha, nessa "guerra" pela vida, onde emprestou seu sobre nome. Poderia ter morrido aos dezoito anos. Trocou todas as válvulas que um coração permitia. Jogou tênis, e bridge  como, mais uma vez, um bom inglês faria. Viajou e se tratou em Miami. Tinha paixão por aviação, e pilotou sem carteira médica atualizada, seus vários monomotores. Namorou e casou muitas vezes. Teve cinco filhos. Fez da vida uma rotina minuciosamente projetada e administrada. Com seus gestos grandes e lentos, produzia com seu vozeirão respeito e lugar certo na cabeceira da mesa onde, às sextas feiras, reunia seus amigos. Teve muitos. E ninguém poderia supor que a ultima batalha não fosse ser cardíaca.
Postado há por

POEMÍNIMOS

Como se não ouvisse
Como se não visse
Como ou não
Se visse
E se ouvisse
Comia não

Cabeçalho rotativo


Série cadeiras

Autor desconhecido

21.5.13

Escritores


Albert Camus

JORGE PINHEIRO

Retrato de Jorge Pinheiro, by E.P.L ( Cimitan ) cavão sobre papel- 2010

Crônica diária

Criança não é chocalho

Tive a pouca sorte de me sentar ao lado de uma jovem mãe. Muito jovem e com um filho de uns seis anos sentado na poltrona da janela, e um bebê de colo. Antes mesmo do avião decolar a criança já estava chorando. Choro de criança só é suportável pelos parentes, assim mesmo moderadamente. Mas a jovem mãe ministrava a terapia do chocalho para acalmar a criança. Não me refiro ao brinquedinho de plástico cor de rosa, que faz um barulhinho e a criança pega e se distrai. Não, passou a chocalhar o bebê. Mas chocalhar de uma forma tão despuradamente chacoalhante que me irritou. Não acreditava no que ela estava submetendo seu filho. Milagrosamente o bebê parou de chorar. Estava viciado no dito chacoalho. Porque não era um leve balanço de cintura, com a criança nos braços. Era um movimento frenético, compassado, mas num compasso muito forte, que poderia provocar enjoou, náuseas, síndrome do bebê sacudido ou descolamento do córtex. Parecia uma roqueira a se chacoalhar como se o filho fosse uma guitarra. Essas sessões duraram por minutos intercalados durante toda a viagem. Me segurei para não chacoalhar a jovem mãe.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

Comentários que valem um post



mauro m deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Comemorando":

Êta, haja visita !!!
Tenho frequento quase diariamente esse varal nos últimos 5 anos, creio. Portanto sou responsável por umas 1.800 visitas, dessas 700.000.
Quase um sócio-atleta desse clube .

Postado por mauro m no blog . em segunda-feira, 20 de maio de 2013
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 Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Comemorando":

À minha conta também devo ter um bom pecúlio de visitas nessa imensidão que são 700 mil. Um mar de visitas com posts a navegar como barquinhos à vela.
:-)
Postado por Silvares no blog . em segunda-feira, 20 de maio de 2013
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 Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária": Tomo a liberdade de comentar esta crónica com um excerto de um conto que estou a escrever e me pareceu apropriado: "Todos sabemos que as coisas acontecem quando têm de acontecer. Mas também sabemos que por vezes acontecem tantas coisas em simultâneo que o acaso toma a forma de destino."
Abraço.

Postado por Silvares no blog . em segunda-feira, 20 de maio de 2013
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POEMÍNIMOS

Hotel
de hospedagem
Motel
de passagem
Amores
de verdade
Amantes
de ocasião

20.5.13

Escritores


Aldous Huxley

Crônica diária

 Saudade do Nosso Grande Tricampeão

Com esse título o meu leitor Mario Mendes comemorou no seu FB os 19 anos da morte de Airton Senna. Acontece que a morte do Senna esta, na minha cabeça, diretamente ligada à vida do meu pai. Eu nunca fui ligado em automóveis. Meu pai adorava. Teve carros importados quando a indústria nacional não os fabricava. Teve carros esporte, que até hoje a industria não fabrica. Gostava de dirigir. Adorava uma estrada. Pilotava com luvas apropriadas, e eu achava graça. Nunca dirigi seus carros esporte, conversíveis. Não que ele não deixasse, mas para mostrar meu desprezo por automóveis. Certo dia ele veio com uma história, de que havia um menino correndo de cart, e  que seria um campeão nas pistas. Acertou. Airton Senna foi tricampeão e uma figura humana especial. Há 19 anos atrás eu estava almoçando com amigos, num Sábado, quando recebi a notícia da morte do meu pai. No Domingo foi o enterro. No mesmo Domingo o Senna sofre o trágico acidente, numa corrida que meu pai não pode assistir. Dias depois o corpo foi transladado para o Brasil, e foi enterrado no mesmo cemitério, há poucos metros do meu pai. Não posso desassociar as duas coisas. Saudade dos nossos campeões.

Postado por Eduardo P.L. no blof www.elunardelli.blogspot.com.br

POEMÍNIMOS

A mula e a lua

A lua no céu
parece pregada
mas esta girando
e foi colocada
com um coice
de uma mula
gigante

Comentários que valem um post

Gaspar de Jesus deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Comemorando":

Parabéns mais uma vez Eduardo.
A sua capacidade de trabalho não deixará por certo, de impressionar todos quantos, mesmo à distância, têm a felicidade de vivênciar o seu dia a dia.
Abração
Gaspar de Jesus

Postado por Gaspar de Jesus no blog . em domingo, 19 de maio de 2013
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Cabeçalho Rotativo


19.5.13

Escritores


Ezra Pound

Comemorando

O Varal tem o prazer e honra de comemorar seus 700 000 visitantes. Foram exatamente 2074 dias com postagens diárias

SITEMETER

Site Meter

Caio Fernando Abreu e Clarice Lispector



Anotações de um amante das artes


Com o "boom" das redes sociais compartilhando a todo o momento fragmentos, nem sempre de natureza verossímil, de escritores de forte veia intimista como Clarice Lispector e, de seu assumido admirador, Caio Fernando Abreu, seus nomes passaram a ganhar novamente destaque na literatura nacional e curiosidade (?) entre os jovens leitores.

Embora pertençam a épocas antagônicas à nossa contemporaneidade, o espírito existencialista de suas obras vem cativando a nova geração justamente por falar sobre questões sensitivas do homem, quase numa espécie de catarse intimista - embora, criticamente, nas redes sociais tais escritores venham sendo usados de maneira um tanto quanto superficial e dispersa. Com a contaminação pop - no melhor ou pior sentido da palavra - de seus nomes, novas coletâneas e reedições de suas obras vêm surgindo e despertando o interesse entre as editoras e espaço nas livrarias.

O último lançamento do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu trata-se de uma compilação inédita de crônicas do autor, publicadas, entre os anos 80 e 90, no Jornal O Estado de São Paulo, intitulada A vida gritando nos cantos, editada pela Nova Fronteira, no final do ano passado. O título intimista e de estigma poético foi selecionado pela dupla de pesquisadoras Lara Souto Santana e Liana Farias, responsável pela feitura do livro, e retirado de uma das crônicas de Caio, intitulada "Querem acabar comigo?".

A ideia do livro, inicialmente, surgiu durante as buscas de Liana pelas crônicas assinadas por Caio que abordavam sobre a AIDS, doença que o matou em 1996, e que seria tema de sua monografia de conclusão do curso de Jornalismo, em 2010. Na busca por seus textos, vasculhou cada um dos exemplares do jornal, disponíveis na Biblioteca do Senado Federal, e encontrou um vasto material de crônicas do escritor que nunca havia lido. Com a missão de que estas viessem a público, reuniu-as e foi atrás dos responsáveis pelos direitos autorais. Conheceu Lara, no ano seguinte, que também fazia um trabalho de pesquisa sobre as crônicas inéditas de Caio, e juntas revisaram todo o material, sendo lançado no final de 2012.

Nesta compilação dividida cronologicamente entre os anos de: 1986-1988; 1993-1996 e em crônicas sem data, nos deparamos com um cronista atento às novidades da arte e da indústria do entretenimento, amante da música, da Literatura, do Cinema e do Teatro; e um depurado flâuneur do cotidiano paulistano, atento às transformações sociopolíticas do Brasil de seu tempo. Suas crônicas são como uma espécie de diário de anotações, onde Caio F. dialoga com o seu leitor, despretensiosamente, sobre arte, política e vida, indo da música dos The Doors ao disco Totalmente demais, do Caetano Veloso; da poesia de Drummond aos elogios feitos ao diretor Woody Allen, com o filme Hannah e suas irmãs; recordações de sua primeira ida ao bairro de Santa Tereza à experiência de morar numa comunidade hippie. Tudo junto e misturado. Jazz, Blues, Rock, MPB, Cinema, Literatura, agradecimentos, memórias, saudações, puxões de orelhas, homenagens e lamentações.

"Semana passada, me deu uma vergonha tão grande de morar numa cidade que tem como prefeito essa figura lamentável do sr. Jânio Quadros, que até pensei: bom, no domingo sento e escrevo sobre isso. Uma crônica/carta irada, reclamando da sujeira das ruas, da violência solta, do barulho, da poluição, do lixo. Uma carta raivosa, cheia de cobranças. Lamentando a burrice deste povo que elegeu o sr. Jânio como prefeito e é bem capaz de, nas próximas (cadê?) eleições diretas para presidente, votar naquele outro senhor - o João Baptista Figueiredo. Uma carta sugerindo o internamento imediato do sr. Jânio (como ele fez com a própria filha) para uma boa - digamos - faxina mental. Com muito detergente."

(Trecho de "Ninguém merece Jânio Quadros", assinada em 28 de outubro de 1987. A vida gritando nos cantos, pág. 127.)


Em outra crônica, ele relata o esgotamento existencial, após terminar de escrever um de seus livros:

"Escrevendo na manhã de segunda-feira. Céu muito azul. As moças da loja de bicicleta lavam as vitrinas. Eu bebo café, abro janelas. Como uma carta para vários remetentes, apara nenhum remetente. Despedida rápida, provisória: vou ficar algum tempo sem escrever aqui, pelo menos até dia 6 de janeiro. Um pouco porque vou viajar, tenho um trabalho a fazer no Rio de Janeiro. Mas principalmente porque preciso de tempo — me dar um tempo, sabe como? Ando meio esvaziado. Nos últimos tempos, investi todas as energias para terminar um livro — chama-se Os dragões não conhecem o paraíso. Não me sinto capaz de falar sobre ele. Está ponto, entregue. Foi demorado, foi difícil, talvez mais difícil que qualquer outro dos anteriores. Às vezes, escreve-se um livro como se fosse para não morrer. Eu disse às vezes, mas me pergunto se não será quase sempre assim. De qualquer forma. Este foi. E não que seja um livro "triste". Ao contrário: acho que é cheio de vida. Também não sei se tudo que é assim, cheio de vida, não será sempre também um pouco triste. Em abril, estará nas livrarias. Então conversamos."

(Trecho de "Despedida provisória", assinada em 16 de dezembro de 1987. A vida gritando nos cantos, cap. 137.)

A vida gritando nos cantos é um aparato do escritor, jornalista, crítico e cronista - e um eterno amante das artes -, codificados na figura de Caio Fernando Abreu. Uma conversa de bar com direito a uísque e cigarros ao som de Billie Holiday, Cazuza, Caetano, Angela Rô Rô, Nara Leão entre tantos outros. Um ótimo livro para os apreciadores de sua prosa esmiuçar o seu lado perspicaz e abrangente de cronista, e, evidentemente, para reforçar o boom das redes sociais que, felizmente ou infelizmente, o fizera, na geração virtual, um escritor um tanto quanto popular.

Márwio Câmara
Rio de Janeiro,  maio de /2013

Enviado por José Luiz Fernandes

POEMÍNIMOS

Juvenílias

Bastardos
abandonados
deserdados
abonados
retardados
aniquilados
desanimados
jovens

Comentários que valem um post

Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Acho que foi Mario Quintana quem escreveu; "há 2 espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e os amigos, que são os nossos chatos prediletos."
rsrsrsrs

Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em sábado, 18 de maio de 2013
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18.5.13

Escritores


Françoise Sagan

Crônica diária

 Critérios para julgar um chato

O autor do livro que estou lendo se disse incapaz de estabelecer critérios para julgar um chato. Eu vou aceitar o desafio, e tentar. Primeiro: o chato nasce chato, vem no DNA. Ninguém se torna um chato com o tempo. Às vezes acontece de até melhorar e deixar de ser muito chato. Mas é raro. O mais comum é o chato ir se aprimorando. Cada dia mais chato. Não é necessariamente hereditário, mas é genético. Há os chatos realistas, os fatalistas, os pessimistas, e os deprimidos. Há os detalhistas, e esses são os mais comuns. Explicam tudo nos mínimos detalhes sem que ninguém lhes tenha perguntado nada. Não há chato bem humorado. Geralmente estão de mal com a vida. São os calados. Melhores que os chatos falantes. Há exceções, os chatos alegres, esses são um porre. Riem de tudo, não tem a menor graça, e nos acham chatos. Como se vê, o chato depende muito do ponto de vista. Há os que são unanimidades. Desses não precisamos critérios. Mas há uns que são chatos meio período, isto é, não são chatos tempo integral. Os chefes geralmente são chatos  com seus subalternos, mas muito elogiados entre seus pares. Depende do ponto de vista. E vamos terminar por aqui para não nos tornarmos mais um.

Postado  por Eduardo P.L. no  blog www.elunardelli.blogspot.com.br

POEMÍNIMOS

Levadinha II

Levadinha
levava
a vida
sem ligar
para o que
pensava
e falava
a vizinha

A vizinha
tinha inveja
da levadinha

A levadinha
acabou
casando
e foi
morar
no Rio

A vizinha
solteirona
morreu
de inveja

17.5.13

Escritores


William Faulkner

Crônica diária

Passagens prematuras

Hoje vou falar de dois amigos que nos deixaram prematuramente. Faz anos que se foram. Eram praticamente da mesma geração, mas nem sei se chegaram a se conhecer. Um era filho do Oswaldo Figueiredo conhecido meu quando eu era lojista. Tive uma loja de calças chamada Bipede que foi a primeira loja no Brasil só de calças masculinas, femininas e as famosas unissex. Oswaldo Figueiredo era uma figura. O filho completamente diferente do pai fui conhecer em Ribeirão Preto, casado com a Biloca, e pai de duas lindas crianças. Era convidado do casal para jantar uma vez por semana. Tinha um dia certo, não me lembro se na terça ou na quarta, mas não falhavam. Sou grato pela amizade que me dispensaram. Um dia o Oswadinho morreu. Muito cedo. Muito jovem. Outro amigo daquela época foi o Rubens Mario de Oliveira, casado com Maria Aparecida Meirelles fazendeira. Era um artista, decorador, amigo dos arquitetos e pintores de então. Conheci a pintura do Gregório Gruber em sua casa. Muitos anos depois conheci pessoalmente o Gregório que me visitou na Piacaba. O Rubens Mario também partiu muito cedo. Esta crônica é um lamento e homenagem aos meus amigos que muito precocemente nos deixaram, e nunca mais ouvimos falar deles.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

POEMÍNIMOS

O fole
soprando
a chama
azul e avermelhada
chama
atiçada
pelo vento
do fole
a soprar
expelir
ejacular
ar
fresco
na chama
azul e avermelhada

16.5.13

Escritores

Albert Camus

POEMÍNIMOS

Olhos verdessim

Assim
que vi
os olhos
verdes
assim
como
grama
de jardim
fiquei
apaixondado
assim
quando
lavou o rosto
tirou
assim
as lentes
de contato

Crônica diária

As janelas do Caio Fernando Abreu

Não é preciso dizer que depois que li o livro da biografia e cartas do Caio F, por Paula Dip, fui me meter de cabeça na literatura dos anos 80, onde ele é considerado um expoente. Claro que gostei muito de muita coisa. Já escrevi, e tenho dito isso constantemente. Ele era criativo, corajoso, inventivo, inovador. "Vezenquando", eu, por exemplo, já adotei. Tem coisas maravilhosas nas suas descrições enxutas, precisas, poéticas, mas há também uma, uma não, duas constantes: o sofrimento de viver, de se estar vivo, e janelas. Quanto à primeira constante muito já se falou da obra do Caio F, mas das “janelas” não li nada. Nunca vi na obra de nenhum outro escritor, uma repetição tão desbragada de janelas. Janelas vistas de dentro para fora. Janelas externas vistas da rua. Janelas azuis, janelas verdes, limpas e sujas, há uma quantidade de janelas só proporcional às construções do fim do século dezoito, começo do dezenove. Janelas de casas, janelas de onibus. Janelas da alma. Janelas do quarto, janelas da sala, janelas que não acabam mais. Freud explica.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

Comentários que valem um post

José Luiz deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Combate é uma palavra que pode ser mal interpretada, pois recordo que, em 1959, convivíamos bem, alunos internos e externos, tanto dentro como fora das salas de aula. As atividades literárias, assim como as esportivas, ajudaram muito a fazer decair um pejorativo rótulo de "filhinhos de papai".

Postado por José Luiz no blog . em quarta-feira, 15 de maio de 2013
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Marcia Valentim DECIDI, NÃO TER MAIS CARRO... E ANDANDO NOS TRANSPORTES PUBLICOS, SENTIMOS NITIDAMENTE, QUE O PIOR ESTÁ PRÁ CHEGAR EM TERMOS DE RESPEITO E EDUCAÇÃO. DIA DESSES, DENTRO DE UM ONIBUS, TODOS OS ACENTOS PRÁ IDOSOS, ESTAVAM OCUPADOS POR JOVENS... E DE PÉ ESTAVAM 5 IDOSOS; REVINDIQUEI O DIREITO DOS IDOSOS; AS MOCINHAS SE LEVANTARAM E ME FALARAM MALCRIAÇÕES, DIZENDO QUE LUGAR DE VELHO ERA EM CASA; RESPONDI QUE ESSA RESPOSTA ERA TIPICA DE VAGABUNDAS!, NINGUÉM APOIOU A REVINDICAÇÃO DO RESPEITO AO IDOSO, MAS QUANDO FALEI VAGABUNDAS! O ONIBUS INTEIRO VEIO CONTRA MIM! O MUNDO PERDEU A NOÇÃO!! NÃO EXISTE MAIS DISCERNIMENTO! OS JOVENS ESTAMOS CEGOS, SURDOS E MUDOS PRÁ EVOLUÇÃO DA VIDA.
No FB
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Graziella Debbane A VIDA é um pacote.
Sofrimento, angustia, medo, decepção; alegria, amor, prazer e, muitas vezes, escolhas... O principal é respeitar as diferenças; saber que elas existem e que são parte integrante deste "pacote surpreendentemente maravilhoso"!
No FB
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15.5.13

Escritores

Philip Roth

POEMÍNIMOS

Levadinha

transpirava
hormônios
por todos os póros
tinha
o demônio
no corpo

Cabeçalho rotativo


Crônica diária

Ás voltas com um tema para esta crônica, li nos comentários do post das Mochilas que elas nos ônibus, e nas costas dos seus usuários,  indelicados, deseducados, grosseiros, apertados nas conduções superlotadas, não são a melhor opção para se transportar os pertences pessoais. Aí, me lembrei da falta de educação, cada dia mais evidente, de nossa população. Andando pelas ruas de nossa cidade é notório o número de cidadãos que jogam tudo na calçada. Desde a menininha de quinze anos, tênis, jeens, rabo de cavalo, cabelo crespo, mochila nas costas, para, coloca o cigarro nos lábios, faz concha com ambas as mãos, e risca um fósforo. Uma baforada, cigarro aceso, não titubeia, não procura um lixo, não disfarça, joga o palito no meio da calçada. Mas é só um palito! Não, outro casal de jovens vem meio metro atrás, conversam animadamente, e abrindo um sorvete jogando a tampa de plástico no chão como esse fosse o único gesto possível. Mas é só uma tampinha de plástico! Não, na calçada há lixo, há saco de lixo, há resto de entulho, há pedaços de cadeiras e guarda chuva quebrados, há coco de cachorro, cheiro de urina. Parece que as gerações estão cada dia menos educadas. Ou é impressão minha? 
 

14.5.13

Escritotres

W. Somerset Maugham

Crônica diária

"O PIRILAMPO" volta à terra natal

Cinquenta e quatro anos depois de fundado o jornalzinho mimeografado " O PIRILAMPO uma luz sobre o Colégio de Cataguases" volta à sua terra natal. Éramos jovens em 1959, e criamos um jornal para combater nossos adversários no Colégio de Cataguases, em Minas Gerais. Eram os alunos externos. Os nativos. Os que por direito mandavam no colégio. Nós éramos internos e vindos de todas as partes do país. Queríamos ter voz e o direito de dirigir o Grêmio Literário Machado de Assis, órgão máximo das atividades extra curriculares. A presidência era uma tradição ser exercida pelo mais brilhante estudante da cidade. Queríamos romper com essa tradição. A primeira providência foi criar um Jornal. A oposição criou o deles: O IRREVERENTE. E o Grêmio tinha ainda outro jornal, e esse impresso: O ESTUDANTE. No meio de tantos jornais, tantas batalhas, tantas campanhas galgamos nosso intento. Nos elegemos presidente do Grêmio. Mas essa é outra história. O que importa neste momento é que o acervo do número zero ao último exemplar d´O Pirilampo esta voltando, pelo correio, para a cidade onde nasceu. O poeta, escritor e intelectual Ronaldo Werneck vai escrever, sob encomenda de um jornal mineiro, uma matéria sobre o Colégio de Cataguases, e pretende falar de seus alunos ilustres, entre eles o Chico Buarque, que mantinha uma coluna no O Pirilampo denominada " Quitandinha do Bananal" apelido que ganhou no colégio. Cinquenta e quatro anos depois um aluno ilustre, mas externo, nativo, vai prestar uma homenagem ao jornalzinho que foi criado para combatê-los. O mundo da voltas.

Posted by Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

Comentários que valem um post

Milton Ribeiro deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica Diária":

Isso não muda nada na avaliação dos autores, mas acho que Bolaño não era gay.

Postado por Milton Ribeiro no blog . em segunda-feira, 13 de maio de 2013
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 Silvares deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica Diária":

Seja lá o que for (ou tenha sido) Bolaño tem uma escrita poderosa. Há mais do que uma passagem nos seus livros em que ele narra relações homossexuais com pormenores inesperados, digo eu. Da mesma forma que narra crimes hediondos como se os tivesse cometido. A imaginação pode tudo!

Postado por Silvares no blog . em terça-feira, 14 de maio de 2013
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13.5.13

Escritores

John Steinbeck

POEMÍNIMOS

O pavão do Jorge

Pavão
pupila
empavonado
com  calda
leque maravilha
mil olhos
verdes e azuis
enfeitando
e espreitando
os inimigos
ao pavão
tenta conquistar

Crônica Diária

Roberto Bolaño e Caio Fernando Abreu

Eu cheguei tarde a esses dois autores, que apesar de terem sido da minha geração, deles não havia lido nada. Do Bolaño li quase toda obra. Do Caio estou começando agora. Escritores que tinham em comum serem homossexuais, e terem morrido cedo, como a maioria deles. Mas não sei se um conhecia a literatura do outro. O certo é que, um no Chile, outro no Brasil e ambos na Europa, escreveram muito, e muito semelhantemente. Ambos inventaram uma literatura moderna na década de 80. Ambos estão sendo descobertos pelos jovens de hoje. Sou o único velho, entre esses jovens, a descobri-los. Ambos estão exercendo uma forte e sadia influência nos escritores principiantes. Recomendo a leitura dos dois.

Posted by Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

12.5.13

Escritores


William S. Burroughs

POEMÍNIMOS

Golpe baixo
golpe sujo
golpe de sorte
golpe de ar
Com um golpe
nocauteei
o paladar
comi tangerina
mexerica
alcachofra
a esbaldar

Crônica diária

Auto espinafração

As pessoas adoram auto espinafração. Auto ajuda, nem me fale. Diadesses, tudo junto caro José Luiz, ( acabo de ler “Morangos Mofados” do Caio Fernando Abreu ) postei uma crônica sobre os “complexos complexos” que tenho. Falava na ocasião do complexo de ter usado camisa social com monograma. Foi um sucesso de “curtições”, e comentários. Só não foi recorde porque o dia que um dos meus leitores resolveu assumir que o personagem tolo da crônica era ele, e suas mulheres, a atual e a ex, saíram em sua defesa, e a "galera gostou". Nenhuma outra crônica vai ter tanto “curti” ou comentário. As pessoas adoram espinafração, sejam elas quais forem. Por essa razão vou passar a me espinafrar com mais frequência. Tenho um sem número de complexos. Se contá-los faz meus leitores felizes, por que não? E mais uma vez me reportando aos “Morangos Mofados” vezenquando vou contar um.

Posted by Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

Cabeçalho rotativo


Comentários que valem um post

Gaspar de Jesus disse...
Tal como o Eduardo, eu, que adoro o Preto e Branco na Fotografia, não consigo pensar assim no que concerne à VIDA. Sempre achei que o caminho do meio é o melhor. Zango-me muitas vezes com a maldade dos homens sem sequer olhar se seguem pelo mesmo caminho que eu. Raramente visto roupa de marca, porque não cabe no meu bolso; Só por isso.
Mas tal com bem diz o Eduardo, jamais deixaremos de pensar e condenar o trabalho escravo sempre que olhar-mos para algo patenteado por alguém para quem só o lucro conta.
Um feliz fim de semana para si.

11.5.13

Escritores

Charles Bukowski

MANJAR BRANCO & UM NOVO CASO

 Finalmente ontem às 22,30 horas recebemos da gráfica os primeiros exemplares do livro
UM NOVO CASO  &  MANJAR BRANCO  - Contos policiais em três versões
Eduardo P. Lunardelli
Rui Silvares
Milton Ribeiro
Maria de Fátima Santos
Jorge Pinheiro
Piacaba Editora

POEMÍNIMOS



As raias
da pornografia
deitada
na areia
da praia
passava
bronzeador
argentino
nas coxas

Crônica diária

  Sempre fico mal na foto

Tinha acabado de postar uma crônica  falando do meu complexo por ter sido desprezado, por um casal de hippes, por usar à época ( princípio da metade do século passado ) camisa social com monograma. As reações no Facebook foram de repúdio aos hippes e de total apoio a quem usa. Logo, recriminando qualquer sentimento de culpa ou complexo que eu possa ter sobre o fato. Mas exatamente no mesmo momento  que essa crônica era lida e comentada, eu lia e comentava um post do Rui Silvares, no sentido contrário. Me explico: o Rui, que escreve maravilhosamente, postou um texto sobre a vergonha de que ainda exista hoje países praticando verdadeiras escravidões, com mão de obra muito barata, concorrendo com os operários e salários europeus, para produzirem bens de luxo e de necessidade secundárias, como bolsas de grife que são vendidas por preços exorbitantes. Estando de acordo com a tese no seu geral, não concordei com um comentário de outro Rui, este Sousa, que entre outras coisas disse: " Bem sei que não estamos só a falar da produção de artigos de marca e de segunda necessidade, mas este fenómeno é particularmente repugnante quando se trata deste tipo de artigos." Respondi ao comentário:" Rui e Rui, estou de pleno acordo no tocante a tese em geral. Não gosto das adjetivações como: "Bem sei que não estamos só a falar da produção de artigos de marca e de segunda necessidade, mas este fenómeno é particularmente repugnante quando se trata deste tipo de artigos".
Devemos combater a mão de obra "escrava" em todos os locais, países, que produzam quaisquer tipo de produto, desde alimentos até artigos de marca de segunda necessidade, sem distinção. Aí a tese é válida."
Fiquei, tenho certeza mal na foto do Rui Silvares e do Rui Sousa. Quanto aos monogramas fiquei mal nas fotos do Henrique B. Larroudé, do José Bonifácio Boné Ferreira , e de outros leitores que ainda usam monograma. Mas na minha vida sempre foi assim. A esquerda sempre me achou de direita, e a direita me trata como se eu fosse de esquerda. Como veem, só me resta o centro, como penso  sempre ter estado, esteja, o centro,  onde estiver.

Cabeçalho rotativo


10.5.13

Rene Magritte



La Lectrice Soumise Posters por Rene Magritte

MANJAR BRANCO  &  UM NOVO CASO  contos policiais em três versões estão chegando. Aguardem !

Comentários que valem um post


  • Patricia B. Gentil UAU ! sem palavras
    No FB
    ************************************************************************** 

    Tomaselli Maria parece inventado, escreveste mesmo sobre a vida
    No FB
    *************************************************************************** 

    • Celia Conrado nossa! senti até um arrepio.
      No FB
      ***************************************************************

    • Heloisa Eugenia Levy Villela Você pensando em vida e morte e, logo, na sua frente, vc 
      assiste a uma morte "escolhida"! Incrível!
      No FB
      ************************************************** 
       Cassio Penteado mencionou você em um comentário.Cassio escreveu: "Sobre escrever, Henrique B. Larroudé, o que o Eduardo Penteado Lunardelli bem cultiva, tenho uma estorinha boa. No ginásio (Sta. Cruz) eu escrevia para o jornalzinho interno (se não me engano, chamado "Verbamidas" ou algo similar rs) e fiz uma reportagem sobre a Festa dos Esportes. Publicada, o Pe. Claudio me chama e diz com aquele sotaque canadense: "meu filho, porque vc não escreve como o "Carioca" (que era o Chico Buarque no seu ultimo ano do colégio)? Bem, acho que pensei: porque ele é o Chico Buarque e eu sou eu e "mis circunstancias" :)"
      No FB
      ********************************************************

POEMÍNIMOS



Caio F.

“A bolsa grávida
de compras”.
Achado literário
Pérolas do poeta
Por que
não pensei
nisso antes?

Crônica diária

A mochila branca
O trânsito estava infernal. Voltava do AME, onde fui apanhar medicamento de alto custo fornecido gratuitamente pelo Estado. É preciso chegar de madrugada e enfrentar, na calçada, uma fila durante uma hora e dez minutos até que os portões se abram as sete da manhã. Eu consegui ser o paciente de número 33, e em menos de uma hora fui atendido. A volta pela Avenida Tiradentes, nesse horário da manhã, é congestionado. Estava pensando no que iria escrever hoje. E minha crônica iria falar da vida. Pensei em começar, não a partir da vida do feto, mas do parto em diante. A primeira respirada, o primeiro golpe de ar chegando nos pulmões, e a primeira reação humana: choro. Desse instante em diante caminhamos para a morte. O processo da vida é um sistemático e constante caminho para a morte. Se nasce para morrer. Era mais ou menos isso que estava prevendo escrever na crônica de hoje. O trânsito continuava congestionado. Ha vinte metros de onde meu carro estava aguardando o trânsito seguir, havia uma passarela sobre a avenida. Dessas passarelas de metal. Sobre ela, e com os braços apoiados no parapeito, uma mulher de costas. Jeans, camiseta, cabelo preso na nuca. Corpo de menina. Mochila branca nas costas. Parecia observar o infinito ou o transito caótico dessa cidade. Subitamente tira a mochila, coloca-a no chão ao seu lado, da um salto com a perna direita, passa o corpo pelo parapeito e se joga da passarela. O trânsito que já estava ruim parou de vez. Caiu entre dois veículos. Morte instantânea. Dentro da mochila, pouco tempo depois a polícia encontrou um vestido de noiva e véu com aparência de nunca terem sido usados. Não foi por acaso que ela escolheu aquela "Passarela Rua das Noivas", inaugurada em 1996.

9.5.13

Uma photo, um varal e brincadeiras infantis

autor desconhecido
Enviada por José Luiz Fernandes

OLAVO MORAES BARROS NETO


            n.a = Estou acostumado a me pendurar no VARAL, saber das coisas, ficar por dentro. Aprender um pouco, o que 
                     é muito para quem sabe nada,entende nada das ¨ARTES¨
                     Susto,Surpresa !   -  Fui pendurado no VARAL  -  Que honra,que deferência. Já é bom ser Lido, imagine ser
                     Publicado. Por si só, já é uma orgulhosa e porque não, vaidosa conquista. Sinceramente  OBRIGADO !
 INFLUÊNCIA  INSTANTÂNEA

                        Eu - LENDO EDUARDO
                                POEMANDO...
                        Ela - DENTES
                                 ESCOVANDO...
                        Nós - ESCOVA
                                   TROCADA ? !
                        LEDO ENGANO
                        BOCA BEIJADA, USADA .
                        NÃO FERE , ADERE...

                        Olavo Neto
                        Praia de Sto.André -BA-
                        04/2013
Foto by E.P.L.

Cabeçalho rotativo


Crônica diária

Não se iludam com o Serra

Conheci o Serra, de longe, num congresso da UBES ( União Brasileira de Estudantes Secundários ), onde ele era visita e Presidente da UNE. Estava acompanhado do Glauber Rocha que ficaria famoso anos depois com seu "Deus e o Diabo na terra do Sol". Eu era membro do conselho da UPES, e a representava no congresso. O economista
José Álvaro Moisés, diretor científico de Políticas Públicas da USP hoje, era o Presidente que me venceu nas eleições. Nunca fui com a cara do Serra, lá, e em nenhuma das campanhas que participou. Se votei nele alguma vez foi por falta de opção melhor, e para derrotar o PT, ou o Lula em algumas circunstâncias, mas convicto de que o Serra na Presidência da República seria um perigo muito maior do que representava, à época, o metalúrgico do ABC. O Serra tem cultura, é obstinado, personalista, concentrador, e socialista. Essas qualidades ( ou defeitos ) fazem dele uma incógnita. Para mim, um perigo. Não se pode confiar no que diz e no que escreve. Usou a Prefeitura como trampolim para o Governo do Estado de São Paulo, e este como plataforma para as campanhas, onde sempre foi derrotado, para a Presidência. Mas não cumpre suas promessas. Quando diz: "não serei candidato", esta dizendo: "serei se me der na cabeça". No exato momento se nega apoiar Aécio Neves seu companheiro de partido, presidente e candidato a concorrer nas próximas eleições à Presidência da República, pelo seu partido. Não apóia, mas nega não estar apoiando. Esta até articulando uma saída do partido para concorrer por outra legenda. Uma obsessão. Um perigo esse Serra. Quanto ao seu caráter, julguem vocês. Eu o julguei quando éramos estudantes. Ele só piorou.

8.5.13

MYRA LANDAU, no seu melhor





Myra Landau, famosa e grande artista plástica, em produção diária e ininterrupta com uma criatividade espantosa, presenteia seus amigos e admiradores com trabalhos seus. Esta semana tive a honra e privilégio de ganhar alguns.
Com esta humilde postagem quero agradecer à artista, que lá de Israel, depois de ter corrido o mundo, nos enche de alegria com seu trabalho.

«A ronda noturna»


 
 Num centro comercial em Breda, na Holanda, os clientes foram surpreendidos pelo soar do alarme e um fugitivo à solta. Estupefatos e assustados, ninguém estava a perceber o que se estava a passar, enquanto várias personagens do século XVII surgiam. No final, tudo ficou explicado. Tratava-se de um flash mob que serviu para celebrar o retorno do quadro «A ronda noturna», uma das mais famosas obras do pintor holandês Rembrandt, pintada entre 1640 e 1642, ao museu Rijksmuseum.
Enviado por José Luiz Fernandes

Comentários que valem um post

Ery Roberto Corrêa mencionou você em um comentário. 
Ery escreveu: "Eduardo, use sim. Só lembre de tirar das costas e segurar lateralmente com as mãos quando estiver em um ônibus, metrô lotado ou em alguma fila. Porque se tem coisa que aporrinha as ideias é alguém esfregando uma mochila na gente. Aliás, isto já foi tão percebido que vi em São Paulo cartazes pedindo a mesma coisa em ônibus. Abração."

Crônica diária

A moda da mochila

Você já tem uma? Você também aderiu a moda? Ou usa há muitos anos? Mochila virou peça obrigatória da população brasileira. Foi meio que derrepente que essa mania de usar mochila tomou de assalto as pessoas, homens, mulheres, jovens e até crianças. Todos usam mochila. Antes era equipamento de camping ou de andarilhos. Hoje senhores de terno e gravata estão usando suas mochilas. A pé, em metrôs, ou de bicicleta, outro meio de transporte em grande expansão nas cidades brasileiras, vê-se gente com suas mochilas. Algumas sofisticadas, outras básicas, as mochilas viraram moda. Será que um dia vou possuir e usar uma?

7.5.13

SASHA KURMAZ - fotógrafa

      SASHA KURMAZ

Crônica diária

Condessa Olívia Tarnovska

Hoje vou vasculhar o fundo sombrio de uma memória que já não anda lá essas coisas. Deve ter sido nos anos de 1967 ou 68, em companhia do casal Lenita e Olivier Perroy, meus amigos que estive na casa do "designer de móveis e playboy Ricardo Fasanello" no Rio de Janeiro. Essa visita, à época, me causou uma profunda impressão. Não me recordo o bairro onde morava, mas era um casarão antigo, com muito poucos móveis, e uma pobreza franciscana. Cachorros e crianças numa sala enorme, e uma figura feminina que nunca mais esqueci. Uma mulher alta, magra e linda, a condessa Olívia Tarnovska que era a esposa do Ricardo. Ela sob um vestidinho de pano barato sobre o corpo descalça, andando pela casa como uma leve cortina de voal ao vento. Flanava. Nunca mais pude esquecer. Ele, o playboy, outro príncipe. Pobre, mas com a postura e dignidade dos nobres. Encontrei-os aqui nas páginas do livro da Paula Dip. Quem não os conhecia no Rio? O que será que foi feito desse casal? Nunca mais ouvi falar deles. As crianças eram lindas. Tudo lá parecia conto de fadas e um mundo irreal. O livro Caio F. da jornalista Paula Dip me fez relembrar esse mundo.

Posted by Eduardo P.L.no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

ASCÂNIO LOPES

Tanto
ASCÂNIO LOPES  (1906-1929)
          Ascânio Lopes fez parte do Grupo VERDE,  célebre revista
          editada em Cataguases na década de 20 por Rosário Fusco,
          Henrique de Rezende, Francisco de Peixoto e Guilhermino César.
          Morreu precocemente vítima de uma tuberculose pulmonar,
          cursava o terceiro ano da Faculdade  de Direito de Belo Horizonte.
          Sua poesia evoca o mundo bucólico da infância e das fazendas,
          a decadência rural e a mesmice municipal.
          *o poema aqui reproduzido preserva a ortografia original da época e
          faz parte do livro Poemas Cronológicos, de 1928. Tanto promete para
          breve  um trabalho especial, enfocando o grupo de Cataguases e sua
          obra.
 
                CATAGUASES
                                         para Carlos Drummond de Andrade
                 
            Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
            cidade européia de ruas retas, árvores certas,
            casas simétricas,
            crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
            Nem Juiz de Fora. Ruído. Rumor.
            Apitos. Klaxons.
            Cidade inglêsa* de céu esfumaçado, cheio de chaminés negras;
            Nem Ouro Prêto, cidade morta,
            Bruges sem Rodenbach,
            onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas
                                                                             [ que já esquecemos;
            Nem Sabará, cidade relíquia,
            onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado
                                                                                  [ arrumadinho;
            Nem Estrêla do Sul, a sonhar com tesouros,
            tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
            Nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que não
                                                                                    [ pretende ficar.
            Nã-o ! Cataguazes... Há coisa mais bela e serena oculta
                                                                                 [ nos teus flancos.
            Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
            que nunca foram, que não cuidam de ser.
            Não sabes, não sei, ninguém compreenderá jamais o que
                                                                    [ desejas, o que serás.
            Não és do passado, não és do futuro; não tens idade...
            Só sei que és
            a mais mineira cidade de Minas Gerais...
            Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana
                                                                         [ de bangalôs derniecri.
            Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de
                                                                               muitos hóspedes.
            Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem.
            Nem ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
            Nem os dísticos de aqui estêve aqui aconteceu.
            Nem o tintim áspero dos padeiros.
            Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
            Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos,
            os padeiros deixam o pão à janela (cidade mineira).
            Teu amanhecer é suave.
            Que alegria de ter só gente conhecida faz teu habitante voltar-se
                                               [ para cumprimentar todos que passam.
            Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo, esperto
                                                             [ mau, a suspeitar riquezas nas terras.
            Alegria dos Fordes brincando (são dois) na praça.
            (Depois vão dormir juntinhos numa só garagem).
            Jacaré !
            João Arara!
            João Gostoso !
            teus tipos populares.
            A criançada atira-lhe pedras e êles se voltam imprecando.
            Rondas alegres de meninas nas ruas, às tardes, sem perigo
                                                                                   [ de veículos,
            papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
            foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
            Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes
                                                                                          [ no cinema.
            Ar môrno e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra
            nas tuas tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos
                                                                                         [ passantes
            e batem isócronas nos passeios furados.
            Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a apena passar,
            que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
            Em ti se dorme tranquilo sem guardas-noturnos.
            Mas com o cricri dos grilos,
            o ranram dos sapos,
            o sono é tranquilo como o de uma criança de colo.
            Vale a pena viver em ti.
            Nem inquietude,
            nem pêso inútil de recordações
            Mas confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
            nem ficam eternas.
             
            Leia também  OS VERDES ANOS, artigo de Delson Gonçalves Ferreira
             
              Poesia Enviada por José Luiz Fernandes

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